2015 - AHA - Guidelines - Highlights - Portuguese

2015 - AHA - Guidelines - Highlights - Portuguese

(Parte 1 de 12)

DESTAQUES da American Heart Association 2015

Atualização das Diretrizes de RCP e ACE

Questões Éticas3
Sistemas de Atendimento e Melhoria Contínua da Qualidade3

Introdução. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1

RCP Aplicada por Socorrista Leigo5

Suporte Básico de Vida para Adultos e Qualidade da RCP:

SBV Aplicado por Profissionais de Saúde8
Técnicas Alternativas e Dispositivos Auxiliares para RCP1
Suporte Avançado de Vida Cardiovascular para Adultos13
Cuidados Pós-PCR14
Síndromes Coronárias Agudas16
Situações Especiais em Ressuscitação18
Suporte Básico de Vida em Pediatria e Qualidade da RCP20
Suporte Avançado de Vida em Pediatria23
Ressuscitação Neonatal25
Educação27
Primeiros Socorros29
Referências32

Suporte Básico de Vida para Adultos e Qualidade da RCP: Índice

Agradecimentos

A American Heart Association agradece as seguintes pessoas pela contribuição que fizeram para o desenvolvimento desta publicação: Mary Fran Hazinski, RN, MSN; Michael Shuster, MD; Michael W. Donnino, MD; Andrew H. Travers, MD, MSc; Ricardo A. Samson, MD; Steven M. Schexnayder, MD; Elizabeth H. Sinz, MD; Jeff A. Woodin, NREMT-P; Dianne L. Atkins, MD; Farhan Bhanji, MD; Steven C. Brooks, MHSc, MD; Clifton W. Callaway, MD, PhD; Allan R. de Caen, MD; Monica E. Kleinman, MD; Steven L. Kronick, MD, MS; Eric J. Lavonas, MD; Mark S. Link, MD; Mary E. Mancini, RN, PhD; Laurie J. Morrison, MD, MSc; Robert W. Neumar, MD, PhD; Robert E. O’Connor, MD, MPH; Eunice M. Singletary, MD; Myra H. Wyckoff, MD; e a equipe do Projeto de Destaques das Diretrizes da AHA.

Edição em português: Hélio Penna Guimarães, MD, PhD, FAHA e a equipe do Projeto de Destaques das Diretrizes da AHA. © 2015 American Heart Association

Destaques da Atualização das Diretrizes da AHA 2015 para RCP e ACE 1

Introdução

Esta publicação com os “Destaques das Diretrizes” resume os principais pontos de discussão e alterações feitas na Atualização das Diretrizes de 2015 da American Heart Association (AHA) para Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) e Atendimento Cardiovascular de Emergência (ACE). Ela foi desenvolvida para que os profissionais que executam a ressuscitação e os instrutores da AHA possam focar na ciência da ressuscitação e nas recomendações MAIS importantes das diretrizes, ou controversas ou que resultem em mudanças na prática ou treinamento da ressuscitação. Além disso, explica o raciocínio adotado nas recomendações.

Como esta publicação foi concebida como um resumo, ela não menciona os estudos de referência publicados e não informa Classes de Recomendações ou Níveis de Evidência. Para obter informações e referências mais detalhadas, incentivamse a leitura da Atualização das Diretrizes da AHA 2015 para RCP e ACE, inclusive o Resumo Executivo1, publicado na

Circulation em outubro de 2015, e a consulta ao resumo detalhado da ciência da ressuscitação no Consenso Científico Internacional de 2015 sobre RCP e ACE, com recomendações de tratamento, publicado, simultaneamente, na Circulation2 e na Resuscitation.3

A Atualização das Diretrizes da AHA 2015 para RCP e ACE se baseia em um processo internacional de avaliação de evidências que envolveu 250 revisores de 39 países. O processo da revisão sistemática de 2015 do International Liaison Committee on Resuscitation (ILCOR) foi bastante diferente quando comparado com o processo utilizado em 2010. No processo de revisão sistemática de 2015, as forças-tarefa do ILCOR priorizaram tópicos para revisão, selecionando aqueles em que havia novos conhecimentos e controvérsias suficientes para suscitar uma revisão sistemática. Em consequência dessa priorização, foram realizadas menos revisões em 2015 (166) do que em 2010 (274).

