Logística e distribuição

Logística e distribuição

(Parte 1 de 5)

autor ANTONIO CESAR GALHARDI

1ª edição SESES rio de janeiro 2016

Conselho editorial regiane burger, roberto paes e paola gil de almeida Autor do original antonio cesar galhardi Projeto editorial roberto paes

Coordenação de produção paola gil de almeida, paula r. de a. machado e aline karina rabello

Projeto gráfico paulo vitor bastos Diagramação bfs media Revisão linguística bfs media Revisão de conteúdo andré luis da cunha martins Imagem de capa cozyta | shutterstock.com

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (cip)

Logística e distribuição / Antonio César Galhardi.
Rio de Janeiro: SESES, 2016.

G162l Galhardi, Antonio Cesar 136 p: il.

isbn: 978-85-5548-362-2

1. Logística empresarial. 2. Administração de material. 3. Controle de estoque. I. SESES. I. Estácio. cdd 658.7

Diretoria de Ensino — Fábrica de Conhecimento Rua do Bispo, 83, bloco F, Campus João Uchôa Rio Comprido — Rio de Janeiro — rj — cep 20261-063

Sumário Prefácio 5

1. Conceitos sobre logística: Funções da logística, estrutura organizacional e identificação das necessidades de suprimento 9

2. Controle de estoques e ressuprimento, técnicas de previsão de demanda e estratégias da cadeia de suprimentos e os canais de distribuição 35

3. Armazenagem, movimentação de materiais e embalagens. 63

5. Transportes, gerenciamento da logística e distribuição, planejamento da frota e os sistemas de informação 109

Prefácio Prezados(as) alunos(as),

Este material constitui o material de apoio à Disciplina Logística e Distribuição.

O Capítulo 1 apresenta as funções logísticas e o conceito de Cadeia de

Suprimentos. Com relação à Gestão da Cadeia de Suprimentos – SCM, enfatizase o gerenciamento dos fluxos como a função mais importante para disponibilizar o produto certo, na quantidade certa, no lugar certo, no tempo certo e, ao mínimo custo possível. O capítulo acrescenta o objetivo principal da Logística: “agregar valor aos clientes”, e a interface entre a Logística (o executor das estratégias) e Marketing (quem elabora as estratégias de mercado). São apresentados os cases: o Wal-Mart e o Atacadista Martins. Ainda discute-se sobre a importância dos Recursos Humanos e as definições de responsabilidade e autoridade. Por fim, é apresentado o conceito de Gestão da Demanda e o efeito chicote, em detalhes.

O Capítulo 2 enfoca as Técnicas de Previsão de Demanda, a Necessidade de

Ressuprimento, a Gestão de Estoques e as Estratégias da Cadeia de Suprimentos e os Canais de Distribuição. Quanto às técnicas de Previsão de Demanda, são discutidas aquelas que se baseiam em dados históricos (quantitativas) e aquelas que se referem aos novos produtos e, consequentemente, não dispõem de dados históricos (qualitativos). Ambas, apesar de serem essenciais para guiar ações das operações, prescindem de inúmeros “cuidados”. O Ressuprimento é tratado como a reposição do estoque, de maneira a otimizar os custos, ou seja, atender ao nível de serviço estabelecido pela estratégia de marketing, ao menor custo, o que prevê obsolescência e degradação. A solução geral que vem sendo adotada para resolver o dilema de baixos custos e altos níveis de serviço é o estabelecimento de alto número de giros do estoque, ou seja, aumentar a frequência de reposições e diminuição do tamanho do lote de compra. O tópico Gestão de Estoques apresenta os conceitos de Demanda Dependente e Independente e as principais rotinas para cada uma delas. O relato culmina na segmentação do estoque, e apresenta as tradicionais classificações ABC, XYZ e 123.

O capítulo 3 apresenta a armazenagem, a movimentação de materiais e as embalagens, que compreende: movimentação, armazenagem, preservação e controle eficiente do fluxo de matérias-primas, estoques em processo, produtos acabados e informações relacionadas à movimentação desde o recebimento, permeando os processos produtivos e culminando no ponto de expedição. Relaciona a estratégia de armazenagem diretamente com a estratégia de distribuição, principalmente no que se refere à localização dos armazéns e às formas de manutenção e movimentação. O capítulo discute as estruturas escalonadas de armazenagem, ou seja, os Armazéns Centrais e os Centros de Distribuição, e seu papel fundamental no quesito rapidez de entrega. Ele também apresenta as funções básicas do Centro de Distribuição: recebimento, movimentação, armazenagem, seleção de pedidos e expedição. Também são apresentadas as instalações intermediárias para quebra de carga, e amplamente compatível com as estratégias de resposta rápida e o alto nível de flexibilidade. O capítulo descreve em detalhes os principais Sistemas Diretos: Transit Point, Cros Docking, Merge in Transit, Piking to Light. Com relação à automação, discute-se a complexidade e o risco, por envolverem a integração de várias tecnologias. Finalmente, o capítulo aborda as embalagens, discriminando cada tipo de embalagem (primária, secundária, terciária, quaternária e quintenária) e suas funções: contenção, proteção e comunicação. Salienta-se também as vantagens da padronização.

