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(Parte 1 de 2)

Dayana Nascimento Dari AVALIAÇÃO CONTÍNUA

Acarape (CE) 2014.3

Dayana Nascimento Dari

Atividade apresentada ao Curso de Ciências da Natureza e Matemática da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro- Brasileira, como requisito parcial para a obtenção da aprovação na disciplina Fundamentos em Educação, ministrada pelo Prof. Dr. Lourenço

Ocuni Cá.

Acarape (CE) 2014.3

1. Proposta de atividade: Avaliação Contínua.

A cada aula escrever no mínimo 30 linhas sobre as aulas. Os textos utilizados na sequência das aulas foram:

“O mandonismo local na vida política brasileira e outros ensaios” de Maria Isaura Pereira de Queiroz.

“Cultura escolar e os povos coloniais: a questão dos assimilados nos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) ” de Lourenço Ocuni Cá.

O filme: “O gotejar da luz” direção de Fernando Vendrell.

O livro “Filosofia da educação” de Thomas Ransom Giles. O livro dividese em quatro capítulos sobre a educação: - Cap. 1. Filosofar e educar.

- Cap. 2. Educação e teorias do conhecimento.

- Cap. 3. O processo educativo e imagens do homem.

- Cap. 4. Críticas ao processo educativo.

Na leitura do texto “O mandonismo local na vida política brasileira e outros ensaios” de Maria Isaura Pereira de Queiroz percebemos que cerca o campo da política, especialmente a imponência da figura do coronel na era colonialista, que detinha certos poderes na sociedade de cunho patriarcal e apoiada na escravidão. Os grandes coronéis detinham uma grande concentração de terras e tinham muita influência na política local. Vimos também que a rivalidade pelo poder não é de hoje, pois, por exemplo, na era colonial havia disputas entre políticos do Nordeste que perdiam para os do Sudeste cafeicultores na maioria. Ou seja, a zona rica levava seus políticos ao poder. Podemos então enxergar aí, uma sociedade homogeneizada socialmente de base patriarcal. Outra ideia do texto afirma que a escravidão reforçou a ideia de patrão logo poderia ter ligação com o que acontece nos nossos dias atuais, a exemplo uma empregada doméstica que é humilhada pela pessoa a quem presta seus serviços. Na verdade, podemos enxergar uma reprodução, sim uma reprodução. Uma reprodução de algumas pessoas que cumprem um ciclo estudado e trabalha para uma finalidade, a de contratar uma empregada para “humilhar”, se impor como patrão, um patrão que pede o que quiser, na hora que quiser.

Não poderíamos deixar de notar a partir da discussão sobre o texto um tipo de modelo de política brasileira antiga mais ainda muito enraizada em nossa sociedade, a política dos favores. O governo cria mecanismos que prende o povo a ele, tais como benefícios de programas sociais etc. Antigamente essa prática não era muito diferente não. Era comum a troca do voto por favores, alguns destes poderíamos considerar banais. Alguns políticos tomam nota e se aproveitam da inocência e carência do povo para então ganhar proveitos fazem um favor qualquer e ganham gratidão eterna, diríamos. Assim o texto aponta para a política de ontem e hoje no Brasil

O segundo texto trabalhado foi um artigo de própria autoria do Professor

Lourenço, intitulado “Cultura escolar e os povos coloniais: a questão dos assimilados nos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP)” Vimos que o artigo aborda entre outras coisas, a colonização em África, a questão da assimilação onde os colonos portugueses além de arrancar as riquezas do continente africano pretendiam “desafricanizar”. Desafricanizar no sentido de impor no povo colonizado uma cultura de viés português, de fazê-los negar sua cultura, sua origem, costumes e religiões, enfim deixá-lo assimilado. Contudo não era fácil um negro tornar-se assimilado. Para ganhar título de cidadão eles tinham que seguir um processo, a assimilação exigia do candidato alguns critérios e esforços dentre os quais a saber; escrever e ler em português de Portugal, união estável, ter mesa e pratos com os talheres e com certeza um grande retrato do presidente da república em destaque numa parede de sua casa. Uma vez assimilado poderia ajudar na administração colonial e obter limitados ou zero direitos dos brancos. Assim, um negro assimilado não era português tampouco o que deixou para trás, era proibido de estar na sociedade dos colonos portugueses e com a sua verdadeira raiz, ou seja, o assimilado sofria um drama, pois negava sua cultura e não era aceito pelos brancos. Não só o assimilado sofria com tudo isso, sua família também, a exemplo seus filhos na escola eram desde cedo ensinados a não desrespeitar e nem ao menos tocar nos coleguinhas brancos, filhos dos colonos. Uma curiosidade tocante à educação nas colônias expressa que muitos colonos eram analfabetos, isso mesmo analfabetos. Ao todo os colonizadores ofereciam aos colonizados uma educação que reforçasse a cultura portuguesa e além do mais, essa educação serviria também para ajudar na exploração. Com isso, a educação nas colônias tinha seu papel, tinha esse triste papel, afinal sabemos que através da educação é que um povo consegue se libertar das amarras que existem, mas neste caso ela os amarravam ainda mais a vontade dos portugueses visto que os moldes que a modelavam a educação eram as mãos, pretensões e cabeça dos portugueses. Em geral, o artigo nos trouxe mais que informações sobre o processo de assimilação que os colonos impunham aos colonizados, traz um sentido onde o modelo educacional de Portugal introduzido na colônia impediu que houvesse seres pensantes, pensantes em libertar-se, em dada era.

