avaliação - cuidado - e-promocao - de - saude - 404528

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(Parte 1 de 5)

AVALIAÇÃO, CUIDADO E PROMOÇÃO DE SAÚDE: Construção de Saberes e Práticas.

ReitoR José Jackson Coelho Sampaio

Vice-ReitoR Hidelbrando dos Santos Soares editoRa da Uece Erasmo Miessa Ruiz conselho editoRial

Antônio Luciano Pontes

Eduardo Diatahy Bezerra de Menezes

Emanuel Ângelo da Rocha Fragoso

Francisco Horácio da Silva Frota Francisco Josênio Camelo Parente

Gisafran Nazareno Mota Jucá

José Ferreira Nunes Liduina Farias Almeida da Costa

Lucili Grangeiro Cortez Luiz Cruz Lima Manfredo Ramos Marcelo Gurgel Carlos da Silva Marcony Silva Cunha Maria do Socorro Ferreira Osterne Maria Salete Bessa Jorge Silvia Maria Nóbrega-Therrien conselho consUltiVo

Antônio Torres Montenegro | UFPE

Eliane P. Zamith Brito | FGV

Homero Santiago | USP Ieda Maria Alves | USP Manuel Domingos Neto | UFF

Maria do Socorro Silva Aragão | UFC Maria Lírida Callou de Araújo e Mendonça | UNIFOR Pierre Salama | Universidade de Paris VIII Romeu Gomes | FIOCRUZ Túlio Batista Franco |UFF

Maria Rocineide Ferreira da Silva Larissa Alves Alexandre Moliterno

Lívia Lopes Custódio (Organizadoras)

1a Edição

Fortaleza - CE 2015

AVALIAÇÃO, CUIDADO E PROMOÇÃO DE SAÚDE: Construção de Saberes e Práticas.

AVALIAÇÃO, CUIDADO E PROMOÇÃO DE SAÚDE: CONSTRUÇÃO DE SAbERES E PRÁTICAS.

© 2015 Copyright by Maria Rocineide Ferreira da Silva, Larissa Alves Alexandre Moliterno e Lívia Lopes Custódio

Impresso no Brasil / Printed in Brazil Efetuado depósito legal na Biblioteca Nacional

Editora da Universidade Estadual do Ceará – EdUECE

Av. Dr. Silas Munguba, 1700 – Campus do Itaperi – Reitoria – Fortaleza – Ceará

CEP: 60714-903 – Tel: (085) 3101-9893 w.uece.br/eduece – E-mail: eduece@uece.br

Editora filiada à

Coordenação Editorial Erasmo Miessa Ruiz

Diagramação e Capa Narcelio de Sousa Lopes

Revisão de Texto Vanda de Magalhães Bastos

Ficha Catalográfica Vanessa Cavalcante Lima – CRB 3/16

Maria Rocineide Ferreira da Silva, Larissa Alves Alexandre Moliterno,
Lívia Lopes Custódio (Org.). − Fortaleza: EdUECE, 2015.
379 p.
ISBN: 978-85-7826-300-3
1. Cuidado em saúde. 2. Teoria e pratica. I. Título.

A 945 Avaliação, cuidado e promoção de saúde: construção de saberes e práticas/ CDD: 610

Prefácio10
Introdução13
CUIDADO E ATENÇÃO À SAÚDE16

PARTE 1

crônica17

Capítulo 1 Diabetes e hipertensão como fatores de risco para a doença renal Luana Rodrigues Sarmento, Larissa Alexandre Alves Moliterno, Lívia Cristina Barros Barreto, Paula Franssineti Castelo Branco Camurça Fernandes

experiência e revisão integrativa38

Capítulo 2 Miocardiopatia puerperal e o cuidado em situação de adoecimento: Tamires Layane de Lima, Maria José melo Ramos Lima, Pedro Braga Neto

Capítulo 3

Doença falciforme em crianças e as perspectiva de cuidado domiciliar 68 Lívia Lopes Custódio, Ilvana Lima Verde Gomes, Aline Mayra Lopes Silva, Sarah Vieira Figueiredo, Márcia Shirley de Meneses, Ana Valeska Siebra e Silva

centrado na pessoa87

Capítulo 4 Empoderamento do paciente diabético: autocuidado como modelo Andrea Caprara, Lucimar Bóh Barbosa, Elaine Neves de Freitas, Edenúbia Pereira Félix

ponderal em um município do nordeste brasileiro109

Capítulo 5 Comportamento alimentar de adultos jovens escolares com excesso Jair Gomes Linard, Irialda Sabóia Carvalho, Raquel Sampaio Florêncio, Thereza Maria Magalhães Moreira

Caps ad e da atenção primária122

Capítulo 6 Compreensões acerca dos problemas relacionados ao uso de crack e assistência aos usuários na perspectiva dos trabalhadores de saúde dos

Lourdes Suelen Pontes Costa, Aline Teles de Andrade, Thalita Soares Rimes, Nara Albuquerque Góes, Paulo Henrique Dias Quinderé, Maria Salete Bessa Jorge.

