Assistência de Enfermagem na prevenção de ulcera por pressão Revisão de literatura

Assistência de Enfermagem na prevenção de ulcera por pressão Revisão de literatura

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UNIDADE PARCEIRA GRUPO ANDRADE MARTINS

ANDERSON FERNANDES DE CARVALHO FARIAS

Assistência de Enfermagem na prevenção de ulcera por pressão (UP): Revisão de literatura

ITAUNA - MG

2017

UNIDADE PARCEIRA GRUPO ANDRADE MARTINS

ANDERSON FERNANDES DE CARVALHO FARIAS

Assistência de Enfermagem na prevenção de ulcera por pressão (UP): Revisão de literatura

Trabalho de Conclusão de Curso – Artigo Científico, apresentado ao Núcleo de Trabalhos de Conclusão de Curso do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu do curso de Especialização em Docência em Enfermagem, como requisito obrigatório para a obtenção do grau de especialista.

ITAUNA - MG

2017

Assistência de Enfermagem na prevenção de ulcera por pressão (UP): Revisão de literatura

Anderson Fernandes de Carvalho Farias1.

Resumo

As úlceras por pressão (UP) são definidas como sendo uma lesão localizada na pele causada pela interrupção sangüínea em uma determinada área, que ocorre devido à pressão aumentada por um tempo prolongado, e ocorrem devido a vários fatores, tais como: imobilidade, pressões prolongadas, fricção, traumatismos, idade avançada, aparelhos como gesso, umidade alterada da pele, edema, incontinência urinária ou fecal, deficiência de vitamina e desnutrição. Trata-se de uma pesquisa documental com fins descritivos e meios de abordagens quantitativos, que tem como objetivo geral descrever a importância da assistência de enfermagem nas ações de cuidados com a pele dos pacientes na prevenção de ulceras por pressão e como objetivos específicos relatar os cuidados e as técnicas de enfermagem para diminuir o índice ulceras por pressão, ressaltar a importância do conhecimento científico da equipe de enfermagem relacionado à prevenção de ulceras por pressão. O estudo traz uma revisão de literatura com os seguintes temas: enfermagem, ulcera por pressão e prevenção. O trabalho presente se faz necessário, pois através dele poderá descrever as ações de enfermagem frente ao paciente acometido por lesão por pressão. Conclui-se os cuidados de enfermagem frente ao cliente com ulcera por pressão abrangem intervenções relacionadas ao acompanhamento integral do paciente em risco de adquirir a lesão, por meio de utilização de escalas de riscos, conhecimentos dos fatores de risco e da realidade dos estabelecimentos de saúde.

Palavras-chave: Enfermagem. Ulceras por pressão. Prevenção.

  1. INTRODUÇÃO

A úlcera por pressão é uma ferida crônica por ser de longa duração e com reincidência frequente, de cicatrização difícil, uma vez que ocorrem considerável desconforto e dor, influenciando no aumento de dias de permanência no hospital, dificultando o retorno ao convívio familiar. (Oliveira, Pigari & Marislei, 2009).

Também induz à necessidade de tratamentos cirúrgicos, fisioterápicos e medicamentosos, aumentando os custos hospitalares e risco de infecção secundária, além de afetar a autoimagem e autoestima dos pacientes, levando os a evidenciar problemas emocionais, psicossociais e econômicos. Para tanto, torna-se importante reconhecer a úlcera por pressão como um problema extenso, capaz de interferir na qualidade de vida do paciente. (Oliveira, Pigari & Marislei, 2009)

A problemática deste projeto se baseia nas ações que poderiam ser coletivamente pensadas e implementadas para diminuir os casos de incidência de ulceras de pressão.

O mesmo tem como objetivo geral descrever a importância da assistência de enfermagem nas ações de cuidados com a pele dos pacientes na prevenção de ulceras por pressão e como objetivos específicos relatar os cuidados e as técnicas de enfermagem para diminuir o índice ulceras por pressão, ressaltar a importância do conhecimento científico da equipe de enfermagem relacionado à prevenção de ulceras por pressão

Segundo Fernandes e Oitaven (2011), a prevenção da úlcera por pressão deve envolver não só a equipe de enfermagem, mas todos os profissionais que atuam direto ou indiretamente com o cuidado ao paciente, tendo estes profissionais que possuírem o conhecimento das causas e fatores de risco para o desenvolvimento desta complicação permitindo a implementação de medidas preventivas eficazes.

A relevância desse estudo consiste em buscar na literatura, conhecimento, novas tecnologias e experiências acerca da temática, possibilitando, informações atualizadas embasadas a respeito da prevenção e tratamento das úlceras por pressão.

