generos textuais como objeto d

generos textuais como objeto d

(Parte 1 de 2)

Juno Brasil Custódio de Souza

Professor: Clebson de Sousa Peixoto

Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI

Licenciatura Plena em Letras (LED 0259) – Seminário da Prática do Módulo VII 19/05/2017

As propostas do ensino e aprendizagem da língua, alicerçadas nos estudos sobre gêneros textuais estão abordadas neste trabalho, cujo objetivo é avaliar, refletir e compreender acerca dos gêneros no ensino da linguagem em sala de aula, na perspectiva e sugestões dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do Ensino Fundamental. O estudo está embasado em estágios do curso de Letras da Uniasselvi e teóricos como Bakhtin (2000), Dolz (2015), Marcuschi (2007, 2008), Melo (2010b), Tafner (2011) e outros. Esta pesquisa teve como enfoque o gênero editorial e através da análise, pode-se perceber que as práticas pedagógicas do ensino da linguagem, conforme sugerem os PCNs, ainda são carentes de uma metodologia de abordagem e contextualização dos diversos gêneros textuais de uso e funcionalidade na vida cotidiana.

Palavras-chave: Ensino e aprendizagem: Gêneros textuais. Editorial. Metodologia.

1 INTRODUÇÃO

Em continuidade ao Projeto de Ensino, alinhado com a área de concentração “Ensino da

Língua Portuguesa” e com as novas propostas do processo ensino e aprendizagem da Língua Portuguesa, este trabalho aborda os gêneros jornalísticos, e/ou midiáticos no ensino da linguagem, com enfoque de práticas na perspectiva dos gêneros textuais.

Compreendem-se por gêneros textuais os elementos de natureza sociocultural, que consolidam a língua nas várias ocorrências sociocomunicativas. Assim, de acordo com diversos estudiosos da língua, como Bakhtin (2000), Dolz (2015), Marcuschi (2007, 2008), Tafner (2011) e outros, o gênero textual é objeto de relevância no ensino da linguagem, pelo seu emprego e utilidade habitual. Assim, com a finalidade de refletir e compreender criticamente as práticas pedagógicas no ensino da língua portuguesa, realizou-se esta pesquisa de cunho documental, apoiada em vários teóricos e uma investigação de campo concretizada numa escola pública do ensino fundamental, do município de Parauapebas (PA), com observações em aulas de professores do 9º ano do ensino fundamental.

Diante da inúmera diversidade de gêneros textuais, foi elucidado em sala de aula, sobre alguns gêneros jornalísticos (midiáticos) como: notícia, reportagem, editorial, entrevista, artigos e outros. Entretanto, a nossa abordagem focará o gênero editorial, por ser opinativo, do tipo textual dissertativo-argumentativo, com temas polêmicos do cotidiano, muito utilizado em concursos, vestibulares e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Nesta pesquisa, ficou perceptível que os professores de Língua Portuguesa ainda estão atrelados aos livros didáticos, necessitando de uma metodologia mais eficiente, que lhes forneçam sustentação teórica na didática da língua materna, quanto aos aspectos dos gêneros textuais de práticas sociais.

2 DISTINÇÃO ENTRE TIPOS TEXTUAIS E GÊNEROS TEXTUAIS

Embora os PCNs e vários autores recomendem que o ensino da linguagem deva ser fundamentado com enfoque nos gêneros textuais, é nítido que há um conflito entre a designação de tipos textuais e gêneros textuais, havendo na necessidade de distinção. Segundo Tafner, (2011), a expressão tipo textual serve de desígnio a uma espécie de seguimento, que supostamente é definida pela natureza linguística de sua composição lexical, sintática e gramatical, aferida por uma pequena camada classificada como: narração, descrição, argumentação/exposição e injunção. É diferente de gênero textual que serve para referenciar os inúmeros textos concretizados nas produções das mais diversas interações sociocomunicativas do dia a dia. Os tipos textuais são dinâmicos já, os gêneros textuais são divergentes e possuem características funcionais, estilo e composição particulares, conforme a intencionalidade de cada comunidade linguística, o que os tornam infinitos, dos quais pode-se citar: as cartas (comercial e pessoal), bilhete, reportagem jornalística, notícia, editorial, artigos, outdoor, bula de remédio, edital, piada, carta eletrônica, e-mail, chat e outros.

Vários linguistas, como Bakhtin (2000), Dolz (2015) e outros, acentuam que os gêneros textuais são heterogêneos e Marcuschi (2007, p.24-25), assinala que: “os gêneros enquanto inúmeras entidades sociodiscursivas, são produções textuais escritas e orais suficientemente consolidadas, ligadas a um contexto socio-histórico, de acordo com as inúmeras atividades comunicativas do cotidiano social”.

Os PCNs destacam que: “[...] a produção de discursos não acontece no vazio. Ao contrário, todo discurso se relaciona, de alguma forma, com os que já foram produzidos. [...]”. (BRASIL, 1998, p.23). Portanto, toda produção discursiva não sucede isolada, ao contrário está integrada de algum modo com elaborações textuais precedentes, numa analogia de interação social, com intertextualidade e todo texto se organiza dentro de um determinado gênero em função e uso dos intuitos sociais determinados pela produção dos discursos.

