TCC (Raphael e Sávio) 2017/1 - Oficial

TCC (Raphael e Sávio) 2017/1 - Oficial

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VITÓRIA 2017

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Arquivologia, do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para obtenção do grau de bacharel em Arquivologia.

Orientadora: Prof.ª. Drª. Rosa da Penha Ferreira da Costa.

VITÓRIA 2017

Trabalho de conclusão de curso, apresentado ao Departamento de Arquivologia do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas da Universidade Federal do Espírito Santo, como exigência parcial para obtenção do grau de bacharel em Arquivologia.

Aprovado em: 03 de agosto de 2017. COMISSÃO EXAMINADORA

Profª. Drª. Rosa da Penha Ferreira da Costa

Universidade Federal do Espírito Santo Orientadora

Profª. Drª. Maira Cristina Grigoleto Universidade Federal do Espírito Santo

Prof. Dr. Pedro Ernesto Fagundes

Agradecemos primeiramente a Deus pelo dom da vida, por nos ter dado força e saúde, e por ter nos proporcionado chegar até aqui.

Aos nossos familiares pelo incentivo e pelo apoio incondicional.

A nossa orientadora Rosa da Penha da Costa, pelo suporte e pelo pouco tempo que lhe coube, pelas suas correções, incentivos e paciência.

A universidade e seu corpo docente de professores que contribuíram com nosso aprendizado.

A professora Roseane Vargas Rohr, por suas valiosas informações.

E a todos nossos amigos que fizeram parte de nossa formação, a todos vocês o nosso muito obrigado.

Dedicamos este trabalho а Deus que nos iluminou durante esta caminhada, aos nossos familiares e a nossa orientadora.

“A persistência é o caminho do êxito”. (Charles Chaplin)

Aborda a questão da importância da preservação documental através da uma reflexão que se faz necessária devido aos problemas que os acervos arquivísticos enfrentam, como o de recuperação da memória através de seu patrimônio documental.

A metodologia utilizada, consiste no levantamento de informações referentes ao projeto de extensão do acervo do Centro de Memória do Curso de Enfermagem da UFES, na qual é abordada de forma qualitativa. Como objetivo deste artigo, salientar a importância de uma cultura de preservação, de modo contínuo, para que o Centro de Memória do Curso de Enfermagem da UFES, para o acervo seja mantido, valorizado e contemporâneo.

Nesse sentido, reforça-se então, o seguimento e a utilização de normas e recomendações para que a memória do acervo, assim como seu patrimônio documental seja resguardado e assegurado para a sociedade e posteridade.

Palavras-chave: Preservação; Memória; Patrimônio Documental; Enfermagem/UFES; Arquivologia.

Addresses the issue of the importance of documentary preservation through a reflection that is a measure due to the problems that are accepted archival in the face, such as the recovery of memory through its heritage documentary.

The methodology used consists of the collection of information regarding the project to extend the collection of the Memory Center of the Nursing Course of UFES, in which it is approached in a qualitative way. As a goal of this article, to emphasize the importance of a culture of preservation, in a continuous way, so that the Memory Center of the Nursing Course of UFES, for the collection is maintained, valued and contemporary.

In this sense, it reinforces the follow-up and the use of norms and recommendations so that the memory of the collection, as well as its documentary heritage is safeguarded and assured for society and posterity.

Keywords: Preservation; Memory; Documentary Heritage; Nursing/UFES; Archivology.

