1-Introdução (2)

1-Introdução (2)

Prof. Me. Waldemir Santos Nogueira / 2004

ECONOMETRIA BÁSICA 1. INTRODUÇÃO

1. INTRODUÇÃO a) O Que É Econometria ? b) Primeiras tentativas de análise quantitativa em Economia. c) O nascimento da Econometria. d) Os avanços iniciais dos métodos econométricos e) Consolidação e desenvolvimentos futuros. f) Desenvolvimentos recentes. g) Avaliações e futuro. h) A Econometria no Brasil.

a) O Que É Econometria ?

Econometria significa “medida econômica”. Embora a medida seja uma parte importante da econometria, sua finalidade é mais abrangente, como pode ser visto pelas citações a seguir:

Econometria é um ramo de rápido desenvolvimento na Economia, que visa prover conteúdo empírico às relações econômicas.

(PESARAN, apud CHRIST, C.F.. Economic Theory and Measurement: a twenty year research report, 1932-52)

Econometria, resultado de um certo ponto de vista sobre o papel da economia , consiste na aplicação da estatística matemática aos dados econômicos para dar suporte empírico aos modelos construídos pela economia matemática e para obter resultados numéricos. (TINTNER, 1968 apud GUJARATI, 2000: XXVI)

...econometria pode ser definida como a análise quantitativa de fenômenos econômicos concretos, baseada no desenvolvimento simultâneo de teoria e observação, relacionadas por métodos de inferência adequados. (SAMUELSON, KOOPMANS e STONE, 1954 apud GUJARATI, 2000: XXVI)

Econometria pode ser definida como a ciência social na qual as ferramentas da teoria econômica, matemática e inferência estatística são aplicadas à análise dos fenômenos econômicos. (GOLDBERGER, 1964 apud GUJARATI, 2000: XXVI)

A econometria se ocupa da determinação empírica das leis econômicas. (THEIL, 1971 apud GUJARATI, 2000: XXVI)

A arte do econometrista consiste em achar o conjunto de hipóteses que sejam tanto suficientemente específicas quanto realistas, para lhe permitir tirar o máximo proveito possível dos dados à sua disposição. (MALINVAUD, 1966 apud GUJARATI, 2000: XXVI)

Os econometristasprestam uma inegável contribuição à

tentativa de afastar a pobre imagem pública da economia (quantitativa ou não), tida como um assunto no qual latas vazias são abertas, supondo a existência de abridores de lata, para revelar conteúdos que 10 economistas interpretarão de 1 maneiras.

(DARNELL e EVANS, 1990 apud GUJARATI, 2000: XXVI)

O método da pesquisa econométrica visa, essencialmente, a uma conjunção da teoria econômica com medidas concretas, usando como ponte a teoria e as técnicas de inferência estatística. (HAAVELMO, 1944 apud GUJARATI, 2000: XXVII)

Econometria é o ramo da economia, que busca prover o conteúdo empírico para as relações da Economia. É o que se pode considerar estatística econômica. (GUJARATI, 2000)

Econometria é o ramo da Economia que trata da mensuração de relações econômicas, isto é, relações entre as variáveis de natureza econômica…é, na verdade, uma combinação de teoria ou outro raciocínio a priori com matemática e estatística, com o objetivo de dar conteúdo empírico às formulações teóricas da Economia. (MATOS, 2000) b) Primeiras tentativas de análise quantitativa em Economia.

O início da análise empírica em Economia pode aparentemente ser creditada a trabalhos do século XVI de estudiosos como William Petty, Gregory King e Charles Davenant, que devido ao livro "Political arithmetick", os trabalhos de Petty e Gregory King estavam diretamente preocupados com a mensuração e análise estatística dos fenômenos econômicos, podendo ser considerados os primeiros exemplos de uma abordagem quantitativa e unificada na Economia. Segundo Schumpeter em History of Economic Analysis (1954).

c) O nascimento da Econometria.

A análise quantitativa remonta há pelo menos 3 séculos, a

Econometria como um campo de estudo organizado e formal somente se inicia a partir de 1930, com a fundação em dezembro desse ano da Econometric Society em Cleveland (EUA) por um grupo de economistas: Irving Fisher (Presidente), Charles F. Roos, Ragnar Frisch e outros (Matos apud Frisch, 1985). Em 1932, é fundada a Comissão Cowles para Pesquisa Econômica, com o objetivo de utilizar a Lógica, Matemática e métodos estatísticos na análise econômica. No mesmo período, no Reino Unido surge o Departamento de Economia Aplicada. Destaca-se ainda o início da publicação da revista Econométrica em 1933 e a publicação do estudo de Frisch sobre a análise das confluências em 1934 (auxiliando no esclarecimento de problemas de análise de regressão, como a multicolinearidade) d) Os avanços iniciais dos métodos econométricos.

A contribuição de Haavelmo marcou o início de um novo processo na análise econométrica. O método da máxima verossimilhança tornou-se uma importante ferramenta de estimação e inferência, ainda que já houvesse sido objeto de estudo da Comissão Cowley.

