Controle químico da mancha alvo na cultura da soja

Controle químico da mancha alvo na cultura da soja

(Parte 1 de 2)

BACHARELADO EM AGRONOMIA

CONTROLE QUÍMICO DA MANCHA ALVO NA CULTURA DA SOJA

EBER OLINI DE SOUSA

Rio Verde

2017

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA GOIANO – CÂMPUS RIO VERDE

BACHARELADO EM AGRONOMIA

CONTROLE QUÍMICO DA MANCHA ALVO NA CULTURA DA SOJA

EBER OLINI DE SOUSA

Trabalho de Curso apresentado ao Instituto Federal Goiano – Câmpus Rio Verde, Como requisito parcial para a obtenção do Grau de Bacharel em Agronomia.

Orientador: Professora Dr(a). Ednalva Patricia de Andrade

Rio Verde – GO

Outubro, 2017

EBER OLINI DE SOUSA

CONTROLE QUÍMICO DA MANCHA ALVO NA CULTURA DA SOJA

Trabalho de Curso DEFENDIDO e APROVADO em 16 de outubro de 2017, pela Banca Examinadora constituída pelos membros:

Rio Verde – GO

Outubro, 2017

SUMÁRIO

RESUMO

SOUSA, Eber Olini de. Controle químico da mancha alvo na cultura da soja. 2017. 19p Monografia (Curso de Bacharelado em Agronomia). Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano – Câmpus Rio Verde, Rio Verde, GO, 2017.

A soja é uma das mais importantes culturas agrícolas em todo o mundo. Dentre os diversos desafios enfrentados pelos produtores, as doenças estão entre os mais importantes e de difícil solução. A Mancha Alvo causada pelo fungo Corynespora cassiicola tem apresentado importância relevante devido à sua ocorrência em caráter epidêmico, de forma abrangente nas principais regiões produtoras de soja do Brasil. O principal dano em decorrência da alta severidade da mancha alvo é a redução da área fotossintética. Diante do exposto, percebe-se a necessidade de estudos com informações sobre eficácia agronômica de fungicidas, bem como a avaliação de perdas em função dos níveis de danos em diferentes cultivares com suscetibilidade, sendo esse por tanto, o principal objetivo deste trabalho. Os ensaios foram instalados e conduzidos em condições de campo. O delineamento experimental foi em blocos casualizados. Foi utilizado o esquema fatorial 3 x 5 x 4; ou seja, 3 cultivares com ciclo reprodutivo diferentes e quatro programas de aplicação com o fungicida piraclostrobina + fluxapyroxad, além de uma testemunha sem fungicida. As avaliações foram realizadas em função do número e tamanho de lesão, severidade da doença e rendimento de grãos (produtividade e massa de mil grãos). Os dados foram submetidos à análise estatísticas visando determinar os danos em função de níveis de severidade na planta em relação a plantas sadias nas diferentes cultivares e determinar o limiar de dano econômico para cultivares com suscetibilidade.

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Palavras-chave: Glycine max, severidade, controle, Corynespora cassiicola.

  1. INTRODUÇÃO

A soja é uma das mais importantes culturas agrícolas em todo o mundo, que se destacou no Brasil por favorecer a economia e por ser cultivada em terras que antes eram consideradas impróprias para o cultivo. Com a ascensão de novas áreas com a adoção de novas tecnologias, viu-se a cada ano a produtividade aumentar.

Esse aumento na produção é observado nos levantamentos realizados pela Conab (2015), em que a área de soja deve passar de 30,17 milhões de hectares para 31,62 milhões de hectares, constituindo-se na maior área já cultivada com a oleaginosa no país.

Mesmo com estas perspectivas de aumento, o maior desafio para o produtor está relacionado com o aumento da incidência de doenças e pragas. A preocupação é constante e algumas medidas devem ser adotadas para minimizar o impacto que estas podem proporcionar no resultado final do cultivo da soja.

As doenças têm-se destacado como um dos principais fatores que limitam a produtividade em diferentes regiões do país. Na região Centro-Oeste, em especial na microrregião do Sudoeste Goiano, não tem sido diferente, até mesmo porque a variação climática em cada ano agrícola tem favorecido o desenvolvimento de doenças.