1 INTRODUÇÃO10
ARQUIVOLOGIA PARA A PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA14
2.1 O SURGIMENTO E DESENVOLVIMENTO DA ARQUIVOLOGIA14
2.2 A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO DOCUMENTAL16
2.3 MEMÓRIA E ARQUIVOLOGIA17

2 A IMPORTÂNCIA DA PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO DOCUMENTAL NA

MEMÓRIA DO CURSO DE ENFERMAGEM DA UFES”20
3.1 O CURSO DE ENFERMAGEM DA UFES20

3 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO PROJETO DE EXTENSÃO “CENTRO DE

ENFERMAGEM DA UFES21
3.2.1 O Projeto de Extensão e a Preservação da Memória23

3.2 O PROJETO DE EXTENSÃO CENTRO DE MEMÓRIA DO CURSO DE

LITERATURA SOBRE POLÍTICA DE PRESERVAÇÃO DOCUMENTAL24
4.1 DESCRIÇÃO DO AMBIENTE FÍSICO24

4 O PROJETO DE EXTENSÃO DO CENTRO DE MEMÓRIA E A PRESERVAÇÃO DO ACERVO: VERIFICAÇÃO DE ACORDO COM O PRESCRITO NA

ROHR26
5 CONSIDERAÇÕES30
REFERÊNCIAS32

4.2 ENTREVISTA REALIZADA COM A PROFESSORA ROSEANE VARGAS APÊNDICE A - QUESTIONÁRIO ............................................................................. 36

1 INTRODUÇÃO

No que se refere a Arquivologia, por ser uma área transdisciplinar, traz em seu bojo, as questões relacionadas a memória. Isto posto, Jacques Le Goff relata que a memória: “[...] é a propriedade de conservar certas informações, propriedade que se refere a um conjunto de funções psíquicas que permite ao indivíduo atualizar impressões ou informações passadas, ou reinterpretadas como passadas” (LE GOFF, 2003, p. 419).

Para a manutenção da memória, torna-se fundamental a função arquivística denominada preservação. Cunha (2008) diz que a preservação é uma função arquivística que engloba as atividades de acondicionamento, armazenamento, conservação e restauração de documentos. São um conjunto de procedimentos e técnicas que visam a proteção e a conservação do patrimônio documental.

O Arquivo Nacional apresenta um conceito de preservação, conforme o

Dicionário Brasileiro de Terminologia Arquivística (2005, p.135), “prevenção da deterioração e danos em documentos, por meio de adequado controle ambiental e/ou tratamento físico e /ou químico”.

Todos os livros, papéis, mapas, fotografias ou outras espécies documentárias, independentemente de sua apresentação física ou características, expedidos ou recebidos por qualquer entidade pública ou privada no exercício de seus encargos legais ou em função das suas atividades devem ser preservados ou depositados para preservação por aquela entidade ou por seus legítimos sucessores como prova de suas funções, sua política, decisões, métodos, operações ou outras atividades, ou em virtude do valor informativo dos dados neles contidos (SCHELLENBERG, 2006, p. 41).

Nesse sentido, faz-se necessário a utilização de técnicas e ações para evitar que os documentos se deterioram com o passar do tempo. Portanto, é natural que os documentos estraguem e envelheçam, isso faz parte da vida do documento, no entanto, se medidas não forem tomadas, essa deterioração pode acabar acontecendo em menos tempo e prejudicando a integridade física de um documento importante para a instituição que o produziu.

Hoje, preservação é uma palavra que envolve inúmeras políticas e opções de ação, incluindo tratamentos de conservação. Preservação é a aquisição, organização e distribuição de recursos, a fim de impedir posterior deterioração ou renovar a possibilidade de utilização de um seleto grupo de materiais. Para Conway:

[...] O gerenciamento da preservação compreende todas as políticas, procedimentos e processos que, juntos, evitam a deterioração ulterior do material de que são compostos os objetos, prorrogam a informação que contêm e intensificam sua importância funcional.

[...] Gerenciamento de preservação envolve um progressivo processo reiterativo de planejamento e implementação de atividades de prevenção (mantendo, por exemplo, um ambiente estável, seguro e livre de perigos, assegurando ação imediata em caso de desastres e elaborando um programa básico de manutenção do nível das coleções) e renovação de atividades [...] (CONWAY, 1997, p. 6).