A escolha deste tema justifica-se devido o fato que as úlceras por pressão e resultado dos cuidados domiciliares inadequados ou desenvolvem-se no próprio hospital, em pacientes acamados, causando grande problema na rotina das instituições e dos familiares, pois são lesões de difícil cicatrização e além da enfermidade do paciente podem ter sua qualidade de vida diminuída em decorrência do desenvolvimento de eventos preveníeis como ulcera por pressão.

O presente estudo teve como metodologia uma pesquisa documental com fins descritivos e meios de abordagem quantitativos. A pesquisa descritiva é qualificada pela exposição de um fenômeno, pois tem como objetivo descrever situações (BRASILEIRO & SANTOS, 2007).

Em relação aos meios, pode-se classificar como bibliográfica que, de acordo com (Brasileiro e Santos, 2007) é entendida como o levantamento de materiais publicados nos diversos bancos de dados.

O período dedicado à pesquisa bibliográfica foi de 28 de dezembro de 2016 a 05 de marco 2017, utilizando como base de dados artigos publicados em meios eletrônicos e impressos, além de livros, teses e dissertações. Os bancos de dados consultados foram Scielo, Lilacs, bibliotecas virtuais de universidades federais, sites de publicações em saúde pública e livros.

  1. DESENVOLVIMENTO

A úlcera por pressão é definida como uma lesão localizada na pele, tecido, músculo e até osso, causada por pressão intensa e ou contínua, levando à diminuição da circulação sangüínea e conseqüentemente à morte e necrose da pele. São vários os fatores que colaboram para a formação dessas lesões sendo os principais causadores a imobilização, a dependência parcial ou total da locomoção, a alteração do nível de consciência, a idade avançada, a nutrição a pressão excessiva e/ou prolongada sobre os tecidos, a sudorese excessiva, a umidade, as anemias, o edema, a espasticidade, as contraturas, traumatismos, aparelhos como gesso e a incontinência urinária ou fecal (GOULART, 2008).

Segundo Ascari et al (2014), a úlcera por pressão é considerada qualquer lesão que se desenvolve a partir da pressão prolongada sobre tecidos moles ou superfície da pele que causa dano ao tecido subjacente, principalmente em locais de proeminências ósseas, sendo sua gravidade associada à intensidade e duração da pressão e a tolerância dos tecidos.

A prevenção de úlcera por pressão aborda quatro aspectos do cuidado que é a avaliação do risco, os cuidados com a pele e tratamento precoce, redução da carga mecânica e uso de superfícies de suporte, educação para todos prestadores de serviços de saúde, para pacientes e seus familiares e ou cuidadores (ALVES, et al 2008).

Para Saatkamp (2012), a realização de um histórico de enfermagem detectando risco potencial para o desenvolvimento de ulcera por pressão é de suma importância para a sua prevenção. O enfermeiro examina condições como mobilidade, percepção sensorial, as habilidades cognitivas, a perfusão tissular, a condição nutricional, as forças de atrito e tração, as fontes da umidade na pele e também a idade do paciente.

Ascari et al (2014), relata que a prevenção deve iniciar-se com orientações adequadas e estímulo ao paciente e seus familiares, salientando a importância da autodisciplina e da participação e colaboração durante o tratamento clínico.

    1. Etiologias das úlceras por pressão.

Para Lemos et al (2014). Fatores intrínsecos e extrínsecos influenciam no aparecimento de úlceras de pressão no paciente. As saliências ósseas mais vulneráveis ao aparecimento deste tipo de úlcera são denominadas áreas de pressão. Entre elas estão o sacro, os ísqueos, os trocanteres, os calcanhares e os cotovelos.

As forças de cisalhamento podem deformar e arrebentar os tecidos e, conseqüentemente, lesar os vasos sanguíneos. A fricção ocorre quando duas superfícies entram em atrito. A causa mais comum disso é quando o paciente é arrastado na cama ao invés de ser levantado. A umidade exacerba o efeito da fricção. Pode-se encontrar umidade na pele do paciente como conseqüência de um suor excessivo ou de incontinência urinária. (Lemos, et al 2014).

Como dito anteriormente, as úlceras são geradas a partir de uma combinação de fatores intrínsecos e extrínsecos. Seguem, a seguir, os fatores intrínsecos citados por Saatkamp (2012),

Umidade: causada principalmente pela incontinência fecal e urinária; a exposição da pele à umidade de qualquer tipo prejudica a resistência da epiderme a fatores externos, como pressão e forças de fricção e cisalhamento; a epiderme, quando demasiadamente úmida, apresenta-se esbranquiçada e rugosa, com áreas de maceração.

