NBR 6502-1995 - Rochas e Solos (Termos técnicos)

NBR 6502-1995 - Rochas e Solos (Termos técnicos)

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Palavras-chave: Rocha. Solo. Fundação

NBR 6502SET 1995 Rochas e solos

18 páginas

Origem: Projeto NBR 6502/1993 CB-02 - Comitê Brasileiro de Construção Civil CE-02:004.05 - Comissão de Estudo de Rochas e Solos NBR 6502 - Rocks and soils - Terminology Descriptors: Rock. Soil Válida a partir de 30.10.1995

Terminologia h)principais tipos; i) propriedades. 2.1.1 Rocha

Material sólido, consolidado e constituído por um ou mais minerais, com características físicas e mecânicas específicas para cada tipo.

2.1.2 Origem 2.1.2.1 Ígnea ou magmática

Nome dado a qualquer tipo de rocha que provém de solidificação de materiais em fusão denominados magmas.

Nota: São classificadas quanto à profundidade de origem em: a) plutônica:

-rocha ígnea formada em grandes profundidades, possuindo textura grossa a média. Por exemplo: diorito, gabro, sienito;

b) extrusiva ou vulcânica:

- rocha ígnea formada pelo extravasamento do magma na superfície terrestre. Por exemplo: basalto, riólito, tufo;

1 Objetivo

Esta Norma define os termos relativos aos materiais da crosta terrestre, rochas e solos, para fins de engenharia geotécnica de fundações e obras de terra.

2 Definições

Para os efeitos desta Norma são adotadas as definições constantes em 2.1 para os termos técnicos relativos a rocha e as definições constantes em 2.2 para os termos técnicos relativos a solo.

2.1 Termos relativos a rochas

Para rochas, adota-se a seguinte itemização como forma de agrupamento dos termos a seguir:

NBR 6502/19952 c) hipoabissal:

sio, pegmatito.

- rocha ígnea originada em profundidades interme- diárias entre as plutônicas e as vulcânicas, tendo ocorrência em forma tabular (dique), camada (sill ou soleira) ou filonar. Por exemplo: apito, diabá- 2.1.2.2 Metamórfica

Rocha proveniente de transformações sofridas por qualquer tipo de rocha preexistente que foi submetida à ação de processos termodinâmicos de origem endógena, os quais produziram novas texturas e novos minerais que geralmente se apresentam orientados . Por exemplo: gnaisse, xisto, filito.

2.1.2.3 Sedimentar Rocha originada pela consolidação de:

a) detritos de outras rochas que foram transportados, depositados e acumulados. São denominadas detríticas ou clásticas; b) produtos de atividade orgânica, atividade bioquímica ou precipitação química por evaporação.

Nota:Em todos os casos tem-se geralmente a formação de estratos ou camadas. As detríticas são classificadas de acordo com a granulometria (por exemplo: arenito, siltito, argilito, folhelho, etc.) e as outras, de acordo com sua composição química (por exemplo: carvão mineral, gipsita, evaporito e calcário, etc.).

2.1.3 Principais formas de ocorrência 2.1.3.1 Estratificada

Rocha em que seus componentes dispõem-se em estratos ou camadas, devido à diferença de textura, cor, resistência, composição, etc., sendo uma característica das rochas sedimentares.

2.1.3.1.1 Camada ou estrato

Ocorrência contínua (ou quase) de rocha sedimentar, com certa constância em suas propriedades, fornecida pelas condições de deposição, limitada nas partes superior e inferior por rochas diferentes. O termo aplica-se também a solos. Se a espessura for inferior a 1 cm, recebe o nome de lâmina.

2.1.3.1.2 Lente

Ocorrência de corpo de rocha ou solo sem continuidade lateral, possuindo variação de espessura e situada no seio de outra(s) camada(s).

2.1.3.2 Derrame

Fluxo de magma extrusivo proveniente do escoamento pela superfície do terreno, originado pela saída do magma através de vulcões e de geofraturas, formando camadas sucessivas de lava solidificada.

2.1.3.3 Intrusiva

Nome dado a rochas de origem ígnea, cujo corpo está encaixado em outras rochas. As plutônicas e hipoabissais são as rochas intrusivas.

2.1.3.3.1 Dique

Corpo tabular de uma rocha ígnea hipoabissal que se aloja discordantemente em relação à orientação das estruturas principais da rocha encaixante.

