6-Moran Novas Tecnologias e Mediac?a?o Pedago?gica

6-Moran Novas Tecnologias e Mediac?a?o Pedago?gica

(Parte 1 de 12)

1o- Edição

José Manuel Morano M ilda Aparecida Behrens

José Manuel Moran é doutor em Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), professor da disciplina "Novas tecnologias" na Escola de Comunicações e Artes da USP e professor no Programa de Pós-graduação em Educação na Universidade Presbiteriana Mackenzie. É autor dos seguintes livros: Como ver televisão (Paullnas, 1991). Leitura crítica dos meios de comunicação (Pancast, 1993), Mudanças na comunicação pessoal (1998) e Aprendendo a viver(Paulinas, 1999).

Marcos Tarciso Masetto é bacharel e licenciado em Filosofia, especialista em Pesquisas e atividades relacionadas à formação pedagógica permanente de professores do ensino superior, mestre e doutor em Psicologia Educacional e Iivredocente em Didática. Professor associado aposentado da USP é, atualmente, professor de cursos de pós-graduação na PUC-SP e na Universidade Presbiteriana Mackenzie. É autor dos livros Aulas vivas (MG, 1992), Didática: A aula como centro (FTD, 1992), coautor de O professor universitário em aula (MG, 1983) e organizador da obra Docência na universidade (Papirus, 1998).

Marilda Aparecida Behrens é formada em Pedagogia, especialista em Didática do ensino superior e desenvolvimento de recursos humanos, mestre em Educação: Supervisão e Currículo e doutora em Educação. Atua como professora do mestrado em Educação e do curso de Pedagogia na PUC·PR e é consultora do reitor dessa universidade na implantação de Projetos Pedagógicos dos cursos de graduação. É autora dos livros Formação continuada de professores e prática pedagógica (Charnpagnat, 1996), Educação: Caminhos e perspectivas (Champagnat, 1996) e Paradigma emergente e a prática pedagógica (Charnpagnat, 1999) e co-autora de Docência na universidade (Papirus, 1998).

, f'c-t-n ~-JS-. -3~;;,~-~--

MARCOS T. MASETIO UtilliU ..ª~~_~_~_

Capa: Fernando Comacchia Fotodecapa:Rennato Tes1a

Copidesque: Lúcia Helena Lahoz Mo reli; Revisão: Maria Lúcia A. Maier

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Moran, José Manuel

Novas tecnologias e mediação pedagógica 1José Manuel

Moran, Marcos T. Masetto, Marilda Aparecida Behrens. - Campinas, SP: Papirus. 2000. - (Coleção Papirus Educação)

Bibliografia. ISBN 85-308-0594-t SUMÁRIO

1. Inovações educacionais 2. Tecnologia educacional I. Masetto, Marcos Tarciso, 1937- 1.Behrens. Marilda Aparecida. 11.Titulo.

IV. Série.

0-1555 CDD-371.3

[ndlces para catálogo sistemático: APRESENTAÇÃO 7 t. Educação e tecnologia 371.3 2. Tecnologia e educação 371.3

1. ENSINO E APRENDIZAGEM INOVADORES COM

TECNOLOGIAS AUDIOVISUAIS E TELEMÁTICAS1

José Manuel Moran

2. PROJETOS DE APRENDIZAGEM COLABORATIVA

NUM PARADIGMA EMERGENTE 67 Marilda Aparecida Behrens

3. MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA E O USO DA TECNOLOGIA133

Marcos T. Masetto

Proibida a reprodução total ou parcial da obra de acordo com a lei 9.610198. Editora afiliada à Associação Brasileira dos Direitos Reprográficos (ABDR).

DIREITOS RESERVADOS PARA A LiNGUA PORTUGUESA: © M.R_ Cornacchia Livraria e Editora LIda. - Papirus Edi10ra Fone/fax: (19) 3272-4500 - Campinas - São Paulo - Brasil E·mail: editora@papirus.com.br - w.papirus.com.br

A partir das atividades docentes que nós professores vimos desenvolvendo, principalmente no ensino superior, tanto nos cursos de graduação como nos de pós-graduação, bem como levando em consideração nossas atividades com professores universitários procurando o aperfeiçoamento de nossa prática pedagógica, sentimos necessidade de aprofundar e expor aos nossos colegas professores algumas reflexões sobre um tema que vem nos atingindo de forma tão intensa, contínua e de fontes tão diversas.

Trata-se da introdução da informática e da telemática na educação sob diversos ângulos: é a tecnologia atual, que não pode estar ausente da escola; são os grandes projetos de informatização dos sistemas escolares por meio da colocação de computadores nas escolas; é a idéia muitas vezes aparecendo na mídia, em forma de marketing de algumas instituições, de que com laboratórios instalados nas escolas teremos automaticamente cursos melhores e resolvidos nossos centenários problemas educacionais; é a questão da educação a distância alardeada para cursos de educação básica, cursos profissionalizantes, cursos de graduação e mesmo de pós-graduação.

