Guia do estagiário UTI

Guia do estagiário UTI

(Parte 1 de 7)

Aristides Oliveira 2016/17

Aristides Oliveira

Prefácio

Olá caros estagiários, é com imensa gratitude que ofereço esse pequeno manuscrito, a gente na verdade nunca sabe o que escrever em um prefácio. Inicialmente, eu pensei em desenvolver esse “guia” por necessidade pessoal, apesar de buscar em vários livros, sempre encontrava certas barreiras para chegar no finalmente, no que de fato, para o momento era necessário. Ao longo dos meus estudos foi selecionado e escrevendo aquilo que acreditava ser o mais importante para o dado momento. Mas, confesso, a minha primeira tentativa, não publicada, foi realmente um desastre, então, partindo do meu desastre, busquei melhorar, busquei ler mais, aprender mais, assistir outras pessoas que sabem muito mais do que eu, para em fim, entender o que é importante.

Esse pequeno manuscrito foi desenvolvido de forma a facilitar o estudo e o entendimento, ao mesmo tempo teórico, prático e reflexivo. Busquei sempre trazer o que há de melhor na literatura, busquei além disso, observar como, na medida do possível, aliar a teoria a prática, já que este é um trabalho demasiadamente árduo, e no fim, não é o principal propósito deste. Que se alinha em trazer a reflexão para vocês que estão lendo esse prefácio.

Além da literatura relevante para os assuntos aqui discutidos, busquei também trabalho os conteúdos de acordo com programas pedagógicos de cursos por exemplo, ventilação mecânica invasiva e não invasiva, mobilização precoce, entre outros para citar alguns. Existem muitas e muitas coisas a serem ditas, mas por este momento deixo-os com essa citação que resulme bem o propósito desse manuscrito.

“O acaso favorece uma mente preparada – Louis Pasteur”

Por último, um pedido. Esteja sempre a vontade em compartilhar este arquivo, na medida do possível, mantenha os créditos autorais. Além disso, sugestões, agradecimentos, críticas, outros a fim, não hesite em entra em contado.

Aristides Oliveira.

Aristides.fisio@live.com Petrolina-PE 2016/17.