Considerando as diferenças existentes entre os gêneros discursivos, Bakhtin (2000, p. 281) divide-os em primários e secundários, que segundo o autor, os gêneros primários estão vinculados a um campo de atividade mais elementar, presentes no cotidiano do falante, como a carta, o bilhete, etc. Em equivalência, os gêneros secundários estão atrelados a um campo de atividade mais intrincada, pois os mesmos aparecem em circunstâncias complexas e referentes, de forma progressiva, em essencial na escrita literária, científica e sociopolítica.

Para Bakhtin (2000, p. 281), os gêneros secundários podem absorver e transformar os gêneros primários, porque os secundários possuem uma condição de enredamento maior. De maneira que, quando um gênero primário é incorporado por um secundário, ele se insere no mesmo, transformando sua relação com outra realidade existente, adquirindo uma nova característica particular.

3 GÊNEROS TEXTUAIS COMO OBJETO DE ENSINO

Os gêneros se constituem de acordo com as relações dialógicas de cada comunidade linguística, o que demanda perspicácia quanto à seleção para o ensino da linguagem na sala de aula.

Os PCN (1998, p.21) sugerem que os gêneros textuais como objetos de ensino de Língua

Portuguesa, com atividades de oralidade e escrita, como produção e compreensão textual, de diversos gêneros, de maneira a acender a reflexão e aprimoramento do estudante, acerca do uso e funcionalidade da língua, a acrescente que é

[...] necessário contemplar, nas atividades de ensino, a diversidade de textos e gêneros, e não apenas em função de sua relevância social, mas também pelo fato de que textos pertencentes a diferentes gêneros são organizados de diferentes formas. A compreensão oral e escrita, bem como a produção oral e escrita de textos pertencentes a diversos gêneros, supõem o desenvolvimento de diversas capacidades que devem ser enfocadas nas situações de ensino. É preciso abandonar a crença na existência de um gênero prototípico que permitiria ensinar todos os gêneros em circulação social. (BRASIL, 1998, p. 23-24)

Conforme apontamento nos PCN, quanto à didática dos gêneros textuais no aprendizado da língua portuguesa, sobressai-se a necessidade de uma minuciosa compreensão acerca da abordagem sobre a diversidade entre os gêneros textuais.

Marcuschi (2008, p. 206) destaca que “diante da múltipla diversidade dos gêneros, não há gêneros ideais para o ensino, e, contudo, podem-se detectar modelos genéricos que permitem uma sucessão no grau de dificuldade, partindo do mais simples ao mais complexo”. O que se percebe é uma preocupação na escolha de gêneros direcionados à compreensão e produção textual, de forma precavida, por serem exercícios que demandam aptidões distintas. O linguista adverte que, os próprios PCN encontram muita dificuldade em apresentar uma solução para a demanda de quais gêneros textuais são mais apropriados ao processo ensino-aprendizagem, diante dessa diversidade de gêneros disponíveis ao educador.

Com essa mesma teoria Silverstone (2002, p. 9) recomenda que, seria “conveniente aos professores trabalharem com atividades de gêneros textuais menos conhecidos dos alunos, especialmente os escritos vinculados às esferas de atividades secundárias, mais complexas”. E cita como exemplo, os gêneros midiáticos, por serem presentes no cotidiano das pessoas.

Para Dolz (2015, p. 6-7), “nos últimos vinte anos, a abordagem pelos gêneros textuais se tornou algo inevitável na didática das línguas”. Com essa hipótese, o autor sugere os gêneros textuais, como objeto essencial ao ensino da língua. E aponta duas razões essenciais. Primeira: o gênero discursivo permite uma reprodução das convenções que regem uma origem de textos para um dado grupo cultural, em que as condições e a dinâmica das ações comunicativas são norteadas por convenções sociais. A segunda razão distinguida pelo pesquisador como a mais importante, é a de que numa concepção pragmática, toda comunicação se concretiza através de gêneros textuais. (2015). Ainda segundo Dolz (op. Cit.) se tem como principal finalidade do ensino, o letramento, combinando a leitura com a escrita, a fala e a escuta. E, portanto, se faz necessário uma reflexão sobre a língua, quanto à promoção da linguagem, enquanto domínio consciente de sua efetivação. O autor acrescenta que é preciso dominar a língua escrita em todos os seus níveis e que para alcançar esse objetivo, se faz necessário o estudo dos gêneros nas suas características e contextualizações.

Dolz (2015, p. 7) considera “os gêneros como ferramentas semióticas, cristalizando as significações associadas às práticas sociais e cuja apropriação permite a interiorização de experiências culturais sedimentadas historicamente”. E exemplifica o gênero itinerário, como um instrumento da semiótica que nos possibilita chegar com sucesso ao local de destino.