Segundo Cassares (2000, p. 1) a preservação é um conjunto de medidas e estratégias de ordem administrativa, política e operacional que contribuem direta ou indiretamente para a preservação da integridade dos materiais.

Esta pesquisa justifica-se pela necessidade que acervo do Centro de Memória do Curso de Enfermagem da Centro de Memória da UFES possui de recuperação e preservação da história e memória do curso. Pois, de acordo com a Rede Brasileira de História e Patrimônio Cultural da Saúde - REDEBRA-HPCS, o Centro de Memória regrediu para um estado de obsolescência devido ao transtorno ocorrido com a perda de informações e registros históricos, além das más condições de guarda de documentos, o descarte inadequado de materiais e o falecimento de personalidades importantes do curso de Enfermagem.

Diante desses fatos, esta pesquisa busca descobrir se o projeto de extensão criado pelo Curso de Enfermagem da UFES encontra-se em conformidade com as normas e políticas arquivísticas no tocante a preservação documental. Além disso, refletir sobre a importância da preservação do patrimônio documental nos acervos documentais. E verificar se o seu Centro de Memória cumpre seu papel de preservar o patrimônio histórico da enfermagem capixaba, trazendo benefícios para a manutenção da memória e acesso dos usuários da informação arquivística do referido curso.

Para isso, buscou-se reunir dados e informações com o propósito de responder ao seguinte problema de pesquisa: O projeto de extensão “Centro de Memória do Curso de Enfermagem da UFES” pode auxiliar na preservação do patrimônio documental arquivística do Centro de Memória do Curso de Enfermagem da UFES?

Para responder esta questão a pesquisa tem como objetivo geral: Verificar se o projeto de extensão “Centro de Memória do Curso de Enfermagem da UFES” pode auxiliar na preservação do patrimônio documental e da informação arquivística do Centro de Memória do Curso de Enfermagem da UFES. E seus objetivos específicos são: Refletir sobre a importância da preservação do patrimônio documental na Arquivologia para preservação da memória; Conhecer as atividades desenvolvidas no projeto de extensão “Centro de Memória do Curso de Enfermagem da UFES”; Identificar se no projeto de extensão “Centro de Memória do Curso de Enfermagem da UFES” há procedimentos adotados para a preservação documental; Analisar se o projeto de extensão do Centro de Memória permite a preservação de seu acervo documental.

Trata-se de uma pesquisa descritiva, de caráter qualitativo, e em relação aos procedimentos metodológicos, adotaremos o uso das técnicas de levantamento de informações através de questionário e de estudo de campo, com as visitas que serão realizadas no acervo do Centro de Memória do Curso de Enfermagem da UFES, no intuito de realizar uma análise geral desse espaço.

Segundo Gil (2008), as pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. São inúmeros os estudos que podem ser classificados sob este título e uma de suas características mais significativas está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados. Uma de suas peculiaridades está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário e a observação sistemática.

De acordo com Gil (2008), o levantamento é a interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para, em seguida, mediante análise quantitativa, obtém-se as conclusões correspondentes aos dados coletados.

Gil (2008) afirma ainda que o estudo de campo procura o aprofundamento de uma realidade específica. É basicamente realizada por meio da observação direta das atividades do grupo estudado e de entrevistas com informantes para captar as explicações e interpretações que ocorre naquela realidade.

Além da necessidade da pesquisa bibliográfica, na qual se fez uso de: livros, artigos científicos, revistas, documentos eletrônicos, na busca de conhecimento sobre o tema pesquisado, abordando os fundamentos teóricos que embasaram a pesquisa, reunindo conceitos de Arquivologia, Patrimônio Documental e Memória, elencando o contexto em que nosso estudo de caso está inserido, bem como sobre o acervo documental e as políticas de preservação do acervo do Centro de Memória do Curso de Enfermagem da UFES.

Recorremos aos autores conhecidos na área de memória, preservação do patrimônio documental, bem como usamos documentos primários para melhor conhecer a história do Curso de Enfermagem da UFES.

