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UPE Campus Petrolina – Licenciatura em Matemática

PROJETO DE PESQUISA – PRÁTICA VII – 2017.1 Docente: Lemerton Matos Nogueira

EMAIL: manoelamagalhaes02@gmail.com

Qual o perfil indentitário do professor de matemática atuante na EJA de uma escola urbana de Petrolina-PE?

TEMA A Identidade Docente do Professor de Matemática da EJA.

A Constituição Federal do Brasil incorporou como princípio que todas e qualquer educação visa o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (CF.Art. 205). Assim, a Educação de Jovens e Adultos, modalidade estratégica do esforço da Nação em prol de uma igualdade de acesso à educação como bem social, participa deste princípio e sob esta luz deve ser considerada. A Legislação brasileira garante a essas pessoas oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as suas características, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames, porém muitos não têm acesso à escola e, quando têm, a falta de condições adequadas para a aprendizagem impede que permaneçam no ambiente escolar.

Muitos autores têm destacado que um componente forte da geração da necessidade de voltar ou começar a estudar seria justamente o anseio por dominar conceitos e procedimentos de matemática, mas que ao adentrar no seio escolar as suas desilusões ecoam-se no discurso de que a dificuldade da aprendizagem da

UPE Campus Petrolina – Licenciatura em Matemática matemática, incorporado pelos próprios alunos e comunidade escolar, deixa-se pois permear por mais uma marca de ideologia de que a responsabilidade dos obstáculos no seu aprendizado se dariam, apenas, pelas limitações do próprio aprendiz – incluídas aí as limitações definidas por sua idade avançada e inadequada ao aprendizado. Deixando-se de lado as alusões a aspectos sociais, culturais e didáticos.

Destarte, infere-se que a modalidade exija um docente diferente do ensino normal, pois se trata de uma clientela diferenciada, com anseios diversos e tempo reduzido. No processo de ensino-aprendizagem a prática docente pode ser caracterizada como dialógica (FREIRE, 1987). Essa concepção parte de outro pressuposto, onde a atitude dialógica é, antes de tudo, uma atitude de amor, humildade e fé no ser humano, no seu poder de fazer e de refazer, de criar e de recriar. Portanto, o “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção" (FREIRE, 1996, p. 21).

A identidade profissional docente se constitui como uma interação entre a pessoa e suas experiências individuais e profissionais, refere-se à apropriação do docente ao meio profissional ao qual está inserido, trata-se da consciência de serem professor e profissional da educação em um determinado lugar e em um determinado tempo. Assim, quais serão os perfis de professores de matemática que atuam na EJA? Quais serão suas crenças, suas ideias, seus ideais, sua formação?

Conhecer o perfil indentitário do professor de matemática atuante na EJA em uma escola urbana de Petrolina-PE.

• Analisar a prática letiva de professores de Matemática atuantes na EJA de uma escola urbana e as relações com sua identidade docente;

• Investigar a relação entre o perfil identitário de professores de Matemática da

EJA de uma escola urbana de Petrolina com seus processos de formação inicial e continuada.

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A Educação de Jovens e Adultos (EJA), segundo ponto de vista de

(HADDAD; DI PIERRO, 2006) é descrita como uma evolução que desde o seu passado até o presente constitui um conjunto muito diversificado pelos processos e práticas formais e informais relacionadas à aquisição de conhecimentos básicos, de competências técnicas e profissionais ou habilidades socioculturais. (HADDAD; DI PIERRO, 2006; STRELHOW, 2010)

Este sistema de ensino desenvolvido para os jovens e adultos é característico de países que enfrentam problemas relacionados com alto índice de analfabetismo. Portanto, é um tema bastante referenciado em pesquisas desenvolvidas no sentido de fazer um balanço para a EJA como um sistema de educação altamente valorizado.

Na abordagem de Coutinho (2010), os problemas enfrentados em diversos países, especialmente os mais pobres, onde a sociedade se caracteriza por uma desigualdade social, este sistema de ensino para Jovens e Adultos acaba por assumir um papel de grande importância no investimento social contribuindo para uma redução das consequências relacionadas com a falta de educação básica e do analfabetismo.

Portanto, este projeto pretende descrever o sistema da EJA, também caracterizar e referenciar o papel que o educador desempenha sobre a EJA. Sendo assim, levando em consideração que o professor é a pessoa que mais o aluno se relaciona na tentativa de uma melhoria no aprendizado, partimos do ponto em que este projeto tenta descrever o perfil indentitário do professor no processo de educação para jovens e adultos (EJA).