CADA147

PARTE 2 INTINERÁRIOS E FORMAÇÃO PARA ATENÇÃO QUALIFI-

de saúde: avanços e descompassos148

Capítulo 7 A formação de alunos da educação de jovens e adultos como navegadores Eliany P. Mariano, Ehrika Vanessa A Menezes, Helena A Carvalho Sampaio, Maria da Penha B. Passamai, Soraia Pinheiro M. Arruda

residência multiprofissional em saúde da família e comunidade164

Capítulo 8 Processo de trabalho em saúde bucal: saberes e práticas no contexto da Pedro A. de Araújo Filho, Kilma Wanderley Lopes Gomes Valdicleibe Lira Amorim, Maria Rocineide Ferreira da Silva

para a formação de enfermeiros comprometidos com o SUS198

Capítulo 9 Interação ensino-serviço e diversificação dos cenários de prática: reflexões Danielly M. de Queiroz, Lúcia C. de Oliveira, Maria Marlene M. Ávila, Mirian Ferreira C.Castelo Branco, Elisângela Rebouças Custódio

cursos da área da saúde em uma universidade pública no Ceará2

Capítulo 10 Método de ensino-aprendizagem: predomínio do ensino tradicional nos

Maria Marlene M. Ávila, Maria das Graças B. Peixoto, Maria do Socorro de Sousa, Lucia Conde de Oliveira, Vanessa Calixto V. Sanca, Elisangela C. Rebouças

no Ceará242

Capítulo 1 Retrato das internações pelo vírus da imunodeficiência humana – HIV

Francisca Geisa de S. Passos, Líllian de Queiroz Costa, Marcelo Gurgel Carlos da Silva

PERSPECTIVA DO CUIDADO259

PARTE 3 SAÚDE MENTAL, REDE CEGONHA E ONCOLOGIA NA

Capítulo 12 Violência enquanto um problema de saúde coletiva: exemplo de um programa canadense de prevenção de comportamentos agressivos. .260

Ana Carina Stelko-Pereira, Carla Samya N. Falção, Danielle D. Fernandes, Gabriela P.Amâncio

crítica da atenção psicossocial279

Capítulo 13 (Des)institucionalização do cuidado em saúde mental: uma análise

Mariana Pompilio G. Cabral, Carliene B. da Costa, Diego M. da Silva, Erasmo M. Ruiz, Maria alete B. Jorge.

Capítulo 14

especializada303

“O Caps encaminha pra cá, mas nós não somos psiquiatras”: desafios da produção do cuidado em saúde mental na atenção primária e Carliene B. da Costa, Mariana Pompilio G. Cabral, Maria Salete B. Jorge

cuidado com foco na integralidade329

Capítulo 15 Direitos dos usuários em adoecimento mental como ferramenta de Karine Correia C. Schuster, Maria Salete B. Jorge

coletiva345

Capítulo 16 Cartografia como ferramenta com potencial para pesquisa em saúde

Maria Raquel Rodrigues Carvalho, Diego da Silva Medeiros, Túlio Franco, Maria Salete B. Jorge

SObRE OS AUTORES ...................................................368

A Saúde Coletiva não é um paradigma teórico. Revela-se com um outro cenário que (re)contextualiza as reflexões do pensar e faz intervenções no processo assistencial. Resgata a pluralidade do cuidado em todas as suas dimensões que se interrelacionam entre si. A produção do cuidado perpassa por dimensões sociais, culturais, econômicas, formativas, política e ideológica.

melhoria do processo de atenção sanitária

A complexidade que envolve o processo assistencial tem, ao largo dos anos, exigido estratégias que apontam claramente as necessidades sociais da saúde (OMS, 1995; OPAS, 1997). Essas necessidades foram contempladas no Movimento da Reforma Sanitária, que propôs mudanças no modelo convencional das práticas assistenciais, e no modelo de saúde autoritário centrado em ações curativas para o modelo de saúde centrado nas ações de promoção da saúde e prevenção de agravos e doenças, fortalecendo o direito à saúde com princípios fundamentados para

Essa transição, fundamentalmente, fomentou o fortalecimento da Atenção Primária de Saúde, implementando uma reestruturação organizativa e funcional e potencializou a interdisciplinaridade, o papel social do sujeito usuário com participação familiar, estabelecendo os desafios e perspectivas para a promoção da saúde.

