Farmacologia Ilustrada - Clark - 5ed

Farmacologia Ilustrada - Clark - 5ed

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Nota

A medicina é uma ciência em constante evolução. A medida que novas pesquisas e a experiência clínica ampliam o nosso conhecimento, são necessárias modificações no tratamento e na farmacoterapia. Os organizadores desta obra consultaram as fontes consideradas confiáveis, em um esforço para oferecer informações completas e, geral mente, de acordo com os padrões aceitos à época da publicação. Entretanto, tendo em vista a possibilidade de falha humana ou de alterações nas ciências médicas, os leitores devem confirmar estas informações com outras fontes.

Por exemplo, e em particular, os leitores são aconselhados a conferir a bula de qualquer medicamento que preten dam administrar, para se certificar de que a informação contida neste livro está correta e de que não houve alteração na dose recomendada nem nas contraindicações para o seu uso. Esta recomendação é particularmente importante em relação a medicamentos novos ou raramente usados.

Clark[et ai.] ; tradução e revisão técnica: Augusto

F233 Farmacologia ilustrada [recurso eletrônico] / Michelle A. Langeloh. -5.ed. -Dados eletrônicos. -Porto Alegre :

Artmed, 2013.

Editado tabém como livro impresso em 2013. ISBN 978-85-65852-69-2

1 . Farmacologia ilustrada. 1. Clark, Michelle A.

CDU 615-028.2

Catalogação na publicação: Ana Paula M. Magnus -CRB 10/2052 michelle a. clark. PhD

Department of Pharmaceutical Sciences Nova Southeastern University

College of Pharmacy Fort Lauderdale, Florida richard f inkel. PharmD

Department of Pharmaceutical Sciences Nova Southeastern University College of Pharmacy Fort Lauderdale, Florida jose a. rey. PharmD. BCPP

Department of Pharmaceutical Sciences Nova Southeastern University College of Pharmacy Fort Lauderdale, Florida karen whalen. PharmD. BCPS

Department of Pharmacotherapy & Translational Research

University of Florida

College of Pharmacy Gainesville, Florida

Versão impressa desta obra: 2013

2013 EDIÇAO

Tradução e revisão técnica desta edição:

Augusto Langeloh

Professor aposentado de Farmacologia do Instituto de Ciências Básicas da Saúde da

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (ICBS/ UFRGS).

Mestre e Doutor em Farmacologia pela

Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Obra originalmente publicada sob o título

Lippincott's illustrated reviews: pharmacology, 5th edition ISBN 9781451143201

Copyright © 2011 Lippincott Williams & Wilkins, a Wolters Kluwer business. Lippincott Williams & Wilkins/Wolters Kluwer Health did not participate in the translation of this title.

Published by arrangement with Lippincott Williams & Wilkins/Wolters Kluwer Health lnc. USA

Gerente editorial: Letícia Bispo de Lima

Colaboraram nesta edição

Editora: Mirian Raquel Fachinetto Cunha Capa: Márcio Montice/li

Imagem da capa: ©Dreamstime.com / Saporob, 2009: Synapse

Leitura final: Magda Regina Schwartzhaupt Chaves Editoração: Techbooks

Revisores da edição original: Thomas A. Panavelif, PhD Department of Pharmacology Nova Southeastern University College of Medical Sciences Fort Lauderdale, Florida

William R. Wolowich, PharmD

Department of Pharmacy Practice Nova Southeastern University

College of Pharmacy Fort Lauderdale, Florida

Ilustrações e design gráfico originais: Michael Cooper Cooper Graphic w.cooper247.com

Claire Hess Hess2 Design Louisvil/e, Kentucky

Reservados todos os direitos de publicação, em língua portuguesa, à

ARTMED EDITORA LTDA., uma empresa do GRUPO A EDUCAÇÃO S.A. Av. Jerônimo de Ornelas, 670 -Santana

90040-340 -Porto Alegre -RS Fone: (51) 3027-7000 Fax: (51) 3027-7070

É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição na Web e outros), sem permissão expressa da Editora.

