02-Educação e novas tecnologias um repensar

02-Educação e novas tecnologias um repensar

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Glaucia da Silva Brito Ivonélia da Purificação

Educação e novas tecnologias: um (re)pensar

G l a u ci a d a S i lv a Br i t o

I v on élia d a P ur i f ic a ç ão

Situada entre as grandes realizações da humanidade, a tecnologia, sem dúvida, está entre as áreas que mais rapidamente se desenvolveram. A exemplo do que ocorreu em todos os demais setores, os instrumentos tecnológicos também ocuparam um espaço significativo na educação, e sua presença nas escolas constitui-se num diferencial, capaz – acredita-se – de operar saltos qualitativos nesse campo.

Com o objetivo de investigar as relações entre tecnologia e educação, este livro focaliza o processo histórico de inclusão das novas tecnologias da informação e da comunicação (ntic) no contexto educacional brasileiro e mundial. A partir dessa perspectiva, as autoras discutem a necessidade de redefinição das práticas pedagógicas escolares numa época em que professores e alunos podem dispor de computadores e do acesso à internet.

Em linguagem clara e objetiva, esta obra oferece a professores e pedagogos importantes subsídios para pensar os alcances e os limites da informática na educação, chamando a atenção para os equívocos que devem ser evitados e para as ações que devem ser engendradas, a fim de poderem tornar, de fato, o uso das tecnologias mais eficaz nas escolas.

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2Educação e novas tecnologias: um (re)pensar

O selo DIALÓGICA da Editora InterSaberes faz referência às publicações que privilegiam uma linguagem na qual o autor dialoga com o leitor por meio de recursos textuais e visuais, o que torna o conteúdo muito mais dinâmico. São livros que criam um ambiente de interação com o leitor – seu universo cultural, social e de elaboração de conhecimentos –, possibilitando um real processo de interlocução para que a comunicação se efetive.

Glaucia da Silva Brito Ivonélia da Purificação

Educação e novas tecnologias: um (re)pensar

Av. Vicente Machado, 317 – 14º andar – Centro – CEP 80420-010 – Curitiba – PR – Brasil Fone: (41) 2103-7306 – w.editoraintersaberes.com.br – editora@editoraintersaberes.com.br

_ Brito, Glaucia da Silva

Educação e novas tecnologias: um (re)pensar [livro eletrônico] /

Glaucia da Silva Brito, Ivonélia da Purificação. – Curitiba: InterSaberes, 2012. – (Série Tecnologias Educacionais). 2 MB / PDF

Bibliografia. ISBN 978-85-8212-021-7

1. Comunicação 2. Educação – Finalidades e objetivos 3. Inovações educacionais 4. Inovações tecnológicas 5. Tecnologia da informação 6. Tecnologia educacional I. Purificação, Ivonélia da. I. Título. II. Série.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Índices para catálogo sistemático: 1. Educação e tecnologias 371.3

Foi feito o depósito legal.

Informamos que é de inteira responsabilidade das autoras a emissão de conceitos.

Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem a prévia autorização da Editora InterSaberes.

A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei nº 9.610/1998 e punido pelo art. 184 do Código Penal.

1ª edição, 2012.

Conselho editorial

Dr. Ivo José Both (presidente)

Dr.ª Elena Godoy

Dr. Nelson Luís Dias Dr. Ulf Gregor Baranow

Editor-chefe Lindsay Azambuja

Editor-assistente Ariadne Nunes Wenger

Editor de arte Raphael Bernadelli

Preparação de originais Gabriel Plácido Teixeira da Silva

Capa Denis Kaio Tanaami

Projeto gráfico Bruno Palma e Silva

Diagramação Regiane Rosa

Iconografia Danielle Scholtz

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1 Ciência, tecnologia e educação, 19 2 Inovação e tecnologias educacionais, 35 3 E o professor?, 43 4 Tecnologias educacionais, 51 5 História do computador, 61 6 História da informática na educação, 67 7 O computador como tecnologia educacional, 81 8 Internet, 105

Considerações finais, 117 Referências, 123 Apêndice, 137

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Esta terceira edição é dedicada à Ana Paula, filha da Ivonélia, que com sua pouca idade, seu jeito de sorrir e de olhar o mundo me motiva a voltar sempre para este texto e reinventá-lo.

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Apresentação da primeira edição

Para amPliar o debate sobre informática na educação, consideramos nossa trajetória profissional e nossas reflexões a respeito das tecnologias da informação e da comunicação (TICs) no contexto educacional, bem como nossa preocupação quanto à inserção desses recursos na educação.

Apresentamos primeiramente uma inter-relação entre ciência, tecnologia e educação. Ciência e tecnologia interferem de forma marcante nos rumos das sociedades, e a educação se vê no mínimo pressionada a reestruturar-se num processo inovador na formação de um ser humano universal. Entendemos que o profissional competente deve não apenas saber manipular as ferramentas tecnológicas, mas incluir sempre em suas reflexões e ações didáticas a consciên cia de seu papel em uma sociedade tecnológica.