Entre as doenças que mais têm chamado a atenção dos produtores e pesquisadores, a mancha-alvo (C. cassiicola) tem ocorrido em caráter epidêmico, o que vem se tornando um problema, devido ao monocultivo, à sucessão de culturas com espécies suscetíveis à doença e a condições favoráveis ao desenvolvimento do patógeno, o que auxilia no aumento significativo de danos na cultura da soja. O fungo prejudica a planta por afetar diferentes partes, como hastes, folhas (desfolha prematura), raízes (apodrecimento), sementes (abertura das vagens), o que debilita o seu desenvolvimento e, consequentemente, prejudica o rendimento da soja.

Em função destes prejuízos ocasionados por essa doença, é importante que sejam adotadas práticas que possibilitem o controle e/ou manejo da doença para se limitar os danos. Podem ser adotadas estratégias que envolvam o uso de cultivares resistentes ao patógeno, tratamento de sementes, rotação de culturas com gramíneas e o uso de fungicidas.

No entanto, estes não vêm apresentando um controle eficiente da respectiva doença, o que gerou a necessidade de buscar novos resultados em pesquisas quanto ao controle químico na cultura da soja apontando a eficácia de produtos, juntamente com a interação de cultivares suscetíveis à doença. O trabalho teve como objetivo avaliar as épocas de aplicação ideal para o controle da mancha alvo na cultura da soja. Avaliar os danos e perdas causados em função de níveis de severidade na planta (folhas, pecíolo e vagens) em relação a plantas sadias de diferentes cultivares suscetíveis; analisar perdas em função dos níveis de danos em diferentes cultivares suscetíveis; e determinar o limiar de dano econômico para cultivares com suscetibilidade.

  1. REVISÃO DE LITERATURA

    1. Condições favoráveis para o surgimento da Mancha-alvo

A mancha-alvo é causada pelo fungo Corynespora cassiicola (Berk & M.A. Curtis) C.T. Wei, e tem apresentado importância relevante devido à sua ocorrência em caráter epidêmico (SOARES et al., 2009). A doença ocorre em uma planta quando um patógeno virulento e um hospedeiro suscetível interagem em um ambiente favorável. Para que uma doença aumente, estes três componentes (patógeno, hospedeiro e ambiente) devem continuar a interagir ao longo do tempo (BOWEN, 2010). No entanto, na cultura da soja, a mancha-alvo pode ocorrer em qualquer período e estádio fenológico, dependendo da interação entre o patógeno, hospedeiro e ambiente.

O fungo C. cassiicola já foi relatado em mais de 312 hospedeiros, em regiões tropicais e subtropicais (FARR et al., 2010). No Brasil, sua presença tem sido identificada em praticamente todas as regiões de cultivo de soja (CASSETARI NETO et al., 2010).

O fungo sobrevive em hastes, raízes, sementes e em áreas de pousio por dois anos ou mais. Além disso, pode permanecer saprofiticamente em restos culturais de um grande número de espécies vegetais (SINCLAIR & BACKMAN, 1989). A Mancha Alvo é favorecida pelo plantio de cultivares suscetíveis, monocultura da soja, plantio direto e chuvas frequentes na fase vegetativa (EMBRAPA, 2011).

Os sintomas característicos da mancha-alvo em folhas têm início com pequenos pontos com halo amarelo que crescem até 2 cm de diâmetro tornando-se circulares, de coloração castanho-claro a castanho-escuro. O nome da doença se deve às pontuações mais escuras no centro e com halo amarelo ao redor, o que lembra o formato de um alvo (ALMEIDA et al., 2005).

    1. Medidas de controle

Várias estratégias são recomendadas para o controle da doença, tais como: o uso de cultivares resistentes, o tratamento de sementes, a rotação/sucessão de culturas com milho e espécies de gramíneas e pulverizações com fungicidas (ALMEIDA et al., 1997; HENNING et al., 2010).

Uma das principais preocupações na aplicação de proteção de plantas é o de reduzir as perdas para um nível aceitável. Este nível é muitas vezes difícil de definir. Portanto, precisa se conhecer as perdas para avaliar a eficácia e a viabilidade econômica de estratégias de manejo; para servir como um guia de definição de prioridades para culturas específicas e, consequentemente, servir como uma base de informações para as decisões políticas e governamentais a nível local, estadual, regional, nacional e internacional (CAMPBELL; MADDEN, 1990).