Sem dúvida, a tecnologia nos atingiu como uma avalanche e envolve a todos. Começa a haver um investimento significativo em tecnologias telemáticas de alta velocidade para conectar alunos e professores no ensino presencial e a distância. Como em outras épocas, há uma expectativa de que as novas tecnologias nos trarão soluções rápidas para mudar a educação. Sem dúvida, as tecnologias nos permitem ampliar o conceito de aula, de espaço e de tempo, estabelecendo novas pontes entre o estar juntos fisicamente e virtualmente.

Mas há alguns pontos críticos e cruciais, que neste quadro nem sempre estão merecendo a mesma consideração, as mesmas preocupações e os mesmos incentivos, sem os quais toda esta questão tecnológica em educação pode se transformar numa outra grande panacéia "modernosa", mas que não vai trazer nenhum resultado significativo para o desenvolvimento educacional e cidadão de nossa geração, aqui incluindo as crianças, os jovens, os adultos, os profissionais e os idosos de hoje.

E quais são esses pontos cruciais e críticos? A questão da educação com qualidade, a construção do conhecimento na sociedade da informação, as novas concepções do processo de aprendizagem colaborativa, a revisão e a atualização do papel e das funções do professor, a formação permanente deste profissional professor, a compreensão e a utilização das novas tecnologias visando à aprendizagem dos nossos alunos e não apenas servindo para transmitir informações (ensino a distância Xeducação eaprendizagem a distância), acompreensão da mediação pedagógica como categoria presente tanto no uso das próprias técnicas como no processo de avaliação e, principalmente, no desempenho do papel do professor.

Abordaremos alguns pontos críticos. Há outros, certamente. Mas escolhemos estes para nosso diálogo com os colegas professores porque, em nossos contatos com eles, são os que sempre aparecem como grande preocupação, e, por outro lado, trata-se dos aspectos que nos parecem os menos considerados em todo esse marketing da educação com tecnologia.

Procuramos sintetizar esses pontos em três partes neste livro: a primeira, elaborada pelo professor doutor José Manuel Moran - professor titular de Novas Tecnologias no curso de Televisão da USP e professor titular da Universidade Presbiteriana Mackenzie -, intitulada "Ensino e aprendizagem inovadores com tecnologias audiovisuais e telemáticas", aborda o ensino e a aprendizagem inovadores com tecnologias audiovisuais e telemáticas.

A segunda parte traz urna proposta metodológica subsidiada por referenciais teóricos e práticos, apresentada pela professora doutora Marilda Aparecida Behrens - professora titular da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, onde atua como docente no mestrado em Educação no qual aborda Paradigmas Contemporâneos da Educação e Processos Pedagógicos na Educação Superior. Denominada "Projetos de aprendizagem colaborativa num paradigma emergente", essa segunda parte constitui-se de urna reflexão e de uma proposição sobre a ação docente que venham atender às exigências deste novo paradigma. Propõe uma aliança entre a abordagem progressista, urna visão holística e o ensino com pesquisa, que, tal uma teia, se interconectam e subsidiam pressupostos para uma prática pedagógica num paradigma emergente. Advinda da experiência vivenciada, explicita passos e sugestões de como organizar uma metodologia inovadora, propondo um contrato didático que subsidie uma aprendizagem colaborativa na era digital.

Na terceira parte, intitulada "Mediação pedagógica e o uso da tecnologia", com um caráter mais didático, o professor doutor Marcos T. Masetto - professor titular da PUC-SP e da Universidade Presbiteriana Mackenzie, e professor associado aposentado da USP - procura aprofundar o tema da mediação pedagógica como característica fundamental para o uso, em educação, tanto da tecnologia convencional, como das assim chamadas novas tecnologias, visando à melhoria do processo de aprendizagem.

Nossa expectativa - como sempre em todas as nossas atividades - é a de que, por meio destas notas, se estabeleça ou se desenvolva ainda mais um diálogo com nossos leitores, ouvindo críticas, novas idéias, intercambiando experiências e práticas pedagógicas que possam nos ajudar a encarar essa nova realidade tecnológica na educação como melhores recursos para continuarmos em nossa luta pela educação no Brasil.

1 ENSINO E APRENDIZAGEM INOVADORES COM TECNOLOGIAS AUDIOVISUAIS E TELEMÁTICAS

José Manuel Moran

Para onde estamos caminhando no ensino?

Todos estamos experimentando que a sociedade está mudando nas suas formas de organizar-se, de produzir bens, de comercializá-los, de divertir-se, de ensinar e de aprender.

Muitas formas de ensinar hoje não se justificam mais. Perdemos tempo demais, aprendemos muito pouco, desmotivamo-nos continuamente. Tanto professores como alunos temos a clara sensação de que muitas aulas convencionais estão ultrapassadas. Mas para onde mudar? Como ensinar e aprender em uma sociedade mais interconectada?

O campo da educação está muito pressionado por mudanças, assim como acontece com as demais organizações. Percebe-se que a educação é o caminho fundamental para a transformar a sociedade. Isso abre um mercado gigantesco que está atraindo grandes grupos econômi- cos dispostos a ganhar dinheiro, a investir nesse novo nicho e que importam os processos de reorganização e gestão trazidos das empresas.