A terceira aula estava voltada para a exibição de um filme “O gotejar da luz”. O filme é da direção de Fernando Costa, foi gravado em 2002 em Moçambique e está voltado para o tempo da colonização portuguesa no continente africano na década de 50, dando destaque ao processo de assimilação. Como é de se esperar em um filme há personagens, cenário e o conteúdo. Neste filme não seria diferente encontrarmos tais elementos, a família do colono contracenando com colonizados na colônia e a assimilação. Da família do colono extrai-se um personagem muito atuante em toda parte do filme, o garoto branco chamado Rui que em férias volta para casa dos pais e durante a sua permanência na colônia descobre gostos, costumes e a cultura do povo que estão na condição de colonizados. O início do filme nos sugere uma espécie de volta ao passado onde um homem feito de origem portuguesa, que logo mais tarde percebe-se tratar do garoto Rui, relembra sua adolescência numa dada época, sendo esta a da colonização de Portugal sobre o continente africano e como era sua relação com os criados assimilados africanos. Nesta história vimos o personagem Rui em diferentes situações, muitas delas junto ao povo africano e conhecendo seus costumes e rituais. Costumes estes de se misturar a rotina dos colonizados nas vilas, provar de sua culinária e inclusive comer sem o auxílio de talheres, presenciar um ritual de união de casal que alguns brasileiros poderiam considerar uma cena intensa. Vimos nessas cenas um retrato da colonização, vilas e colonizados sob um foco de exploração e humilhação, mas vimos também a cultura africana resistindo seja em rituais, culinária, música e costumes religiosos. Era certo que havia resistência dos africanos como também havia a questão da assimilação. Onde não se pode deixar de notar o processo no qual o candidato a assimilação tinha que obedecer, eram critérios que consistiam em receber uma visita de um colono observando sua postura e compostura à mesa e aspecto interior da casa, além da avaliação oral de leitura. Voltando a Rui, este descobre sabores e aflições do povo que conhecera, vivenciou perdas e presenciou a violência numa cena em que um assimilado traído pela a esposa desferiu sua dor em golpeadas de facão em um branco após o flagra, o homem branco morre e a adultera também, ela é morta em seguida por um familiar. Em geral, o filme é em si muito expressivo, embora as vozes estivessem numa linguagem que os brasileiros presentes na aula pouco souberam entender, pois falamos português brasileiro e o filme estava em português de Portugal, as cenas falavam mais que propriamente palavras.

Nas aulas seguintes trabalhamos com o livro Filosofia da Educação de

Thomas Ransom Giles. Este livro é do ano de 1983 está dividido em quatro capítulos sobre a educação, a saber; o primeiro filosofar e educar, o segundo Educação e teorias do conhecimento, o terceiro O processo educativo e imagens do homem e o quarto Críticas ao processo educativo.

No capítulo 1- Filosofar e educar. Encontramos questões como o ato propriamente dito de filosofar e educar. Dentro destas questões surgiram pontos de reflexões, especialmente o significado de filosofar, da qual consiste em um ato que deve evitar qualquer tentativa de refúgios num mundo devaneador distanciado da realidade real. Face ao exposto, a filosofia nada mais quer que façamos reflexões além de pensarmos e questionarmos o que vemos, enfim o que está estabelecido e parece normal. Assim, ao filosofar neste sentido, podemos alcançar momentos da existência do “eu e do outro eu no mundo” (GILES, 1983, p. 5). Daí podemos extrair algo, de que a filosofia não se contenta com o que estar, ela necessita das nossas cabeças pensantes, do “eu” e o “outro eu no mundo” afinal a filosofia é a base da ciência. É por discutir o ato de filosofar que chegamos ao ato de educar, onde reflexões surgem, dentre elas a fábrica que temos de alunos sem o senso crítico nos dias atuais, alguns destes por sua vez simplesmente “pegam ideias de outros da internet e cola”. A partir daí notamos que a dimensão crítica, responsável por aguçar a capacidade do educando para pensar a realidade em que vive, cada vez mais é ultrapassada pela a educação bancária que apenas deposita informações e textos no educando. A falta da dimensão critica na educação interrompe o processo em cujo objetivo a integração coletiva de sujeitos críticos e conscientes na sociedade. E por estar na sociedade, as pessoas precisam passar por esse processo da educação pois como Giles comenta em seu livro “Uma vez que o processo educativo se inicia desde os primeiros momentos da existência, à família incumbe inicialmente essa tarefa” e mais:

Cabe à escola o primeiro complemento da função educativa da família. É ela que, em sentido mais abrangente, deve levar avante esse processo visando à integração da pessoa numa realidade diante da qual deve desenvolver a capacidade de avaliar e fazer opções vitais. [...] a escola vai além da função educativa da família, pois é ela que formaliza o papel educativo da própria coletivamente, a fonte mais ampla de onde procede a imagem-ideal que se imprime no processo educativo (GILES, 1983,

Giles reconhece que a família exerce um importante papel na vida do homem, desde sua tenra infância. Não só a família, como também a escola, que complementa o que sai de casa para a sociedade.

