EFICÁCIA DA ARMADILHA PARCELA DE ÀREIA NO LEVANTAMENTO DE MAMÍFEROS DE MÉDIO E GRANDE PORTE NA ÁREA DE CERRADO E MATA DE GALERIA DA APA DOINHAMUM CAXIAS-MA

UBAID, Flavio kulaif1, SANTOS, Francilda Rodrigues²; LIMA, Francilene Oliveira²; FRANÇA, Maria Santa Pereira²; MEDEIROS, Railson Mesquista²; BARROS, Rita de Kássia dos Santos²

RESUMOOs mamíferos exercem um importante papel ecológico no ambiente, são sensíveis a alterações ambientais e encontram-se seriamente ameaçados de extinção, são bons indicadores do estado de conservação de uma área O presente estudo teve como objetivo, analisar a eficácia da armadilha parcela de areia para levantamento da diversidades de espécies de mamíferos presentes tanto na área de cerrado como mata de galeria na APA Inhamum. O estudo foi realizado na área de Proteção Ambiental Municipal do Inhamum é considerada Patrimônio Municipal de Caxias. A área está localizada entre as coordenadas -04º 53’ 30’’ de Latitude S e -43º 24’ 53” de Longitude W, a margem da BR-316, a aproximadamente 2 km do perímetro urbano de Caxias/MA, onde foram distribuídas 7 parcelas de areia em trilhas existente, cada uma 50m de distância entre cada, preenchidas com areia (2-4 cm de altura) na qual três foram postas na mata de galeria e quatro no cerrado. Em cada uma das parcelas, foi disposto os seguintes atrativos como isca: banana, sardinha, paçoca de amendoim, na qual foram vistoriadas todas as manhãs nos sete dias consecutivos quanto à existência de pegadas, na qual foram registrada apenas três espécies, Mazama gouazoubira (Veado Catingueiro), Equus asinus(jumento) e Canis lupus familiaris, (Cachorro Doméstico).Apesar dos poucos registro mostra através de vários estudos que armadilha parcela e eficiente ajudando a fazer levantamentos de mamíferos estimando sua riqueza contribuindo assim para a preservação dos mesmos.

Palavras-Chave: Parcelas de areia, Mamíferos, pegadas armadilhas

ABSTRACT Mammals play an important ecological role in the environment, they are sensitive to environmental changes and are seriously threatened with extinction. They are good indicators of the conservation status of an area. The objective of this study was to analyze the effectiveness of the sand trap To survey the diversity of mammal species present in both the cerrado and gallery forest areas of the APA Inhamum. The study was conducted in the area of ​​Municipal Environmental Protection of Inhamum is considered Municipal Heritage of Caxias. The area is located between the co-ordinates -04º 53 '30' 'of Latitude S and -43º 24' 53 "of Longitude W, the margin of BR-316, approximately 2 km from the urban perimeter of Caxias / MA, where they were distributed 7 plots of sand in existing tracks, each 50m distance between each, filled with sand (2-4 cm high) in which three were placed in the gallery forest and four in the cerrado. In each plot, the following attractions were proposed as bait: banana, sardine, peanut peach, in which they were inspected every morning on the seven consecutive days for footprints, in which only three species, Mazama gouazoubira Deer Catingueiro), Equus asinus (donkey) and Canis lupus familiaris, (Domestic Dog). Despite the few records shows through several studies that plot trap and efficient helping to make surveys of mammals estimating their wealth contributing asim for the preservation of them.

Key words: Sand litter, Mammals, footprints traps

1.INTRODUÇÃO

O Brasil detém aproximadamente 14% da biodiversidade mundial e abriga a maior diversidade de mamíferos (COSTA et al., 2005). A mais recente compilação disponível aponta que 701 espécies de mamíferos ocorrem no Brasil com destaque para roedores e primatas (PAGLIA et al., 2012).

A grande maioria das espécies de mamíferos neotropicais depende das áreas de vegetação nativa preservadas para se manter em paisagens dominadas pelo homem, com exceção de algumas poucas espécies que proliferam e são capazes de manter populações em ambientes urbanos ou agrícolas, como alguns roedores e marsupiais (UMETSU & PARDINI 2007) ou morcegos (SAZIMA et al. 1994).

O Cerrado é o segundo maior Bioma do Brasil, ocupando 21% do território nacional. É considerado um hotspot mundial por apresentar altas taxas de endemismo ameaçadas por um elevado grau de perda de hábitat (MYERS et al., 2000). Há registros de 251 espécies de mamíferos, das quais 32 são exclusivas desse Bioma (PAGLIA et al.,2012).

