atencao-humanizada-metodo-canguru-manual-3ed 2017 MS

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(Parte 1 de 7)

Brasília – DF 2017

Manual Técnico

Atenção Humanizada ao Recém-Nascido

MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Ações Programáticas Estratégicas

Brasília – DF 2017

Atenção

Humanizada ao Recém‑Nascido

3ª edição Manual Técnico

Ficha Catalográfica

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas.

Atenção humanizada ao recém-nascido : Método Canguru : manual técnico / Ministério da Saúde, Secretaria de

Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – 3. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2017. 340 p. : il.

3ª edição do livro: Atenção humanizada ao recém-nascido: Método Canguru (2011). ISBN 978-85-334-2525-5

1. Recém-nascido. 2. Método Canguru. 3. Saúde da Criança. I. Título. CDU 613.952

Catalogação na fonte – Coordenação-Geral de Documentação e Informação – Editora MS – OS 2017/0133

Título para indexação: Guidelines for humanized attention to the newborn: Kangaroo Method: technical manual

2002 Ministério da Saúde.

Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.

A coleção institucional do Ministério da Saúde pode ser acessada, na íntegra, na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde: <w.saude.gov.br/bvs>.

Tiragem: 3ª edição – 2017 – 3.0 exemplares

Elaboração, distribuição e informações: MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Ações Programáticas Estratégicas SAF/Sul, Trecho 02, Lote 05/06, Torre I, Edifício Premium, sala 18 CEP: 70070-600 – Brasília/DF E‑mail: dapes.sas@saude.gov.br

Coordenação Geral da Saúde da Criança e do Aleitamento Materno - CGSCAM/MS: Cláudia Puerari

Organização: Denise Streit Morsch Zeni Carvalho Lamy

Revisão técnica: Denise Streit Morsch Luiza Geaquinto Machado Maria Cândida Ferrarez Bouzada Viana Nelson Diniz de Oliveira Sérgio Tadeu Martins Marba

Elaboração: Denise Streit Morsch Geisy Maria de Souza Lima Luciana Palácio Cabeça Maria Auxiliadora Mendes Gomes Nelson Diniz de Oliveira Nicole Oliveira Mota Gianini Olga Penalva Vieira da Silva Patricia de Pádua Andrade Campanha Pedro Iencarelli Sérgio Tadeu Martins Marba Suzane de Oliveira de Menezes Tadeu de Paula Souza Tathyane Silva Vivian Mara G. de Oliveira Azevedo Vladimir Athayde Zaira Aparecida de Oliveira Custódio Zeni Carvalho Lamy

Colaboração: Anielle Letícia Barreto de Souza Carolina Polazzon Karina Godoy Arruda Margareth Dirikson Mari Elisia de Andrade Maria Cândida Ferrarez Bouzada Viana Mariana Silva Barcelos Mônica Pessoto Nina de Almeida Braga Rebeca Domingues Raposo

Foto capa: Merval de Jesus Gonçalves Filho

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Fotografias: Edgar Soares da Rocha Eremita Val Rafael Merval de Jesus Gonçalves Filho Suzane Oliveira de Menezes

Projeto gráfico e diagramação: Fabiano Bastos

Normalização: Mariana Andonios Spyridakis Pereira – Editora MS/CGDI

Revisão: Khamila Silva – Editora MS/CGDI Tamires Alcântara – Editora MS/CGDI

Apoio: Fundação Josué Montello Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão – HUUFMA Universidade Federal do Maranhão – UFMA

Elaboração de texto (1ª edição): Catarina Aparecida Schubert Denise Streit Morsch Geisy Lima José Dias Rego Márcia Cortez Belloti de Oliveira Maria Auxiliadora Gomes de Andrade Marinice Coutinho Midlej Joaquim Nelson Diniz de Oliveira Nicole Oliveira Mota Gianini Ricardo Nunes Moreira da Silva Suzane Oliveira de Menezes Zaira Aparecida de Oliveira Custódio Zeni Carvalho Lamy