No capítulo 2- Educação e Teorias do conhecimento, percorremos dentre outras coisas, pelo processo educativo, o ato do conhecimento, e explicações alternativas do conhecimento. Onde Giles aborda uma teoria nos primeiros parágrafos deste capitulo, a teoria do conhecimento, que diz “A Teoria do conhecimento fundamenta-se na percepção da própria realidade – o eu, o outro eu e o mundo -, e não numa simples representação dela, que lhe é posterior”. Giles concorda que a nossa percepção nos torna participantes de um processo total que avança o modo subjetivo em busca da própria realidade, pois assim poderemos realizar a subjetividade através da rede que excede nosso “eu”, em direção a outros “eus” no mundo por nós, partilhado por uns aos outros.

O autor também aponta o problema do conhecimento, este que surge com os sofistas e explica:

[...] os sofistas, apresentam-se depositários da sabedoria, mestres que ensinam a arte do sucesso individual, a arte de se tornar superior ao concorrente. O objetivo do ensino é armar o educando para todos os conflitos de pensamento ou de ação que a vida pública possa provocar, dar-lhe as armas para criticar e defender qualquer idéia e qualquer

(GILES, 1983, p. 40)

posição de acordo com a conveniência e as circunstâncias do acaso

Partindo para as explicações alternativas do conhecimento: Filosofia/Psicologia experimental. Onde a psicologia experimental, segundo Giles, rejeita as explicações elaboradas pela filosofia por que as consideram distantes dos fatos reais, tendo suas bases em conceitos, conseguindo apenas o nível de psicologia sem importância para o real. Ainda, a filosofia experimental para não se basear em dados empíricos apenas, necessita de teoria, ou seja, não pode separar as duas coisas ou então não é ciência. A respeito da filosofia experimental, há três importantes explicações:

As três explicações mais importantes elaboradas na psicologia experimental em torno do problema do conhecimento são formuladas pelo COMPORTAMENTISMO (Behaviorismo), pela PSICOLOGIA DA ESTRUTURA (Gestalt) e pela PSICOLOGIA GENÉTICA. São também as três correntes que mais influência exerceram no campo da

Educação, em termos de teoria e de aplicação (GILES, 1983, p.50)

O Comportamentismo Behaviorismo diz que o processo de conhecimento se faz mediante ao conjunto estimulo-resposta, reconhecendo o estimulo podemos prever a resposta e vice-versa. Isso é a mesma coisa de escrevermos a equação S→ E→R-R, para S (a situação, por exemplo: passar no vestibular), E (estimulo, ganhar um carro como prêmio) e R-R (resposta).

O conhecimento na Teoria da estrutura Gestalt tem como finalidade superar os impasses provocados pelo o Comportamentismo, denominado por eles como o nome “associacionismo”. Para Giles “o conhecimento abrange os três níveis da realidade: matéria, vida e consciência”.

O conhecimento na psicologia Genética, para Piaget, desenvolve através do estágio de desenvolvimento. Piaget diz que o conhecimento vem da adaptação, a exemplo podemos tomar as fases da vida do homem, a cada avanço em sua idade o homem adquire certas aptidões, destas o exemplo de engatinhar e depois levantar para caminhar e na fase balbuciar: não entendemos praticamente nada do que a criança diz. Ninguém ensina a criança a falar nós apenas a corrigimos.

No capítulo 3 – O processo educativo e imagens do homem. No processo educativo é comum o educando incorporar valores estabelecidos na sociedade, como, por exemplo, domínios culturais. O educando assume desta forma uma imagem-ideal. E essa imagem-ideal vem desde as civilizações orientais e se estende até chegar à época contemporânea, ela se faz a partir da vida em sociedade. A propósito, Giles ressalta:

O processo educativo visa levar o educando a assumir e desenvolver determinada imagem-ideal, que implica a assimilação dos bens culturais da coletividade. Tal imagem se lhe impõe. [...]. É impossível exagerar o peso da imagem-ideal no processo educativo, visto que se trata de um processo que pretende levar as gerações jovens a adquirirem os usos e costumes, as práticas e os hábitos, as ideias e crenças, ou seja, a forma de vida da sociedade em que vivem (GILES, 1983, p. 59).

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