Manual de Boas Práticas de Classificação de Soja

Manual de Boas Práticas de Classificação de Soja

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Manual de Boas Práticas de Classificação de Soja

Referências:

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa nº 1, de 15 de maio de 2007, com Anexo Regulamento Técnico de Soja.

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa nº 29, de 8 de junho de 2011.

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Referencial Fotográfico dos Defeitos da Soja. 3ª Edição. Julho de 2008.

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1. Introdução

O objetivo deste manual é estabelecer boas práticas padronizadas de amostragem e classificação entre as empresas membros da ABIOVE, ACEBRA, ANEC e OCB, inclusive seus terceiros, representantes e situações aplicáveis. Destaca-se que o conteúdo do mesmo não encerra o assunto, já que existe a possibilidade de mudanças na legislação pertinente, que é a base para execução deste trabalho.

A base legal da classificação de produtos vegetais é a Lei 9.972, de 25 de maio de 2000, regulamentada pelo Decreto 6.268, de 2 de novembro de 2007, que determina a classificação como uma prática obrigatória para os produtos vegetais nos casos de: I) produtos destinados diretamente à alimentação humana; I) operações de compra e venda do poder público; e II) nos portos, aeroportos e postos de fronteira, quando da importação. Estão relacionadas a essa lei, entre outras, a Instrução Normativa nº 15, de 9 de junho de 2004, a Instrução Normativa nº 1, de 15 de maio de 2007 e Instrução Normativa nº 37, de 27 de julho de 2007, todas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Também são levadas em consideração as adequações necessárias, uma vez que boa parte do recebimento em unidades armazenadoras é de produto úmido, não processado, com características próprias que dificultam sua amostragem e homogeneização. Ressalta-se que a legislação vigente é aplicável à tipificação de produto já beneficiado, sendo necessária a adequação de alguns procedimentos que permitam a aplicação do conceito também para produtos oriundos da lavoura (com umidade e impureza), bem como retirada de produtos em estruturas de armazenagens de fazenda, objeto deste manual.

Leva-se também em consideração que nos embarques de produto já processado, realizado diretamente nas empresas rurais (embarques FOB), nem sempre estão disponíveis estruturas como caladores pneumáticos, quarteadores/homogeneizadores, determinadores de umidade de bancada, salas de classificação, etc.

A qualidade do grão, medida corretamente na classificação, determina qual o processo mais indicado de recepção, limpeza, secagem, armazenagem, expedição e comercialização.

Os procedimentos para classificação de grãos devem ser realizados de forma transparente e confiável, obtendo como resultado uma classificação justa e imparcial.

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2. Quando e onde ocorre a classificação

CIF: quando são recebidos grãos de produtores nas unidades armazenadoras, situação que ocorre normalmente na safra, onde o classificador coleta a amostra e classifica os grãos. Esta tarefa está em boa parte automatizada, sendo os resultados de pesagens e determinação de umidade, imputados diretamente ao sistema informatizado.

FOB: quando são comprados lotes de grãos, limpos, secos, posto sobre rodas. É quando se embarcam grãos na fazenda dos produtores ou em armazéns de terceiros. Neste caso, um classificador contratado pelo comprador vai até o local de embarque, acompanha o carregamento, coleta a amostra, classifica os grãos e emite um Laudo Interno de Classificação.

Expedição: quando os grãos armazenados são embarcados para as fábricas, portos para exportação, transferência entre unidades armazenadoras ou venda a terceiros.

Parâmetros máximos a serem classificados para soja: a. Umidade 14,0% b. Impurezas 1,0% c. Avariados Totais 8,0% 1. Ardidos e Queimados 4,0% i. Queimados 1,0% 2. Mofados 6,0% 3. Picados d. Esverdeados 8,0% e. Partidos/Quebrados/Amassados 30,0%

Os percentuais acima são usados para soja (Padrão Comercial), mas, conforme o tipo de contrato de compra e venda dos grãos, estes valores podem ser diferentes, devendo o classificador e o vendedor serem informados previamente.

No processo de armazenagem, os grãos recebidos serão processados de forma a apresentarem as características ideais para armazenagem. Durante a armazenagem serão utilizadas técnicas para conservar o máximo possível destas características, até que se proceda à expedição, seja para portos, fábricas ou terceiros.

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3. Detalhamento dos parâmetros de classificação da soja

Nome científico: Glycine max (L) Merril.

Obs.: as fotos aqui apresentadas são meramente ilustrativas. Para uso prático, favor consultar o referencial fotográfico que complementa esta cartilha.

a. Umidade: máximo de 14%

É o percentual total de água livre contida no grão no produto. O padrão exportação para soja é de até 14% de umidade.

b. Impurezas + Matérias Estranhas: máximo de 1%

Impurezas são detritos do próprio produto, bem como os grãos ou fragmentos que vazam na peneira de 3 m com crivos circulares, ou que ficam retidos, inclusive talos de soja, folhas e vagens não debulhadas, separados por catação manual.

Obs.: o tegumento (casca) da soja que ficar retida não é considerada impureza.