Os mamíferos estão relacionados com uma série de processos nos ecossistemas florestais. As espécies frugívoras/herbívoras exercem funções como dispersão e predação de sementes, contribuindo com a manutenção da diversidade de árvores das florestas (DE STEVENS & PUTZ, 1984, p. 211-215; DIRZO & MIRANDA, 1990, p. 444-447 citado em ZANATA, 2010). Considerando que os mamíferos exercem um importante papel ecológico no ambiente, são sensíveis a alterações ambientais e encontram-se seriamente ameaçados de extinção, são bons indicadores do estado de conservação de uma área (ZANATA, 2010, BECKER; DALPONTE,1991; PARDINI et al, 2003). Um dos métodos mais utilizado é o de parcelas de areia, que ajuda na estimativa da riqueza de espécies de determinado local, de forma rápida e segura (PARDINI, et al,2003). A escolha de um método eficiente é necessária para que a fauna seja avaliada corretamente e ocorra a determinação de áreas prioritárias para a sua conservação.

Visto a carência de estudos que relatem a fauna de mamíferos de grande e médio porte da APA Inhamum, o presente trabalho é de grande importância para demonstrar a eficácia e parâmetros de como identificar a diversidade de espécies pelas pegadas encontradas em parcelas de areia. Visa-se com esse trabalho demonstrar a eficiência do uso de armadilhas estruturadas

O presente estudo teve como objetivo, analisar a eficácia da armadilha parcela de areia para levantamento da diversidades de espécies de mamíferos presentes tanto na área de cerrado como mata de galeria na APA Inhamum. Observar a diversidade de mamífero existente no cerrado e mata de galeria; Caracterizar através das pegadas cada espécie encontrada; e avaliar o grau de ameaça de cada espécie encontrada;

2-MATERIAIS E MÉTODOS

A área de Proteção Ambiental Municipal do Inhamum é considerada Patrimônio Municipal de Caxias. A área está localizada entre as coordenadas -04º 53’ 30’’ de Latitude S e -43º 24’ 53” de Longitude W, a margem da BR-316, a aproximadamente 2 km do perímetro urbano de Caxias/MA .Foi criada pela Lei Municipal 1.46/2001, do dia 04 de julho de 2001 e possui uma área de aproximadamente 4.500 hectares, tendo a configuração paisagística fisionomicamente o Cerrado, com dois estratos, um arbóreo/arbustivo e outro composto por gramíneas em áreas planas, enquanto que nas depressões têm-se buritizais associadas aos cursos hídricos (CAXIAS, 2001). O clima predominante da área é o Tropical subsumido AW, com duas estações distintas, verões chuvosos e invernos secos. Segundo ARAÚJO (2012) a área caracteriza-se por apresentar índices pluviométricos regulares entre 1.600 e 1.800 mm, as temperaturas, mínimas, médias e máximas, são normalmente elevadas. A média anual é superior a 24°C.

Figura1.Área de proteção ambiental do Inhamun

Fonte: CAXIAS. Lei nº 1.464/2001 de 04 de Julho, Dispõe sobre a Criação da Área de Proteção Ambiental (APA) Municipal do Inhamum e dá outras providencias. Prefeitura Municipal de Caxias, Estado do Maranhão, 2001.

A hidrografia da APA do Inhamum apresenta um riacho principal, que recebe o mesmo nome da APA, e subafluentes, fazendo parte da rede hidrográfica da bacia do rio Itapecuru. O riacho do Inhamum constitui-se como um riacho de segunda ordem e de regimes permanentes, suas águas se localizam à margem esquerda do rio Itapecuru na MA-127 sentido Caxias/São João do Sóter. A geomorfologia da área está localizada na bacia sedimentar do Meio Norte com áreas de depressões e com presença marcante de areia quartzosa e solos aluviais nas proximidades do percurso d’água.

Becker e Dalponte (1991) afirmam que a observação indireta de mamíferos por meio de rastros, pegadas e fezes nos permite conhecer a frequência das espécies em habitat natural. Isso permite que seja feita uma avaliação das alterações nas comunidades, em fragmentos, ou até em florestas com diferentes graus de ação antrópica. Dessa forma, para o levantamento de espécies de mamíferos nos fragmentos, foram utilizadas técnicas de observação indireta, através de parcelas de areia (PARDINI et al., 2003), além da visualização direta quando possível.