Figura 1

CLASSE I (FORTE) Benefício >>> Risco

Sugestões de frases para recomendações: ◾ É recomendado

◾ Frases de eficácia comparativa†:

• Recomenda-se/indica-se o tratamento/estratégia A em relação ao tratamento B • Prefira o tratamento A ao B

CLASSE IIa (MODERADA) Benefício >> Risco

Sugestões de frases para recomendações: ◾ É aconselhável

◾ Pode ser útil/eficaz/benéfico

◾ Frases de eficácia comparativa†:

• O tratamento/estratégia A é provavelmente recomendado/indicado em relação ao tratamento B • É aconselhável preferir o tratamento A ao B

CLASSE IIb (FRACA) Benefício ≥ Risco

Sugestões de frases para recomendações: ◾ Pode ser aconselhável

◾ Pode-se considerar

◾ A utilidade/eficácia é desconhecida/indefinida/incerta ou não muito bem estabelecida

CLASSE I: Nenhum benefício (MODERADA) Benefício = Risco (Geralmente, somente uso de NE A ou B)

Sugestões de frases para recomendações: ◾ Não é recomendado

CLASSE I: Danos (FORTE) Risco > Benefício

Sugestões de frases para recomendações: ◾ Possivelmente prejudicial

◾ Evidências de alta qualidade‡ de mais de um 1 ensaio randomizado controlado

◾ Meta-análises de ensaios randomizados controlados de alta qualidade

◾ Um ou mais ensaios randomizados controlados, corroborados por estudos de registro de alta qualidade

NÍVEL B-R (Randomizado)

◾ Evidências de qualidade moderada‡ de 1 ou mais ensaios randomizados controlados

◾ Meta-análises de ensaios randomizados controlados de qualidade moderada

NÍVEL B-NR (Não randomizado)

◾ Evidências de qualidade moderada‡ de 1 ou mais ensaios não randomizados, estudos observacionais ou estudos de registro bem elaborados e executados ◾ Meta-análises desses tipos de estudos

NÍVEL C-LD (Dados limitados)

◾ Estudos observacionais e de registro randomizados ou não, com limitações de método e execução ◾ Meta-análises desses tipos de estudos

NÍVEL C-EO (Opinião de especialista)

Consenso de opinião de especialistas com base em experiência clínica.

O CR (classe de recomendação) e o NE são determinados de forma independente (qualquer CR pode ser combinado com qualquer NE).

Uma recomendação com NE C não implica que a recomendação seja fraca. Muitas questões clínicas importantes abordadas nas diretrizes não se prestam a ensaios clínicos. Embora não haja ensaios randomizados controlados disponíveis, pode existir um consenso clínico muito claro de que um determinado exame ou tratamento seja útil ou eficaz.

* O desfecho da intervenção deve ser especificado (melhor desfecho clínico ou aumento da precisão do diagnóstico ou mais informações de prognóstico).

† Para recomendações sobre a eficácia comparativa (CR I e IIa; somente NE A e B), estudos que defendem o uso de verbos de comparação devem envolver comparações diretas dos tratamentos ou estratégias que estão sendo avaliados.

‡ O método de avaliação da qualidade está evoluindo, inclusive a aplicação de ferramentas padronizadas, amplamente utilizadas e preferencialmente validadas para a classificação das evidências; e para revisões sistemáticas, a incorporação de uma Comitê de Revisão de Evidências.

CR indica classe de recomendação; EO, opinião de especialistas; LD, dados limitados; NE, Nível de evidência; e NR, não randomizado.

Destaques da Atualização das Diretrizes da AHA 2015 para RCP e ACE 1

Novo sistema de classificação da AHA para as classes de recomendação e nível de evidências*

2 American Heart Association

Distribuição de classes de recomendação e nível de evidências, em porcentagem, do total de 315

Recomendações para Atualização das Diretrizes da AHA 2015

Figura 2

Classe I: Danos 5%Classe I: Nenhum benefício

Classe IIb 45%

Classe I 25%

Classe IIa 23%

Classes de recomendação de 2015

NE C-LD 46%

NE C-EO 23%

NE B-R 15%

NE B-NR 15%

NE A 1%

Níveis de Evidência

Porcentagem de 315 recomendações.