    1. Estudos com corynespora cassiicola na cultura da soja

Em trabalho conduzido em casa de vegetação, Avozani (2011) estudou a patogenicidade de cinco isolados de C. cassiicola em soja, verificando as condições ideais para o desenvolvimento da doença nesse ambiente, quando foram utilizadas cultivares suscetíveis, temperatura entre 21 a 25ºC e fotoperíodo de 12 horas, inoculação por aspersão, densidade de inoculo de 5 X 104 esporos/ml, umidade relativa saturada 48 horas após a inoculação e molhamento por aspersão após o aparecimento dos primeiros sintomas. Em experimentos in vitro, a autora realizou estudos para verificar a sensibilidade miceliana de C. cassiicola, isolado da soja com o uso dos fungicidas triazóis e benzimidazóis, e observou-se perda da sensibilidade de alguns isolados para o ingrediente ativo carbendazim.

Melo (2009), em trabalhos in vitro e em casa de vegetação, estudou a reação de C. cassiicola isolados de soja em diferentes condições, avaliando o comportamento do fungo ao efeito de diferentes substratos (BDA, Czapek, alimento infantil, mate ágar, farinha de aveia e suco V8) e quatro combinações diferentes com presença e ausência de luz e papel filtro. A maior esporulação do fungo foi obtida com substrato Solução Czapek-Ágar, com luz e fotoperíodo de 12/12 horas e sobreposição de papel filtro ao meio. Enquanto que em laboratório, a pesquisadora avaliou a temperatura ótima, o limiar térmico inferior e o superior para a germinação de conídios. Os resultados indicaram que os esporos do fungo germinaram em uma ampla gama de temperatura, sendo seu limiar térmico inferior 7ºC e o limiar térmico superior 39ºC e a temperatura ótima para a germinação de conídios foi de 23ºC.

Em laboratório, casa de vegetação e câmara climatizada, estudou a reação de 10 cultivares de soja e a mais suscetível ao número de lesão por folíolo foi BMX Potência RR, e quanto ao diâmetro de lesão, BMX Apolo. Fundacep 56 e Fundacep 59 foram as cultivares mais resistentes ao patógeno. A autora ainda estudou o efeito de diferentes concentrações de inóculo na intensidade da mancha-alvo da soja. A concentração de 35x10³ conídios ml‾ ¹ causou uma intensidade satisfatória da doença.

  1. MATERIAL E MÉTODOS

    1. Localização

O trabalho foi conduzido na estação experimental do Centro de Pesquisa Agrícola (CPA), município de Rio Verde, GO, no período de novembro de 2012 a março de 2013. As coordenadas do local são latitude Sul 18º26.671’ e longitude Oeste 050º51.946, sendo que a altitude do local é de 722 m.

Na referida área foi cultivado milho na safrinha e soja na safra de verão, sendo identificada na safra de verão a ocorrência da doença mancha-alvo.

    1. Tratamentos e delineamento experimental

As cultivares BMX Potência RR, TMG 132 RR e NA 5909 RG (variedades consideradas suscetíveis a C. cassiicola) foram semeadas em Novembro de 2012. As características agronômicas das cultivares estão presentes na tabela 1. As sementes foram previamente tratadas com Standak Top na dose de 200mL/100 Kg de sementes e a semeadura foi realizada sob plantio direto, com densidade de plantas por metro quadrado de acordo com as recomendações de cada cultivar e espaçamento de 0,50 metros entre linhas. Os tratos culturais como controle de pragas e de plantas daninhas, foram realizados de acordo com as necessidades que surgiram no decorrer do experimento. Para impedir a interferência de outras doenças, como a ferrugem asiática, no desenvolvimento dos experimentos, foram realizadas aplicações com o fungicida azoxistrobina + ciproconazol 60 + 24 g i.a. ha-1 (Priori Xtra®, Syngenta) + Nimbus 0,5% v/v, em todos os tratamentos até a inoculação.