Unidade São Paulo

Av. Embaixador Macedo Soares, 1O.735 -Pavilhão 5 -Cond. Espace Center Vila Anastácio -05095-035 -São Paulo -SP

Fone: (1) 3665-100 Fax: (1) 3667-1333

SAC 0800 703-3444-w.grupoa.com.br

Ana Maria Castejon, PhD Department of Pharmaceutical Sciences Nova Southeastern University College of Pharmacy Fort Lauderdale, Florida

Appu Rathinavelu, PhD Rumbaugh Goodwin lnstitute for Cancer Research

Nova Southeastern University College of Pharmacy

Fort Lauderdale, Florida

Carol Motycka, PharmD Department of Pharmacotherapy and Translational Research

University of Florida College of Pharmacy

Jacksonville, Florida

David Gazze, PhD Department of Pharmaceutical Sciences

Nova Southeastern University College of Pharmacy Fort Lauderdale, Florida

Elizabeth Sherman, PharmD Department of Pharmacy Practice Nova Southeastern University College of Pharmacy Fort Lauderdale, Florida

Jane McLaughlin-Middlekauff, PharmD Department of Pharmacy Practice Nova Southeastern University College of Pharmacy Fort Lauderdale, Florida

Kathleen K. Graham, PharmD Children's Diagnostic & Treatment Center and Nova Southeastern University

College of Pharmacy Fort Lauderdale, Florida

Kathy Fuller, PharmD, BCNSP

Pharmacotherapy Management Center Gare lmprovement Plus

XLHealth Corporation Baltimore, Maryland

Luigi X. Cubeddu, M.D., PhD Department of Pharmaceutical Sciences Nova Southeastern University College of Pharmacy Fort Lauderdale, Florida

Rais Ansari, PhD Department of Pharmaceutical Sciences Nova Southeastern University College of Pharmacy Fort Lauderdale, Florida

Robin Moorman Li, PharmD Department of Pharmacotherapy and Translational Research

University of Florida College of Pharmacy

Jacksonville, Florida

Ruth E. Nemire, PharmD Medco School of Pharmacy at Becton College

Fairleigh Dickinson University Madison, New Jersey

SonyTuteja, PharmD, BCPS Department of Pharmaceutical Sciences and Experimental Therapeutics University of Iowa College of Pharmacy Iowa City, Iowa

Thomas B. Whalen, M.D. Diplomata, American Board of Anesthesiology Diplomata, American Academy of Pain Management Anesthesiology Associates of North Florida Gainesville, Florida

Timothy Gauthier, PharmD Department of Pharmacy Practice Nova Southeastern University College of Pharmacy Fort Lauderdale, Florida

Somos gratos aos muitos amigos e colegas que generosamente contribuí ram com seu tempo e esforço para tornar este livro tão preciso e útil quanto possível. Particularmente apreciamos os vários comentários úteis do Dr. W.

Jerry Merrell, os quais trouxeram maior clareza e precisão a esta obra. Os editores e a equipe da Lippincott William & Wilkins atuaram como uma fonte constante de encorajamento e organização. Particularmente queremos agra decer a grande ajuda, apoio e criatividade da nossa editora, Susan Rhyner, cuja imaginação e atitude positiva não nos deixaram desanimar. A montagem e a edição final deste livro foram otimizadas pelos esforços de Kelly Horvath.

Recursos didáticos

Em w.grupoa.com.br, professores terão acesso às imagens da obra, em for mato PowerPoint® (em português), úteis como recurso didático em sala de aula.

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Em http://thepoint.lww.com/Harvey5e (em inglês), você terá acesso ao texto, questões interativas e banco de imagens com as figuras do livro.

UNIDADE 1: Princípios da Terapia Farmacológica

Capítulo 1: Farmacocinética 1 Capítulo 2: Interações Fármaco-receptor e Farmacodinâmica 25

UNIDADE li: Fármacos que Afetam o Sistema Nervoso Autônomo

Capítulo 3: O Sistema Nervoso Autônomo 37

Capítulo 4: Agonistas Colinérgicos 47

Capítulo 5: Antagonistas Colinérgicos 59

Capítulo 6: Agonistas Adrenérgicos 69 Capítulo 7: Antagonistas Adrenérgicos 87

UNIDADE Ili: Fármacos que Atuam no Sistema Nervoso Central

Capítulo 8: Tratamento das Doenças Neurodegenerativas 9

Capítulo 9: Fármacos Ansiolíticos e Hipnóticos 1

Capítulo 1 O: Estimulantes do Sistema Nervoso Central 123

Capítulo 1: Anestésicos 133

Capítulo 12: Fármacos Antidepressivos 151

Capítulo 13: Fármacos Antipsicóticos 161

Capítulo 14: Opioides 169 Capítulo 15: Epilepsia 181

UNIDADE IV: Fármacos que Afetam o Sistema Cardiovascular

Capítulo 16: Insuficiência Cardíaca 193

Capítulo 17: Fármacos Antiarrítmicos 207

Capítulo 18: Fármacos Antianginosos 219

Capítulo 19: Fármacos Anti-hipertensivos 227 Capítulo 20: Fármacos que Afetam o Sangue 243