Matérias estranhas são corpos estranhos, insetos ou pedaços de insetos, sujeiras ou sementes de outras espécies, não oriundas do produto, isto é, tudo o que não for da soja é matéria estranha, desde que não sejam considerados contaminantes.

As impurezas e matérias estranhas são exclusivamente de origem da própria cultura da soja.

Não são consideradas matérias estranhas as sementes contaminantes ou adicionadas intencionalmente. Tal situação caracteriza reprovação de carga.

Página 5 de 27 c. Avariados Totais: máximo de 8%

Grãos ou pedaços de grãos que se apresentam queimados, ardidos, mofados, fermentados, germinados, danificados, imaturos e chochos:

c.1. Ardidos + Queimados: máximo de 4%, sendo:

c.1.i. Queimados: máximo de 1% Grãos ou pedaços de grãos carbonizados.

Ardidos

Grãos ou pedaços de grãos que se apresentam visivelmente fermentados em sua totalidade e com coloração marrom escura acentuada, afetando o cotilédone.

Mofados

Grãos ou pedaços de grãos que se apresentam parcial ou totalmente com fungos (mofo ou bolor) visíveis a olho nu.

Fermentados

Grãos ou pedaços de grãos que, em razão do processo de fermentação, tenham sofrido alteração visível na cor do cotilédone que não aquela definida para os ardidos. Ver Anexo I para referencial fotográfico completo.

Página 6 de 27 d. Esverdeados: máximo de 8,0%

Grãos ou pedaços de grãos com desenvolvimento fisiológico completo que apresentam coloração totalmente esverdeada nos cotilédones.

Obs.: soja parcialmente esverdeada não é defeito.

Germinados

São grãos ou pedaços de grãos que apresentam visivelmente a emissão da radícula.

Danificados (incluindo picados)

Grãos ou pedaços de grãos que se apresentam com manchas na polpa, alterados e deformados, perfurados ou atacados por doenças ou insetos, em qualquer de suas fases evolutivas.

Obs.: deverão ser pesados em separado os picados de percevejo que terão seu percentual dividido por quatro. Os demais grãos danificados são somados integralmente aos demais avariados.

Imaturos

Grãos de formato oblongo, que se apresentam intensamente verdes por não terem atingido seu desenvolvimento fisiológico completo e que podem se apresentar enrugados.

Grãos com este formato, porém de cor amarela (tom normal), não serão considerados defeitos, desde que não possuam outro tipo de avaria.

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Chochos

Grãos ou pedaços de grãos que se apresentam geralmente atrofiados, enrugados e com formato irregular devido ao desenvolvimento fisiológico incompleto e desprovido de massa. Ver Anexo IV para referencial fotográfico completo.

e. Quebrados + Amassados: máximo de 30%

Amassados

Grãos que se apresentam esmagados, com os cotilédones e tegumento rompido por danos mecânicos, estando excluídos deste defeito os grãos que se apresentam trincados em seu tegumento.

Partidos e Quebrados

Pedaços de grãos, inclusive cotilédones, que ficam retidos na peneira de crivos circulares de 3,0 m de diâmetro. Para ser considerado como partido e/ou quebrados, os grãos não podem apresentar outros defeitos.

Obs.: sempre que houver dúvidas quanto à identificação de algum defeito no grão de soja, o mesmo deverá ser cortado, no sentido transversal aos cotilédones, na região afetada:

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Imagem de referência para corte do grão.

Cortados transversalmente, para verificação do cotilédone.

f. Outros

Atenção: os grãos abaixo não são considerados defeitos:

Soja preta/marrom

Grãos que parecem feijão, pois apresentam casca preta. Bastando o seu interior apresentar coloração e textura normal, ele é considerado soja padrão, isto é, somente será avariado se apresentar algum dos defeitos citados anteriormente.

Soja suja

Grãos com a casca apresentando terra ou poeira aderida. Cortando o grão, os cotilédones apresentam coloração e textura normal. Não é defeito.

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Mancha Púrpura (Cercospora kikuchii)

Grãos que apresentam manchas arroxeadas no tegumento. Cortando o grão, os cotilédones apresentam coloração e textura normal. Não é defeito.

Derramamento de hilo

Grãos que apresentam derramamento dos pigmentos do hilo. Cortando o grão, os cotilédones apresentam coloração e textura normal. Não é defeito.

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Mancha Café

Grãos que apresentam manchas escuras a partir do hilo; causadas pelo VMCS – Vírus do Mosaico Comum da Soja. Cortando o grão, os cotilédones apresentam coloração e textura normal. Não é defeito.

g. Desclassificação

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, será desclassificada a soja em grão que se apresentar com:

1. Mau estado de conservação: 1.1. Aspecto generalizado de mofo e fermentação;

1.2. Acentuado odor estranho (ácido ou azedo) de qualquer natureza, tornando imprópria e prejudicial a sua utilização normal.

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2. Bagas ou partes de mamona. 3. Sementes tratadas com produtos químicos de soja, milho, sorgo e outras. 4. Outras sementes tóxicas (Fedegoso, Carrapichão, Picão Preto, Crotalária etc.). 5. Insetos vivos. a. FOB: isenção.

b. CIF: serão recusados somente insetos-pragas de grãos armazenados (conferir lista completa na tabela do Anexo).