Elaboração de texto (2ª edição): Andréa dos Santos Carmen Elias Catarina Aparecida Schubert Denise Streit Morsch Geisy Lima Honorina de Almeida Maria Auxiliadora Gomes de Andrade Maria Auxiliadora Mendes Gomes Maria Teresa Cera Sanches Nelson Diniz de Oliveira Nicole Oliveira Mota Gianini Olga Penalva Vieira da Silva Ricardo Nunes Moreira da Silva Sérgio Tadeu Martins Marba Sonia Isoyama Venancio Suzane Oliveira de Menezes Zaira Aparecida de Oliveira Custódio Zeni Carvalho Lamy

Apresentação 5

Chegando ao final331

Anexos 335

Anexo A – Modelo gráfico do genograma337

Anexo B – Símbolos do genograma338 Anexo C – Modelo gráfico do ecomapa339

Sumário

Apresentação Apresentação

Apresentação

Uma carta para nortear o cuidado perinatal brasileiro

Quem construiu a Tebas das sete portas? Nos livros vem o nome dos reis, Mas, foram os reis que transportaram as pedras?

Bertolt Brecht

Decorridos mais de 17 anos desde os primeiros encontros realizados na então Área Técnica da Saúde da Criança, do Ministério da Saúde, nos idos de 1999 até os dias atuais, muito se caminhou buscando novos olhares para nortear o cuidado perinatal brasileiro. Havia a sensação de que algo de muito novo clamava para ser mostrado à comunidade científica, de modo convincente, para que pudesse crescer e impactar de maneira positiva no futuro das crianças e de suas famílias. Com isso concorda Jaqueline Wendland (2012) que comenta que não existe nada na vida que possa ser comparado com o surgimento de uma nova vida oriunda de uma gravidez e do momento do parto.

Estamos falando do momento mais nobre da nossa existência, que é o cuidado com a continuidade da nossa espécie, a espécie humana. Nada mais sensível, delicado e importante do que a constituição de um novo ser. Nada mais desafiante do que ajudar a cuidar desse momento, de forma atenta, segura, conhecendo cada particularidade; respeitando a sua integralidade e sabendo prevenir, antecipar e atuar quando necessário. Dessa forma, ao reunir o conhecimento de vários cuidadores de diferentes especialidades envolvidas com a saúde da mulher e da criança, ousou-se construir passos que pudessem unificar esse novo conceito de cuidado perinatal, com uma visão mais holística e humana.

Desta forma, foi elaborada a Norma de Atenção Humanizada ao Récem‑Nascido de Baixo Peso – Método Canguru. Funciona como uma carta-piloto, auxiliando “navegadores e caravanas” no planejamento de melhores rotas. Como uma carta que estabelecesse princípios, conceitos e comportamentos, tornou-se magna e ganhou força. Não uma força pétrea por ser irredutível, mas força pela forma dialogada na sua construção, consistente nas suas matrizes científicas e com olhar de vanguarda. Como toda nova concepção, o estabelecimento de maneiras para disseminar os novos conceitos precisaram ser construídos. Assim, surgiu o Manual Técnico, pilar de toda esta obra e que agora temos o orgulho de apresentar em sua 3ª edição.

O porquê de um manual técnico

O trabalho que a Norma de Atenção Humanizada propõe-se a discutir e ordenar inclui na atenção perinatal vários novos momentos. Momentos esses não só restritos aos processos envolvidos nos cuidados pré, trans e pós-parto, mas também chamando a atenção para toda essa complexidade, ao trazer elementos ligados às raízes da vida dos diferentes atores individualmente e que têm repercussões transgeracionais.

