Floresta de cocais

Floresta de cocais

(Parte 1 de 2)

Biomas Brasileiros

Professor: Elton José Francisconi

Curso: Agronomia

Discentes: Amanda Ceslinski, Augusto Kafer Henicka, Douglas Susini Costa, Jéssica Cristina Lopes Silva, Jhonata Willian da Purificação Cardoso, Marcos José Ramires da silva, Laercio Lima do Nascimento, Silvia Elena Pedrassani

Turma: 1° semestre de Agronomia

Lucas do Rio Verde-MT

06/04/2017

Amanda Ceslinski,

Augusto Kafer Henicka,

Douglas Susini Costa,

Jéssica Cristina Lopes Silva,

Jhonata Willian da Purificação Cardoso,

Marcos José Ramires da silva,

Laercio Lima do Nascimento,

Silvia Elena Pedrassani.

Floresta de Cocais

Trabalho realizado como critério de avaliação bimestral, na disciplina de Ecologia, orientado pelo prof. Elton José Francisconi, elaborado nas dependências da Faculdade La Salle Lucas do rio verde.

Lucas do Rio Verde-MT

06/04/2017

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 04

2 CARACTERÍSTICAS DA FLORESTA DDE COCAIS 05

2.1 CRIAÇÃO DA FLORESTA DE COCAIS 06

2.2 FAUNA 07

2.3 FLORA 07

2.4 RELEVO 09

2.5 ECONOMIA 09

2.6 CLIMA 11

2.7 LIMITES COM OUTROS BIOMAS E AS CARACTERÍSTICAS DAS ZONAS DE TRANSIÇÃO 11

2.8 HIDROGRAFIA 12

3 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 13

4 PROBLEMAS E IMAPACTOS AMBIENTAIS 14

5 SOLUÇÃO PARA A PRESERVAÇÃO 15

6 VANTAGENS E DESVANTAGENS 16

7 FUTURA DISTRIBUIÇÃO DOS BIOMAS 17

8 CURIOSIDADES 17

8.1 CARNAÚBA 18

8.2 BABAÇU 18

8.3 ARTESANATO DO BABAÇU 19

10 EXPERIÊNCIAS DO GRUPO NA REALIZAÇÃO DO TRABALHO 21

11 CONSIDERAÇÕES FINAIS 22

12 REFERENCIASBIBLIOGRAFICAS.......................................................................23

1 INTRODUÇÃO

Bioma nada mais é que um conjunto de ecossistemas que são interligados. Ecossistemas são sistemas ecológicos em que existe vida: uma interação entre vários tipos de plantas e várias espécies de animais. Uma floresta pode ser um exemplo perfeito de um ecossistema. Outro bom exemplo pode ser um lago, que possui várias espécies de peixes, anfíbios e outros animais, além de vários tipos de vegetação aquática (CASSIA, 2017).

De uma forma geral, dizemos que um bioma é uma grande área geográfica que possui espaços que compartilham das mesmas características biológicas, físicas e climáticas, além de possuírem um grande número de espécies diferentes de animais e plantas, interagindo com a natureza (CASSIA, 2017).

Na maioria das vezes, os biomas são definidos de acordo com a vegetação que o compõe. Por exemplo, se o ambiente do bioma possuir uma vegetação de savana, então este bioma será chamado de Bioma das Savanas (CASSIA, 2017). Existem também outros casos em que o bioma é delimitado de acordo com outros critérios que não são a vegetação, como o clima, o tipo do solo, etc. Um exemplo disso são os biomas das Florestas Tropicais Úmidas (CASSIA, 2017). No mundo inteiro podemos encontrar vários biomas terrestres (que se localizam em terra firme, e não dentro d’água) (CASSIA, 2017).

A Igreja Católica há algum tempo, tem sido voz profética a respeito da questão ecológica. Neste início do terceiro milênio, ter uma população de mais de 200 milhões de brasileiros, sendo mais de 160 milhões vivendo em cidades gera sérias preocupações. O impacto dessa concentração populacional sobre o meio ambiente produz problemas que põem em risco as riquezas dos biomas brasileiros. Desta forma, este ano, o tema da Campanha da Fraternidade é “Fraternidade: Biomas brasileiros e a defesa da vida”. O lema de 2017, “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15), buscar alertar sobre a necessidade de cuidar e proteger a natureza (MENEGUELLI, 2017).