2 American Heart Association

Uma vez selecionados os tópicos, houve duas adições importantes ao processo de revisão de 2015. Em primeiro lugar, os revisores utilizaram o Grading of Recommendations Assessment, Development, and Evaluation (GRADE; w.gradeworkinggroup.org), um sistema de revisão de evidências altamente estruturado e replicável, para melhorar a consistência e a qualidade das revisões sistemáticas de 2015. Em segundo lugar, revisores de todas as partes do mundo puderam trabalhar juntos, virtualmente, para concluir as revisões sistemáticas. Eles utilizaram a Systematic Evidence Evaluation and Review System (SEERS), uma plataforma na Internet desenvolvida especialmente pela AHA com o objetivo de auxiliar em várias das etapas do processo de avaliação. O site da SEERS foi utilizado para divulgar publicamente os rascunhos do Consenso Internacional de 2015 sobre a Ciência da RCP e do ACE com Recomendações de Tratamento do ILCOR e receber comentários do público. Para saber mais sobre a SEERS e verificar a lista completa de todas as revisões sistemáticas realizadas pelo ILCOR, acesse w.ilcor.org/seers.

A Atualização das Diretrizes da AHA 2015 para RCP e ACE é bem diferente das edições anteriores das Diretrizes da AHA para RCP e ACE. O Comitê de ACE determinou que esta versão da 2015 seria uma atualização, que trataria somente dos tópicos abordados pela revisão de evidências do ILCOR 2015 ou daqueles solicitados pela rede de treinamento. Essa decisão é garantia de termos apenas um padrão para avaliação de evidências, que é o processo criado pelo ILCOR. Em decorrência disso, a Atualização das Diretrizes da AHA 2015 para RCP e ACE não constitui uma revisão completa das Diretrizes da AHA 2010 para RCP e ACE. A versão integrada está disponível on-line em ECCguidelines.heart.org.

A publicação do Consenso Internacional de 2015 sobre a Ciência da RCP e do ACE com Recomendações de Tratamento dá início a um processo de revisões contínuas da ciência da ressuscitação. Os tópicos revisados em 2015 serão atualizados conforme necessário, com a adição de novos tópicos. Os leitores devem monitorar o site da SEERS para manter-se atualizados sobre os mais recentes conhecimentos em ressuscitação e sobre a avaliação desse conhecimento pelo ILCOR. Quando surgirem evidências suficientes que indiquem a necessidade de alterar as Diretrizes da AHA para RCP e ACE, as alterações serão feitas e comunicadas aos médicos e à rede de treinamento.

Na Atualização das Diretrizes de 2015, foi utilizada a versão mais recente das definições da AHA para as Classes de Recomendações e Níveis de Evidência (Figura 1). Os leitores notarão que essa versão contém uma modificação na recomendação da Classe I: Nenhum benefício — a ser utilizada com pouca frequência quando for demonstrado, segundo evidências observadas em um estudo de qualidade alta ou moderada (nível de evidência (NE) A ou B, respectivamente), que uma determinada estratégia não chega a ser melhor que o controle. Os níveis de evidência também foram modificados. O NE B é agora dividido em NE B-R (estudos randomizados) e NE B-NR (estudos não randomizados). O NE C agora é dividido em NE C-LD (dados limitados) e C-EO (opinião do especialista).

Conforme apresentado no recém-publicado relatório4 do Instituto de Medicina e na Resposta da AHA ao Consenso do ACE a esse relatório,5 é necessário fazer muito mais para avançar a ciência e a prática da ressuscitação. É preciso um esforço conjunto para financiar pesquisas sobre ressuscitação por PCR semelhantes às que têm impulsionado as pesquisas sobre câncer e AVC nas duas últimas décadas. As lacunas existentes na ciência são claras quando se analisam as recomendações que constam na Atualização das Diretrizes de 2015 (Figura 2). Coletivamente, os níveis de evidência e as classes de recomendação em ressuscitação são baixos, sendo apenas 1% do total das recomendações de 2015 (3 de 315) baseado no maior nível de evidência (NE A) e apenas 25% das recomendações (78 de 315) designadas como de Classe I (recomendação forte). A maioria (69%) das recomendações da Atualização das Diretrizes de 2015 se respalda em baixos níveis de evidência (NE C-LD ou C-EO), e quase a metade (144 de 315; 45%) é classificada como de Classe IIb (recomendação fraca).

