Guia ilustrado de mamíferos marinhos do brasil

Guia ilustrado de mamíferos marinhos do brasil

(Parte 1 de 5)

Realização Patrocínio Realização Patrocínio

Autores: Emygdio L. A. Monteiro-Filho Lisa V. de Oliveira Karin D. K. A. Monteiro Gislaine F. Filla Letícia Quito Daniela Ferro de Godoy

Ilustrações: Edson Menezes

Design e Produção Gráfica: Leandro Cagiano

Assistente de arte: Danielly C. X. A. Moreira (Jovem Pesquisadora)

Agradecimentos: Ana Paula de Souza Maistro Daiana Proença Bezerra Daniel Esteban Gómez Jefferson Collacico (Reprodução fotográfica das Ilustrações)

1ª edição - 2013

Impressão: Laborgraf

Este guia foi impresso em material sintético produzido à partir de plástico reciclado pós-consumo.

Apoio Cultural

© Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC) - Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial deste guia. As ilustrações aqui apresentadas são de propriedade de Edson Menezes e Instituto de Pesquisas Cananéia, sendo vetada qualquer forma de reprodução sem autorização.

ISBN 978-85-62283-06-2

ApresentAção

Pesquisadores atuantes no Projeto Boto-Cinza, do Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC), planejavam, faz algum tempo, a elaboração de um guia ilustrado de identificação de mamíferos marinhos do Brasil.

A necessidade de um guia disponível e atualizado, elaborado de forma que pudesse ser utilizado para identificação de mamíferos marinhos na natureza com fácil consulta e preparado com material resistente à água, que fosse baseado na vivência de pesquisadores e não somente na compilação da grande quantidade de dados encontrados em publicações científicas, foram os incentivos e princípios que nortearam a criação deste guia.

Em 2011, com o patrocínio que o Projeto Boto-Cinza recebeu da Petrobras por meio do

Programa Petrobras Ambiental, o que era um sonho transformou-se em realidade.

O livro que você tem em mãos demandou tempo, dedicação e cuidado por parte de todos os envolvidos em sua elaboração, os quais prezaram pela qualidade tanto das informações aqui disponíveis, dos materiais e do trabalho editorial e gráfico, com o objetivo de criar um guia que auxiliasse os pesquisadores e apreciadores dos mamíferos marinhos, notadamente em suas expedições de campo. Bom proveito!

Lisa V. de Oliveira Coordenadora Geral - Projeto Boto-Cinza Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC) sUMÁrIo

05 APRESENTAÇÃO 09 INFORMAÇÕES GERAIS 1 MAMÍFEROS MARINHOS 12 COMO USAR ESTE GUIA 13 COMO USAR ESTE GUIA 15 ANATOMIA

17 ORDEM CETACEA n n 19 Subordem Mysticeti n n 21 Família Balaenidae n n 2 Baleia-franca n 23 Família Balaenopteridae n 24 Baleia-azul n 25 Baleia-fin n 26 Baleia-minke n 27 Baleia-minke-antártica n 28 Baleia-sei n 29 Baleia-de-Bryde n 30 Baleia-jubarte n 31 Subordem Odontoceti n 3 Família Physeteridae n 34 Cachalote n 35 Cachalote-pigmeu n 36 Cachalote-anão n 37 Família Ziphiidae n 38 Baleia-bicuda-de-Cuvier n 39 Baleia-bicuda-de-Arnoux n 40 Baleia-bicuda-de-cabeça-plana n 41 Baleia-bicuda-de-Blainville n 42 Baleia-bicuda-de-Gervais n 43 Baleia-bicuda-de-Layardii n 4 Baleia-bicuda-de-Hectori n 45 Baleia-bicuda-de-Gray n 46 Baleia-bicuda-de-True n 47 Família Delphinidae n 48 Golfinho-cabeça-de-melão n 49 Orca-pigméia n 50 Falsa-orca n 51 Orca n 52 Baleia-piloto-de-peitorais-longas n 53 Baleia-piloto-de-peitorais-curtas n 54 Golfinho-de-dentes-rugosos n 5 Boto-cinza n 56 Golfinho-comum n 57 Golfinho-comum-costeiro n 58 Boto-da-tainha n 59 Golfinho-de-Risso n 60 Golfinho-de-Fraser n 61 Golfinho-Austral n 62 Golfinho-de-Peron n 63 Golfinho-de-Commerson n 64 Golfinho-pintado-do-Atlântico n 65 Golfinho-pintado-pantropical n 6 Golfinho-rotador n 67 Golfinho-de-Clymene n 68 Golfinho-listrado sUMÁrIo n 69 Família Phocoenidae n 70 Boto-de-Burmeister n 71 Boto-de-óculos n 73 Família Pontoporiidae n 74 Toninha