Capítulo 21: Fármacos Anti-hiperlipêmicos 265 Capítulo 2: Fármacos Diuréticos 277

UNIDADE V: Fármacos que Afetam o Sistema Endócrino

Capítulo 23: Hipófise e Tireoide 291

Capítulo 24: Insulina e Outros Fármacos Hipoglicemiantes 301

Capítulo 25: Estrogênios e Androgênios 317 Capítulo 26: Hormônios Suprarrenais 331

UNIDADE VI: Fármacos que Afetam Outros Orgãos

Capítulo 27: Sistema Respiratório 339 Capítulo 28: Fármacos Antieméticos e Gastrintestinais 351

Capítulo 29: Outros Tratamentos 363

UNIDADE VII: Fármacos Quimioterápicos

Capítulo 30: Princípios do Tratamento Antimicrobiano 369 Capítulo 31: Inibidores da Parede Celular 381

Capítulo 32: Inibidores da Síntese Proteica 395 Capítulo 3: Quinolonas, Antagonistas do Acido Fálico e Antissépticos do Trato Urinário 409 x Sumário

Capítulo 34: Fármacos Antimicobacterianos

Capítulo 35: Fármacos Antifúngicos

Capítulo 36: Fármacos Antiprotozoários

Capítulo 37: Fármacos Anti-helmínticos

Capítulo 38: Fármacos Antiviróticos

Capítulo 39: Fármacos Antineoplásicos Capítulo 40: Fármacos lmunossupressores

UNIDADE VIII: Fármacos Anti-inflamatórios e Autacoides

Capítulo 41: Fármacos Anti-inflamatórios

Capítulo 42: Autacoides e Antagonistas de Autacoides Capítulo 43: Toxicologia

Índice

1. RESUMO

. , . acoc1ne 1ca

A farmacocinética estuda o que o organismo faz com o fármaco, ao passo que a farmacodinâmica (ver Capítulo 2) descreve o que o fármaco faz no or ganismo. Uma vez administrado por uma das várias vias disponíveis, quatro propriedades farmacocinéticas determinam a velocidade do início da ação, a intensidade do efeito e a duração da ação do fármaco (Figura 1.1 ):

• Absorção: primeiro, a absorção do fármaco desde o local de adminis

tração (absorção) permite o acesso do agente terapêutico (seja direta ou indiretamente) no plasma.

• Distribuição: segundo, o fármaco pode, então, reversivelmente, sair da circulação sanguínea e distribuir-se nos líquidos intersticial e intracelular.

• Biotransformação ou metabolismo: terceiro, o fármaco pode ser bio transformado no fígado ou em outros tecidos.

• Eliminação: finalmente, o fármaco e seus metabólitos são eliminados do organismo na urina, na bile ou nas fezes.

As variáveis farmacocinéticas permitem ao clínico elaborar e otimizar os regi mes terapêuticos, incluindo as decisões quanto à via de administração de cada fármaco, à quantidade e à frequência de cada dose e a duração do tratamento.

li. VIAS DE ADMINISTRAÇÃO DE FÁRMACOS

A via de administração é determinada primariamente pelas propriedades do fármaco (p. ex., hidra ou lipossolubilidade, ionização) e pelos objetivos tera pêuticos (p. ex., a necessidade de um início rápido de ação, a necessidade de tratamento por longo tempo, ou a restrição de acesso a um local específico). As vias principais de administração de fármacos incluem a enteral, a parente ral e a tópica, entre outras. A Figura 1.2 ilustra as subcategorias dessas vias, bem como outros métodos de administração de fármacos.

( Fármaco no local da administração )

Absorção (entrada)

(Fármaco no plasma) �a Distribuição ]

Fármaco nos tecidos i EI Biotransformação J

Metabólito(s) nos tecidos

Excreção (saída)

Fármaco e metabólito(s) na urina, na bile ou nas fezes

Figura 1.1 Representação esquemática da absor ção, distribuição, biotransformação e -excreçao.