A Campanha da Fraternidade 2017 tem como temas eixos a vida e as suas expressões, viver a quaresma intensivamente e comprometer autoridades públicas com a responsabilidade sobre o meio ambiente (MENEGUELLI, 2017).

2 CARACTERÍSTICAS DA FLORESTA DE COCAIS

Floresta de Cocais é um tipo de cobertura vegetal situada entre as florestas úmidas da região Norte e as terras semiáridas do Nordeste do Brasil, sendo uma zona de transição entre os biomas CaatingaFloresta Amazônica e Cerrado. Abrange predominantemente o Meio-Norte (sub-região formada pelos estados do Maranhão e Piauí), mas também se estende pelos estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Tocantins (SUÇUARANA,2013).

Figura 1: (Mata de situação de biomas brasileiros).

Influenciado pela sua localização, esse bioma possui três tipos de climasequatorial úmido - quente e chuvoso, predominando em menos de 20% do bioma; tropical semiúmido - predomina em mais de 65%, com estações secas e úmidas bem definidas e temperaturas médias elevadas; tropical semiárido – quente e seco, com chuvas escassas e irregulares, predomina em 15% do bioma (SUÇUARANA, 2013).

2.1 CRIAÇÃO DA FLORESTA DE COCAIS

Mata dos Cocais é classificada como uma formação florestal, mas, na realidade, constitui uma formação vegetal secundária, por seu acentuado desmatamento. Desde o período colonial, a região é explorada economicamente pelo extrativismo de óleo e a cera de carnaúba. Atualmente, porém, vem sendo desmatada pelo cultivo de grãos voltados para a exportação, com destaque para a soja e ocupa menos de 3% da área do Brasil.

Segundo o professor Francisco Soares, doutor em Botânica a floresta de cocais é um ecossistema que foi moldado pelas mãos do homem, fato que é marcado pela diversidade de palmeiras, reflexo de intensivo processo de degradação das florestas originais.

"O homem foi desmatando para criar fazendas e pasto para criação de gado, como é o caso do Piauí, e para explorar a madeira no Maranhão. Algumas palmeiras foram ocupando lacunas deixadas por esta vegetação, especialmente o babaçu. Daí criou-se este ecossistema de transição por aqui", explicou o especialista.

A Floresta de cocais está presente em parte do território dos Estados do Piauí e do Maranhão. "O fato dessa fisionomia ocorrer somente aqui me intrigou. Daí comecei a recolher uma série de artigos e relatos de viajantes que estiveram por aqui no século XIX”. Explica Francisco Soares.

A Floresta de cocais se formou ocupando lacunas de outras formações vegetais (cerrados e florestas amazonenses), que foram desmatadas para criação de pasto e exploração de madeira. Seu solo é rico em minérios como: ferro, ouro, diamante, bauxitaalumínio e níquel. Uma característica interessante é que o solo, na região dos cocais, possui um lençol freático pouco profundo, permanecendo úmido o ano inteiro (SUÇUARANA, 2013).

2.2 FAUNA

Por ser uma mata de transição, a fauna da Floresta de cocais é muito diversa com presença de animais dos biomas da Amazônia, caatinga e Cerrado, tendo porém poucos mamíferos de grande porte e ao nível do solo poucos animais, vivendo a maioria nas copas das árvores. Apresenta espécies de aves, mamíferos, répteis, anfíbios, insetos, donde se destacam a arara-vermelha, gavião-rei, ariranha, gato-do-mato, macaco-prego, lobo-guará, boto, jacu, paca, cotias, acará-bandeira, dentre outros. Nos rios vivem a ariranha, o boto, o acará-bandeira (peixe), entre outros. (TODA MATÉRIA, 2006)

2.3 FLORA

A vegetação da Floresta de cocais é dominada pela palmeira babaçu (sendo a mais importante a Orbignya speciosa), que predomina nos locais mais úmidos como o Maranhão, norte do Tocantins e oeste do Piauí. Na área menos úmida, que abrange o leste do Piauí e litorais do Ceará e Rio Grande do Norte, predomina a palmeira carnaúba (Copernicia cerifera). As outras principais palmeiras são o buriti (Mauritia flexuosa) e a oiticica (Licaniarigida). Uma grande quantidade de arbustos e vegetações de pequeno porte também são encontradas nos locais de menores altitudes. (SUÇUARANA, 2013).

