Lilith - Objeção que vem do meio

Lilith - Objeção que vem do meio

Lilith por: Danielle Martins Hummel

Lilith - Objeção que vem do meio

A Bíblia Sagrada, considerado livro mais lido em todo o mundo, possui narrações que podem ser consideradas fictícias e outras verdadeiras. Dividida em duas partes, o Velho e o Novo Testamento, aquele trata dos tempos que antecedem a vinda do filho do Criador à terra, já o Novo Testamento, em seu início conta dos milagres realizados pelo Messias, e ao final com um dos livros mais intrigantes já conhecidos, que é o Livro do Apocalipse.

Em vários momentos do velho testamento podemos notar relatos de civilizações que antecedem nossos tempos. Estas civilizações antigas são tratadas muitas vezes como mitologia, mas muitas histórias podem ser verdadeiras. Cada civilização possui uma história para sua criação. O povo Maia escreveu em seu livro sagrado, o Popol Vuh, que seus criadores Tepeu e Gucumatz teriam feito o homem a partir do milho, depois de tentativas frustradas de tê-los criado da lama e da madeira. Já os Hindus, acreditam que Pangu ao acordar de seu sono profundo, criou a terra e tudo que nele há e quando sentindose sozinho, criou o homem para lhe fizesse companhia. Para todas estas histórias, a mais popular delas é, sem dúvida, o mito da criação do homem narrada no livro de Gênesis na bíblia sagrada. Gosto de chamá-la de Mitologia Divina, embora seja chamada de Teoria do

Criacionismo pelos cristãos em geral.

High Energy X-ray “Hand of God” (Mão de Deus) 1

Reservas a parte, a Mitologia Divina descreve Deus criando o homem. Veja em

Gênesis 1:26,27

E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

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Agora veja em Gênesis 2:21-24

E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele. Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome. E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea. Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.

Veja que neste momento, ao ver que o homem estava só, Deus resolveu criar uma ajudadora2 retirando parte de seu corpo enquanto dormia. A interpretação é que, ao contrário daquela primeira mulher criada, esta teria sido formada dos ossos de Adão, e, portanto, não seria inferiorizada, tampouco rebaixada, mas sim caminharia lado a lado com ele, já que os ossos retirados são das costelas, e as costelas estão na lateral do corpo humano.

No entanto, neste segundo momento Deus cria a mulher, noutro a forma.

Como isso é possível? Para responder esta e outras perguntas, juntamos histórias narrados nos textos sagrados, estudos arqueológicos, contos mitológicos, demais achados histórias, e até mesmo a ciência para entender acontecimentos antigos que até hoje nos sãos tão atraentes.

Pontos em comum entre a ciência e as escrituras justificam o porquê temos que levar em conta estas narrativas, vejamos a história do Egito por exemplo, a data da morte do Rei Salomão coincide exatamente com a cronologia estabelecidas nos textos sagrados. Estes pontos em comum colaboram grandemente para os avanços destas

Lilith por: Danielle Martins Hummel descobertas. Einsten já dizia que “a ciências sem a religião é manca, a religião sem a ciência é cega”. Assim, ao unirmos todas as armas teremos um conhecimento mais completo, já que: vê mais longe a gaivota que voa mais3 alto.

Sim, mas quem seriam estas mulheres, e quais seus nomes? Uma delas sabemos, que é Eva, que segundo suposições retiradas das próprias escrituras já que o contexto é contínuo em relatar acontecimentos. Já a primeira, segundo historiadores e estudiosos do assunto a chamam de Lilite. Em algumas versões da bíblia, como a de João Ferreira de Almeida Atualizada, podemos verificar a existência de Lilite no livro de Isaias 34.14:

E as feras do deserto se encontrarão com hienas; e o sátiro clamará ao seu companheiro; e Lilite pousará ali, e achará lugar de repouso para si.

Demais versões, a palavra Lilite vem a ser trocado por termos que vão de animais noturnos à bruxas4, de mulheres com corpo de serpente, e podemos verificar até mesmo a palavra coruja5 no lugar do nome Lilite.

A coruja por ser um animal noturno, sua vinculação a qualquer personagem representa uma espécie de poder noturno, um poder voltado a sagacidade, e desta forma, Lilite vem a ser vista além de poderes de perspicácia, de predação, com poderes noturnos, sobre a escuridão, e portanto, poderes das trevas.

Há quem afirme que a primeira aparição de Lilite tenha sido no Afabeto de Ben Sira6(Othijoth ben Sira) A narrativa sobre Lilite está inserido em um conto do rei Nabucodonosor da Babilônia, é um texto medieval escrito em aramaico e hebraico, entre os séculos 8 e 1 da nossa era. Detalhando, entre outros, a vida deste que escreveu o alfabeto7 podemos verificar uma história do dia a dia do palácio de Nabucodonosor, conta um tablete que o jovem filho do rei estava, e um cortesão chamado Ben Sira foi chamado

Lilith por: Danielle Martins Hummel para curar o menino. Ben Sira invocou o nome de deus e posteriormente entrega ao jovem um amuleto e escreve o nome de três anjos curadores, Snvi, Snsvi e Smnglof, coincidentes com os nomes dos anjos tratados no livro dos judeus, Sanvi, Samsavi e Samangelaf.

