Manual - de - goniometria - final

Manual - de - goniometria - final

(Parte 1 de 3)

Apresentação

A goniometria é a medição dos ângulos articulares presentes nas articulações humanas. Este manual tem como objetivo, esclarecer e orientar os médicos avaliadores como utilizar o goniômetro de forma eficaz, durante o exame físico das vítimas de acidente de transito com direito a cobertura do seguro DPVAT. Os valores obtidos com a goniometria podem determinar a presença ou não de disfunções, quantificar as limitações dos ângulos articulares e realizar comparações da avaliação inicial com as reavaliações caso ocorram.

Os valores obtidos devem ser, quando avaliados, serem inseridos no relato do exame físico no laudo de avaliação.

Para cada articulação ou grupo de articulações (coluna cervical, por exemplo) há uma ou mais fotos ilustrando o procedimento descrito.

Esperamos que o manual possa contribuir para uma avaliação ainda mais apurada das vítimas.

1. Sumário 2. Apresentação 3. Amplitude de movimento. Princípios do método. 4. Tabelas dos Ângulos Articulares. 5. Goniometria da Coluna Cervical 6. Goniometria da Coluna Cervical 7. Goniometria da Coluna Cervical 8. Goniometria do Ombro 9. Goniometria do Ombro 10. Goniometria do Ombro 1. Goniometria do Ombro 12. Goniometria do Ombro 13. Goniometria do Cotovelo e Rádio Ulnar 14. Goniometria da Articulação Rádio ulnar 15. Goniometria do Punho 16. Goniometria do Punho 17. Goniometria do Punho 18. Goniometria do Primeiro Metacarpo 19. Goniometria do Primeiro Metacarpo 20. Goniometria do Primeiro Metacarpo e Metacarpofalângica 21. Goniometria da Articulação Metacarpofalângica 2. Goniometria da Articulação Metacarpofalângica 23. Goniometria da Articulação Interfalângica dos Dedos da Mão 24. Goniometria da Articulação Interfalângica dos Dedos da Mão e do Quadril 25. Goniometria do Quadril 26. Goniometria do Quadril 27. Goniometria do Quadril 28. Goniometria do Quadril 29. Goniometria do Joelho 30. Goniometria do Tornozelo 31. Goniometria do Tornozelo 32. Goniometria do Tornozelo 3. Goniometria da Articulação Metatarsofalângica 34. Goniometria da Articulação Metatarsofalângica 35. Goniometria da Articulação Interfalângica dos Dedos do Pé 36. Goniometria da Coluna Lombar 37. Goniometria da Coluna Lombar 38. Goniometria da Coluna Lombar 39. Referências Bibliográficas

Amplitude de movimento

A amplitude de movimento (ADM) é a quantidade de movimento de uma articulação. A posição inicial para se medir a amplitude de movimento de todas as articulações, com exceção do movimento de rotação é a posição anatômica.

Para se obter informações mais precisas e confiáveis o registro da amplitude de movimento deve indicar o valor inicial e final. Por exemplo, sabendo que o valor da ADM do cotovelo é de 0-145 graus é necessário registrar o inicio e o final do movimento, supondo que a flexão vai de 20-145 graus significa que há uma limitação de 20 graus na extensão e que o cotovelo se mantém em posição flexora de 20 graus. Se a ADM é de 0- 115 graus para flexão significa que há uma limitação de 30 graus para o cotovelo alcançar a flexão completa.

Princípios do método

O examinador poderá usar um lápis dermatográfico, para após localizar os pontos anatômicos desejados assinalá-los.

Se as roupas da vítima interferirem no acesso à palpação dos pontos anatômicos utilizados para direcionar a colocação dos braços fixo e móvel do goniômetro, elas devem ser removidas.

Para realizar a goniometria, recomenda-se a utilização do movimento passivo. A vítima realiza o movimento e nos graus finais é auxiliada pelo avaliador.

Antes de iniciar a avaliação, explicar a vítima de forma clara o movimento que deve realizar e, se necessário, fazer demonstração do mesmo.

Colocar a vítima em um bom alinhamento corporal. Qualquer compensação pode falsear os resultados obtidos.

Se a vítima tem um lado comprometido e um considerado são, este também deve ser medido para efeito de comparação. Caso os dois lados estejam comprometidos, utilizar para fins de comparação a tabela de ângulos normais.