Com essa vertente holística e de vanguarda, surge, nos ensinamentos preconizados pela Norma, o detalhamento de seu Manual Técnico, em que situações antes

Ministério da Saúde Atenção Humanizada ao Recém‑Nascido: Método Canguru desconhecidas pela grande maioria dos cuidadores perinatais passam a ser delineadas. À compreensão sobre a abordagem da mãe, do pai e de toda a família, protagonistas da gestação, associa-se o conhecimento dos aspectos psíquicos e sociais, de fundamental importância para um adequado acompanhamento fisiológico da gestação. Surgem novos olhares com o melhor conhecimento da conjugalidade, dos conceitos de parentalidade, temporalidade da mãe e seu companheiro, da família e do recém-nascido e reforço na função e no lugar dos irmãos e dos avós dessas crianças.

A discussão das novas configurações familiares, indo além da tradicional família nuclear, mostra que a equipe perinatal deve estar preparada para as mudanças no contexto das relações afetivas e promover inclusão e auxílio na formação da rede social de apoio. A mesma preocupação aparece ao discutir particularidades no acompanhamento das gestações de pacientes usuárias de drogas.

A vocação e o forte conteúdo direcionado ao cuidado do recém-nascido pré-termo e de baixo peso devem-se à importância que o conhecimento sobre a labilidade desse momento do desenvolvimento deve ser ressaltado. Assim é que a discussão estabelecida no Manual, apoiada nos novos conceitos de neurodesenvolvimento e da neurociência, ratifica a adequação dos cuidados voltados à neuroproteção como fundamentais para uma saudável vida futura. Por isso, trabalhar a qualidade da ambiência na unidade neonatal e estabelecer manuseio refinado dessas crianças tornaram-se um dos pontos altos desse novo paradigma perinatal. Atrelado a isso, a formulação de diretrizes para um suporte nutricional adequado, assim como os aspectos concernentes à manutenção da estabilidade térmica, da prevenção e do tratamento da apneia e do refluxo gastroesofágico, dos cuidados na broncodisplasia, presentes na primeira edição, retorna atualizada nesta 3ª edição.

Cuidar de quem cuida foi, desde o início, uma das particularidades desse rico material e certamente aclamado pelo pioneirismo com essa preocupação. Não há promoção da saúde sem o cuidado com a saúde dos cuidadores. Assim, discutir fatores provocadores de estresse profissional pelo contato diário com recém-nascidos em situação de risco, evitar o burnout, trabalhar as perdas, pensar estratégias de apoio da gestão são aspectos fundamentais para serem discutidos e dignificam a atenção com a equipe perinatal.

A acreditação

Não adiantava contar com tão importante obra se ela ficasse subutilizada. A estratégia de estabelecer cursos de capacitação para profissionais de saúde, centros de referências nos diferentes estados do País, tutores e instrutores, assim como consultores da Norma (responsáveis pela constante organização, revisão de conteúdo e de estratégias de disseminação do conhecimento), foi fundamental na consolidação da nova proposta. Trabalho árduo foi realizado com as sociedades de especialidades médicas e academias, que inicialmente se mostraram arredias e incrédulas a todo este movimento. Importante ressaltar que, aliados à postura de mudança da atenção perinatal, novos modelos educacionais, como a utilização da estratégia de Aprendizado Baseado em Problematizações (PBL – problem based learning) passaram a ser utilizados nos

Apresentação cursos de capacitação, como metodologia de ensino e aprendizagem. No âmbito das unidades neonatais, começou-se a propagar o Projeto Terapêutico Singular (PTS) como forma, não só de individualização do cuidado perinatal, mas também de harmonização do olhar da equipe multiprofissional. Dentro da filosofia ora trabalhada, tem sido sugerida a mudança do termo “terapêutico” para “cuidado”, tornando-se portanto Projeto de Cuidado Singular, o que de certa forma parece mais compatível com a filosofia da abordagem proposta.