2 Clark, Finkel, Rey & Whalen

Parenteral: IV, IM, SC Sublingual

Inalação

-...i.__J e> • Ora�

Adesivo transdermal

Figura 1.2

Tópica

Vias comumente usadas para a admi nistração de fármacos. IV= intravenosa;

IM= intramuscular; SC =subcutânea.

A. Enteral

A administração enteral ou administração pela boca é o modo mais seguro, comum, conveniente e econômico de administrar os fármacos. Quando o fár maco é administrado por via oral, ele pode ser deglutido ou ser deixado sob a língua (sublingual), facilitando a sua absorção direta na corrente sanguínea.

1. Oral. A administração do fármaco pela boca oferece várias vantagens ao paciente. Os fármacos orais são autoadministrados facilmente e, comparado com os fármacos administrados por via parenteral, têm baixo risco de infecções sistêmicas, que podem complicar o trata mento. Além disso, a toxicidade e as dosagens excessivas por via oral podem ser neutralizadas com antídotos, como o carvão ativado.

Porém, as vias envolvidas na absorção do fármaco são as mais com plicadas, e o baixo pH do estômago pode inativar alguns fármacos. Uma ampla variedade de preparações orais é disponibilizada, incluin do preparações revestidas (entéricas) e de liberação prolongada.

a. Preparações revestidas (entéricas). O revestimento entérico é uma proteção química que resiste à ação dos líquidos e enzimas no estômago, mas que se dissolve facilmente no intestino ante rior. Tais revestimentos são úteis para certos grupos de fármacos (p. ex., omeprazo� que é instável em meio ácido. O revestimento entérico protege o fármaco do ácido gástrico liberando-o, porém, no intestino (menos ácido), onde o revestimento se dissolve e permite a liberação do fármaco. De modo similar, os fármacos que têm efeito irritante no estômago, como o ácido acetilsalicíli co, podem ser revestidos com uma substância que vai se dissol ver só no intestino delgado, preservando, assim, o estômago.

b. Preparações de liberação prolongada. Estes medicamentos têm revestimentos ou ingredientes especiais que controlam a ve locidade com que o fármaco é liberado do comprimido para o or ganismo. Tendo uma duração de ação mais longa, podem melho rar a adesão do paciente ao tratamento, porque a medicação não precisa ser ingerida muito frequentemente. Além disso, as formas de liberação prolongada podem manter as concentrações na faixa terapêutica aceitável por um período longo de tempo em contraste com as formas de liberação imediata, que podem resultar em pi cos e vales mais elevados nas concentrações plasmáticas.

Tais formulações de liberação prolongada são vantajosas para os fármacos que têm meias-vidas curtas. Por exemplo, a meia

-vida da morfina é de 2 a 4h em adultos. A morfina oral deve ser administrada seis vezes em 24h para obter um efeito analgésico contínuo. Entretanto, só duas doses são necessárias quando são usados comprimidos de liberação controlada. Infelizmen te várias das formulações de liberação prolongada podem ter sido desenvolvidas para obter uma vantagem comercial sobre os produtos de liberação convencional, em vez de vantagens clínicas comprovadas.

2. Sublingual. A colocação do fármaco sob a língua permite-lhe difun dir-se na rede capilar e, por isso, entrar diretamente na circulação sistêmica. A administração de fármaco por essa via tem várias van tagens, incluindo a absorção rápida, a administração conveniente, a baixa incidência de infecções, além de evitar que o fármaco passe pelo ambiente agressivo do intestino e que a biotransformação de primeira passagem ocorra (o fármaco é absorvido para a veia cava superior). A via bucal (entre a bochecha e a gengiva) é similar à via sublingual.

B. Parenteral

A via parenteral introduz diretamente o fármaco na circulação sistêmica evitando as barreiras orgânicas. Ela é usada para fármacos que são pou co absorvidos no TGI (p. ex., heparina) e para aqueles que são instáveis no TGI (p. ex., insulina). Essa administração também é usada no tratamen to do paciente inconsciente ou quando se necessita de um início rápido de ação. Além disso, a administração parenteral tem maior biodisponibilidade e não está sujeita à biotransformação de primeira passagem ou ao agres sivo meio gastrintestinal. Ela também assegura o melhor controle sobre a dose real de fármaco administrada ao organismo. Contudo, a administra ção parenteral é irreversível e pode causar dor, medo, lesões tissulares e infecções. Há três principais vias de administração parenteral: a intravas cular (intravenosa ou intra-arterial), a intramuscular e a subcutânea (ver Figura 1.2). Cada via apresenta vantagens e desvantagens.

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