TABELAS DOS ÂNGULOS ARTICULARES Ângulos articulares da Coluna Vertebral

MovimentoColuna cervical Coluna lombar
Flexão0-65º 0-95º
Extensão0-50º 0-35º
Flexão lateral0-40º 0-40º
Rotação0-55º 0-35º

Ângulos articulares dos Membros Superiores

Articulação Movimento Grau de movimento

Ombro Flexão

Extensão Adução Abdução

Rotação interna Rotação externa

Cotovelo Flexão

Radioulnar Pronação

Punho Flexão

Extensão

Adução (desvio ulnar) Abdução (desvio radial)

Carpometacárpica do polegar

Flexão Abdução Extensão

Metacarpofalangianas Flexão

Extensão Abdução Adução

Interfalângicas

Proximais

Flexão

Interfalângicas Distais Flexão

Flexão Int. do polegar

Extensão Int. do polegar Extensão Int. 2 ao 5 dedo

Ângulos articulares dos Membros inferiores

Articulação Movimento Graus de movimento

Quadril Flexão

Extensão Adução Abdução

Rotação interna (medial) Rotação externa (lateral)

Joelho Flexão

Tornozelo Flexão dorsal

Flexão plantar

Eversão Inversão

Metatarsofalangianas Flexão do hálux

Extensão do hálux

Flexão do 2º ao 5º dedo Extensão do 2º ao 5 dedo

Interfalangianas Flexão (I) do hálux

(IP) do 2º ao 5º dedo (ID) do 2º ao 5º dedo

Flexão da Coluna Cervical:

Ocorre no plano Sagital. Amplitude articular: 0°-65° (Marques, 2003).

Posição ideal: A posição sentada é preferida, podendo a vítima ficar em pé de costas para o avaliador. É importante alinhar a coluna cervical da vítima.

Braço fixo do goniômetro: Será colocado no nível do acrômio e paralelo ao solo, no mesmo plano transverso do processo espinhoso da sétima vértebra cervical.

Braço móvel do goniômetro: Ao final do movimento coloca-lo dirigido para o lóbulo da orelha.

Precauções: Evitar a flexão de tronco; Evitar a rotação e flexão lateral da coluna cervical.

Colocação do goniômetro para medir a flexão da cervical

Extensão da Coluna Cervical:

Ocorre no plano sagital. Amplitude articular: 0°-50° (Marques, 2003).

Posição ideal: A posição sentada é preferida, podendo a vítima ficar em pé de costas para o avaliador.

Braço fixo do goniômetro: Será colocado no nível do acrômio e paralelo ao solo no mesmo plano transverso do processo espinhoso da sétima vértebra cervical.

Braço móvel do goniômetro: Ao final do movimento colocá-lo dirigido para o lóbulo da orelha.

Precauções: Evitar a flexão de tronco. Evitar a rotação e flexão lateral da coluna cervical.

Colocação do goniômetro para medir a extensão da cervical

Flexão lateral da Coluna Cervical:

Ocorre no plano frontal. Amplitude articular: 0°-40° (Marques, 2003).

Posição ideal: A vítima deve estar preferencialmente sentada ou em pé, de costas para o avaliador.

Braço fixo do goniômetro: Paralelo ao solo no mesmo plano transverso do processo espinhoso da sétima vértebra cervical.

Braço móvel do goniômetro: Ao final do movimento coloca-lo na linha média da coluna cervical, dirigido para a protuberância occipital externa.

Precauções: Evitar a flexão de tronco. Evitar a rotação e extensão da coluna cervical.

Evitar a elevação do ombro.

Colocação do goniômetro para medir a flexão lateral da cervical

Rotação da Coluna Cervical:

Ocorre no plano transversal. Amplitude articular: 0°-55° (Marques, 2003).

Posição inicial: A vítima deve estar sentada com a cabeça e o pescoço na posição anatômica, rodando os mesmos para o lado que vai ser avaliado.

Braço fixo do goniômetro: No centro da cabeça, na sutura sagital.

Braço móvel do goniômetro: Ao final do movimento coloca-lo na sutura sagital.

Precauções: Evitar a rotação do tronco. Evitar a flexão, a extensão e a flexão lateral do tronco.