Tabela 1 – Características agronômicas das cultivares utilizada em ensaios para avaliação de danos e perdas causados por Corynespora cassiicola em soja. Rio Verde, GO, safra 2012/2013.

Cultivar

Ciclo

Hábito de crescimento

Grupo de maturação

População (mil por ha-1)

BMX Potência RR

Semiprecose

Indeterminado

6.7

380

NA 5909 RR

Semiprecose

Indeterminado

6.6

440

TMG 132 RR

Médio 

Determinado 

 8.5

 250

Foi realizado o ensaio, com o objetivo de avaliar a relação dano perdas proporcionados pela mancha alvo na soja. Utilizando 3 cultivares (conforme descritas na tabela 1) e realizadas pulverizações, visando obter o controle da doença, com o fungicida piraclostrobina + fluxapyroxad (Orkestra®SC)100 + 50 g i.a. ha-1, em diferentes épocas de aplicação, iniciadas no estádio R2 (pleno florescimento) com intervalos de 14 dias (Tabela 2). Para aplicação dos produtos foi utilizado um pulverizador costal pressurizado com CO2, contendo uma barra de três metros de comprimento e seis pontas de pulverização do tipo leque TJ 110.02, espaçados a 50 cm e volume de calda equivalente a 200 L ha-1 e a pressão do pulverizador mantida a 30 lb pol-2.

Tabela 2. Épocas de aplicação dos fungicidas piraclostrobina + fluxapyroxad em mistura utilizadas em ensaio para a avaliação de danos causados por Corynespora cassiicola na cultura da soja nas seguintes cultivares: BMX Potência, NA 5909 RR e TMG 132 RR, Rio Verde, GO, safra 2012/2013.

Tratamentos

 

 

Épocas de aplicação

Dose

Dose

Ingrediente Ativo

(g i.a. ha-1)

(L p.c. ha-1)

1. testemunha

...

...

...

...

100 + 50

0,3

2. piraclostrobina + fluxapyroxad¹

R2

...

...

...

100 + 50

0,3

3. piraclostrobina + fluxapyroxad¹

R2

14 daa

...

...

100 + 50

0,3

4. piraclostrobina + fluxapyroxad¹

R2

14 daa

28 daa

...

100 + 50

0,3

5. piraclostrobina + fluxapyroxad¹

R2

14 daa

28 daa

42 daa

100 + 50

0,3

daa = dias após a primeira aplicação. ¹Adicionado Assist 0,5 L/ha.

    1. Análises dos dados

O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso em esquema fatorial 3 x 5 x 4, onde tem-se 3 cultivares; 5 épocas de aplicação (4 épocas mais a testemunha sem tratamento); 4 repetições, totalizando um total de 60 unidades experimentais. Cada parcela foi composta por oito fileiras de cinco metros de comprimento cada, sendo a parcela útil constituída pelas quatro fileiras centrais. Foram eliminados 50 cm de cada extremidade da parcela, sendo, portanto, a área útil da parcela igual a 8m2, conforme preconizado pela Comissão de Fitopatologia durante XXVIII Reunião de Pesquisa de Soja para a Região Central do Brasil (Embrapa, 2006).

Os dados foram submetidos a análise de variância, sendo aplicado o teste de Tukey a 5% de probabilidade, com auxílio do programa Sisvar 4.2 (Ferreira, 2000).

    1. Condições ambientais durante as aplicações

Durante as aplicações, as condições ambientais foram monitoradas com auxílio do aparelho Kestrel 3000. Para tanto, foram avaliados: a temperatura, umidade relativa do ar e as velocidades médias e máximas do vento no início e no fim das aplicações. É importante salientar que os dados climáticos foram monitorados na altura de 40 cm acima do topo da planta. As condições ambientais durante as aplicações se encontravam ótimas ou próximas àquelas tidas como ideais por Hoffman e Boller (2004), quando a temperatura encontra-se abaixo de 30°C; umidade relativa acima de 55% e velocidade do vento abaixo de 10 km/h.

Figura 1. Médias mensais de precipitação (mm) e temperatura (oC) durante o período de condução do experimento (outubro de 2011 a março de 2012).

    1. Obtenção de gradiente de doença

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