Esse estado de coisas exige, portanto, um novo aprender, uma reestruturação na formação do professor, que se depara com uma gama imensurável de informações. Como bem expressa D’Ambrósio (1989), as qualidades de um professor estão diretamente relacionadas ao aspecto emocional e afetivo, assim como às contingências políticas e à arquitetura do conhecimento.

Considerando os caminhos trilhados no uso que se faz dos instrumentos e processos tecnológicos, ao fazermos um breve relato da história do computador e da história da informática na educação, queremos mostrar as trilhas que tecem o caminho dessa tecnologia, tanto no contexto mundial quanto no contexto brasileiro, com as iniciativas

Educação e novas tecnologias: um (re)pensar dos programas governamentais e as ações em nível social do mercado financeiro.

Trazemos, também, nossa assertiva de que o compu tador é uma tecnologia educacional, quando seu uso se faz na formação de um ser no/para o mundo em transformação e que possa desencadear uma mudança de atitude em relação ao problema do conhecimento, superando a visão fragmentária e restrita de mundo. A realidade brasileira mostra que o uso do computador está “fincado” em laboratórios de informática, os quais disponibilizam os mais diversificados softwares. Inegavelmente, essa é uma situação histórica mundial e, em razão disso, destacamos a necessidade de realizar um esforço acadêmico por uma maior compreensão da significação desses recursos no contexto escolar vinculados aos compromissos sociais da atividade científico-tecnológica.

Reconhecemos que a internet tem interferido nas estruturas sociais, econômicas e educacionais em diferentes vertentes. Entretanto, apontamos que a escola, nesse contexto, ainda se encontra calcada no paradigma edificado por procedimentos dedutivos e lineares, desconhecendo o substrato tecnoló gico do mundo contemporâneo. Portanto, estar atenta às novas formas de aprender, propiciadas pelas tecnologias da informação e da comunicação, e criar novas formas de ensi nar são prescrições imprescindíveis para a escola, sob pena de ela tornar-se obsoleta.

Enfim, destacamos a necessidade da formação de professores e de novas tecnologias, como já têm apontado diversos pesquisadores, nas seguintes questões prioritárias: conhecimento das implicações sociais e éticas das tecnologias;

Glaucia da Silva Brito e Ivonélia da Purificação capacidade de uso do computador e do software utilitário; capacidade de uso e avaliação de software educativo; capacidade de uso das tecnologias da informação e da comunicação em situações de ensino-aprendizagem.

Defendemos, na formação inicial e continuada do professor, o uso dos recursos tecnológicos que possam apoiá-lo em sua prática de sala de aula e na dinâmica de investigação de suas próprias práticas. Assim, o docente poderá buscar caminhos de valorização de suas vivências e experiências, possibilitando-lhe, em parceria com outros professores, efetivar uma metodologia interdisciplinar, discutindo a relação entre os saberes profissionais, a experiência, a criatividade e a reflexão crítico-científica a respeito da evolução humana e dos arte fatos tecnológicos.

Glaucia da Silva Brito Ivonélia da Purificação

Apresentação da segunda edição em novembro de 2007, nós nos reunimos Para Pensar um segundo livro sobre tecnologias na educação. Antes, porém, cada uma fez um relato à outra sobre os e-mails recebidos em resposta ao lançamento da primeira edição. Ficamos surpresas com o número de contatos, que incluíam: professores de todos os níveis, alunos de graduação e pós-graduação. Muitos professo res comentaram, nesses e-mails, sobre como utilizavam o livro nas suas aulas de cursos de Pedagogia, Normal Superior e pós-graduação, e nos solicitaram sugestões de atividades para dinamizar o uso do livro. Depois de uma boa gargalhada, decidimos não pensar num segundo livro naquele momento e unicamente nos dedicar a conceber a segunda edição do Educação e novas tecnologias: um (re)pensar.

Em fevereiro de 2008, logo após o carnaval, começamos a esboçar a segunda edição. Aprofundamos o conceito de tecnologias, atualizamos vários dados, trouxemos outros autores para nos apoiar, mas mantivemos a linguagem e o estilo do livro, muito elogiados pelos leitores em seus e-mails: “Parabéns pela conversa que vocês mantêm conosco. Nos esclarecem de maneira simples questões sérias e necessárias para a educação atual” (e-mail recebido em outubro de 2007). Decidimos que a última parte a ser acrescentada seria em atendimento à solicitação feita pelos professores: “atividades para dinamizar o uso do livro”.

Digo a vocês que a última parte eu, Glaucia, tive de finalizar sozinha, pois a Ivonélia nos foi tirada pelo “destino”,

Glaucia da Silva Brito e Ivonélia da Purificação condicionado a uma trágica eventualidade. Para essa finalização, busquei na memória todas as nossas conversas sobre a formação do professor, olhei todos os nossos arquivos eletrônicos, sempre nomeados no meu computador como ivo e Gal e no da Ivonélia como Gal e ivo.