6. Outros grãos previamente informados no contrato.

Bagas ou vestígios de mamona

Milho tratado com produtos químicos

Soja tratada com produtos químicos

Sorgo halepense

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Fedegoso Carrapichão Picão preto

Também serão objetos de desclassificação cargas contendo residual de produtos químicos visíveis a olho nu.

Crotalária

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4. Equipamentos de Classificação

As empresas de classificação se responsabilizam pelos equipamentos de precisão (calador manual, peneira, balança e medidor de umidade). Os produtores devem dispor de quarteadores e oferecer estrutura física adequada conforme Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego aplicáveis.

4.1. Sala de Classificação

Vista geral de uma sala de classificação padrão.

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4.2. Caladores

Calador Hidráulico-Pneumático

Tipo de amostrador operado hidraulicamente, usado para amostragem de produtos a granel. É constituído por uma sonda composta por dois cilindros: interno e externo. Por dentro do cilindro interno escoam-se o ar e os grãos que, por um tubo flexível, succionados por uma bomba, são levados ao coletor e aí se depositam por uma diferença de pressão. Com um “joystick”, o classificador controla todos os movimentos do calador.

São recomendados os caladores janelados ou tubulares de parede dupla. Não é recomendado o uso do sugador de parede simples.

Calador (Sonda) Manual

Calador (Sonda) Manual de gavetas, utilizado para calar caminhões geralmente em fazendas e lugares que não possuem calador pneumático. É um tipo de amostrador com várias aberturas, equidistantes entre si, que permite a retirada de pequenas amostras em caminhões graneleiros, vagões, silos e pode ser usado também em sacarias.

Consiste de dois cilindros ocos de metal perfeitamente ajustados um dentro do outro, com uma extremidade sólida e pontiaguda. Ambos os cilindros são providos de aberturas ou janelas iguais, que podem ser justapostas por meio da rotação do cilindro interno.

Exemplos de caladores:

Obs. 1: as especificações técnicas devem ser observadas com cada fabricante.

Obs. 2: recomenda-se o uso de caladores manuais com o maior número possível de estágios.

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4.3. Amostradores (coletores de amostras): amostrador de fluxo tipo Pelicano

Fonte: Seedburo.

Alerta: para o uso deste instrumento de coleta de amostra, quando em descarga por tombadores, o coletador de amostra não deve permanecer atrás da carga (alto risco de acidentes).

4.4. Homogeneizador

O Homogeneizador é empregado para a obtenção de amostras homogêneas e representativas do lote de grãos. Essa mistura é feita através do efeito da gravidade, onde os grãos passam por cones de divisão, sendo recolhidos em bandejas ou baldes.

4.5. Quarteadores

Quarteador de mesa Homogeneizador, divisor e redutores multicanais

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4.6. Peneiras Cada conjunto de peneiras é composto por:

1 peneira com crivos circulares de 3 m para separar impurezas;

1 peneira com crivos longitudinais para auxiliar na separação dos grãos partidos e quebrados (item não obrigatório);

1 peneira com fundo cego.

Peneiras quadradas Furo 3 m Peneira circular

4.7. Determinadores de Umidade

São equipamentos utilizados para medir o percentual de umidade dos grãos, totalmente digitais, minimizando a interferência do classificador, bastando somente colocar grãos no aparelho na quantidade indicada. Então o determinador mede a umidade dos grãos e informa o percentual de Umidade da amostra.

A respeito deste item, deve ser seguida legislação específica determinada pelo órgão normatizador competente (INMETRO). Não será aceito o medidor tipo Universal (com princípio de resistência elétrica), sendo recomendados os equipamentos aprovados pelo órgão regulador de leitura direta.

Independente do modelo, a calibração tem de ser feita, no máximo, a cada 12 meses, ou quando necessário, sendo esta realizada pelos fabricantes ou órgãos competentes.

4.8. Balanças e Alicates Balança Digital

São utilizadas nas Unidades Armazenadoras e embarques FOB. Possuem a precisão de uma casa decimal e devem estar em dia com a aferição do órgão oficial (INMETRO).

Balança Mecânica

Este modelo de balança é utilizado na falta da eletrônica, desde que esteja com a aferição feita por órgão oficial (INMETRO).

Obs.: é importante observar o prazo de aferição das balanças estabelecido pelo órgão metrológico.

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Exemplos de alicates e estiletes

Estilete menor e maior

Alicate: este é utilizado para cortar grãos

Tesoura de Poda Trapp modelo TS 3113

Tesoura de Poda: também utilizada em substituição ao alicate

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5. Amostragem de grãos

Amostragem de grãos define-se como sendo o procedimento executado pelo classificador ou auxiliar por ele supervisionado que, com uso de equipamentos adequados, coleta frações representativas de lotes de grãos contidos em sacarias, silos, armazéns ou veículos transportadores. Devidamente reduzidas, irão se constituir na amostra de trabalho.

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