2.1.3.3.2 Sill (Soleira)

Corpo de uma rocha ígnea hipoabissal que se aloja paralelamente às estruturas principais da rocha encaixante, possuindo geralmente o aspecto de camada.

2.1.3.4 Maciço rochoso

Porção definida de uma ou mais formações geológicas, caracterizada por suas rochas e descontinuidades.

2.1.4 Coloração 2.1.4.1 Cor

A coloração é dada pela cor predominante dos minerais da rocha. Por exemplo: arenito: branco; granito: róseo; folhelho: marrom; gnaisse: cinza.

2.1.4.2 Índice de cor

Relação, em termos quantitativos, entre os minerais claros (sálicos ou félsicos) e os escuros ferromagnesianos (máficos) que compõem a rocha.

2.1.4.2.1 Leucocrática ou clara

Quando predomina a presença de minerais claros. Por exemplo: granito.

2.1.4.2.2 Mesocrática ou cinzenta

Quando os minerais claros e escuros estão presentes na mesma proporção. Por exemplo: diorito.

2.1.4.2.3 Melanocrática ou escura

Quando os minerais predominantes são escuros. Por exemplo: basalto.

2.1.5 Textura

Refere-se à aparência da rocha, quando se consideram, em conjunto, o tamanho, forma, arranjo e o modo pelo qual os minerais que a compõem se acham unidos. Os principais tipos de textura são os descritos em 2.1.5.1 a 2.1.5.15.

2.1.5.1 Equigranular

Quando os componentes mineralógicos são aproximadamente do mesmo tamanho, independentemente de suas formas.

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2.1.5.2 Fina ou afanítica Quando a granulação é inferior a 0,05 m. 2.1.5.3 Média

Quando a granulação é compreendida entre 0,05 m e 1 m.

2.1.5.4 Grossa Quando a granulação varia entre 1 m e 5 m. 2.1.5.5 Matriz

Material, em geral granular fino, que envolve megacristais nas rochas ígneas porfiríticas. No caso de rochas sedimentares, é o material de granulação fina que envolve ou preenche os interstícios entre grãos maiores.

2.1.5.6 Cimento

Material natural que preenche os poros das rochas sedimentares e promove a junção entre os fragmentos ou detritos, consolidando-os. Pode ser argiloso, silicoso, calcífero, ferruginoso, etc., influenciando de forma definitiva no comportamento mecânico da rocha.

2.1.5.7 Maciça compacta ou densa

Quando a massa da rocha ou da matriz não evidencia a presença macroscópica de vazios.

2.1.5.8 Porfirítica

Quando há cristais maiores envolvidos em uma massa ou matriz de grãos menores. Por exemplo: granito pórfiro.

2.1.5.9 Vesicular

Quando a rocha possui, disseminadas em sua massa, vesículas ou vazios provenientes do escape de gases. Por exemplo: basalto vesicular.

2.1.5.10 Amigdalóide ou amigdaloidal

Quando a rocha possui, disseminadas em sua matriz vesículas preenchidas com materiais de composição diferente ao da matriz. Por exemplo: basalto amigdalóide.

2.1.5.1 Vítrea

Quando há ausência de granulação, possuindo brilho vítreo ou resinoso, e fratura conchoidal. Corresponde às rochas ígneas extrusivas que sofreram resfriamento brusco. Por exemplo: vidros naturais.

2.1.5.12 Brechóide

Quando a rocha é composta por fragmentos angulosos de duas ou mais rochas diferentes entre si, ou fragmentos de uma só rocha, aglutinados por matriz cimentante.

2.1.5.13 Gnáissica

Caracteriza-se por possuir um aspecto laminado decorrente da disposição de um ou mais minerais constituintes.

2.1.5.14 Xistosa

Aspecto apresentado pelas rochas metamórficas, que consiste no alinhamento dos minerais componentes, como se fossem estratos finos.

2.1.5.15 Foliado

Termo usado para designar qualquer estrutura planar de uma rocha, reconhecível a vista desarmada.

2.1.6 Composição química 2.1.6.1 Alcalina

Termo geral aplicado às rochas ígneas, em que, qui- micamente, o conteúdo de K2O + Na2O suplanta o da sílica ou alumina. Tem como característica a presença de feldspatóides.