Durante todo o processo de avaliação de evidências do ILCOR e o desenvolvimento da Atualização das Diretrizes de 2015, os participantes aderiram rigorosamente às exigências de declaração de conflitos de interesse da AHA. A equipe da AHA processou mais de 1000 declarações de conflitos de interesse, de todos os coordenadores do grupo de redação das Diretrizes e pelo menos 50% dos membros desse grupo não podiam apresentar conflitos de interesse relevantes.

Destaques da Atualização das Diretrizes da AHA 2015 para RCP e ACE 3

Questões Éticas

Com a evolução da prática da ressuscitação, é preciso também reavaliar as considerações éticas. É um desafio, sob vários pontos de vista, gerenciar as muitas decisões associadas à ressuscitação, sobretudo quando os profissionais de saúde lidam com questões éticas ao decidir sobre fornecer ou não intervenções cardiovasculares de emergência.

As questões éticas que envolvem a decisão sobre quando iniciar ou finalizar uma RCP são complexas e podem variar em diferentes contextos (dentro ou fora do hospital), entre profissionais (suporte básico ou avançado) e a população de pacientes (neonatal, pediátrico, adulto). Embora os princípios éticos não tenham mudado desde a publicação das Diretrizes de 2010, os dados que servem de base para muitas discussões éticas foram atualizados pelo processo de revisão de evidências. O processo de revisão de evidências do ILCOR 2015 e a consequente Atualização das Diretrizes da AHA incluem várias atualizações do conhecimento que têm implicações nas decisões éticas referentes a pacientes antes, durante e depois da PCR.

Recomendações importantes, novas e atualizadas, que podem servir de base para decisões éticas

• Uso de RCP extracorpórea (ECPR) para PCR • Fatores prognósticos durante a PCR

• Revisão de evidências sobre os escores do prognóstico para bebês prematuros

• Prognóstico para crianças e adultos após PCR

• Função de órgãos transplantados recuperados após a PCR

Novas estratégias de ressuscitação, como a ECPR, tornaram mais complicadas as decisões sobre a suspensão das medidas de ressuscitação (consulte a seção Suporte Avançado de Vida Cardiovascular nesta publicação). A compreensão do uso adequado, das implicações e dos benefícios prováveis relacionados a esses novos tratamentos terá impacto na decisão. Há novas informações sobre o prognóstico para neonatos, crianças e adultos durante e após a PCR (consulte Ressuscitação neonatal, Suporte avançado de vida em pediatria e Cuidado pós-parada cardíaca). O aumento da utilização do CDT (controle direcionado de temperatura) levou a novos desafios para prever desfechos neurológicos em pacientes comatosos após a PCR. Os dados mais recentes sobre a utilidade de determinados exames e estudos devem servir de base para decisões sobre metas de tratamento e a limitação de intervenções.

Há uma maior consciência de que, embora as crianças e os adolescentes não possam tomar decisões legalmente válidas, é preciso compartilhar as informações com eles na medida do possível, utilizando linguagem e informações adequadas em nível de desenvolvimento de cada paciente. Além disso, o termo limitação dos cuidados foi alterado para limitação de intervenções, e há maior disponibilidade do formulário POLST (Physician Orders for Life-Sustaining Treatment, ou ordem do médico para tratamento de suporte de vida), um novo método legal de identificação das pessoas que apresentam limitações específicas nas intervenções de final da vida, tanto dentro como fora das unidades de saúde. Mesmo com os novos dados de que o sucesso dos transplantes renais e hepáticos obtidos de doadores adultos não está relacionado ao fato de o doador receber manobra de RCP, a doação de órgãos após a ressuscitação permanece controversa. Os pontos de vista sobre várias questões éticas importantes, que são temas de debate contínuo sobre a doação de órgãos no cenário de emergência, estão resumidos na "Parte 3: Questões Éticas" da Atualização das Diretrizes de 2015.

(Parte 1 de 12)

Comentários