aula 1- HISTÓRIA E TEORIAS DA ENFERMAGEM AGO-17

aula 1- HISTÓRIA E TEORIAS DA ENFERMAGEM AGO-17

FIC-CURSO ENFERMAGEM – ENF2NA/2017

EMENTA •História da enfermagem.

•O nascimento e a institucionalização da enfermagem.

•Processo de trabalho em saúde na emergência do capitalismo.

•Modelos de práticas de saúde: clínico e epidemiológico.

•Concepções do processo saúde-doença: unicausalidade, multicausalidade e determinação social.

•Processo de trabalho da enfermagem a partir de sua institucionalização: o cuidado do enfermeiro e da enfermagem.

•A enfermagem como prática social.

•O processo de gerenciar e seus elementos: objeto, finalidade, meios e instrumentos.

•Teorias de enfermagem. Propostas teóricas de Nithingale, Orem, Roy e Horta. 2

Analisar a natureza, evolução histórica e as questões contemporâneas da construção do conhecimento em enfermagem.

Identificar os fundamentos teóricos dos paradigmas e sistemas de referência que influenciaram a construção do conhecimento em enfermagem.

Analisar e comparar as diferentes abordagens utilizadas para a construção de teorias em enfermagem.

Reconhecer as teorias de enfermagem como elemento importante para a prática de enfermagem.

GEOVANINI, Telma. História da Enfermagem. Rio de Janeiro: Revinter, 2009.

OGUISSO, Taka; FREITAS, Geniva Fernandes de; MOREIRA, Almerinda. Trajetória Histórica e Legal da Enfermagem. São Paulo: Manole, 2007.

SPRINGHOUSE CORPORATION. Fundamentos de Enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

BARREIRA, Ieda de Alencar. Historia da Enfermagem Brasileira. Águia Dourada, 2008.

CIANCIARULLO, T. I.; GUALDA, D. M. R.; MELLEIRO, M. M.; ANABUKI, M. H. Sistema de Assistência de Enfermagem: evolução e tendências. 2ed. São Paulo: Ícone; 2001.

LIMA, M. O que é Enfermagem. São Paulo: Brasiliense, 2000.

WESTPHALEN, Mary E. A. Metodologias para a Assistência de Enfermagem: Teorizações Modelos e Subsídios para a Prática. Goiânia: AB, 2001.

Estudamos para conhecermos a história da enfermagem no mundo e no brasil, no sentido de resgatar nas fontes de pesquisas, documentais e senso comum, à memória da nossa profissão

Assíria e Babilônia:

A medicina baseava-se em crendices e magias os sacerdotes comercializavam talismãs com orações contra ataques demoníacos, que segundo a crença, eram causadores das doenças. As curas aconteciam como milagres de Deus. Seus documentos não fazem menção nem a hospitais nem a enfermagem

Índia:

São inúmeras as menções históricas que enfatizam o conhecimento de anatomia e a arte humanística dos hindus no ramo da saúde, destacando-os como verdadeiros mestres da cura. O budismo contribuiu sobretudo para o desenvolvimento da enfermagem e da Medicina, tanto que eles são os únicos que citam enfermeiros, exigindo destes conhecimentos científicos, habilidades e elevados princípios morais. Construíram vários hospitais, onde utilizavam e valorizaram a musicoterapia e os narradores de história, como forma de distração para os enfermos. Realizavam diversos procedimentos como suturas, amputações e correções de fraturas, deixando diversos testemunhos desses feitos em sua cultura.

Japão:

A medicina japonesa tornou-se muito conhecida pelo uso intensivo da hidroterapia na cura de doenças. Sua cultura favorecia e estimulava a prática da eutanásia

Grécia:

A mitologia grega, seus deuses e heróis são o motor da história da medicina ocidental, através dos sacerdotes e cirurgiões-barbeiros. Hipócrates, o pai da medicina, dissociou a crendice das práticas de saúde, dando uma nova versão mais científica a história da medicina. Os tratamentos utilizado eram os recursos da natureza, como banho de sol, ar puro, água pura, sangrias, massagens e dietas nos templos. 16

Com uma prática médica menos prestigiada que a grega, porém destacados quanto à higiene e à saúde pública, por meio de seus aquedutos, esgotos, cisternas e banhos públicos; a medicina romana aliava o religioso, o mágico e o popular e , durante muito tempo, foi exercida por estrangeiros e escravos.

No final do século V e princípio do século IV a.c , o mundo grego sofre profundas transformações morais e espirituais. Os progressos da ciência e da filosofia desviam as elites das velhas crenças e o individualismo estende-se por toda parte.