O babaçu, também conhecido como coco-de-macaco ou baguaçu, é uma planta pertencente à família das palmeiras e é a árvore símbolo da Mata de Cocais. Chega a atingir 20 metros de altura e uma árvore pode produzir até 2.000 frutos (cocos) por ano. Dentro dos frutos existem as amêndoas, das quais é extraído um óleo muito utilizado em diversas indústrias (alimentícias, farmacêuticas, químicas, etc.). Outras partes do coco também são aproveitadas, como o epicarpo (camada externa), que é utilizado na produção de estofados, embalagens, vasos, placas, etc e ainda a casca do coquilho, sendo aproveitado como biomassa na produção de energia, com valor comercial considerável. (SUÇUARANA, 2013).

Figura 2: (Arvore de Babaçu).

A carnaúba também é uma palmeira que atinge em média, 20 metros de altura e também pode ser utilizada de várias formas, sendo conhecida como “árvore da providência”. O uso mais importante é a extração da cera de suas folhas, que é utilizada na fabricação de cosméticos, ceras industriais e domésticas, graxas, lubrificantes, e outras aplicações. Assim, a Floresta de cocais representa uma importante fonte de renda para a população local (SUÇUARANA, 2013).

Figura 3: (Árvore de Carnaúba)

2.4 RELEVO

O relevo dessa região é muito diversificado, podendo encontrar planícies, depressões, planaltos e uma estrutura rochosa formada por rochas cristalinas (que são formadas por cristais) e sedimentares.

O solo desse bioma é rico em minérios como o ferro, o níquel, o ouro, a bauxita, o diamante, o alumínio, além da argila caulim. As condições do solo para atividades agrícolas são regulares, mas há algumas áreas do Pará e Tocantins em que existe uma reserva de nutrientes para agricultura, e nas áreas do Maranhão e Piauí, solos com excesso de alumínio e alta salinidade nos mangues (MELO, 2017).

2.5 ECONOMIA

Os dois principais tipos de vegetação da mata dos cocais exercem grande importância na vida das pessoas que vivem do extrativismo. Essas atividades desenvolvidas com o babaçu e a carnaúba não geram nenhum prejuízo ambiental, uma vez que são retirados somente os frutos e as folhas e essas são recompostas pela planta, ou seja, brotam novamente. (FREITAS,2017).

O babaçu é encontrado nas áreas mais úmidas, onde pode possuir diversas aplicações, como por exemplo as folhas que são aproveitadas para a cobertura de casas; o palmito que serve como alimento para o gado; as fibras, utilizadas na confecção de um rico artesanato, com cestos, bolsas, abanos, esteiras, peneiras, e até mesmo portas e janelas. Do coco se extrai etanol, metanol, coque, carvão, alcatrão, acetato e gases combustíveis. A casca pode ser usada para repelir insetos quando queimada, entre outros. (FARIA, 2008).

Só no Estado do Maranhão estima-se que mais de 300 mil famílias vivam do extrativismo do babaçu que, na maioria dos lugares, ainda têm suas amêndoas extraídas de forma rudimentar: mulheres e crianças se encarregam de colher os cachos carregados e depois quebrar os frutos extremamente duros. A “quebradeira”, como é chamada a pessoa encarregada de quebrar os frutos para extrair as amêndoas (geralmente crianças), apoia o fruto sob o fio de um machado e, depois de golpeá-lo várias vezes com um pedaço de pau, finalmente extrai o precioso fruto. A dificuldade até hoje encontrada de serem utilizados meios mecânicos para quebrar o coquilho (que é extremamente duro) vem, entretanto, impedindo um maior aproveitamento dessa riqueza natural.

A carnaúba tem várias aplicações, sua raiz é usada como poderoso diurético, o fruto é usado na dieta animal, o tronco é usado em construções, a palha serve de matéria-prima para o artesanato. Na indústria, a cera extraída da carnaúba é usada no ramo de cosméticos, medicamentos, alimentos entre muitos outros. A carnaúba ainda é mais alta do que o babaçu e economicamente mais rentável do que o buriti. Isto porque, além dos frutos, das amêndoas, do estipe, das folhas e das fibras de utilidades variadas, das folhas da carnaúba obtém-se uma cera de grande importância industrial. A cera, principal produto obtido da carnaúba, é, ainda hoje e na maioria dos carnaubais, extraída por processos manuais bastante rudimentares. De acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), empregam mais de 200 mil trabalhadores dos três estados nordestinos (Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte).