Para a construção do capítulo 2: A Importância da Preservação do Patrimônio

Documental na Arquivologia para a Preservação da Memória, utilizamos seguintes autores: Schellenberg, Fonseca, Cook, Silva, Delmas, Bottino, Bellotto, Camargo, Cunha, Cavalcanti, Rodrigues, Edmondson, Le Goff, Jardim, Monteiro, Carelli, Pickler, Shikida, Braz, Holanda, Ferreira, Rousseau, Couture e Chapouthier. Além de utilizar artigos do Ministério da Educação (MEC), bem como, o Decreto-lei nº 25 de 30 de novembro de 1937, enfim, o Dicionário de Terminologia Arquivística do Arquivo Nacional.

Em seguida, para a construção do capítulo 3: Atividades Desenvolvidas no

Projeto de Extensão, “Centro de Memória do Curso de Enfermagem da UFES”, utilizamos seguintes artigos relacionados: Ministério da Educação (MEC); Centro de Ciências da Saúde (CCS/UFES); Rede Brasileira de História e Patrimônio Cultural da Saúde (REDEBRA-HPCS); Além dos autores: Pinheiro, Erhart, Silva, Christo, Baptista, Barreira, Bussinguer, Luccas e Seripierri.

Por fim, para a construção do capítulo 4: O Projeto de Extensão do Centro de

Memória permite a preservação do acervo de acordo com o prescrito na literatura sobre política de preservação documental?, utilizamos como base, as instruções do Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ), assim como, a entrevista realizada com a Prof.ª Roseane Vargas Rohr.

2 A IMPORTÂNCIA DA PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO DOCUMENTAL NA ARQUIVOLOGIA PARA A PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA

2.1 O SURGIMENTO E DESENVOLVIMENTO DA ARQUIVOLOGIA

A importância da preservação da memória faz-se necessária desde o surgimento dos primeiros documentos, na civilização grega, em meados do século IV e V a.C., período em que “os atenienses guardavam seus documentos de valor no templo da mãe dos Deuses, isto é, no Metroon, junto à corte de justiça na praça pública em Atenas” (SCHELLENBERG, 2006, p. 25).

Fonseca (2005, p. 19), afirma que a Arquivologia foi profundamente marcada, em suas origens pelos aspectos pragmáticos vinculados às práticas burocráticas visando eficácia e eficiência na guarda e preservação de arquivos, notadamente os públicos. A questão da Arquivologia enquanto área de conhecimento, ou ciência, não era prioritária entre os autores da chamada "Arquivologia Clássica".

[...] o papel da Arquivologia num mundo Pós-moderno desafia arquivistas em toda parte a repensar a sua disciplina e prática. Uma profissão enraizada no Positivismo do século XIX, muito mais do que em estudos anteriores ligados à Diplomática, resultou em estratégias e metodologias que já não são viáveis num mundo pós-moderno e computadorizado (COOK, 2012, p. 124).

Para Silva (2000, p. 9), a Arquivologia, “enquanto campo disciplinar que compõem o corpus teórico-prático da Ciência da Informação” e Cook (2012, p. 124), ainda complementa dizendo que está “enraizada no Positivismo do século XIX que resultou em estratégias e metodologias que já não são viáveis em um mundo pósmoderno”.

O Dicionário de Terminologia Arquivística (2005, p. 37) do Arquivo Nacional, conceitua a Arquivologia como sendo a disciplina que estuda as funções do arquivo, os princípios e técnicas a serem observados na produção, organização, guarda, preservação e preservação utilização dos arquivos. Também chamada arquivística.

De acordo com Delmas (2010, p. 2), a Arquivologia é a “Ciência que estuda os princípios e os procedimentos metodológicos empregados na conservação dos documentos de arquivos, permitindo assegurar a preservação dos direitos, dos interesses, do saber e da memória das pessoas físicas e morais”.

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