O Capítulo 4 apresenta os conceitos de Qualidade em Logística, mais especificamente a abrangência da Qualidade em Compras. Também apresenta o método racional de tomada de decisão, o GUT: composto de G (gravidade), que avalia quanto se perderá por não se tomar a decisão adequada para a solução de problemas; o U (urgência) que é o estabelecimento do prazo para a tomada de decisão, de maneira a evitar danos; e T (tendência) que nada mais é do que a expectativa de correção do rumo, a partir da tomada de decisão. O capítulo discute as cinco prioridades competitivas-chaves para agregar valor: custo, qualidade, entrega, flexibilidade e serviços. Também sugere métricas para o sucesso na Gestão da Cadeia de Suprimentos: pedidos em atraso, tempo de ciclo pedido prometido ao cliente, tempo de ciclo real do pedido do cliente, tempo de ciclo de reposição de estoque e giro de estoque. No tópico Abrangência da Qualidade em Compras comenta-se como organizar a Função Compras, tão importante para a Gestão da Cadeia de Suprimentos, no sentido de explicitar as principais atividades, o respeito às normas fundamentais, as interfaces com outras funções e os parâmetros importantes para o bom desempenho do Sistema de Compras. Discute as vantagens e desvantagens da centralização e descentralização de compras, e apresenta uma nova forma de aquisição de bens duráveis: o Arrendamento Mercantil ou Locação, e as respectivas vantagens financeiras.

O capítulo também discute as parcerias e sua importância na gestão moderna, a figura do Comakership e o novo tipo de relacionamento empresa/fornecedor, que tem impacto direto no lucro.

O Capítulo 5 apresenta como conteúdo: Transporte, Gerenciamento da

Logística de Distribuição, Planejamento de Frotas e os Sistemas de Informação. No tópico Transportes é discutido individualmente cada modal disponível no cenário brasileiro, bem como os gargalos e deficiência da infraestrutura logística. O tópico apresenta os modais preferenciais, adotados para cada setor economicamente importante, e a composição da participação do modal rodoviário (o de maior utilização no Brasil) comparativamente a outros países. Como metodologia de Gerenciamento da Logística de Distribuição, é discutido o Sistema Just-in-Time – JIT, e o Time-Sensitive-Distribution. No tópico Sistemas de Informação, são apresentadas as principais características do: ERP, CRM, EDI, SCM, Datawarehouse, Data Mining, que culmina no conceito “Marketing Intelligent Enterprise”. Ainda é destacada a importância dos SIs para controle da Lucratividade por Clientes, que fundamenta a avaliação de desempenho do Sistema Logístico.

Também é discutido o funcionamento do Continuous Replenishment

Program – CRP; do Efficient Consumer Response – ECR; o Vendor Managed Inventory – VMI; o Collaborative Planning Forecasting and Relenishment – CPFR e o JIT I.

Bons estudos!

Conceitos sobre logística: Funções da logística, estrutura organizacional e identificação das necessidades de suprimento

1. Conceitos sobre logística: Funções da logística, estrutura organizacional e identificação das necessidades de suprimento

• O que se entende por logística? Porque estudar logística? • Qual sua importância para as empresas no cenário atual?

• Quais as especificidades da Logística de Distribuição?

• O que a Administração de RH pode auxiliar na Gestão de Materiais?

• Quais as características da Gerência Integrada de Materiais?

• Qual a importância da Previsão de Demanda para a identificação da necessidade de suprimentos?

Em 1991 o Concil of Logistic Management – CLM definiu a Logística como o processo de planejamento, implementação e controle eficiente e eficaz do fluxo e armazenagem de mercadorias, serviços e informações relacionadas, desde o ponto de origem ao ponto de consumo, visando atender os requisitos dos consumidores. Em 2004, o próprio CLM alterou a definição para: "A parte da cadeia de suprimentos que planeja, implementa e controla de modo eficiente o fluxo, para frente e reverso, e a estocagem de bens, serviços e informações relativas desde o ponto de origem até o ponto de consumo, de modo a atender os requisitos do consumidor". A figura 1.1 apresenta de forma esquemática a Cadeia de Suprimentos – SCM e os fluxos.

Pricipais elos e fluxos da cadeia logística

Informações ClienteVarejoDistribuidorFabricanteFornecedor

Prod/Serv

Figura 1.1 – A Cadeia de Suprimentos e os principais fluxos capítulo 1 • 1

A cadeia de suprimentos representa uma rede de organizações, por meio de ligações, nos dois sentidos, dos diferentes processos e atividades que produzem valor na forma de produtos e serviços que são colocados à disposição do consumidor final. O foco está nos processos de compra entre fabricantes, atacadistas e varejistas. Os principais fluxos na Cadeia de Suprimentos são: • Fluxo de produtos;

• Fluxo de informações;

• Fluxo financeiro. A Logística também tem importância em escala global, porque a economia mundial necessita de sistemas logísticos eficientes, que formam as bases para o comércio e a manutenção de um alto padrão de vida nos países desenvolvidos.