2.1.6.2 Ultrabásica

Termo geral aplicado às rochas ígneas, em que, quimicamente, a percentagem de sílica é inferior a 45%. Estas rochas caracterizam-se essencialmente pela presença de minerais escuros. Por exemplo: piroxenito.

2.1.6.3 Básica

Termo geral aplicado às rochas ígneas com predominância de minerais escuros (máficos), em que, quimicamente, a percentagem de sílica está compreendida entre 45% e 52%. Por exemplo: basalto.

2.1.6.4 Intermediária ou neutra

Termo geral aplicado às rochas ígneas, em que, quimicamente, a percentagem de sílica está compreendida entre 52% e 65%. Por exemplo: granodiorito.

2.1.6.5 Ácida

Termo geral aplicado às rochas ígneas, em que, quimicamente, a percentagem de sílica é superior a 65%. Tem como característica a cor clara e a presença de quartzo. Por exemplo: granito.

2.1.7 Estrutura

Feições maiores adquiridas pelo maciço rochoso durante ou após sua formação, como xistosidade, dobras, diáclases e falhas, etc.

2.1.7.1 Compartimentação

Estruturação dos maciços rochosos que se apresentam constituídos por blocos sólidos separados por planos de descontinuidades.

2.1.7.2 Descontinuidade

Estrutura geológica que interrompe a continuidade física dos maciços rochosos. O termo engloba todas as estruturas, como falhas, juntas, fissuras, contato entre duas rochas, etc. A caracterização das descontinuidades de um maciço rochoso deve levar em conta o descrito em 2.1.7.2.1 a 2.1.7.2.9.

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2.1.7.2.1 Atitude (direção e mergulho)

Conjunto de valores (direção e mergulho) que definem a posição geométrica no espaço (referida a coordenadas geográficas) de uma camada ou descontinuidade geológica:

a) direção:

- ângulo entre a interseção do plano da descontinuidade com um plano horizontal e o norte geográfico; b) mergulho:

continuidade e correspondente direção referida
aos quadrantes geográficos.

- ângulo máximo de inclinação do plano da des-

Existem dois modos de se representar a atitude:

1º - Atitude da descontinuidade - é dada pela direção da descontinuidade, ou da maior inclinação da camada, acrescida do quadrante para onde mergulha a camada. Por exemplo: N40°E/30°SE.

2º - Atitude do mergulho - é dada pela direção da linha de maior inclinação, medida a partir do norte verdadeiro, no sentido anti-horário/ângulo que essa linha faz com a horizontal. Por exemplo: 320°/30°.

Nota: A direção de mergulho faz 90° com a direção da descontinuidade.

2.1.7.2.2 Espaçamento

Distância medida entre duas descontinuidades adjacentes de uma mesma família, na direção perpendicular entre si.

2.1.7.2.3 Freqüência

Número de descontinuidades por metro ou por um determinado comprimento.

2.1.7.2.4 Extensão

Comprimento da descontinuidade, podendo ter alguns centímetros até várias centenas de metro.

2.1.7.2.5 Forma

Corresponde ao aspecto geométrico da descontinuidade. Por exemplo: plana, circular, irregular, dentada, etc.

2.1.7.2.6 Característica do plano

Corresponde à presença em conjunto ou não das seguintes feições: abertura, preenchimento, rugosidade, estrias de cisalhamento, etc.

2.1.7.2.7 Preenchimento

Presença de material de natureza e composição diferentes da rocha ou não, alojado na descontinuidade. Este material pode ser argiloso, carbonático, silicoso, ferruginoso, bem como decomposto da própria rocha, etc.

2.1.7.2.8 Abertura ou espessura

Distância perpendicular entre as paredes adjacentes de uma descontinuidade, cujos espaços contêm água ou ar.

2.1.7.2.9 Largura

Distância perpendicular entre as paredes adjacentes de uma descontinuidade, cujos espaços estão preenchidos.

2.1.7.3 Fratura, junta ou diáclase

Superfície de ruptura sem movimento relativo entre as suas faces.

2.1.7.4 Família de juntas

Corresponde a um grupo de juntas que ocorrem em um arranjo paralelo ou quase paralelo de mesma gênese.