As principais aplicações da cera de carnaúba são:

- Informática (chips, tonners, código de barras, matrizes de discos);

- Polidores (pisos, móveis, carros, couro); • Indústria alimentícia, farmacêutica e cosmética;

- Tintas;

- Papel carbono;

- Filmes plásticos e isolantes térmicos;

- Lâmpadas incandescentes;

- Lubrificantes;

- Velas;

Além da atividade extrativista, a pecuária vem crescendo nessa região, mas essa atividade tem sido desordenada, voltada para a pecuária extensiva, que acaba prejudicando e ameaçando o ambiente e consequentemente a economia. Destacam-se ainda na economia dessa região as indústrias de mineração, em virtude de o solo possuir um grande potencial de minérios; química, decorrentes das manufaturas químicas e a produção alimentícia, pela grande produtividade de algumas áreas. (MELO, 2017).

2.6 CLIMA

Devido a sua localização, esse bioma possui três tipos de climas: equatorial úmido, tropical semiúmido e tropical semiárido. Neste primeiro, com menos de 20% do clima deste bioma, é o mais quente e chuvoso. A temperatura fica entre 20ºC e 40ºC e a pluviosidade acima de 2000 milímetros.

No tropical semiúmido, com mais de 60% do clima deste bioma, a temperatura fica entre 23ºC e 36ºC e a pluviosidade entre 1000 a 2000 milímetros. Já no tropical semiárido, com 15% de ocupação do bioma, é um clima mais seco, e a temperatura fica entre 25ºC e 40ºC, com precipitação entre 500 a 1000 milímetros (MELO, 2017).

2.7 LIMITES COM OUTROS BIOMAS E AS CARACTERÍSTICAS DAS ZONAS DE TRANSIÇÃO

Separando as formações vegetais brasileiras, há faixas de transição que constituem unidades paisagísticas nas quais se misturam características das vegetações vizinhas, ou, ainda, áreas onde a falta de estabilidade das condições ecológicas originou uma interação entre elementos naturais bem diferentes das formações vegetais circundantes. Pode-se definir desta forma então, que zona de transição entre regiões de ecossistemas é um ecótono. Por serem definidos por diferentes fatores físicos, os ecótonos variam em largura.

Os cientistas identificaram essas áreas de transição como geradoras de biodiversidade, já que a adaptação e a seleção natural favorecem as populações com sucesso reprodutivo (CHRISTOPHERSON, 2012).

As interações de Relações Ecológicas também são facilmente mais frequentes, devido a própria situação ecológica do bioma, por se tratar de uma zona de transição entre o bioma Amazônico e o bioma da Caatinga, havendo dessa forma, mais espécies o habitando e consequentemente, mais espécies interagindo.

Dessa maneira, Mata dos cocais corresponde a uma formação vegetal que se encontra entre a floresta Amazônica, a caatinga e o cerrado, sendo considerada uma área de transição dos domínios citados.

No lado oeste, que abrange o Maranhão, o oeste do Piauí e o norte de Tocantins, a região é um pouco mais úmida devido à proximidade com o clima equatorial superúmido da Amazônia, sendo mais frequente a ocorrência de uma espécie palmeira, o babaçu. Na área menos úmida, que abrange o leste do Piauí e os litorais do Ceará e do Rio Grande do Norte, predomina outra espécie de palmeira, a carnaúba.

2.8 HIDROGRAFIA

A hidrografia da Mata dos Cocais vem dos rios Tocantins e Araguaia, no Cerrado até a Mata dos Cocais, além do acumulo dos aquíferos Tocantins-Araguaia.