Capítulo 1 – Anatomia e Fisiologia Pulmonar1
Anatomia das vias aéreas e segmentos pulmonares e lóbulos1
Anatomia superficial dos lóbulos pulmonares1
Vias aéreas superiores2
Do brônquio ao alvéolo3
Fisiologia da respiração5
Mecânica respiratória5
Referências14
Capítulo 2 – Anatomia e fisiologia cardíaca16
Anatomia superficial do coração16
Morfologia cardíaca16
Percurso do sangue através do coração18
Circulação Coronária18
Fisiologia cardíaca19
Coordenação dos eventos cardíacos19
Influências sobre o volume sistólico21
Controle da pressão arterial24
O sistema de troca capilar25
Referências27
Capítulo 3 – Avaliação beira leito29
O prontuário29
Avaliação orientada por sistemas29
Neurológico29
Cardiovascular31
Respiratório3
Abdome37
Musculoesquelético39
Avaliação tegumentar42
Avaliação Funcional42
Delírio42
Avaliação diária na UTI45
Roteiro para evolução no prontuário49
Referências50
Radiografia de tórax52
Introdução52
Indicações e técnica52
Radiografia de tórax normal53
Avaliação e descrição dos achados54
Exames Laboratoriais56
Interpretação do hemograma56
Bioquímica59
Equilíbrio hidroeletrolítico61
Equilíbrio ácido-base6
Referências72
Capítulo 5 – Oxigenioterapia73
Introdução73
Bases fisiológicas da oxigenioterapia73
Aplicação clínica74
Introdução74
Hipóxia75
Avaliação beira leito76
Prescrição de oxigênio76
Métodos de administração de oxigênio7
Efeitos colaterais do oxigênio78
Estresse Oxidativo78
Atelectasias de Absorção78
Referência79
Capítulo 6 – Ventilação mecânica invasiva80
Introdução80
Indicações80
Fisiologia da Ventilação Mecânica81
Média de pressão das vias aéreas81
Efeitos pulmonares82
Interação Cardiopulmonar83
Efeito do volume pulmonar83
Tônus autonômico83
Resistência vascular pulmonar83
Interação mecânica pulmão-coração84
Pré-carga do ventrículo esquerdo e interdependência ventricular85
Pós-carga do ventrículo esquerdo85
Princípios da ventilação mecânica85
Ciclo Ventilatório85
Variável Disparo (trigger)86
Variável Alvo86
Variável Ciclagem87
Curvas ventilatórias: análise gráfica8
Curva de fluxo-tempo8
Curva de pressão-tempo90
Curva pressão-volume91
Curva fluxo-volume95
Modos ventilatórios convencionais98
Ventilação mandatória contínua98
Modo à Volume98
Modo à Pressão9
Modo Mandatório Intermitente101
Modo Espontâneo102
Ajustes de parâmetros ventilatório104
Frequência respiratória104
Volume corrente105
PEEP105
Fração inspirada de Oxigênio (FIO2)106
Relação I:E106
Pico pressão107
Drive Pressure (∆P)107
Alarmes107
Monitorização em Ventilação Mecânica110
Sinais vitais110
Exame físico1
Avaliação ventilatória1
Avaliação da oxigenação1
Sincronia paciente ventilador113
Tipos de Assincronia114
Prevenção de Pneumonia associada à VM118
Prevenção de estenose traqueal119
Prevenção de extubação acidental119
Minimizar lesão pulmonar induzida pela ventilação mecânica121
Ventilação mecânica em situações específicas123
Ventilação Mecânica na Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo123
Ventilação Mecânica no Paciente Neurológico125
Ventilação Mecânica na DPOC127
Fórmulas em cuidados respiratórios130
Referências135
Capítulo 7 – Ventilação mecânica não invasiva139
Introdução139
Objetivos e indicações139
Preditores de sucesso ou fracasso da VNI139
Efeitos pulmonares e hemodinâmicos da pressão positiva141
Insuficiência respiratória142
Ventiladores e modos ventilatórios143
Ventilação controlada a volume143
Ventilação controlada a pressão143
Modo espontâneo144
Modo assistido145
Modo assistido controlado (A/C)145
Modo controlado (C)145
CPAP (continuous positive airway pressure)146
BiPAP (Bilevel Positive Airway Pressure)146
Interfaces146
Umidificação durante a VNI148
Tipos de sistemas de humidificação148
Como iniciar a VNI149
Abordagem inicial ao paciente149
Monitorização149
Avaliação clínica149
Retirada da VNIPP150
Uso nas principais situções clínicas150
DPOC150
Edema pulmonar cardiogênico153
Pós-operativo153
Pós-extubação154
Referências155
Capítulo 8 - Desmame da ventilação mecânica invasiva158
Conceitos158
Fatores associados à interrupção do suporte ventilatório158
Problemas neurológicos159
Sistema respiratório159
Fatores metabólicos e a função muscular respiratória159
Fatores das trocas gasosas160
Fatores cardiovasculares160
Início do processo de descontinuação do suporte ventilatório160
Avaliação e monitorização161
Índices preditivos de desmame da ventilação mecânica162
Teste de respiração espontânea163
Identificação de pacientes apropriados para TRE163
Método164
Critério para interromper o TER164
Razões para reintubar seguido sucesso no TRE165
Ventilação mecânica não invasiva no processo de desmame165
Extubação166
Teste de Permeabilidade167
Rotina de extubação167
Cuidados Gerais Pré-Extubação168
Complicações da extubação168
Referências169
Capítulo 9 – Cuidados com as vias aéreas171
Intubação endotraqueal (assistência)171
Indicações para intubação171
Avaliação das vias aéreas antes da intubação171
Definição de via aéreas difícil173
Equipamento173
Pré-oxigenação173
Sinais de intubação endotraqueal175
Sinais de intubação esofágica175
Traqueostomia175
Indicações176
Técnica de realização176