As parcelas de areia foram montadas em locais com solo o mais plano possível, na mata de galeria com transição para o cerrado. A campanha foi realizada no mês de março de 2017 com duração de sete dias consecutivos, na qual foram numeradas e posteriormente montadas sete parcelas de areia quadrada sendo dispostas linearmente em trilhas existentes, com dimensões de 70 x 70 centímetros distanciadas 50 metros entre si, preenchidas com areia (2-4 cm de altura) na qual três vão ser postas na mata de galeria e quatro no cerrado. Em cada uma das parcelas, foi disposto os seguintes atrativos como isca: banana, sardinha, paçoca de amendoim, na qual serão vistoriadas todas as manhãs nos sete dias consecutivos quanto à existência de pegadas.

Quando ocorrentes, registrou-se anotando a espécie, o local/estação, a data e o horário, a trilha e a parcela de areia, assim como o tipo de isca removida. Além disso, as pegadas foram mensuradas (largura e comprimento) e fotografadas, sendo moldes de gesso confeccionados em alguns casos para auxiliar na identificação. Observadas, e as identificações foram feitos a partir de conhecimento prévio dos pesquisadores e da consulta de guias de identificação de rastros (Becker & Dalponte,1999; Borges & Tomás, 2004). Uma vez tomados estes registros, as pegadas foram apagadas e as iscas renovadas. A suficiência amostral foi deduzida por curvas de coletor e a riqueza total de espécies foi calculada pelo método Jackknife com o software EstimateS 7.5 (COLWELL, 2005).

Figura 2:( A)Montagem das parcelas de areia, (B) finalização da armadilha com isca.

B

A

Fonte: França, M.S, 2017

O estimador de Jackknife é recomendado para um número pequeno de amostras e apresenta um viés positivo, ou seja, tende a superestimar o número de espécies numa comunidade (EM KREBS, 2000).

Esses métodos estimou a riqueza total, somando a riqueza observada, a uma parâmetro calculado a partir do número de espécies raras e do número de amostras, além de minimizar os efeitos de medidas viciadas, como é o caso da riqueza de espécies. (CULLEN, et al., 2003)

Para todas as espécies registradas foi verificado a categoria de ameaça de acordo com o Livro Vermelho das Espécies Ameaçadas de Extinção e com base na Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção - Instrução Normativa n° 3, de 27 de Maio de 2003 (MACHADO et al., 2005).

3-RESULTADOS E DISCURSSÃO

Através de observações de pegadas feitas na região da pesquisa foram registradas três espécies três família e três ordens, sendo que apenas um desses exemplares foram capturados por meio de armadilha parcela de areia, pertencendo a ordem Artiodactyla,, família Cervidae e espécie Mazama gouazoubira, os demais são Equus asinus e Canis lupus familiaris, sendo utilizado os guias de pegadas Série Boas Práticas, v.3/ Carvalho Jr, Oswaldo; Luz, Nelton Cavalcante. Belém-PA: EDUFPA, 2008, O Manual de Rastros da Fauna Paranaense 2008 e Guia de rastros e outros vestígios de mamíferos do Pantanal / Paulo André Lima Borges e Walfrido Moraes Tomás. – Corumbá: Embrapa Pantanal,

2004.

Fonte: RODRIGUES, F.S.

Fonte: IUCN

Figura 4. Pegada do veado- Mozama gouazoubira

Figura 3.Veado catingueiro- Mazama gouazoubira

Distribuição de Mazama gouazoubira

Segundo (Duarte,et al 1996). O veado-catingueiro é encontrado desde o sul do México até o norte da Argentina. No Brasil, ocorre em todos os biomas Entretanto, evidências mais recentes indicam a substituição de Mazama gouazoubira por M. nemorivaga na região amazônica, apesar dessa possibilidade ainda não ter sido completamente comprovada.

Figura 5: Mapa de distribuição do veado catingueiro

Fonte :IUCN

Segundo Vogliotti 2003, M. gouazoubira ocorre em vários ambientes, de florestas densas contínuas a savanas abertas com pequenas e poucas manchas de mata, mas sempre associado a florestas para abrigo e alimentação. Prefere o ecótono entre a floresta e o campo e áreas de floresta. Estudos na floresta ombrófila densa no sul de São Paulo não encontraram evidências da sua presença em habitats de mata densa, permanecendo restrito ao entorno dessas áreas. A espécie se adapta facilmente a terras cultivadas, bastando que estejam disponíveis, para seu abrigo, pequenas áreas florestadas (Pinder & Leeuwenberg 1997).