Figura 4: (Rio Tocantins)

Figura 5: (Rio Araguaia)

Figura 6: (Mapa do rio Tocantins e Araguaia)

3 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

O desenvolvimento sustentável é o sistema de desenvolvimento econômico onde não agrida a natureza. O projeto de desenvolvimento sustentável ocorre desde 2001, pelo projeto do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Os recursos mais usados são o babaçu, a oiticica e a carnaúba. Produtos feitos a partir de palmeiras da Mata dos Cocais:

- Babaçu: Biocombustível, óleo, ração, palmito;

- Buriti: Doces, óleo, produtos de beleza, artesanato;

- Carnaúba: Laxante, cera, componentes eletrônicos, produtos alimentícios, madeira, adubação;

- Oiticica: Biocombustível, produtos de beleza e higiene (WIKIPEDIA 2017).

A casca de babaçu também apresenta-se como alternativa, uma vez que há grande disponibilidade desse material em alguns estados do Norte e Nordeste, adicionado ao fato de que ele irá contribuir para amenizar os impactos ambientais. (FARIA, 2008). Segundo ALMEIDA et al. (2002), os resíduos de babaçu são usados como biomassa para a produção de energia, na maioria das vezes através da queima direta, agregando pouco valor à matéria-prima.

4 PROBLEMAS E IMAPACTOS AMBIENTAIS

A Floresta de cocais está sendo prejudicada pelo desmatamento desordenado para desenvolvimento da pecuária e cultura de soja. Além disso, a extração de minerais e manufaturas químicas que ocorre nesse ambiente acaba por fragilizá-lo ainda mais (SUÇUARANA, 2013).

O bioma é naturalmente fragilizado, e a procura de solos férteis, extração de minérios e de madeira, além da instalações industriais, estão poluindo o aquífero Tocantins-Araguaia. Terras férteis e o desmatamento provocam o acumulo de gás carbônico, metano e dejetos domésticos, que alteram a estrutura ecológica local proporcionando assim a fragilização da fauna e da flora.

  O extrativismo de madeira consiste na exploração de espécies vegetais nobres, para fins industriais e rurais. Em consequência do desmatamento, a área de tensão ecológica da porção centro-norte da Bacia do Parnaíba reduziu a taxa de produção de madeira na região devido à fiscalização do IBAMA. Esta atividade não existe um manejo sustentável que interfere no ecossistema através da diminuição da população das espécies vegetais, tendo como consequências a diminuição do potencial madeireiro, da população das espécies animais e do aumento do escoamento superficial, que acelera os processos de degradação (SOUZA, 2006, em citação a GATTO, 1999).

As consequências dessas ações desmedidas poderão trazer graves consequências ambientais no futuro, sendo estas talvez até irreversíveis.

Do ponto de vista ambiental, apesar de as empresas se comprometerem em desenvolver seus projetos dentro de um conjunto de atividades que garantissem o prevalecimento da perenização das florestas, evitando sua degradação exaustiva, isto não se consagrava, já que diversas fazendas promoviam, mediante decreto do próprio governo estadual, desmatamento a fim de implantarem projetos de celulose e cana-de-açúcar, chegando a um total de 65 mil hectares de babaçuais (MAY apud ANDRADE, 1995).

Em 1980, o então governador do Estado assinou um decreto protegendo os babaçuais, exceto em áreas de implantação de projetos de desenvolvimento agrícola, protegendo na realidade, os grupos agroindustriais que, agora amparados, promoveram destruição ambiental e expulsões através de incêndios em vários povoados na região de Caxias, atingindo populações tradicionais que viviam nas grandes propriedades. Após vários anos de luta, em 1980 algumas propriedades começaram a ser desapropriadas e muitas famílias de outras áreas da zona rural e da zona urbana se instalaram na área, provocando um movimento migratório em sentido inverso ao que se constata normalmente: famílias inteiras rumando da zona urbana para a zona rural, em busca de um espaço para a reprodução familiar (LIMA & MORAIS, 2007).

Apesar de estas famílias demonstrarem interesse em utilizar as possibilidades naturais de forma mais equilibrada, os agro empresários que continuam na área dos cocais mantém a ampliação das áreas de pasto para a pecuária, principalmente no Maranhão e no norte do Tocantins. A mata do cocais só tem sobrevivido ao desmatamento devido ao seu rápido crescimento e à importância econômica na região. (LIMA & MORAIS, 2007).