Tenham certeza, leitores, professores e alunos, que nestas páginas vocês encontrarão um pouco do encantamento que compartilhei com minha grande amiga/irmã Ivonélia.

Glaucia da Silva Brito

Educação e novas tecnologias: um (re)pensar

Apresentação da terceira edição nesta terceira edição, mantivemos a estrutura da primeira edição. Você perceberá que aprofundamos vários conceitos, atualizamos vários dados e mantivemos a linguagem e o es- tilo do livro.

Sabemos que muitas escolas já adquiriram as ferramentas mais modernas que se encontram no mercado, mas estas não são utilizadas como se deveria, ficando muitas vezes trancadas em salas isoladas, em armários e longe do manuseio de alunos e professores. Existem, conforme estudos recentes, professores que não conseguem “conectar” esses instrumentos às atividades do dia a dia da sala de aula.

Portanto, pesquisar sobre tecnologias se torna cada vez mais urgente, pois somente a pesquisa trará respostas para algumas questões sobre seu uso na sala de aula: O que usar? Como usar? Quando usar?

Esperamos que este livro leve você a desenvolver pesquisas sobre tecnologias na sala de aula, que pode ser na educação básica, no ensino médio, no ensino superior ou na educação a distância.

Glaucia da Silva Brito

Ciênc Ciênc

Ciência, tecnologia e educação

21Glaucia da Silva Brito e Ivonélia da Purificação

Qual a imbricação entre ciência, tecnologia e educação? o ser humano, ao lonGo do seu desenvolvimento, Produz conhecimento e o sistematiza, modificando e alterando aquilo que é necessário à sua sobrevivência. Suas ações não são somente biologicamente determinadas – dão-se também pela apropriação das experiências e dos conhecimentos produzidos e transmitidos de geração a geração. O conhecimento humano nas suas diferentes formas – senso comum, cien tífico, filosófico, estético etc. – está entrelaçado numa rede de concepções de mundo e de vida.

Quando ouvimos falar de ciência ou de cientista, vem à nossa mente que a ciência é verdade absoluta; ela representa a cura de doenças e a invenção de novos instrumentos. Da mesma forma, ao escutarmos a palavra cientista, pensamos no gênio louco, que inventa coisas, o tipo excêntrico e distraído, bem como no indivíduo que pensa o tempo todo sobre fórmulas incompreensíveis ao comum dos mortais, em alguém que fala com autoridade, que sabe sobre o que está falando, a quem os outros devem ouvir e obedecer (Alves, 2002). Essas relações estão ligadas ao conhecimento em nível do senso comum, pois este se baseia em conhecimentos espontâneos e intuitivos, uma forma do saber que fica no limite das nossas crenças, das nossas experiências de vida, ou seja, do nosso dia a dia.

O ser humano usa o conhecimento do senso comum e a ciência para compreender o mundo, para viver melhor, para sobreviver. Mas, insatisfeito com os argumentos que o senso

22Educação e novas tecnologias: um (re)pensar comum cria para explicar os fenômenos da natureza, num caminho evolutivo, o ser humano estrutura a ciência num saber metó dico e rigoroso que é sistematicamente organizado e suscetível de ser transmitido por meio de um processo peda gógico. Ou seja, a ciência é a modalidade do saber constituída por um conjunto de aquisições intelectuais, que têm por finali dade propor uma explicação racional e objetiva da realidade.

Em seu processo de produzir ciência, o homem a organizou em áreas que podem ser classificadas em duas grandes dimensões: pura versus aplicada (que trata do desenvolvimento de teorias e da aplicação de teorias às necessidades humanas) e natural versus social (que é o estudo do mundo natural, do comportamento humano e da sociedade).

computador) que trouxeram mudanças significativas em

O desenvolvimento da ciência se associou ao desenvolvimento tecnológico, isto é, a tecnologia é a aplicação do conhecimento científico para se obter um resultado prático. O homem criou ciências e tecnologias (desde a roda até o suas relações com outros seres humanos e com a natureza. Concordamos com Bastos (2000), quando diz que a presença da tecnologia em todos os setores da sociedade constitui um dos argumentos que comprovam a necessidade de sua presença na escola e, também, na formação de um cidadão competente quanto ao seu instrumental técnico, mas, principalmente, no que se refere à interação humana e aos valores éticos.

Na totalidade das formas de existência do ser humano, os grupos sociais criam, de geração em geração, formas de

23Glaucia da Silva Brito e Ivonélia da Purificação continuidade de transmissão de conhecimento, valores, regras, normas, procedimentos, com o intuito de garantir o convívio entre os homens e difundir a cultura de cada sociedade, o que ocorre por meio da educação.

Quando nos referimos à educação, queremos expressar nosso entendimento de que ninguém escapa dela. Ela está sempre entrelaçada à vida cotidiana – na rua, na igreja ou na escola –, no ato de aprender, de ensinar, de aprender e ensinar, de saber, de fazer ou de conviver. Todos os dias misturamos vida e educação.

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