De acordo com Dellafiore & Maceira 2001, Em algumas áreas, esta espécie pode estar ameaçada pela caça, por doenças transmitidas por animais domésticos e pela perda e destruição de habitat. Existem relatos de aproximadamente 2.000 indivíduos caçados por mês na Argentina e estudos indicam que 75% a 80% são fêmeas. Em contribuição Vogliotti 2003, diz que “o desmatamento e o avanço agrícola parecem ter favorecido essa espécie em detrimento das mais especialistas (M. americana, M. nana e M. bororo), para as quais devem ser direcionados os esforços mais urgentes de conservação”.

Ente as três espécies de mamíferos registradas no estudo, três são domesticas Equus asinus e Canis lupus familiaris,). A espécie Canis lupus familiares pode ocasionar competição por alimento e território com outros carnívoros e, principalmente, aumentar a taxa de predação de espécies nativas e a introdução e disseminação de doenças. Segundo Galetti e Sazima (2006) A ocorrência dessa espécies provavelmente se deve à proximidade das áreas de ocupação humana, ambos não se encontra ameaçada de extinção.

Figura 7: Pegada de Equus asinus

Figura 6: Pegada de Canis lupus familiaris

Fonte: França, M.S, 2017

Fonte: França, M.S, 2017

Avaliação do método de coleta

A deficiência da eficácia do método parcela de areia nesse estudo deve-se por conta da considerável distância do local de coleta, impedindo que as mesmas fossem checadas diariamente. Por ter sido escolhido a época chuvosa para período de coleta, deve-se a insuficiência de dados, pois as chuvas constantes impediram as visitas de animais as parcelas e as pegadas deixadas nas mesmas foram apagadas devido o contato com a água. Outro ponto que chama a atenção a ineficiência do método, diz respeito a proximidade da reserva com residências, o barulho produzido por elas pode afugentar espécies da região para mais longe.

Por outro lado, o registro de pegadas em parcelas de areia mostrou-se ser um método barato, rápido e de fácil observação como relatado por Scoss et al. (2004), devendo ser uma alternativa de método pouco invasivo em se tratando de estudos de mamíferos, evitando perturbações ao meio natural das espécies de terminada área.

Pelo método de parcelas de areia não obteve resultado significativo, pois a quantidade de espécies encontradas foi relativamente baixa quando comparada com outros estudos, como as registradas em um trabalho Provinciatto(2012) cujo o objetivo, realizar um levantamento rápido de mamíferos terrestres de médio e grande porte através da metodologia de parcelas de areia, com 25 parcelas distribuídas em cinco áreas do Parque. Foram registradas 4 ordens, 6 famílias e 9 espécies (Nasua nasua, Eira barbara, Procyoncancrivorous, Leopardus pardalis, Leopardus sp., Dasypus novemcinctus, Tamandua tetradctyla, Myrmecophaga tridactyla e Cavia aperea).

Em um outro estudo de Pacios(2014) teve por objetivo realizar um levantamento da mastofauna terrestre de médio e grande porte em três fragmentos na Fazenda Experimental Lajeado - UNESP/Botucatu, através do método de parcelas de areia. Foram utilizadas 48 parcelas no total, 16 em cada trilha. As pegadas encontradas foram fotografadas e identificadas a partir de Guias específicos. Foram encontradas 12 espécies distintas de mamíferos, destas, 7 foram classificadas a nível de espécies, distribuídas em 9 famílias e 6 ordens. A ordem mais representativa foi a Carnívora. A coleta de dados ocorreu no período de julho a outubro de 2013, caracterizando a estação seca, durante 5 dias consecutivos. Já no trabalho de SCOOS,L.M.et al(2004) para avaliar o uso de parcelas de areia para registro de pegadas de mamíferos, para estimar a riqueza de espécies que utilizam habitats cortados por estradas, e analisar a aplicabilidade do método em um programa de monitoramento. Os levantamentos foram conduzidos no Parque Estadual do Rio Doce-MG, através do uso de duas grades de amostragem compostas por três transectos paralelos, a diferentes distâncias da estrada (12, 82 e 152 m), monitorados durante os meses de março a novembro de 2000. Em um total de 1.200 parcelas de areia, foram registradas 16 espécies de mamíferos de médio e grande porte. Aproximadamente 87% do total de parcelas apresentou pelo menos um registro de pegada de mamíferos durante o período de coleta. Dos mamíferos registrados no parque e passíveis de identificação por pegadas (Artiodactyla, Perissodactyla, Carnivora, Edentata, Lagomorpha, parte de Rodentia e parte de Marsupialia), foram registrados 66,67% dos mamíferos listados para o PERD (Stallings et al., 1991). As espécies mais abundantes foram Dasyprocta sp. (cutia), Didelphis spp. (gambá), Sylvilagus brasiliensis Linnaeus, 1758 (tapiti) e Cuniculus paca Brisson, 1762 (paca), que apresentaram respectivamente, os seguintes índices de abundância (no de pegadas/parcelas de areia): 0,77, 0,11, 0,09e 0,06.