Segundo, Cunda et al. (2014) o ensino de matemática no EJA precisa agregar uma metodologia voltada para que o aluno tenha a capacidade de resolver situações diversas do cotidiano, contribuindo para que o aluno tenha a capacidade de deduções, dando uma noção de que o processo de conhecimento depende das experiências de vida de cada um. Segundo o mesmo, ainda sugere que seja indispensável às aulas de matemática lançar um novo olhar para a construção de

UPE Campus Petrolina – Licenciatura em Matemática conceitos ou significados matemáticos. Sendo assim, é necessário que o professor ou educador tenha uma atitude e postura inovadora na sala de aula. Esta necessidade é algo que precisa ser levado em conta pelos diferentes tipos de professores com diversas formações de educadores que existem no país.

Os professores que tenham obtido a sua formação no ensino tradicional, também anseiam por essa mudança de atitude e de paradigma querendo encontrar outros horizontes e metodologias pedagógicas que possam lhes proporcionar segurança para praticar estas tendências recentes no ensino da matemática no EJA. (CUNDA et al., 2014)

Existem estudos no sentido de contrabalancear e referenciar as causas principais da existência de taxas elevadas de analfabetismo. Estes problemas podem ser destacados como sendo: as maiorias dos alunos são de área e regiões com população de baixa renda, estados com índices de analfabetismo elevado, baixo índice de desenvolvimento humano e pouca estrutura para instalações de salas de EJA sem colaboração de organizadores ou programas estaduais ou federais. Também as pessoas que na época não tiveram suas oportunidades de estudar de forma apropriada acabam por ingressar nos cursos de EJA na tentativa de recuperar o tempo perdido, sendo que, a maioria acaba por abandonar por medo de não conseguir dar conta, por terem uma família para cuidar, por estarem ocupados profissionalmente e pessoalmente nas suas rotinas diárias. (COUTINHO, 2010a; CUNDA et al., 2014)

Em relação a essa situação de entrada e o abandono do EJA, JOIA et al.,

A entrada precoce no mercado de trabalho e o aumento das exigências de instrução e domínio de habilidades no mundo do trabalho constituem os fatores principais a direcionar os adolescentes e jovens para os cursos de suplência. Aí chegam com mais expectativas que os adultos mais velhos de prolongar a escolaridade pelo menos até o ensino médio para inserir-se ou ganhar mobilidade no mercado de trabalho. Nesse contexto, a suplência passou a constituir-se em oportunidade educativa para um largo segmento da população, com três trajetórias escolares básicas: para os que iniciam a escolaridade já na condição de adultos trabalhadores; para adolescentes e adultos jovens que ingressaram na escola regular e a abandonaram a algum tempo, frequentemente motivados pelo ingresso no trabalho ou em razão de movimentos migratórios e, finalmente, para adolescentes que ingressaram e cursaram recentemente a escola regular, mas acumularam aí grandes defasagens entre a idade e a série cursada. (JOIA et al., 1999.p. 7)

Com a globalização da sociedade e do mercado trabalho existe essa necessidade diminuir o índice de analfabetismo no sentindo de melhor preparar

UPE Campus Petrolina – Licenciatura em Matemática estes Jovens e Adultos para a experiência profissional. Sendo assim, requer que seja importante que os educadores tenham conhecimento das necessidades de cada aluno para que a sua formação seja significativa no sentido de ir a concordâncias com os seus direitos e deveres numa sociedade. Considera-se, portanto indispensável que os professores e educadores tenham conhecimentos destas características relacionadas com os alunos. (COUTINHO, 2010a)

No contexto histórico, Freire (1987) relata o EJA como sendo um ensino que é direcionado àqueles que de certa forma foram excluídos, marginalizados e oprimidos. Portanto, não tem como negar nem fugir a questão de que o EJA esteja ligado ao segundo plano para os países que adotam este tipo de sistema de ensino. Portanto, é necessária que haja iniciativa dos governos que estão ausentes em relação ao tema e políticas públicas educacionais para que se possa garantir uma regularidade para o EJA.

Sendo assim, com o apoio destas entidades torna-se possível a elaboração de uma metodologia de ensino para o EJA e fornecer uma base sólida de ensino, que destaque o lugar social onde seus educando estão inseridos e com isso possa vir a fornecer as necessidades que de certa forma romperão os muros da escola (FREIRE, 1987).

A abordagem de educação de pessoas jovens e adultas pode às vezes ser confundida como sendo apenas para pessoas com uma especificidade de faixa etária, quando na verdade ela simplesmente se baseia mais na questão de especificidade cultural. Portanto, mesmo sendo um recorte por idade, incluindo os jovens e adultos, excluindo basicamente as crianças, é uma área da educação que não diz respeito a reflexões e ações educativas dirigidas a qualquer jovem ou adulto, direciona-se a um grupo de pessoas homogêneo no interior da diversidade cultural. (DI PIERRO; JOIA; RIBEIRO, 2001; OLIVEIRA, 2005)

Na abordagem de Oliveira (2005) o adulto dentro do âmbito da Educação de

Jovens e Adultos não é o estudante universitário, o profissional qualificado que frequenta cursos de formação continuada ou de especialização, ou a pessoa adulta