75 ORDEM CARNIVORA n 7 Família Mustelidae n 78 Lontra n 79 Família Otariidae n 80 Leão-marinho n 81 Lobo-marinho-de-dois-pelos n 82 Lobo-marinho-subantártico n 83 Lobo-marinho-antártico n 85 Família Phocidae n 86 Elefante-marinho n 87 Foca-caranguejeira n 8 Foca-leopardo n 91 Família Thrichechidae n 92 Peixe-boi-marinho n 93 Iniidae n 94 Boto n 95 Tucuxi n 96 Peixe-boi-da-Amazônia n 97 Ariranha

98 ÍNDICE POR FAMÍLIAS 98 ÍNDICE POR NOMES CIENTÍFICOS 9 ÍNDICE POR NOMES POPULARES 103 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Considerando a constante dificuldade em identificar as espécies da fauna brasileira, o objetivo deste guia é disponibilizar informações que permitam aos profissionais e aos leigos, a identificação dos mamíferos marinhos da costa brasileira, o que acaba representando cerca de 50% dos cetáceos e 20% dos pinípedes do mundo. Mesmo sendo encontradas em regiões costeiras e pelágicas dos países vizinhos e até mesmo em todos os oceanos, a maioria das espécies aqui apresentadas são dificilmente registradas e quando ocorrem, são de difícil identificação.

Neste guia são considerados mamíferos marinhos todas as espécies de mamíferos que dependem da região costeira (mar, praia e estuário) e oceânica para a sua sobrevivência. Neste sentido, além das baleias e golfinhos (Ordem Cetacea), foram incluídos lobos-marinhos, focas, a lontra- -neotropical (Ordem Carnivora) e o peixe-boi-marinho (Ordem Sirenia). De forma complementar e com o intuito de atender a um número maior

InforMAções gerAIs de pessoas, incluímos também duas espécies de golfinhos, um peixe-boi e uma lontra, todos de água doce.

Poucas espécies são facilmente encontradas em áreas estuarinas e até mesmo em praias e rios, podendo inclusive acompanhar embarcações e surfistas. Outras, apesar de ocorrerem em áreas próximas à costa são discretas e imperceptíveis a muitas pessoas.

Certamente a maioria das espécies não será vista por todos os observadores, pois muitas vivem em águas profundas longe da costa e raramente são registradas até mesmo por profissionais que dedicam suas vidas ao estudo da história natural destes animais. Além disso, mesmo para estes profissionais, é sempre difícil a identificação dos animais em seu meio natural, pois não basta detectar a sua presença, mas são necessárias condições ideais tais como grau de agitação do mar, distância dos animais, luminosidade, altura do observador em relação ao mar e até mesmo o comportamento dos animais no momento do encontro para que as características diagnósticas possam ser observadas.

Desta forma, recomendamos paciência e cautela. Paciência para acompanhar os deslocamentos ou mesmo esperar que os animais voltem à superfície para respirar. Nestas ocasiões é possível tentar reconhecer as características anatômicas e padrão de cor, que sempre sofrem grande interferência das condições do mar e da luminosidade. Finalmente, cautela para então tentar diagnosticar a espécie.

MAMíferos MArInhos

O critério para a caracterização de um mamífero como sendo marinho varia entre os diferentes autores. De uma maneira geral os cetáceos e os pinípedes (carnívoros das famílias Otariidae, Phocidae e Odobenidae) estão incluídos nesta categoria, mas na dependência da abrangência do guia, outros carnívoros como lontras (Mustelidae) e urso-polar (Ursidae), assim como os peixes-boi (Sirenia) podem também ser considerados.

Neste sentido, este guia possui uma abrangência restrita à costa brasileira e eventualmente, a países sul americanos vizinhos que são banhados pelo Oceano Atlântico. Nele incluímos as baleias, os golfinhos, lobos e leões-marinhos, algumas focas e o peixe-boi-marinho. Além destes, acrescentamos a lontra-neotropical que é amplamente distribuída no território brasileiro, inclusive em áreas de estuário.