Colocação do goniômetro para medir a rotação da cervical

Flexão do Ombro:

Ocorre na articulação glenoumeral no plano sagital, sendo acompanhado por movimentos nas articulações esterno clavicular, acrômio clavicular e escapulo torácica.

Posição inicial: Preferencialmente a vítima deve estar sentada (posição alternativa em pé) com os braços ao longo do corpo, podendo também ficar deitado em decúbito dorsal mantendo sempre um bom alinhamento corporal.

Braço fixo do goniômetro: Deve ser colocado ao longo da linha axilar média do tronco, apontando para o trocanter maior do fêmur.

Braço móvel do goniômetro: Deve ser colocado sobre a superfície lateral do corpo do úmero voltado para o epicôndilo lateral.

Eixo: O eixo do goniômetro fica próximo ao acrômio, porém a colocação correta dos braços do goniômetro não deve ser alterada.

Precauções: Evitar a hiperextensão da coluna lombar. Evitar a abdução do ombro e a elevação da escápula. Manter a articulação do cotovelo em extensão.

Colocação do goniômetro para medir a flexão do ombro (final da flexão).

Extensão do Ombro:

O movimento ocorre no plano sagital. Amplitude Articular: 0°-45°(Marques, 2003).

Posição ideal: A vítima poderá ficar sentada, em pé ou deitada em decúbito ventral, mantendo os braços ao longo do corpo.

Braço fixo do goniômetro: Deve ser colocado ao longo da linha axilar média do tronco apontando para o trocanter maior do fêmur.

Braço móvel do goniômetro: Deve ser colocado sobre a superfície lateral do corpo do úmero voltado para o epicôndilo lateral.

Eixo: Sobre o eixo látero-lateral da articulação glenoumeral, próximo ao acrômio.

Precauções: Evitar a flexão do tronco ou elevação da escápula. Evitar a abdução da articulação do ombro. Evitar a adução escapular.

Colocação do goniômetro para medir a extensão do ombro.

Abdução do Ombro:

O movimento ocorre no plano frontal. A abdução da articulação glenoumeral é acompanhada por elevação clavicular, seguida por rotação lateral do úmero.

Posição inicial: Sentado ou em pé, de costas para o avaliador. A palma da mão ficará voltada anteriormente, paralela ao plano frontal.

Braço fixo do goniômetro: Deve ficar sobre a linha axilar posterior do tronco.

Braço móvel do goniômetro: Deve ficar sobre a superfície posterior do braço da vítima voltada para a região dorsal da mão.

Eixo: O eixo do movimento ficará próximo ao acrômio, porém não se deve ajustar o goniômetro a fim de fazer coincidir seu eixo sobre este ponto anatômico.

Precauções: Evitar a flexão da coluna vertebral para o lado contralateral. Evitar a elevação da escápula. Permitir que o ombro rode lateralmente em aproximadamente 90°. Evitar a flexão e extensão do braço.

Colocação do goniômetro para medir a abdução do ombro.

Adução do Ombro:

É o retorno a partir da abdução e ocorre no plano frontal. A adução horizontal ocorre no plano transverso.

Amplitude Articular (adução horizontal): 0°-40°(Marques, 2003).

Posição ideal: Preferencialmente a vítima deve estar sentada, podendo ficar em pé com o cotovelo, punho e dedos estendidos.

Braço fixo do goniômetro: Paralelo à linha mediana anterior.

Braço móvel do goniômetro: Sobre a superfície lateral do úmero.

Eixo: Sobre o eixo ântero-posterior da articulação glenoumeral.

Precauções: Evitar a flexão ipsilateral da coluna vertebral. Evitar a depressão escapular. Evitar a rotação de tronco.

Colocação do goniômetro para medir a adução do ombro.

Rotação interna (medial) do Ombro:

Na posição anatômica, o movimento ocorre no plano transverso. Para a avaliação goniométrica, esta é abduzida e a articulação do cotovelo é fletida em 90°, portanto o movimento teste ocorre no plano sagital.

Amplitude Articular: 0°-90°(Marques, 2003).

Posição ideal: A vítima deve ficar deitada em decúbito dorsal, e ombro em abdução de 90º, com o cotovelo também fletido a 90º e o antebraço em supinação. A palma da mão voltada para o corpo da vítima, paralela ao plano sagital e o antebraço perpendicular à maca. O úmero descansará sobre o apoio e só o cotovelo deve sobressair-se da borda.