Assim, o processo de adoecimento passa a ser interpretado como um contexto que envolve uma gama de fatores ou determinantes, defendidos na VIII Conferência Nacional de Saúde em 1986. Esta concepção da saúde além “da ausência de doença” foi reforçada e institucionalizada no Brasil através da Política Nacional de Promoção da Saúde (BRASIL, 2006).

Sabemos que os desafios na construção de novas práticas que incorporem um pensamento crítico reflexivo do cuidar envolve um processo contínuo e cultural, que deve ser transversal e associável entre a formação e a prática clínica.

O cuidado e a atenção à saúde envolve um movimento que implica atender aos princípios da autonomia do cuidado, partindo da base que o adoecimento exige intervenções coletivas, abordando práticas e saberes que contribuam para as perspectivas de empoderamento do saber e fazer, como um caminho para dar visibilidade ao papel social, ideológico, político e cultural no processo de tomada de decisão na atenção sanitária.

O empoderamento deve partir, fundamentalmente, do eixo da formação tanto a nível acadêmico como também no processo de trabalho. O conhecimento e a prática clinica deve ser um caminho de vários sentidos como uma reciprocidade de associação para a melhoria do processo assistencial pautado na atenção qualificada, principalmente no que tange essa assistência na atenção primaria à saúde, campo promissor na mudança do paradigma sanitário brasileiro, influindo sobremodo no investimento de políticas públicas de Saúde. “Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma, como educador, permanentemente, na prática e na reflexão da prática”. (FREIRE, 1991: 58).

Existem áreas de atenção especializada que não significam atuação ou intervenção isolada. Pelo contrário, a especialidade pode representar um repensar multidimensional ou multidisciplinar sobre um perfil de usuários de um sistema. Por exemplo, podemos mencionar a Saúde Mental, a Oncologia e a Rede Cegonha na atenção Primária. Partindo dessa premissa, vivenciam-se no cotidiano práticas que exigem uma responsabilidade compartilhada do processo de cuidado, redirecionando as intervenções do singular para o plural. Deve se observar a pluralidade de aportes que cada especialidade necessita para substituir antigas práticas em novas formas de pensar, fazer e ser tanto como profissional da saúde como usuário do sistema sanitário.

O cuidar na Saúde Coletiva é um campo de pluralidades nas produções de novas práticas assistenciais, indo além de conceitos ou paradigmas. É ultrapassar a fronteira da singularidade da doença e do adoecer e dar visibilidade ao sujeito, que passa a ser usuário do sistema sanitário, na sua integralidade e autonomia, como ponte para alcançar a excelência na resolubilidade do processo assistencial.

Adriana Catarina de Souza Oliveira

Enfermeira. Doutora em Saúde Pública. Professora da

Graduação em Enfermagem e Pós-Graduação em Investigacion en Ciencias Sociosanitarias na Universidade Católica de Murcia (UCAM - Espanha).

O livro se apresenta como produções de capítulos articulado com temáticas sobre avaliação, cuidado e promoção da saúde, de uma coletânea de pesquisas dos alunos e seus professores/ orientadores do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Estadual do Ceará. Foi um caminho que se abre em várias trilhas de construções coletivas as quais articulam saberes e conhecimentos de áreas que juntas atravessam e compõem o campo da saúde coletiva.

O debate sobre avaliação, cuidado e promoção da saúde vem aumentando nos últimos anos. Por isso, fazem-se necessárias reflexões, pesquisas, textos que pautem o diálogo sobre temas tão atuais e necessários de serem profundados na contemporaneidade no momento em que precisamos unir forças para continuar a defesa de um sistema público de saúde, que já existe, mas que pela via das pesquisas acadêmicas implicadas com a produção da vida vai se fazendo vivo, revelando suas fragilidades e ao mesmo tempo sua potência.

Os desdobramentos desse processo de produção pautaramse em reflexões a cerca dos cuidados em situação de adoecimento, empoderamento do paciente e o auto-cuidado, das compreensões acerca dos problemas vinculados à saúde mental, além do papel desempenhado pelos profissionais da área da saúde, vislumbrando a interação ensino, formação e suas práxis.