2.1.7.5 Sistema de juntas

Corresponde ao conjunto de duas ou mais famílias de juntas existentes.

2.1.7.6 Falha

Plano ou superfície de ruptura com deslocamento relativo dos lados paralelos à fratura. A falha caracteriza-se por possuir o descrito em 2.1.7.6.1 a 2.1.7.6.3.

2.1.7.6.1 Linha de falha Interseção do plano de falha com a superfície do terreno. 2.1.7.6.2 Plano de falha

Plano ao longo do qual se dá o movimento, podendo apresentar-se estriado e polido.

2.1.7.6.3 Rejeito

Medida em qualquer direção do deslocamento entre dois lados de uma falha, podendo ser centimétrica até várias centenas de metros.

2.1.7.7 Dobra

Curvatura ou flexão produzida nas rochas, devido principalmente ao tectonismo. A dobra é caracterizada por eixo, plano axial e flanco.

2.1.7.7.1 Anticlinal

Forma adquirida pela dobra, quando as camadas mais antigas estão mais próximas do eixo do encurvamento.

2.1.7.7.2 Sinclinal

Forma adquirida pela dobra, quando as camadas mais jovens estão mais próximas do eixo do encurvamento.

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2.1.8 Principais tipos 2.1.8.1 Aplito

Nome dado à rocha de composição granítica e de textura fina, ocorrendo sempre em forma de dique.

2.1.8.2 Ardósia

Rocha metamórfica de baixo grau de metamorfismo, contendo ainda, em sua massa, material argiloso, bem como mica em estado incipiente de crescimento. É uma rocha com xistosidade tabular perfeita.

2.1.8.3 Arenito

Rocha sedimentar com granulometria de areia, cujos grãos são ligados entre si por um cimento. O tipo de cimento é que determina as propriedades de resistência, podendo ser silicoso, argiloso, calcífero, ferruginoso, etc.

2.1.8.4 Argilito

Rocha sedimentar constituída essencialmente por partículas argilosas, sem estratificação e de aspecto maciço e homogêneo.

2.1.8.5 Basalto

Rocha vulcânica escura, normalmente de granulação fina e de textura que pode ser maciça, vesicular ou amigdalóide.

2.1.8.6 Brecha

Rocha formada por fragmentos angulosos de outras rochas, aglutinados ou não por um cimento. Uma brecha pode ser tectônica e vulcânica.

2.1.8.7 Calcário

Rocha sedimentar de origem química, orgânica ou clástica, constituída principalmente por carbonato de cálcio.

2.1.8.8 Conglomerado

Rocha sedimentar formada por fragmentos arredondados de outras rochas (normalmente seixos), aglutinados por cimento.

2.1.8.9 Diabásio

Rocha ígnea intrusiva, de granulação média a fina, que ocorre em forma de diques e sills.

2.1.8.10 Dolomito

Rocha sedimentar composta por carbonato de magnésio e cálcio.

2.1.8.1 Filito

Rocha metamórfica caracterizada por forte xistosidade e composta quase que exclusivamente por micas. Às vezes pode possuir grafite como componente principal.

2.1.8.12 Folhelho

Rocha sedimentar bem estratificada, laminar e detrítica, cujos componentes apresentam granulometria de siltes e argilas.

2.1.8.13 Gnaisse

Rocha metamórfica de alto grau de metamorfismo, grosseiramente bandada, devido à composição mineralógica predominante de quartzo e feldspato sobre os minerais micáceos.

2.1.8.14 Granito

Rocha plutônica granular, formada essencialmente por quartzo e feldspato, e acessoriamente por biotita e moscovita.

2.1.8.15 Laterita (o)

Rocha de textura vacuolar, ferruginosa, de cor geralmente avermelhada, muitas vezes matizada, constituída por uma mistura de óxidos de ferro e alumínio e por outros minerais, que ocorre habitualmente em zonas tropicais, em decorrência do fenômeno de laterização (ver 2.2.141). Também denominada “canga”.

2.1.8.16 Mármore

Rocha metamórfica derivada de calcários ou outras rochas sedimentares constituídas por carbonato de cálcio ou de magnésio.

2.1.8.17 Migmatito

Nome genérico dado a uma rocha metamórfica de alto grau, do tipo gnaisse e que apresenta segregações de material ígneo quartzo-feldspático (pegmatito ou granito).

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