Braço fixo do goniômetro: Paralelo ao solo.

Braço móvel do goniômetro: Quando o movimento estiver completo, ajustá-lo sobre a região posterior do antebraço dirigido para o terceiro dedo da mão.

Eixo: Posicionado paralelo ao olecranio.

Precauções: Manter a articulação do ombro abduzida em 90 graus para que o olecrano fique em linha com a fossa glenóide. Evitar a flexão, extensão adução ou abdução na articulação do ombro. Evitar a extensão do cotovelo. Evitar a adução e abdução da mão; Evitar a elevação e a inclinação anterior da escápula.

Colocação do goniômetro para medir a rotação interna do ombro.

Rotação externa (lateral) do Ombro:

Na posição anatômica, o movimento ocorre no plano transverso. Para a avaliação goniométrica, esta é abduzida e a articulação do cotovelo é fletida em 90°, portanto o movimento teste ocorre no plano sagital.

Amplitude Articular: 0°-90°(Marques, 2003).

Posição ideal: A vítima deve ficar deitada em decúbito dorsal, e ombro em abdução de 90º, com o cotovelo também fletido a 90º e o antebraço em supinação. A palma da mão voltada para o corpo da vítima, paralela ao plano sagital e o antebraço perpendicular à maca. O úmero descansará sobre o apoio e só o cotovelo deve sobressair-se da borda.

Braço fixo do goniômetro: Paralelo ao solo.

Braço móvel do goniômetro: Quando o movimento estiver completo, ajustá-lo sobre a região posterior do antebraço dirigido para o terceiro dedo da mão.

Eixo: Posicionado paralelo ao olecrano.

Precauções: Manter a articulação do ombro abduzida em 90 graus para que o olecrano fique em linha com a fossa glenóide. Evitar a flexão, extensão adução ou abdução na articulação do ombro. Evitar a extensão do cotovelo. Evitar a adução e abdução da mão. Evitar a elevação e a inclinação posterior da escápula.

Colocação do goniômetro para medir a rotação externa do ombro.

Flexão e extensão do Cotovelo:

É uma articulação em dobradiça uniaxial. O movimento teste ocorre no plano sagital. O movimento de extensão é considerado o retorno da flexão.

Posição ideal: A vítima pode permanecer sentada, em pé ou deitada em decúbito dorsal com o membro superior posicionado junto ao tronco, respeitando a posição anatômica.

Braço fixo do goniômetro: Deve ser colocado ao longo da superfície lateral do úmero, em direção ao acrômio.

Braço móvel do goniômetro: Deve ficar sobre a face lateral do rádio apontando para o processo estiloide do mesmo.

Eixo: Aproximadamente no epicôndilo lateral do úmero.

Precauções: Evitar a flexão da articulação do ombro. Observar a posição do antebraço se não estiver na posição anatômica.

Colocação do goniômetro para medir a flexão e extensão do cotovelo.

Pronação do Antebraço:

O movimento-teste de supinação nas articulações radioulnares ocorre no plano transverso.

Amplitude articular: 0°-90° (Marques, 2003).

Posição ideal: Preferencialmente a vítima ficará sentada, podendo ficar em pé, ou ainda deitada em decúbito dorsal. O cotovelo deve ficar fletido a 90º mantendo o braço junto ao corpo e o antebraço em posição neutra entre a pronação e a supinação. A vítima deverá segurar um lápis.

Braço fixo do goniômetro: É colocado na superfície dorsal dos metacarpais, paralelo ao eixo longitudinal do úmero. O goniômetro permanece fixo.

Braço móvel do goniômetro: Deve estar alinhado paralelo ao eixo do lápis ou polegar (abduzido), devendo acompanhar o movimento de pronação.

Eixo: Sobre a articulação metacarpofalângica do dedo médio.

Precauções: Manter o cotovelo próximo da parte lateral do tronco. Evitar a abdução e a rotação medial do ombro. Evitar a flexão lateral do tronco para o lado oposto.

Colocação do goniômetro para medir a pronação radioulnar.

Supinação do Antebraço:

O movimento teste de supinação nas articulações radioulnares ocorre no plano transverso.

Amplitude articular: 0°-90° (Marques, 2003).

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