Era uma vez uma cidade pacata

Era uma vez uma cidade pacata

Que tipo de pessoas vivem nesse Que tipo de pessoas vivem nesse lugar?lugar?

Conta uma popular lenda do Oriente, que um jovem chegou à beira de um oásis, junto a um povoado e, aproximando-se de um velho, perguntou-lhe: "Que tipo de pessoas vive neste lugar?“ Que tipo de pessoa vive no lugar de onde você vem? - Perguntou por sua vez o ancião. Oh! Um grupo de egoístas e malvados - replicou-lhe o rapaz - estou satisfeito de haver saído de lá. A isso o velho replicou: a mesma coisa você haverá de encontrar por aqui. :

No mesmo dia, um outro jovem se acercou do oásis para beber água e vendo o ancião perguntou-lhe:

"Que tipo de pessoas vive por aqui?"

O velho respondeu com a mesma pergunta:

"Que tipo de pessoas vive no lugar de onde você vem?"

O rapaz respondeu

"Um magnífico grupo de pessoas, amigas, honestas, hospitaleiras. Fiquei muito triste pôr ter de deixá-las".

"O mesmo encontrará por aqui", respondeu o ancião.

Um homem que havia escutado as duas conversas perguntou ao velho:

"Como é possível dar respostas tão diferentes à mesma pergunta?"

Ao que o velho respondeu:

"Cada um carrega no seu coração o meio ambiente em que vive. Aquele que nada encontrou de bom nos lugares por onde passou, não poderá encontrar outra coisa por aqui. Aquele que encontrou amigos ali, também os encontrará aqui. Somos todos viajantes no tempo e o futuro de cada um de nós está escrito no passado. Ou seja, cada Ou seja, cada um encontra na vida exatamente um encontra na vida exatamente aquilo que aquilo que traz dentro de si mesmo. O traz dentro de si mesmo. O ambiente, o ambiente, o presente e o futuro somos nós que criamos presente e o futuro somos nós que criamos e isso só depende de nós mesmose isso só depende de nós mesmos".".

escola

Há muitos e muitos anos ... “Era uma vez uma

E tudo era

SabatinaProfessor podia ficar de
costasEducação, Moral e Cívica ...

Calçados dos mais e dos menos...

Motivação, disciplina e hierarquia ...

Há alguns anos ... “ É uma vez a escola...”

focal
Ocorrência grupalOcorrência
sexualOcorrência professoral...

Ocorrência

patrimonialOcorrência radical ...

Ocorrência

E tudo NÃO está

nada

Precisamos achar um culpado para a deficiência! É a Presidência da

República !

A Constituição é velha (1988) ! O sistema de educação é medíocre!A pobreza é a culpada !

A polícia é muito violenta !

Humsão as facções

criminosas !Nada, os fiéis estão apostata!

A tecnologia é a desgraça!

verdade

Mas que

está fazendo

TODO MUNDO espera

Que ALGUÉM

coisa

faça alguma

O que

UM pode fazer ...

Resumindo...

O problema não é meu!

Pessoas atordoadas e desnorteadas, gerando o relativismo

Individualismo:

Decisões profissionais antes do casamento e geração de filhos;

Dificuldade de manter relações permanentes e compromissadas;

Felicidade no presente e ausência de sonho futuros;

Fragilidade dos laços comunitários e sociais (bem comum);

O exercício consciente da cidadania vem O exercício consciente da cidadania vem perdendo valor;perdendo valor;

Fragilidade das instituições: família, escola, Fragilidade das instituições: família, escola, Estado, Igreja;Estado, Igreja;

BANALIZAÇÃO DA VIDA: BANALIZAÇÃO DA VIDA: desrespeitada, negada, desrespeitada, negada, ameaçadaameaçada

Refletindo o Caso de

Marcos (nome fictício) a partir da realidade das três

cidades mineiras:

Romaria, Estrela do Sul e Monte Carmelo

Para início de conversa...

A vida tranqüila em pequenas cidades é cada vez mais um mito. As histórias de várias décadas sem um homicídio vão se tornando raras.

(ENDLICH e FERNANDES, 2016)

Sossego faz parte do passadoSossego faz parte do passado

Marcos – o garoto de 12 anos, vive com a mãe e os avós na cidade de Romaria-MG. A pequena cidade, cuja população estimada pelo IBGE é de 3,6 mil habitantes, se destaca por ser destino de romeiros, em função do Santuário de Nossa Senhora da Abadia.

Porém o sossego é apenas uma aparência!Porém o sossego é apenas uma aparência!

Fala de moradores da cidade: “Foi-se o tempo em que a gente podia ficar de prosa até tarde na calçada ou dormir de janela aberta em noite quente”.

“As coisas foram mudando aos poucos, a gente nem se deu conta de como as drogas entraram e estão acabando com tudo.”

Disse a aposentada Gerci Alves

Vasconcelos, de 73 anos, avó de Marcos.

Adriana Alves, mãe de Adriana Alves, mãe de Marcos, foi chamada à Marcos, foi chamada à escolaescola:: por conta das faltas do filho;

Por andar enturmado com pessoas que saltavam os muros da escola;

Adriana Alves, ainda disse: “Para onde iam as crianças ninguém sabe, mas o que faziam agora está claro para toda a cidade”.

“Todos são viciados, são entre sete e dez garotos da mesma faixa de idade”, disse Adriana Alves.

O Departamento de Polícia da cidade ressalta que:

90% dos conduzidos até a delegacia eram menores usuários de drogas;

Outros atos ilícitos praticados na cidades, 98% estavam relacionados às drogas;

O Departamento de Polícia ainda relata:

“O vício leva aos crimes. Eles furtam ou roubam para trocar por drogas, ameaçam e agridem para conseguir drogas, enfim, vira uma bola de neve crescente”.