Outros trabalhos semelhantes com a utilização da armadilha parcela de areia, como o de Cristiano et al (2013), por objetivo comparar metodologias de amostragem da mastofauna de médio e grande porte, testar a eficiência de diferentes iscas na atração desses mamíferos em parcelas de areia e testar a relação das espécies mais amostradas com as iscas utilizadas em uma Unidade de Conservação Peri Urbana no Cerrado brasileiro, em Campo Grande, MS. Foram registradas 18 espécies de mamíferos silvestres de médio e grande porte, as quais se distribuíram em nove ordens e 13 famílias, Carnívora foi a ordem mais representativa com quatro espécies, seguida por Cingulata e Artiodactyla com três espécies cada. Duas espécies amostradas no PEMS (M. tridactyla e T. terrestris) figuram como ameaçada de extinção na lista da International Union for Conservation of Nature - IUCN. Entre os diferentes métodos utilizados, parcelas de areia foi o mais eficiente, mostrando assim que as diferentes iscas consequentemente faz com que diferentes espécies de mamíferos sejam registradas. Contudo outros estudos mostram Semelhança em utilizar em cada parcela um tipo de isca como o Melo, Saweda, (2014) (Levantamento preliminar da mastofauna de um fragmento florestal com o uso de parcelas de areia - fazenda nova Faef, garça/SP) objetivo realizar um levantamento preliminar da fauna existente em um fragmento florestal utilizando do método de parcelas de areia. O estudo foi realizado na fazenda Nova FAEF, localizada no município de Garça/SP, onde foram distribuídas 10 parcelas de forma sistemática pelo fragmento, sendo duas parcelas distantes 50 m cada por cada transecto, distante 50 m entre cada. As parcelas de areia eram compostas de um gabarito feito de ripa (5 cm x 100 cm x 100 cm) e preenchidas com areia fina e foram iscadas com banana, bacon e sal com milho, sendo cada parcela iscada com um tipo de isca. Após 4 coletas, foram encontradas as espécies Euphractus sexcinctus (Tatu-peba), Dasypus novemcinctus (Tatu-galinha), Didelphis sp. (Gambá), Cerdocyon thous (Cachorro-do-mato), Canis lupus familiaris (Cachorro doméstico), Nasua nasua (Quati), Procyon cancrivorus (Mão-pelada), Tamandua tetradactyla (Tamanduá-mirim), Dasyprocta aguti (Cutia), Leopardus sp. (Felino) e Lepus europaeus (Lebre europeia). Apesar de ter sido registrado a presença de onze espécies no local, observou-se que algumas delas ocorriam com mais frequência que outras, sendo elas as lebres, tatus-peba, gambá e cutia.

Podemos assim observar que Mamíferos são bons indicadores ambientais e também propiciam facilidade de reconhecimento e identificação. As pegadas são basicamente impressões das patas dos animais deixadas ao se deslocarem em uma determinada área, e a qualidade destas, vai variar de acordo com o tipo de terreno e também com a época do ano (Carvalho Jr & Luz, 2008). Ao tentar identificar que animal deixou uma pegada, deve-se estar atento a algumas características. Uma das marcas mais importantes é a dos dígitos, ou seja, dos dedos dos animais (Carvalho Jr & Luz, 2008). A quantidade de dedos, o formato da almofada, a presença de unhas ou cascos são características importantes para poder chegar a uma melhor classificação taxonômica (Becker & Dalponte, 1993)

Conclusão

O método parcela de areia, apesar de ter apresentado poucos resultados, ineficiente neste estudo, muitos outros aponta que ainda e um dos métodos muito utilizado para fazer o levantamento e monitoramento de mamíferos de grande e médio porte em um determinado local, fazendo também a estimativa de riquezas de espécies que existe. O uso de parcelas de areia é um método de fácil aplicação, que se mostrou adequado, podendo contribuir com informações e previsões para o manejo e a conservação destas espécies gerando informações e previsões importantes principalmente para os ameaçados de extinção.

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1 Professor Doutor da Universidade Estadual do Maranhão –UEMA E-mail--(flavioubaid@gmail.com)

² Graduandos Ciências Biológicas universidade Estadual do Maranhão-CESC-UEMA

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