No alfabeto ele relata uma história de como esses três anjos cuidadores viajam ao redor do mundo para subjugar espíritos malignos, principalmente protegendo as pessoas contra um espírito chamado Lilith, já que esta é causadora de doenças e morte. Ben Sira cita a passagem da Bíblia indicando que depois de criar Adão, Deus percebe que “não é bom para o homem que esteja só”. (Gênesis 2.18).

Nas adições fantásticas de Ben Sira para o conto bíblico, o Todo-Poderoso então modela outra pessoa da Terra, uma fêmea chamada Lilith. Logo, o casal humano começa a lutar, mas nenhum deles ouve o outro, acontecendo exatamente como nos Poemas de Gilgamesh.

Tigela de encantamento antiga com fórmulas mágicas destinado a proteger um bebê da demônia. A imagem de Lilith aparece no centro. Imagem: Museu de Israel, Jerusalém

Apesar dos registros dos contos de Nabucodonosor datarem de séculos, a primeira menção de Lilith está no poema épico na Epopéia de Gilgamesh, datado de aproximadamente 2.0 a.C. (500 anos antes da menção de Eva). Este poema foi encontrado em tablete de barro partidos na cidade assíria de Nínive em 1853. Em toda a literatura mesopotâmica, o conto do Dilúvio em um dos tabletes representa a principal correlação com o texto bíblico.

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Contam os registros de Gilgamesh, que Deus ao criar o homem e a mulher, esta não se subjugava aos seus mandamentos, já que havia sido criada do mesmo pó que o homem, e que, portanto, não haveria qualquer espécie de superioridade entre eles. Durante o sexo Lilith não aceitava suportar o peso do corpo de Adão sobre o seu, tampouco ter que abrir-se.

Adão se recusava a inverter as posições, consciente que existia uma ordem preestabelecida e que não poderia ser transgredida para não comprometer o equilíbrio preestabelecido.

Vendo que seu companheiro não atenderia seus apelos de igualdade, acaba por abandoná-lo e vai para uma caverna perto do Mar Vermelho, que segundo tradição judaica é um lugar maldito onde habitam demônios e espíritos malignos. Lá ela se torna a noiva de Samael.

Veja que o mesmo Mar Vermelho, que foi palco de episódios malditos nesta época, posteriormente passa a ser local de vitória do povo hebreu, já que Deus é um Deus de libertação e transformação.

Inconformado Adão se dedica a tê-la novamente. Ao contar ao Criador o acontecido, Ele envia três anjos para convence-la a voltar, Sanvi, Samsavi e

Samangelaf, porém sem êxito, Lilith encontrou um lugar onde todas as atenções são voltadas a ela. Antes compelida às determinações de Adão, agora tem boas razões para ficar onde está. Usando seus poderes mágicos, tornase uma espécie de vampira, e acasalando com Samael dá à luz toda uma descendência demoníaca conhecida como Liliotes ou Lilins.

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Adão acaba ficando sozinho novamente, assim Deus resolve dar-lhe uma outra esposa, mas desta vez retirando parte de seu corpo. Algumas traduções dos textos sagrados, como a versão King James, Adão ao ver Eva diz; “Esta sim, é osso dos meus ossos...”

Nos textos sagrados da Bíblia, encontramos o versículo:

E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada.

Lilith incomodada com a nova criação, em conjunto com Samael, que na verdade trata-se de Satanás, planejam corromper o novo casal, começando por Eva, foi de fato o que aconteceu, Lilith se transforma em uma serpente, descrito no Gênesis como “animal mais astuto de todos os animais que o Senhor tinha feito”, e convence Eva a comer do fruto proibido, que por sua vez convence Adão a fazer o mesmo. O futuro desta Serpente, junto com seu companheiro, será a destruição, conforme escrituras de João no Livro do Apocalipse.

Deus ao saber o que a serpente fez determina que vá para o deserto, para que do pó sobreviva por todos os dias de sua vida, exatamente como está descrito nos tabletes de Gilgameshi que expulsa Lilith para viver no deserto.

Como saber se estas histórias são reais, como saber que a bíblia que temos hoje representa a verdade? Quais livros pertencem e quais não pertencem a verdadeira história do povo de Deus.

Bem, sabemos que muitos textos foram encontrados nas cavernas de Qunram, no Mar Morto, no Oriente Médio no final da década de 1940. Chamados de Pergaminhos do Mar Morto, estão abrigados em um museu em Israel, em Jerusalém.