Por que cresce o número de

furtos e roubos de celulares? Quem faz estes crimes?

Segundo a assistente social da Segundo a assistente social da prefeitura Elen Aparecida Neves prefeitura Elen Aparecida Neves Delfino,Delfino,

Não há instituição de recuperação nem estrutura de programas de reabilitação para esses menores.

“Os pais reclamam, não sabem o que fazer. A gente encaminha os pedidos de internações para outros municípios, mas é difícil conseguir vagas.”

Depoimento de moradores:

A cidade não é mais a mesma em diversos aspectos, sendo um deles, a violência, motivada principalmente pela entrada das drogas.

Um bando formado por uma menina de 14 anos, um garoto de 15 e dois jovens de 19, invadiu a casa de uma idosa e a espancou para roubar dinheiro.

Depois, arrombaram outra casa, roubaram e espancaram um casal de idosos. Os quatro envolvidos foram detidos. Todos são dependentes químicos e reincidentes em crimes relacionados ao uso de drogas.

Para a funcionária pública Para a funcionária pública Tereza Cristina Felipe, 38 anosTereza Cristina Felipe, 38 anos

a falta de opções de lazer e de outras atividades tornam crianças e adolescentes alvos fáceis de traficantes.

“Não estou eximindo a responsabilidade da família, que deveria ser a primeira a oferecer estrutura e a não permitir que os jovens sejam desencaminhados.

Segundo o comissário da Infância e Segundo o comissário da Infância e da Juventude, Sebastião Severino da da Juventude, Sebastião Severino da SilvaSilva

Quatro adolescentes da cidade respondem por atos infracionais relacionados ao envolvimento com drogas.

Um dos casos, segundo ele, envolve uma adolescente de 13 anos que foi aliciada pelo namorado de 16 para fazer uma entrega de drogas no município. “Os pais do garoto são traficantes. A menina foi pega no ônibus intermunicipal com pedras de crack escondidas na calcinha e no sutiã”, disse o comissário.

Segundo Enia Machado dos Santos, Segundo Enia Machado dos Santos,

37 anos, mãe do adolescente de 14 37 anos, mãe do adolescente de 14 anos. anos.

Há ainda na cidade o caso de um adolescente de 14 anos que freqüentemente agride fisicamente a mãe e a irmã mais velha. ““Às vezes, é Às vezes, é porque, como está sob efeito porque, como está sob efeito de alguma coisa ruim, ele não de alguma coisa ruim, ele não reconhece a gente. Outras reconhece a gente. Outras vezes é porque está vezes é porque está desesperado para conseguir desesperado para conseguir dinheiro para usar droga, então dinheiro para usar droga, então avança na gente”.avança na gente”.

Diz o Policial: Diz o Policial:

as drogam deformam a as drogam deformam a sociedade.sociedade. Para o Sargento Gilberto a preocupação de todos deve ser com o futuro;

Para ele, a entrada cada vez maior e mais cedo no submundo das drogas deforma a sociedade.

“Amanhã não haverá mão de obra qualificada para o mercado de trabalho ou constituição de novas famílias”, afirmou.

Continua...Continua...

Como resultado do vício em entorpecentes, Como resultado do vício em entorpecentes, os adolescentes têm um aspecto franzinho.os adolescentes têm um aspecto franzinho. Perdem a motivação pelos estudos e a autoestima, o que leva à evasão escolar e à depressão. “A droga tem entrado como uma “A droga tem entrado como uma epidemia na sociedade. Apresento o epidemia na sociedade. Apresento o problema, mas não tenho uma solução”, problema, mas não tenho uma solução”, disse o sargento.disse o sargento.

Contudo, o que se quer transmitir é que, em escala geral, todos os espaços estão inseridos no sentimento de insegurança, seja por proximidade com a criminalidade, por influência dos meios de comunicação, ou por ausência de serviços públicos locais. (ENDLICH e FERNANDES, 2016)

O que fazer? A CF/CNBB,

2001, sugere:

O trabalho de prevenção passa pela escola;

Outro caminho é apoiar e estimular a integração das diversas instituições já organizadas (associações de bairros, de pais, igrejas, clubes esportivos, conselhos, sindicatos, etc.);

Implementar meios saudáveis de prevenção às drogas por meio de desenvolvimento de programas de esporte, cultura e lazer;

Ainda reforça que se faz necessário a reivindicação ao setor público para desenvolver programa de esporte, cultura e lazer em espaços ociosos envolvendo as instituições citadas: igrejas, escolas, associações, conselhos, etc;

O que fazer? A CF/CNBB,

2001, sugere:

Apoiar, desenvolver e reivindicar programas de geração de renda e de emprego para jovens de baixa renda;

Apoiar o fortalecimento de grupos, associações e categorias sociais que se empenham na conquista e defesa dos direitos fundamentais à pessoa humana;

Dar atenção a grupos socialmente vulneráveis;

CNBB, CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Vida sim, drogas não! Texto-base, CF-2001. São Paulo: Salesianas, 2001.

FERNANDES, Pedro Henrique Carnevalli. ENDLICH Ângela Maria. Sentimento de insegurança urbana nas pequenas cidades brasileiras. Disponível em: http://observatoriogeograficoamericalatina.org.mx/egal13/Geografiasocioeconomic a/Geografiaurbana/037.pdf. Acesso em 13 nov. 2017.

UBERLÂNDIA, Correio. Reportagem mostra o avanço dos entorpecentes em

Romaria, Estrela do Sul e Monte Carmelo. Disponível em:http://abp.org.br/portal/clippingsis/exibClipping/?clipping=11331. Acesso em 13 nov. 2017.

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