Perante essas teorias, podemos pressupor que o trabalho com os gêneros textuais em sala de aula deve propiciar aos alunos a participação na construção de sentido do texto, com a obtenção da experiência. E no planejamento do ensino de Língua Portuguesa, o educador precisa estar atento aos gêneros textuais, empregando as sequências didáticas, examinando as suas características próprias e praticar feitios de sua escrita, antes de propor uma produção escrita final.

3.1 PROPOSTAS DE TRABALHO DOS GÊNEROS EM SALA DE AULA

Dolz (2015, p. 7-13) apresenta uma proposta de trabalho para o ensino dos gêneros, tanto na modalidade escrita, quanto na oral, explorando suas diversidades, por meio de conteúdos temáticos, que segundo ele, são relevantes no ensino da língua, por serem explícitos, de caráter particular, conforme cada gênero e tipo textual, contendo poucos elementos comuns entre si, o que favorece uma melhor compreensão dos alunos no exercício da leitura. O autor avalia que os textos pertencentes a um mesmo gênero apresentam regularidades no nível da estrutura comunicativa e semiótica, favorecendo uma preparação e seleção dos campos lexicais para a produção oral e escrita, mas adverte que é preciso realizar uma planificação do gênero a ser trabalhado em sala de aula.

Outro nível, apontado por Dolz (op. Cit.) é o da aprendizagem pelos gêneros, incluindo a criatividade para um determinado gênero, com planejamento e organização de um gênero, com abordagem das sequências textuais, que se organizam em unidades composicionais do gênero. O autor especifica que nesse caso se incluem todas as unidades linguísticas que participam da coesão do gênero, de maneira a possibilitar ao receptor a assimilação, em que as conexões contextuais, de uma sequência linguística, consentem se em observar a disposição formal e a semântica, que conduz à compreensão do texto. E no plano da produção, elas fornecem ajustes de constituições disciplinares da clareza do texto produzido.

O autor reforça que a prática didática da linguagem, por meio dos gêneros, é um estudo claro de variação e mudança linguística, porque as produções textuais são apontadas no desempenho das situações comunicativas, ajustando as características enunciativas. As distinções discursivas e textuais peculiares são estabelecidas em relação com as condições de produção. Já a progressão das competências de linguagem dos alunos não pode se concretizar trabalhando simplesmente com um gênero ou uma família de gêneros, sendo imprescindível uma interlocução eficaz entre os diversos gêneros.

4 ABORDAGEM DO GÊNERO EDITORIAL

Conforme a proposição deste trabalho, o intuito é um estudo sobre diversos gêneros jornalísticos, como artigo, entrevista, carta do leitor, crônica, notícia, reportagem, com foco no gênero editorial, o qual envolve ideias críticas sobre problemas sociais.

Sousa (2001, p. 231), classifica os gêneros jornalísticos em: entrevista, reportagem, crônica, editorial e artigo (de opinião, análise, etc.), mas, argumenta que não há uma fronteira delimitada entre os gêneros jornalísticos, sendo, portanto, difícil classificar com rigor se uma determinada produção pertence a um gênero ou a outro. O autor completa que, como subterfúgio, todas as “peças” jornalísticas poderiam ser consideradas “notícias”, caso apontem informações novas. Essa ideia apresentada pelo autor é lógica, mas, por prudência, não se deve empregá-la apenas com esse critério de classificação para as notícias. O próprio autor reconhece isso, e, dissemina uma definição para esses gêneros, afirmando que, de fato, os gêneros jornalísticos obedecem a determinados modelos de interpretação e apropriação da realidade através de linguagens padronizadas.

Uma das classificações mais recentes de gêneros jornalísticos é a de Melo (2010), que faz uma nova interpretação de seu antigo paradigma, com uma nova disposição dos gêneros jornalísticos divididos em: informativo, opinativo, interpretativo, diversional e utilitário, cada um com atributos próprios de consenso e conceito social. O autor subdivide cada um desses gêneros: informativos (nota, notícia, reportagem, entrevista, título e chamada); gêneros opinativos (editorial, comentário, artigo, resenha ou crítica, coluna, carta e crônica); gêneros utilitários ou prestadores de serviços (roteiro, obituário, indicadores, campanhas, “ombudsman”, educacional); gêneros ilustrativos ou visuais (gráficos, tabelas, quadros, demonstrativos, ilustrações, caricatura e fotografia), propaganda (comercial, institucional e legal) e entretenimento (passatempos, jogos, história em quadrinhos, folhetins, palavras cruzadas, contos, poesias, entre outros).

Conforme Melo (op. cit.) entre os gêneros jornalísticos opinativos, o editorial é um gênero textual jornalístico mais utilizado nos veículos impressos, por apresentar a opinião de um jornal ou revista em relação a diversos temas do cotidiano e acontecimentos sociais, expressando o conceito coletivo dos responsáveis desses periódicos, o que contribui para a divulgação e publicidade dos mesmos. E que, apesar dos editoriais não serem notícias, porém, comumente são produzidos a partir de algum fato, atual ou histórico, notícias ou dados estatísticos. Para a produção de um editorial, é necessário um agente causador, dos mais variados temas como política, cultura, educação, religião e outros como meio de avaliação, reflexão e crítica de determinado setor ou acontecimento social.

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