O sistema permite que o custo do país (custo logísticos e de produção) e a qualidade de seus produtos sejam competitivos, com aqueles de qualquer outra região, ou seja, colocar as mercadorias ou serviços no lugar certo, na hora certa, nas condições acertadas com o cliente, ao menor custo possível.

De maneira geral, a Logística consiste do planejamento e operação de sistemas físicos, de gerenciamento e de informação necessários para permitir que insumos e produtos vençam condicionantes espaciais e temporais de forma econômica. A figura 1.2 apresenta de forma esquemática a conceituação de logística.

implementar e controlar o

Logística é o processo de planejar,

Desde um ponto de origem

Até um ponto de consumo

Conforme as necessidades dos cliente

De forma eficiente e efetiva

Fluxo e Armazenagem de

Matérias-Primas WIPs ou Produtos em Processamento

Produtos Acabados Informações

Figura 1.2 – Conceituação de Logística.

Entre 1980 e 1990 houve uma busca incessante das empresas por certificados e prêmios da qualidade (PNQ, ISO 9000), voltando as organizações totalmente para o cliente. A partir da década de 1990, com a criação de mercados globais, a logística internacional passou a exercer um papel fundamental nos padrões de marketing e distribuição. Surgia então o conceito de “ Logística Integrada” e “Supply Chain Management”.

O gerenciamento logístico assumiu a função integradora, que tem como principal responsabilidade conectar funções fundamentais do negócio aos processos no interior e através das empresas, de modo a obter um modelo de negócios coeso e de alto desempenho. A figura 1. 3 apresenta as funções da logística.

Determinando:

Disponibilizar o

Mínimo Custo

Tempo Certo

Produto Certo

Quantidade Certa

No lugar Certo

O que, quando e onde produzir/adquirir

O que, quando e onde armazenar

Quando e como produzir/transportar etc.

Figura 1.3 – Funções da Logística.

A Logística inclui: • O gerenciamento de transporte de produtos;

• O gerenciamento de frotas;

• O armazenamento;

• O manuseio de materiais;

• O acompanhamento de pedidos;

• O desenvolvimento de redes de logística;

• O gerenciamento de estoques;

• O planejamento de oferta e demanda;

• O gerenciamento de fornecedores de serviços. A logística também abrange: • As atividades de suprimento e desenvolvimento de fornecedores;

• O planejamento e agendamento de produção;

• A embalagem e montagem;

• O serviço de atendimento ao cliente.

capítulo 1 • 13

As atividades de transporte e de armazenamento ainda são as consideradas como as principais funções logísticas. A Logística, quanto mais eficiente, mais se relaciona a uma diminuição de custos, o que pode gerar preços menores ou lucros maiores. A figura 1.4 apresenta de maneira esquemática, como as condições econômicas e tecnológicas alavancaram o desenvolvimento da Logística.

Alterações nos padrões e atitudes dos consumidores

Avanços na tecnologia de computadores A experiência Militar

Pressão por custos nas empresas

Evolução da Logística

As condições econômicas e tecnológicas que alavancaram o desenvolvimento da Logística

Figura 1.4 – Evolução dos conceitos de logística.

O aquecimento da economia promoveu o aumento do consumo das famílias, e atualmente já representa 2/3 do PIB. Com o consumo interno aquecido, ocorre inevitavelmente o aumento de importações, a redução do saldo comercial e pressões inflacionárias. A economia aquecida pressiona, além dos preços, a geração de energia e a capacidade da infraestrutura logística do país.

Os fluxos crescentes do comércio mundial partiram de um patamar de 10% do PIB em 1950 para 25% do PIB em 2000, com previsão de 40 a 50% para a década de 2030. Já no Brasil, os custos de transportes, quando medidos como proporção de preço final do produto, são substancialmente maiores que as tarifas de importação e mais altos do que nos países desenvolvidos.

Um país como o Brasil, que exporta bens “pesados” como minerais e produtos agrícolas, cujo frete alcança, em alguns casos, mais da metade do preço final do produto, não pode-se dar o luxo de descuidar dos transportes. O Brasil gasta em média 50% a mais que os Estados Unidos em transporte para importar seus bens, enquanto as exportações brasileiras para os Estados Unidos têm despesas de frete que são cerca do dobro das despesas da Holanda. Por uma combinação de geografia e vantagens comparativas, os custos de transporte para a América Latina assumem uma importância estratégica.

Os principais fatores que explicam essa diferença são o “peso” das exportações brasileiras, a relativa ineficiência de suas instalações portuárias e o baixo grau de competição entre as empresas transportadoras que operam as rotas brasileiras. A figura 1.5 apresenta os elementos básicos da Logística, enquanto a Figura 6 apresenta os processos-chave da logística.

Do ponto de origem

De forma eficiente econômica e efetiva

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