CoMo UsAr este gUIA Nome popular da espécie

Ilustração da espécie

Caixa com tamanho estimado da espécie.

Caixa com peso estimado da espécie.

Texto com características de fácil utilização para identificar animais vivos, mortos e espécies semelhantes.

Caixa com as características gerais da espécie.

Sempre ao lado ou acima da ilustração e nessa mesma ordem: nome da espécie, outros nomes populares, distribuição e habitat

CoMo UsAr este gUIA

Para facilitar a localização das espécies, a orelha de capa desse guia segue a mesma divisão dos fólios de página.

Número de página: cada ordem e família tem um fólio identificado com uma cor específica para facilitar a localização pela lateral do guia.

Número de página: opção para seguir a sequência no mesmo ponto em todas as páginas. Útil na procura de páginas através do sumário ou do índice remessívo que se encontra no final do guia.

AnAtoMIA

Os números mencionados ao longo das diferentes diagnoses seguem os seguintes critérios: n Tamanho e peso – quando existe mais de um valor, eles correspondem aos menores e maiores disponibilizados na literatura consultada. Quando há somente um valor, ele corresponde à média de valores disponibilizados na literatura consultada. n Número de barbatanas – (são lâminas queratinizadas existentes na borda superior da boca das baleias) corresponde aos menores e maiores valores obtidos da literatura. n Número de dentes - no caso dos cetáceos, eles variam muito entre os indivíduos e em cada face maxilar ou mandibular, por isso, na maioria dos casos são disponibilizados os menores e os maiores valores obtidos da literatura. n Número de vértebras – todos os valores apresentados para os cetáceos correspondem a médias, contudo, é importante informar que exceto pelas cervicais, elas podem variar em número, podendo esta variação ser grande em algumas espécies.

Mamíferos completamente adaptados ao meio aquático, possuindo o corpo fusiforme, perda acentuada dos pelos, redução dos membros anteriores que são transformados em nadadeiras peitorais com as principais funções de estabilização e regulação da temperatura, redução quase completa dos membros posteriores (conservam ossos vestigiais da cintura pélvica), desenvolvimento de nadadeira caudal horizontal, lobada, desprovida de ossos e com função propulsora. Este conjunto de características lhes confere redução de atrito e consequentemente, grande hidrodinâmica.

Ao longo da evolução do grupo, o crânio sofreu profundas modificações com o alongamento da mandíbula e dos pré-maxilares e maxilares. Estes últimos projetam-se sobre a região nasal e caixa craniana (telescopia). Durante este processo, os ossos nasais rotacionaram, orientando-se em direção superior. Como consequência destas mudanças cranianas e do aparecimento do melão, órgão lipídico utilizado na transmissão sonora e provavelmente na absorção de impactos, os condutos nasais se abrem na porção superior da cabeça, característica que lhes permite respirar em rápidas passagens pela superfície, sem que precisem necessariamente retirar a cabeça inteiramente da água.

Esta ordem possui duas subordens viventes

(Mysticeti e Odontoceti), as quais estão representadas no Brasil.

Ordem Cetacea

Subordem Mysticeti Subordem Odontoceti

Balaenidae Balaenopteridae

Delphinidae

Phocoenidae Pontoporiidae

Ziphiidae Physeteridae

Boto-da-tainha – pg. 58 Lisa V. de Oliveira

Golfinho-pintado-do-Atlântico – pg. 64 Lisa V. de Oliveira

Golfinho-Comum – pg. 56 Letícia Quito ordeM CetACeA

Cachalote – pg. 34 Lisa V. de Oliveira

Golfinho-de-Risso – pg. 59 Lisa V. de Oliveira

Golfinho-de-Commerson – pg. 63Letícia QuitoOrca – pg. 51 Letícia Quito

Boto-Cinza – pg. 5 Lisa V. de Oliveira

De uma maneira geral, são animais grandes, estando incluídos nesta subordem todos os cetáceos com ausência de dentes e presença de barbatanas queratinizadas na porção superior da boca. Estas barbatanas variam em tamanho e número, mas sempre possuem função associada à alimentação, permitindo que durante o processo de captura de presas, a água que entra na boca juntamente com o alimento, seja devolvida para o meio, retendo as presas internamente à barbatana.

» Para a costa brasileira existem registros de duas famílias, três gêneros e oito espécies.