A prática de saúde , antes mística e sacerdotal, passa agora a ser um produto desta nova fase , baseando-se essencialmente na experiência, no conhecimento da natureza, no raciocínio lógico-que desencadeia uma relação de causa e efeito para as doenças –e na especulação filosófica, baseada na investigação livre e na observação dos fenômenos, limitada, entretanto pela ausência quase total de conhecimentos anatomofisiológicos. Predominantemente individualista, essa prática volta-se para o homem e suas relações com a natureza e suas leis imutáveis. 18

Esse período é considerado pela medicina grega como período hipocrático, destacando a figura de Hipócrates que influenciado por Sócrates e outros filósofos contemporâneos, propôs uma nova concepção em saúde, dissociando a arte de curar dos preceitos místicos e sacerdotais; por meio da utilização do método indutivo, da inspeção e da observação. Hipócrates, acompanhando a linha de pensamento predominantemente da sua época, enfatizou nos diversos manuscritos que deixou a importância do diagnóstico, do prognóstico e da terapêutica como um processo a ser desenvolvido a partir da observação cuidadosa do doente.

No primeiros séculos do período cristão, as práticas de saúde sofrem a influência dos fatores socioeconômicos e políticos do medievo e da sociedade feudal. Ocorrem períodos de notáveis progressos, mas também de retrocesso.

As organização eclesiástica adquire traços preciosos e posiciona-se nas cidades e capitais das províncias, exercendo influência preponderante sobre os cidadãos e aumentando seu poderio e sua fundiária. Aliada à alta camada da nobreza, a igreja detém o monopólio moral, intelectual e financeiro e, enquanto precursora da lei, da caridade e da bondade, difunde o dogmatismo cristão, pelo argumento de autoridade e hegemonia eclesiástica.

Restritos ao clero, os conhecimentos de saúde, agora minados pelo ceticismo e desvinculados do interesse científico.20

Os primeiros hospitais foram inicialmente destinados aos monges e, só mais tarde surgiram outros, para assistir estrangeiros, pobres e enfermos por causa da necessidade de defesa pública sanitária, causada pelas grandes epidemias, à demanda dos povos peregrinos e das guerras.

Os asilos para criança aparecem como primeiros vestígios, encontrados na história, da atenção especial que as crianças desamparadas, órfãs e enfermas receberam desses povos.

Entretando, não se evidencia ainda qualquer diferenciação nos cuidados prestados a adultos e crianças.

Não é difícil de avaliar a situação desses hospitais, diante das débeis condições e hábitos de higiene das cidades medievais, da mistura de populações, devido as guerras frequentes e das grandes epidemias que se alastravam.

O hospital dessa época não é caracterizado ainda como instituição médica, não havendo, portanto, uma prática médica hospitalar concreta, o que só vem ocorrer a partir do século XVIII

Quanto à prática da Enfermagem é a partir do aparecimento das ordens religiosas e em razão da forte motivação cristã que movia as mulheres para a caridade, a proteção e a assistência aos enfermos, que ela começa a aparecer como uma prática leiga e desvinculada de conhecimentos científicos.

A moral e a conduta eram mantidas sob regras rígidas nos grupos de jovens que se submetiam aos treinamentos de enfermagem nos conventos. O ensino era essencialmente prático não sistematizado, sendo desenvolvidos em orfanatos, residências e hospitais.

Por muitos séculos a Enfermagem foi praticada dessa forma pela mãos de religiosas e mulheres que dedicavam suas vidas à assistência aos pobres e aos doentes. As atividades eram centradas no fazer manual e os conhecimentos transmitidos através das práticas vivenciadas .

Foi um período que deixou como legado uma série de valores que

, com o passar dos tempos, foram aos poucos, legitimados e aceitos pela sociedade como características inerentes à enfermagem. A enfermagem não era vista como uma prática profissional mas de sacerdócio.

Evidencia a evolução das práticas de saúde e, em especial, da prática de Enfermagem no contexto dos movimentos Renascentistas e das reforma protestante.

Corresponde ao período que vai do final do século XIII ao início do século XVI.

Analisa as práticas de saúde e, em especial, a enfermagem sob ótica do sistema político-econômico da sociedade capitalista e ressalta o surgimento da enfermagem como prática profissional institucionalizada.

Esta análise inicia-se com a revolução Industrial (1760) no século XVI e culmina com o Surgimento da Enfermagem moderna na Inglaterra, no século XIX.