No momento, o que parecia no início ser uma proposta de sonhadores, consolidou-se, e a Norma de Atenção Humanizada ao Récem-Nascido de Baixo Peso – Método Canguru tem sido uma realidade nos modelos de assistência no Brasil e mundo afora. Vários trabalhos acadêmicos, teses de mestrado e de doutorado têm sido produzidos pelas nossas universidades. Artigos ganham espaços nas diferentes publicações indexadas no âmbito nacional e internacional. Recentemente, Conde-Agudelo e Díaz-Rosselo (2014), em revisão sistemática da Cochrane Library, mostraram que a utilização do Método Canguru é estratégia que impacta positivamente na redução da morbimortalidade dos recém-nascidos de baixo peso.

Olhando para o futuro

Como a vida é dinâmica, consolidar o conhecimento é fundamental. Mas desbravar e construir novos caminhos percorrem sempre a cabeça dos inquietos, dos perfeccionistas e dos sonhadores. Por isso, a Norma deve ser considerada como uma carta norteadora, livre para permitir que nos debrucemos sobre ela e procuremos traçar sempre os melhores caminhos para o nosso cuidado perinatal.

Para isso, convidamos todos leitores a que ultrapassem as propostas relativas a cuidados dirigidos apenas aos nossos pequenos recém-nascidos. O Método Canguru, em suas estratégias de atenção, ultrapassa a prematuridade ou o baixo peso ao nascimento, população esta que representa a maior parte das crianças sob nossos cuidados. Ele tece uma malha que apoia o cuidado neonatal para todas aquelas crianças que, ao nascer, necessitam de intervenções próprias de uma internação hospitalar.

Que neste Manual isto se transforme em palavras, conceitos e estratégias, apoiando as equipes e cada profissional nos desafios de cada dia oferecidos pelas diferentes crianças, suas famílias e suas redes de apoio em nossas unidades neonatais.

Referências

CONDE-AGUDELO, A.; DÍAZ-ROSSELLO, J. L. Kangaroo mother care to reduce morbidity and mortality in low birthweight infants. The Cochrane Database of Systematic Reviews, [S.l.], n. 4, p. CD002772, 2014.

In:(Org.). Primeira infância: ideias e intervenções oportunas. Brasília: Senado

Módulo 1O Método Canguru no Brasil Módulo 1O Método Canguru no Brasil

Módulo 1

Módulo 1 O Método Canguru no contexto das políticas de saúde

1 O Método Canguru no contexto das políticas de saúde

Desde 1999, as estratégias que contribuíram para a implantação e a consolidação da Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso – Método Canguru (AHRNBP – MC), como a reconhecemos hoje no Brasil, foram coordenadas pela Área Técnica de Saúde da Criança e Aleitamento Materno (ATSCAM), posteriormente renomeada como Coordenação-Geral de Saúde da Criança e Aleitamento Materno (CGSCAM).

O resultado desse trabalho, identificado como a experiência brasileira na concepção, na implantação e na disseminação do Método Canguru, alcançou, ao final de seus primeiros 15 anos, abrangência nacional e reconhecimento internacional. O caráter de política pública, o compromisso com as melhores práticas clínicas e as evidências científicas e a integralidade na abordagem do recém-nascido e sua família foram fatores centrais nesse processo.

No contexto mais geral, a implantação e o fortalecimento da AHRNBP – MC estiveram inseridos no conjunto de iniciativas e ações voltadas para a qualificação da atenção perinatal na agenda de prioridades da política de saúde no Brasil. A implementação das diferentes ações nesse mesmo período foi acompanhada nos anos seguintes pela Política Nacional de Humanização, que potencializou as premissas e as propostas inovadoras apresentadas pelo Método Canguru no sentido da qualificação da assistência, do acolhimento ao recém-nascido e sua família, da clínica ampliada e do cuidado com a ambiência.

Ainda em relação a esse processo, também é importante registrar o estabelecimento, o fortalecimento e a ampliação do escopo das parcerias do Ministério da Saúde com os Centros Nacionais de Referência para o Método Canguru e com instituições acadêmicas ou voltadas para o aprimoramento de práticas clínicas neonatais, como serviços universitários e o Departamento de Neonatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

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