Ordem

Subordem Mysticeti

Cetacea

Balaenidae Balaenopteridae

Rostro Nadadeira dorsal

Nadadeira caudal

Pregas ventrais Nadadeira peitoral ordeM CetACeA

Baleia-Franca – pg. 2 Leandro Cagiano

Baleia-minke – pg. 26 Lisa V. de Oliveira

Baleia-franca – pg. 2 Leandro Cagiano ordeM CetACeA

Baleia-jubarte – pg. 30 Lisa V. de Oliveira

Baleia-minke – pg. 26 Lisa V. de Oliveira

Baleia-franca – pg. 2 Leandro Cagiano

São grandes, robustas, podendo medir até 18 m e pesar mais de 70.0 quilos. Não possuem nadadeira dorsal. A cabeça e a língua dos representantes desta família são muito grandes. A cabeça chega a corresponder a 30% do comprimento total do corpo. As barbatanas são numerosas e podem medir mais de 2 m. Não possuem pregas ventrais. No crânio, o rostro é arqueado. As vértebras cervicais são fusionadas.

Cetacea Mysticeti

Ordem Subordem

Família

Balaenidae

No Brasil, 1 gênero e 1 espécie: Eubalaena australis pg. 2

Balaenidae ordeM CetACeA

2 Baleia-franca

Corpo robusto e liso, sem nadadeira dorsal e sem pregas ventrais. A cabeça é grande (cerca de 25% do corpo). A boca é longa, fortemente arqueada, descendo em direção ao pescoço. Possui uma série de calosidades que podem ocorrer desde a extremidade do rostro até a parte superior da cabeça próximo aos orifícios respiratórios, os quais são bem separados, permitindo um borrifo em forma de V. Coloração: usualmente preta manchada de marrom. Há manchas brancas no queixo e umbigo. Infantes são mais claros que os adultos, algumas vezes, quase brancos. Nadadeiras: peitorais medianas, espatuladas com a extremidade alargada e ondulada. Dorsal ausente. Caudal robusta com borda lisa e pontuda nas extremidades, reentrância central profunda. Dimorfismo sexual: não é evidente, mas as fêmeas podem ser maiores que os machos.

Nome da espécie: Eubalaena australis Desmoulins, 1822.

Outros nomes populares: baleia-franca-austral, baleia-verdadeira, ballena franca austral, southern right whale.

Distribuição: águas tropicais, temperadas e circumpolares do Hemisfério Sul. Habitat: costeiro.

Tamanho dos agrupamentos: Desde animais solitários até 12 indivíduos.

Como reconhecer quando vivo: Pela combinação da cor escura, dorso liso e sem nadadeira dorsal. Quando a cabeça está exposta, as calosidades são bem características assim como a curvatura da boca. Cauda robusta com borda lisa e pontuda nas extremidades. A respiração à superfície produz um borrifo em forma de V, contudo, não se trata de uma característica exclusiva da espécie.

Tamanho: ♂/♀ 15 a 18 m; nasc.: 5 a 6 mPeso: ♂/♀ 54.0 a 96.0 kg; nasc.: 2.0 kg

Com quem pode ser confundido: Na passagem pela superfície durante a respiração, podem retirar a cauda da água, semelhante a Physeter macrocephalus (pg. 34).

Como reconhecer quando morto: Quando recentemente mortas,as calosidades na cabeça são características, assim como a boca fortemente curvada em arco. No crânio, o rostro forma um acentuado arco. As barbatanas são escuras, estreitas e longas podendo medir mais de 2,4 m e são em número de 230 a 290. nNúmero de vértebras: 7 cervicais fortemente fundidas, 14 torácicas, 12 lombares e 24 caudais. Há de 14 a 15 pares de costelas.

240 cm Barbatana

Características Gerais

Balaenopteridae

São também conhecidas como rorquais. Os tamanhos variam desde aproximadamente 7 metros para a baleia-minke até mais de 30 m para a baleia-azul. Possuem nadadeiras dorsais pequenas, geralmente no terço posterior do corpo. De uma maneira geral as cabeças correspondem a cerca de 20% do comprimento do corpo e o rostro é afinado em forma de V. Possuem numerosas barbatanas pequenas nos maxilares, as quais variam em comprimento, largura e cor nas diferentes espécies. É característica dos rorquais, a presença de pregas ventrais que variam em número em cada espécie e que se estendem desde a garganta até a barriga.

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