A doença torna-se um obstáculo à força produtiva do trabalhador e representa não só a diminuição da produção, como também transtornos econômicos e políticos . Existe interesse em manter a saúde, não como uma necessidade básica do indivíduo, mas como um modo da manutenção da produtividade.

Aliado aos interesses políticos, o avanço da medicina vem favorecer a reorganização dos hospitais que agora desempenharão importante papel, não só como agentes da manutenção da força de trabalho, mas também como empresas produtoras de serviços de saúde.

É na reorganização da instituição hospitalar e no posicionamento do médico, como principal responsável por essa reordenação, que vamos encontrar as raízes do processo de disciplinarização e seus reflexos na Enfermagem, ao ressurgir da fase sombria em que esteve submerso, até então.

Embora o poder disciplinar no novo hospital, seja confiado ao médico, ele passará a delegar o exercício das funções controladoras do pessoal de enfermagem ao enfermeiro que , imbuído da falsa convicção de participar da esfera dominante, será subutilizado em benefício da manutenção da ordem e da disciplina, indispensáveis á preservação do monopólio do poder institucional.

A evolução crescente dos hospitais não melhorou , foi a época em que estiveram sob piores condições, devido, principalmente, à predominância de doenças infectocontagiosas e à falta de pessoas preparadas para cuidar dos doentes.

Tanto é que, apesar de manterem os hospitais, os ricos continuavam a ser tratados em suas próprias casas, enquanto os pobres, além de não terem esta alternativa, tornavam-se objeto de instrução e experiências que resultariam em maior conhecimento sobre as doenças.

É nesse cenário que a enfermagem passa a atuar, quando Florence

Nightingale(1820-1910) é convidada pelo ministro da guerra da

Inglaterra, para trabalhar junto aos soldados feridos em combate na guerra da Crimeia(1845-1856) e que, por falta de cuidados, morriam em grande número nos hospitais militares, chamando a atenção das autoridades inglesas.

FLORENCE NIGHTINGALE 29

Nascida a 12 de maio de 1820, em Florença-Itália, era filha de ingleses. Possuía inteligência incomum, tenacidade de propósitos, determinação e perseverança-o qu lhe permitia dialogar com políticos e oficiais do Exército, fazendo prevalecer suas ideias. Dominava com facilidade o inglês, o francês, o alemão, o italiano, além do grego e latim. No desejo de realizar-se como enfermeira, passa o inverno de 1844 em Roma, estudando as atividades das irmandades católicas. Em 1849 faz uma viagem ao Egito e decide-se a servir a Deus, trabalhando em Kaiserswert, Alemanha, entre as diaconisas.

Em 1856, Florence Nightingale retornou à preconceituosa

Londres. Foi então indicada para a superintendência de um hospital de caridade. Em 1854, surgiu a oportunidade para

Florence seguir para o hospital militar inglês em Scutari, que atendia os feridos anglo-franceses na Guerra da Criméia, onde os soldados morriam vítima da cólera e do frio.

Com uma pequena equipe, com os equipamentos necessários e com um trabalho árduo, mesmo contra a negligência dos médicos militares, o ambiente tornou-se propício para atender aos enfermos. A dedicação que devotava aos doentes reduziu drasticamente as mortes no hospital militar. Era chamada “a dama da noite”, pois percorria todas as enfermarias com uma lanterna.

Na volta à Inglaterra, Florence foi recebida com festejos, mas sem saúde.

Mesmo assim, ainda trabalharia muito na criação de escolas de enfermagem e na reforma sanitária dos hospitais militares e quarteis, onde soldados morriam, mesmo em tempo de paz. Apesar do estímulo recebido da Rainha Vitória, a oposição do Ministério da Guerra persistia, pois não via sentido essas ideias em tempo de paz.

Para esclarecer a opinião pública, e mobilizá-la em seu favor, em 1858,

Florence escreveu dois livros: “Administração Hospitalar do Exército” e

“Comentários sobre Questões Relativas à Saúde”. Com as contribuições necessárias, as reformas foram realizadas e um hospital foi construído. Em

1860, Florence viu nascer a Escola de Enfermagem do Hospital Saint

Thomas, em Londres. Com o trabalho reconhecido, em 1883, Florence recebeu da rainha Vitória, a Cruz Vermelha Real, e em 1901, se tornou a primeira mulher a receber a Ordem do Mérito.

Florence Nightingale faleceu em Londres, Inglaterra, no dia 13 de agosto de 1910.32

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