Temperatura: a temperatura corporal normal gira em torno de 36,0°C a 37,2°C; entretanto, quando uma pessoa é exposta a ambientes muito quentes ou muito frios. A manutenção da temperatura é controlada por dois fatores: o calor ambiental e a atividade metabólica.

Idade: as úlceras acometem geralmente clientes idosos, sendo de extrema importância a equipe estar apta a lidar com esta faixa etária e com os males que a acometem.

Mobilidade: clientes em transoperatório de cirurgias prolongadas possuem grande possibilidade de desenvolver ulceras por pressão, devido a sua longa permanência sob superfície dura na sala cirúrgica. Outros fatores que acabam prejudicando a mobilidade dos clientes são: doenças neurológicas, traumas, doenças degenerativas, medicamentos de uso contínuo, entre outros.

Estado nutricional: quando alterado, prejudica a elasticidade da pele. Em idosos, vários são os fatores que interferem no seu estado nutricional, sendo que muitos vivem sozinhos ou sofrem de abandono, tendo dificuldade de realizar uma alimentação adequada; os fatores econômicos, psicológicos, físicos, problemas gastrointestinais, dentre outros, também interferem em seus hábitos nutricionais.

Saatkamp (2012) relata que na atualidade, a ferida é um problema socioeconômico e educacional; seu tratamento consiste em um processo complexo e dinâmico, que depende de avaliações, prescrições distintas, freqüência e tipo de curativo.

    1. Classificação das úlceras de pressão

As UPs são classificadas, de acordo com BRASIL (2009), em estádios de I a IV e não estadiável, segundo a severidade e profundidade da lesão conforme descrito abaixo:

  1. Estádio I

 A lesão abrange a pele intacta, estádio caracterizado por eritema que não regride após alívio da pressão local, localiza-se normalmente em área de proeminência óssea. É uma lesão precursora de ulceras cutânea. Em indivíduos de pele negra pode-se observar descoloração da pele, temperatura cutânea elevada e entumecimento.

  1. Estádio II

Nesse estádio há lesão parcial da pele, envolvendo a epiderme, derme ou ambas. Manifesta-se clinicamente como bolha, abrasão ou cratera rasa rompida ou não.

  1. Estádio III

Ocorre intensa perda da espessura do tecido ou necrose da camada subcutânea, podendo invadir regiões mais profundas, todavia, não há exposição de ossos, tendões ou músculos. A lesão aparece como uma cratera profunda com ou sem descolamento de tecidos subjacentes.

  1. Estádio IV

Caracteriza-se por destruição profunda da espessura dos tecidos, necrose tecidual, podendo ter danos em músculos, ossos, cápsulas das articulações e tendões.

  1. Não Estadiável

Nesse caso, ocorre destruição total da espessura do tecido e a base da úlcera apresenta tecido necrótico (amarelo, bege, cinza, verde ou marrom) e ou escara (bege marrom ou preta).

2.3. A prevenção das Ulceras por pressão

Para Saatkamp (2012) apud Medeiros, Lopes & Jorge (2009): O enfermeiro possui ações determinantes na prevenção e tratamento das úlceras por pressão.

As rotinas de prevenção incluem:

• Avaliação do grau de risco com individualização da assistência, como a confecção de um protocolo para prevenção da úlcera por pressão.

• Utilização de escalas de avaliação do grau de risco, como por exemplo, a Escala de Braden adaptada para a língua portuguesa, e outras como as de Norton e Waterlow.

• Quadro demonstrativo enfatizando as áreas suscetíveis à úlcera por pressão.

• Providenciar um colchão de poliuretano (colchão de caixa de ovo) para o paciente, especialmente pacientes em cadeiras de rodas ou acamados.

• Identificar os fatores de risco e direcionar o tratamento preventivo, modificando os cuidados conforme os fatores individuais.

• Mobilização ou mudança de posição de duas em duas horas, bem como realizar massagem de conforto com emulsão.

• Proteger saliências ósseas, principalmente calcâneas, com rolos e travesseiros.

• Registro das alterações da pele do paciente seguindo os estágios de classificação das úlceras por pressão.

• Tratamento precoce da pele: manter e melhorar a tolerância tecidual à pressão, a fim de prevenir a lesão.

• Monitorar e documentar intervenções e resultados obtidos.

• Implementar medidas de suporte mecânico: proteger/evitar complicações adversas de forças mecânicas externas.

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