Em 1944, Haavelmo apresentara um conceito geral de identificação de um sistema de equações, incluindo os parâmetros da distribuição de probabilidade dos distúrbios.

Os problemas de correlação espúria e autocorrelação em séries temporais ainda eram o principal foco das críticas à utilização da análise de regressão na Economia. Um grande avanço na solução desses temas foi dado por Cochrane e Orcutt (1949) e Durbin e Watson (1950 e 1951).

e) Consolidação e desenvolvimentos futuros.

O problema de correlação espúria passa a ser melhor tratado graças aos avanços da Computação, a aceitação da teoria Keynesiana e a crescente disponibilidade de dados temporais sobre a contabilidade nacional. A teoria Keynesiana passa a desempenhar um papel fundamental (ironicamente) no desenvolvimento da análise econométrica. Nesse contexto, Klein (1947, 1950) foi o primeiro a construir um modelo macroeconométrico.

Surge o interesse na análise de séries temporais na previsão de curto prazo. Proeminente trabalho deve-se a Box and Jenkins (1970), que tomaram como base os estudos de Yule (1921 e 1926). A capacidade de predição de Box-Jenkins, entretanto, somente fora comprovada por Cooper (1972) e Nelson (1972). Até então, era tida como uma "caixa preta" com pouca ou nenhuma utilização da teoria econômica, sendo útil somente em análises de curto prazo.

f) Desenvolvimentos recentes.

Com as mudanças na economia mundial, especialmente com a crise do petróleo na década de 70, a Econometria entrou em uma nova fase de desenvolvimento. Os modelos desenvolvidos nas décadas de 50 e 60, onde se observava estabilidade econômica e dos preços de energia, bem como taxas de cambio fixas, pareciam não ser mais adequado para retratar a situação vigente.

g) Avaliações e futuro

A análise econométrica (micro ou macro) é relativamente recente e os questionamentos que surgem servem para reforçar seus postulados, quando não modificá-los.

Como mencionado anteriormente, muitos dos conceitos da teoria econômica têm sido amplamente questionados e a ferramenta de questionamento e defesa tem sido a análise empírica.

h) A Econometria no Brasil

No contexto histórico em que surgem os pilares da Econometria, a economia brasileira era basicamente agrária. Com o surgimento das escolas de negócios da Fundação Getúlio Vargas e da Universidade de São Paulo, a Econometria toma novo impulso.

Na década de 70, várias traduções de livros de autores estrangeiros iniciaram a difusão da matéria nos diversos centros acadêmicos nacionais.

Posteriormente, merecem destaque: a) Dezembro de 1979 - fundação da Sociedade Brasileira de

Econometria (SBE); b) A partir de 1979 - realizações dos encontros anuais de

Econometria; c) A partir de abril de 1981 - publicação da Revista de

Econometria pela SBE; d) A partir de 1985 - inclusão da obrigatoriedade do ensino da

Econometria nos cursos de Economia; e) Realização de encontros regionais de Econometria. f) Em 2003 realizou-se em Porto Seguro, BA, o XXV Encontro Brasileiro de Econometria.

1.1. Conceito e Objetivos da Econometria

O termo Econometria é constituído de duas palavras de origem grega, que significa Economia e Medida (Koutsoyannis).

Econometria é a combinação da teoria econômica com matemática e estatística, e tem como objetivo dar conteúdo empírico às formulações teóricas da economia.

São propósitos da Econometria:

a) A mensuração de variáveis e agregados econômicos; b) Estimação de parâmetros de relações estabelecidas pela teoria econômica ou outro conhecimento a priori; c) A formulação e testes de hipóteses sobre o comportamento da realidade; d) A previsão de valores de variáveis econômicas.

Em resumo, os objetivos da Econometria são:

a) Verificação de teorias econômicas.

Comparar os dados empíricos com os dados observados da realidade. b) A avaliação de políticas econômicas.

Tem como propósito a obtenção de estimativas confiáveis de parâmetros de relações econômicas, como elasticidades, multiplicadores, custos marginais, propensões marginais, etc. c) A previsão de valores futuros de variáveis de natureza econômica.

Quanto ao emprego da Econometria para fins de previsão, é importante assinalar que, na formulação de políticas, sejam conhecidos, com o mínimo de erro possível, os valores futuros das magnitudes econômicas, permitindo, assim, o julgamento da necessidade ou não de alguma medida corretiva.

Obs. (1): É bom lembrar que o econometrista, assim como o meteorologista, geralmente depende de dados que não podem ser controlados diretamente. Assim, dados sobre consumo, renda, investimento, poupança, PNB etc., os quais são coletados por órgãos públicos ou agências privadas, são dados não experimentais. O econometrista utiliza esses dados da maneira que os recebe. Esse fato faz com que possam surgir problemas que não são tratados pela estatística. Esses dados podem conter erros de medida e prejudicar a análise econométrica.

Comentários