Após estas descobertas, mais de novecentos escritos foram encontrados, fazendo com que a escritura sagrada se manifeste nos dias de hoje: “nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se7. ”

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Estes manuscritos, hoje conhecidos como Evangelhos Gnósticos, ou Apócrifos revelam ensinamentos apresentados segundo perspectivas bastante diferentes daquelas do evangelho compilado nos Concilio da Igreja Apostólica Romana, podemos chamar este conjunto de “A Outra ‘Bíblia’ que a Tradição cunhou de Apócrifa8”. Dentre estes livros está a história de Lilith.

Mas os relatos de personagem semelhantes a Lilth estão presente em várias civilizações, sejam por meio de mitologia, sem por lenda.

Tanto na Suméria como na Babilônia uma imagem, sob o nome de Lilith apareceu representando uma categoria de espíritos de ventos e tormentas.

Conta ainda a mitologia que ela aparece com um espírito demoníaco noturno, por vezes aparece com um ser angelical.

Esta deusa por vezes é confundida com a Lua por conta de suas fases. Durante a noite a lua recebendo a luz solar, Lilith transmitiria paz e harmonia, do contrário quando a lua não recebia iluminação solar, e não era encontrada nos céus o escuro prevalecia e assim a deusa era confundida como um espirito maligno pelos babilônicos.

Na mitologia mesopotâmica Lilith é associada a um demônio feminino que representa os ventos, e por assim ser pode levar e trazer doenças e mortes. Utiliza uma espécie de portal para seu mundo. Pode ser encontrado relatos nas escrituras hebraicas do Talmud e Midrash.

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Até onde nos interessa na mitologia Grega seria a Deusa Hécate, a deusa guardiã dos portais do inferno juntamente com Cérbero, um cão com várias cabeças. Hécate representa a vida noturna e a rebeldia da mulher sobre o homem.

Entre os povos conquistados pelos reis babilônios, haviam os Sidônios, conhecidos também como Fenícios, que conheciam Lilite como Astarte, filha deus Baal, conhecido como Moloque, e esposa de Tamuz.

E, naturalmente, não poderia ficar de fora cultura indígena brasileira que gosto de chamar de Mitologia Guarani, temos Jaci. Jaci significa Pedaço da Lua. Foi criada por Tupã para Reinar na noite, mas não resistiu seus encantos e acabou por desposá-la.

Como vivia na mata foi a protetora da Erva Mate. Ah sim, e conta a lenda de que ela seria a guardiã de um tesouro imensurável. Às vezes é confundida com o Senhor da Mata por conta de sua aparência e por estar segurando um cajado. Reza a lenda que este cajado é sua alegria e sua maldição, já que faz uso para jogar feitiços nas crianças, mas por outro lado, quando lhe tiram a posse de seu cajado ela acaba por desvendar grandes segredos.

Já no mito hebraico Lilith é vista como uma espécie de demônio que tinha 100 filhos por dia. Incubus quando homens, e Sucubis quando mulheres. Na realidade esta mitologia guarda muita relação com algumas seitas existentes nos tempos atuais, já que nesta cópula é possível que este espírito dissemine sua descendência na terra até os dias atuais.

Lilith por: Danielle Martins Hummel

Atualmente Lilth pode ser demonstrada nas mais diversas vertentes da bruxaria, magia negra e ocultismo, até mesmo com rituais envolvendo crianças.

Lilith sempre foi e sempre será a esposa de Lúcifer, todavia precisa estar em pleno relacionamento com nosso mundo, desta forma vem usando o corpo de muitas mulheres ao longo dos séculos sob o pretexto de que sendo “Noivas de Lúcifer’, reinarão junto com ele por toda a eternidade, contudo o final desta história todos já sabem:

“Lilith repousará lá e encontrará seu local de descanso”. Isaias 34.14

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1. Mão de Deus, reprodução da internet, sitio Nasa: https://w.nasa.gov/jpl/nustar/B1509-pia17566 acesso em 12/10/2017 , às 07:21pm 2. Bíblia Sagrada, versão Rei James, ano 1.611 3. Frase do escritor Richard Bach 4. O termo “bruxas” é comumente encontrado nas escrituras espanholas de 1.596 5. Na biblia versão Rei James, de 1.611, a palavra Lilith é substituída por coruja, 6. Texto desenvolvido por Janet Howe Gaines, pode ser acessado no endereço: http://www.biblicalarchaeology.org/daily/people-cultures-in-the-bible/people-in-thebible/lilith/ acesso em 10/05/2017, às 9:23am 7. Mateus 10.26, Bíblia Sagrada, versão João Ferreira de Almeida, 2017. 8. Sêfer Hakodesh, Sagradas Escrituras de Yehôshua haMashiach.

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