UPE Campus Petrolina – Licenciatura em Matemática interessada em aperfeiçoar seus conhecimentos em áreas como artes, línguas estrangeiras ou música, por exemplo. Pode se ver o adulto neste sentido como o migrante que chega às grandes cidades provenientes de áreas rurais empobrecidas, filho de trabalhadores rurais não qualificados e com baixo nível de instrução escolar, o próprio adulto que bem cedo começou a trabalhar de forma não formal e abonando os estudos pela carência social e econômica, que busca a escola numa fase tardia para obter conhecimentos ou cursar as áreas supletivas com o objetivo de obter a certificação básica necessária para áreas de atuação profissional.

Portanto, o jovem vinculado ao EJA possui características especificas, sendo diferentes daqueles alunos com uma história de escolaridade regular, como vestibulando e alunos que frequentam os cursos extracurriculares em busca de um conhecimento pessoal diversificado. O aluno adulto, como anteriormente descrito, sente-se excluído pela escola, o que levam as escolas de EJA a incluírem esses alunos em fases mais adiantadas da escolaridade, dando assim maior oportunidade de concluir o Ensino Fundamental e Ensino Médio num tempo satisfatório para o adulto. (DI PIERRO; JOIA; RIBEIRO, 2001; FONSECA, 2016; OLIVEIRA, 2005)

Para que se possa compreender e entender como estes jovens pensam e aprendam é preciso abordar três campos que contribuem para a definição do seu lugar social: a condição de “não crianças”, a condição de excluídos da escola e a condição de membros de determinados grupos culturais. (FONSECA, 2005)

Segundo a abordagem de Di Pierro et. al (2001) o EJA acaba por assumir o papel de campo de praticas e reflexão que transborda os limites de escolarização em sentido escrito. A abordagem parte do princípio de que os processos de formação são diversos, o que permite que sejam incluídas inciativas para a qualificação profissional e o desenvolvimento da comunidade onde estes adultos se inserem, tendo também formação política em outros espaços não escolares. (DI PIERRO; JOIA; RIBEIRO, 2001; JARDILINO; DE ARAÚJO, 2015)

O processo de ensino para Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Brasil é descrita como um processo que iniciou desde a época da colonização e que ainda hoje tem sido aprimorado e estudado no sentido de garantir uma educação para todos, especialmente àqueles que de certa forma viram as suas oportunidades de aprendizagem sendo estagnadas por forças maiores. Durante a época da colonização a religião desempenhou um papel importante

UPE Campus Petrolina – Licenciatura em Matemática através da catequese infantil, incluindo os pais na educação no sentido de lhes proporcionar algum conhecimento e aprendizagem. Portanto, com estas tentativas de ensinar estas pessoas vários cursos profissionalizantes dando uma base sólida e aprofundada para ofícios de artes, ferreiro, carpinteiro e tecelão acabaram por ser a evolução para o sistema da Educação de Jovens e Adultos. Sendo assim, podemos ver que a EJA não é um processo novo, mas sim que começou desde a época da colonização até os nossos dias atuais e que continuará para a história da Educação de Jovens e Adultos no Brasil.(DE VARGAS, 2003; JARDILINO; DE ARAÚJO, 2015) Esta evolução da época da colonização é descrita por De Vargas (2003) como sendo uma difusão das ideias liberais e assumidas pelas elites coloniais dominantes e mecionadas pelos historiadores, em que a noção da educação para todos era fundamental para a construção e da coerencia interna de um sistema de ideias que pregava a inversalização dos direitos universais.

Embora seja uma abordagem de educação para todos, muitos viram sendo prejudicados pelos problemas relacionados com a situação do país. O sistema agrário brasileiro teve uma forte dependência em mão-de-obra centralizada no trabalho da escravidão, o que resultou na falta de aproveitamento para a palicação de ações que pudessem conduzir a uma globalização de ofertas educativas, que se limitava a um conjunto de medidas dispersas e pouco representativas. (PAIVA, 2006)

A influência das ações educativas para a educação de jovens e adultos somente ganhou destaque após a segunda guerra mundial. (COUTINHO, 2010; DE VARGAS, 2003; DI PIERRO, 2005)

Para Paiva (2006) a EJA no Brasil é vista da seguinte forma no contexto histórico:

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Brasil, como modalidade nos níveis fundamental e médio, é marcada pela descontinuidade e por tênues políticas públicas, insuficientes para dar conta da demanda potencial e do cumprimento do direito, nos termos estabelecidos pela Constituição Federal de 1988. Essas políticas são, muitas vezes, resultantes de iniciativas individuais ou de grupos isolados, especialmente no âmbito da alfabetização, que se somam às iniciativas do Estado (PAIVA, 2006, p. 5)

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