O livro articula-se em três eixos temáticos acerca da saúde.

Tendo como a primeira parte intitulada como cuidado e atenção à saúde compostos pelos seguintes capítulos: Diabetes e hipertensão como fatores de risco para a doença renal crônica; Miocardiopatia puerperal e o cuidado em situação de adoecimento:

experiência e revisão integrativa; Doença falciforme em crianças e as perspectiva de cuidado domiciliar; Empoderamento do paciente diabético: autocuidado como modelo centrado na pessoa; Comportamento alimentar de adultos jovens escolares com excesso ponderal em um município do nordeste brasileiro; Compreensões acerca dos problemas relacionados ao uso de crack e assistência aos usuários na perspectiva dos trabalhadores de saúde dos caps ad e da atenção primária.

A parte dois, intitulada Intinerários e Formação para

Atenção Qualificada, discute: A formação de alunos da educação de jovens e adultos como navegadores de saúde: avanços e descompassos; Processo de trabalho em saúde bucal: saberes e práticas no contexto da residência multiprofissional em saúde da família e comunidade; Interação ensino-serviço e diversificação dos cenários de prática: reflexões para a formação de enfermeiros comprometidos com o SUS; Método de ensino-aprendizagem: predomínio do ensino tradicional nos cursos da área da saúde em uma universidade pública no Ceará e Retrato das internações pelo vírus da imunodeficiência humana – HIV no Ceará.

A terceira e última parte dessa produção científica, Saúde

Mental, Rede Cegonha e Oncologia na perspectiva do Cuidado aborda os seguintes temas: Violência enquanto um problema de saúde coletiva: exemplo de um programa canadense de prevenção de comportamentos agressivos; (Des)institucionalização do cuidado em saúde mental: uma análise crítica da atenção psicossocial; O caps encaminha pra cá, mas nós não somos psiquiatras..”: desafios da produção do cuidado em saúde mental na atenção primária e especializada; Direitos dos usuários em adoecimento mental como ferramenta de cuidado com foco na integralidade; Cartografia como ferramenta com potencial para pesquisa em saúde coletiva.

batesBoa leitura!!!

Caro leitor, cara leitora, a partir da oferta de um mosaico de possibilidades que apresentamos nesta obra, a você destinada, desejamos que os temas aqui tratados alimentem reflexões e de-

Profa. Dra. Maria Rocineide Ferreira da Silva

Mestranda Larissa Alves Alexandre Moliterno Mestranda Lívia Lopes Custódio

CAPÍTULO 1

DIAbETES E HIPERTENSÃO COMO FATORES DE RISCO PARA DOENÇA RENAL CRÔNICA.

Luana Rodrigues Sarmento¹

Larissa Alexandre Alves Moliterno¹

Lívia Cristina Barros Barreto¹ Paula Frassinetti Castelo Branco Camurça Fernandes²

A Doença Renal Crônica (DRC) é atualmente um problema de saúde pública devido à sua crescente incidência e ao alto custo da terapia de substituição renal (TRS). Afeta 5 a 10% da população mundial e sua incidência no Brasil têm aumentado, devido ao número crescente de pacientes diagnosticados, principalmente os portadores de diabetes mellitus, hipertensão arterial, bem como pelo aumento da longevidade da população. Estima-se que cerca de 10% da população adulta tem algum grau de perda de função renal. Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), esse percentual pode aumentar para 30% a 50% em pessoas acima de 65 anos (SESSO, 2007).

Entende-se por DRC a lesão do parênquima renal (com função renal normal) e/ou a diminuição funcional renal presentes por um período igual ou superior a três meses, sendo proposto a partir de então a definição por estagiamento da doença (Tabela

1). Assumiu-se tal definição a partir dos critérios estabelecidos pela National KidneyFoundation Americana (NKF), em seu documento KidneyDisease Outcomes Quality Initiative (K/DOQI). Os critérios são: Lesão presente por um período igual ou superior a três meses, definida por anormalidades estruturais ou funcionais do rim, com ou sem diminuição da Filtração Glomerular (FG), evidenciada por anormalidades histopatológicas ou de marcadores de lesão renal, incluindo alterações sanguíneas ou urinárias, ou ainda de exames de imagem; e FG <60 mL/min/1,73 m2 por um período igual ou superior a três meses com ou sem lesão renal (BASTOS, 2010; BRASIL, 2014a).

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