Uma das áreas prioritárias de investimento é a implantação de tecnologias telemáticas de alta velocidade, para conectar alunos, professores e a administração. O objetivo é ter cada classe conectada à Internet e cada aluno com um notebook. Começam a investir significativamente no mercado ainda pouco explorado da educação a distância, da educação contínua, principalmente dos cursos de curta duração.

Como em outras épocas, há uma expectativa de que as novas tecnologias nos trarão soluções rápidas para o ensino. Sem dúvida as tecnologias nos permitem ampliar o conceito de aula, de espaço e tempo, de comunicação audiovisual, e estabelecer pontes novas entre o presencial e o virtual, entre o estar juntos e o estarmos conectados a distância. Mas se ensinar dependesse só de tecnologias já teríamos achado as melhores soluções há muito tempo. Elas são importantes, mas não resolvem as questões de fundo. Ensinar e aprender são os desafios maiores que enfrentamos em todas as épocas e particularmente agora em que estamos pressionados pela transição do modelo de gestão industrial para o da informação e do conhecimento.

Os desafios de ensinar e educar com qualidade

Educar é colaborar para que professores e alunos - nas escolas e organizações - transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem. É ajudar os alunos na construção da sua identidade, do seu caminho pessoal e profissional- do seu projeto de vida, no desenvolvimento das habilidades de compreensão, emoção e comunicação que lhes permitam encontrar seus espaços pessoais, sociais e profissionais e tomar-se cidadãos realizados e produtivos.

Educamos de verdade quando aprendemos com cada coisa, pessoa ou idéia que vemos, ouvimos, sentimos, tocamos, experienciamos, lemos, compartilhamos e sonhamos; quando aprendemos em todos os espaços em que vivemos - na família, na escola, no trabalho, no lazer etc. Educamos aprendendo a integrar em novas sínteses o real e o imaginário; o presente e o passado olhando para o futuro; ciência, arte e técnica; razão e emoção.

Ensinar/educar é participar de um processo, em parte, previsível- o que esperamos de cada criança no fim de cada etapa - e, em parte, aleatório, imprevisível. A educação fundamental é feita pela vida, pela reelaboração mental-emocional das experiências pessoais, pela forma de viver, pelas atitudes básicas diante da vida e de nós mesmos. A avaliação do ensino mostra-nos se aprendemos alguns conteúdos e habilidades. Os resultados da educação aparecem a longo prazo. Quanto mais avançamos em idade, mais claramente mostramos até onde aprendemos de verdade, se evoluímos realmente, em que tipo de pessoas nos transformamos.

Ensinar é um processo social (inserido em cada cultura, com suas normas, tradições e leis), mas também é um processo profundamente pessoal: cada um de nós desenvolve um estilo, seu caminho, dentro do que está previsto para a maioria. A sociedade ensina. As instituições aprendem e ensinam. Os professores aprendem e ensinam. Sua personalidade e sua competência ajudam mais ou menos. Ensinar depende também de o aluno querer aprender e estar apto a aprender em determinado nível (depende da maturidade, da motivação e da competência adquiridas) .

Há uma preocupação com ensino de qualidade mais do que com educação de qualidade. Ensino e educação são conceitos diferentes. No ensino organiza-se uma série de atividades didáticas para ajudar os alunos a compreender áreas específicas do conhecimento (ciências, história, matemática). Na educação o foco, além de ensinar, é ajudar a integrar ensino (}vida, conhecimento e ética, reflexão e ação, a ter uma visão de totalidade. Educar é ajudar a integrar todas as dimensões da vida, a encontrar nosso caminho intelectual, emocional, profissional, que nos realize e que contribua para modificar a sociedade que temos.

• Uma organização inovadora, aberta, dinâmica, com um projeto pedagógico coerente, aberto, participativo; com infra-estrutura adequada, atualizada, confortável; tecnologias acessíveis, rápidas e renovadas.

• Uma organização que congregue docentes bem preparados intelectual, emocional, comunicacional e eticamente; bem remunerados, motivados e com boas condições profissionais, e onde haja circunstâncias favoráveis a uma relação efetiva com os alunos que facilite conhecê-los, acompanhá-los, orientá-los.

• Uma organização que tenha alunos motivados, preparados in- telectual e emocionalmente, com capacidade de gerenciamento pessoal e grupal.

o que muitas vezes é fruto de alguns grupos, lideranças de pesquisa, aparece como se fosse generalizado a todos os setores da escola, o que não é verdade. As instituições vendem externamente os seus sucessos - muitas vezes de forma exagerada - e escondem os insucessos, os problemas, as dificuldades.

Temos um ensino em que predominam afala massiva e massificante, um número excessivo de alunos por sala, professores mal preparados, mal pagos, pouco motivados e evoluídos como pessoas.

Temos muitos alunos que ainda valorizam mais o diploma do que o aprender, que fazem o mínimo (em geral) para ser aprovados, que esperam ser conduzidos passivamente e não exploram todas as possibilidades que existem dentro e fora da instituição escolar.

A infra-estrutura costuma ser inadequada. Salas barulhentas, pouco material escolar avançado, tecnologias pouco acessíveis à maioria.

(Parte 1 de 12)

Comentários