5 SOLUÇÃO PARA A PRESERVAÇÃO

Muitas atividades podem ser desenvolvidas na Mata dos Cocais sem lhe causar prejuízos ou danos, entre elas:

- Pecuária praticada de forma ordenada e não extensiva;

- Cultivo de espécies típicas da região;

-Desenvolvimento de atividades turísticas, recreativas, educacionais e pesquisa cientifica;

- Utilização de forma sustentável dos produtos oferecidos pelas espécies.

6 VANTAGENS E DESVANTAGENS

As características ambientais da região de atuação da Unidade também apresentam algumas vantagens comparativas a outros estados e regiões, sobretudo no tocante à vocação natural para o desenvolvimento de uma agricultura produtora de grãos, energia e fibras (commodities); fruticultura, voltada, inclusive, para a exportação; hortaliças; pecuária leiteira e de corte (pequeno e grande porte); apicultura, aquicultura e pescado. Ademais, a região apresenta vocação para as atividades produtivas tipicamente regionais, a exemplo de produtos como as fruteiras nativas, o mel de abelhas da flora silvestre, as plantas medicinais, alguns animais nativos e os recursos naturais pesqueiros (PDF)

Por outro lado, existe um grande vazio tecnológico de apoio à produção agrícola, evidenciado pela ausência de tecnologias apropriadas nos diversos sistemas produtivos, de modo que são necessárias ações de pesquisa e de transferência de tecnologia que incorporem a visão do desenvolvimento regional e/ou ajustes de tecnologias, serviços, produtos e processos que possam alavancar os sistemas integrados de produção, tornando-os mais eficientes e apropriados às particularidades de cada ambiente natural (PDF).

  Apesar de ter tantas qualidades, de oferecer tantos produtos diferentes e de crescer com facilidade em qualquer clima tropical, é apenas no particular ambiente seco das caatingas do Nordeste do Brasil que a carnaúba produz a cera em condições de exploração econômica. Porém, o processo de fabricação da cera envolve um conjunto de operações que, em virtude das técnicas rudimentares utilizadas no Nordeste brasileiro, geram um produto de qualidade inferior ao exigido pelos processos industriais. Mesmo assim, o Brasil é um grande produtor e exportador do pó e da cera de carnaúba, sendo o Estado do Piauí o seu principal fornecedor, seguido pelo Ceará e pelo Rio Grande do Norte. Os maiores e mais densos carnaubais do país encontram-se nessa região que, ano após ano, é sempre a mais atingida pelas secas no Brasil. (SÃO FRANCISCO, 2009).

7 FUTURA DISTRIBUIÇÃO DOS BIOMAS

É evidente que a distribuição dos biomas mudou no passado em resposta ao fluxo e refluxo das eras glaciais. Atualmente estamos também bastante conscientes de que seus limites estão provavelmente mudando novamente. As mudanças previstas no clima global ao longo das próximas décadas provavelmente resultarão em alterações dramáticas na distribuição dos biomas sobre a face da terra. Porém, a natureza exata destas mudanças permanece incerta. (TOWNSEND, 2010).

8 CURIOSIDADES

A Mata dos Cocais é a região com maior concentração de plantas oleaginosas do mundo. A Carnaúba é uma planta endêmica (somente se desenvolve ali) da Mata dos Cocais sendo popularmente chamada de “árvore da vida”, uma vez que possui muitas propriedades e utilidades, além de ser a fonte de renda das populações locais, empregada nas construções, dietas e artesanatos.

Há uma teoria muito interessante que tenta explicar a forma como está palmeira teria se espalhado: os cocos teriam flutuado de um continente para o outro por meio das correntes oceânicas. Isso explicaria, por exemplo, a afirmação de que o coqueiro teria entrado de forma natural na região litorânea entre a Bahia e o Rio Grande do Norte.

O interesse em estudar as potencialidades do babaçu só aconteceu a partir de 1973, com a crise do petróleo, embora de maneira bastante discreta. (LORENZI, 1996).

8.1 CARNAÚBA

A carnaubeira (Copernicia cerifera), espécie típica do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, é uma palmeira que atinge, em média, 20 metros de altura e aparece em terrenos alagáveis ou agrupa-se nas várzeas de rios. Como tudo dessa palmeira pode ser aproveitado (troncos, folhas, fruto, palmito, raízes e as sementes), é conhecida como "árvore da providência”.

Figura 7: (Carnaúba)

(Parte 1 de 2)

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