Complicações177
Quando realizar a traqueostomia?178
Tipos de cânulas de traqueostomia179
Alterações fisiológicas da traqueostomia180
Manutenção da via aérea180
Fixação da via aérea artificial180
Fornecer meios de comunicação para o paciente181
Garantir adequada umidificação181
Minimizar a possibilidade de infecções183
Auxiliar com o clearance das secreções184
Fornecer cuidado apropriado do cuff,184
Problemas relacionados à via aérea185
Referências187
Capítulo 10 – Terapia de higiene brônquica (THB)189
Aspiração Traqueal189
Indicações189
Contraindicações190
Considerações prévias a aspiração190
Monitorização dos efeitos190
Prática clínica191
Hiperinsuflação Manual (HM)194
Compressão manual torácica194
Prática clínica195
Contraindicações195
Drenagem Postural196
Complicações196
Avaliação da necessidade197
Avaliação da resposta à terapia197
Monitorização197
Frequência197
Contraindicações a terapia torácica200
Ciclo ativo da respiração200
Expiração lenta total com a glote aberta em decúbito lateral201
Tosse202
Tosse dirigida203
Técnica de expiração forçada (TEF)203
Tosse assistida204
Aumento do fluxo expiratório (AFE)205
Oscilação de alta frequência (OAF)205
Flutter206
Acapella207
Oscilação de alta frequência da parede torácica209
Ventilação intrapulmonar percussiva210
Evidência211
Considerações sobre a THB212
Algoritmos213
Referências215
Capítulo 1 - Terapia de expansão pulmonar (TEP)219
Introdução219
Perda de volume pulmonar219
Atelectasia219
Mobilização controlada221
Posicionamento221
Exercícios respiratórios223
Respiração profunda223
Pausa inspiratória224
Respiração diafragmática225
Auxílio mecânico para aumentar o volume225
Espirometria de incetivo226
Ventilacão não invasiva por pressão positiva (VNIPP)228
Respiracão com pressão positiva intermitente (RPPI)228
Pressão positiva nas vias aéreas (EPAP)230
Fluxograma233
Referências234
Introducão237
Definicão238
Fadiga muscular238
Fraqueza dos músculos inspiratórios238
Endurance239
Características clínicas239
Função dos músculos respiratórios239
Avaliação239
Princípios de treino245
Sobrecarga245
Especificidade245
Reversibilidade246
Equipamentos para treino dos músculos inspiratórios246
Treino de força muscular246
Treinamento de endurante249
Implementando o treino muscular respiratório252
Indicações252
Contraindicações252
Questões prática252
Monitoramento253
Iniciando o treino253
Interrupção do treino253
Referências254
Capítulo 13 - Mobilização257
Introdução257
Avaliação do paciente grave258
Efeito do imobilismo no paciente grave260
Sistema cardiovascular260
Sistema hematológico261
Sistema respiratório261
Sistema musculoesquelético262
Sistema Nervoso263
Sistema imunológico264
Sistema Renal264
Sistema endócrino264
Definição266
Etiologia266
Fisiopatologia266
Manifestações clínicas268
Métodos de avaliação268
Mobilização precoce270
Definição e benefícios da mobilização precoce no paciente grave270
Cuidados durante a mobilização precoce272
Quando iniciar a mobilização precoce272
Quando interromper a mobilização precoce275
Recursos para realizar a mobilização precoce276
Cinesioterapia (manual)276
Eletroestimulação neuromuscular277
Cicloergômetro281
Reabilitação Virtual283
Protocolos285
1 - Gosselink, et al., (2011)285
2 – Hanekom, et al., (2011)287
3 - França, et al., (2012)290
4 - Berry, et al., (2014)291
5 - Sommers, et al., (2015)292
6 - Klein, et al., (2015)293
7 - Hillegass, et al., (2016)294
Referências295
Capítulo 14 – Fisioterapia no pós-operatório301
Introdução301
Resposta fisiológica a cirurgia301
Complicações pulmonares pós-operatória (CPPO)301
Fatores de risco303
Fatores de risco relacionados ao paciente303
Relacionados ao procedimento306
Estratificação de risco308
Cardiovascular308
Pulmonares313
Radiografia de tórax e Gasometria arterial316
Estatus funcional316
Teste de função pulmonar317
Fisioterapia317
Ventilacão mecânica no pós-operatório318
Ventilação não invasiva no pós-operatório319
Terapia de higiene brônquica322
Treinamento muscular respiratório pré- e pós-operatório322
Expassão pulmonar pré-, intra- e pós-operatório323
Mobilizacão pré- e pós-operatória325
Dor pós-operatória327

Capítulo 1 – Anatomia e Fisiologia Pulmonar

Capítulo 1 – Anatomia e Fisiologia Pulmonar

Anatomia das vias aéreas e segmentos pulmonares e lóbulos

Anatomia superficial dos lóbulos pulmonares Os pulmões acedem acima da primeira costela. Durante a inspiração total o lobo inferior desce até o nível de T10 posteriormente e o processo xifoide anteriormente. As partes de todos os lóbulos pulmonares (superior direito, médio e inferior; superior esquerdo e inferior) estão adjacente à parede torácica anterior, enquanto somente partes dos ápices e bases são encontradas posteriormente. Ambas as fissuras oblíquas (separando o ápice e lóbulo médio do lóbulo inferior). Ambas as fissura oblíquas (separando o lobo superior e médio do lobo inferior) começa ao nível da terceira-quarta vértebra torácica e segue até a sexta junção costocondral. A fissura horizontal (encontrada somente no pulmão direito) segue o quarto espaço intercostal a partir do esterno até encontrar a fissura oblíqua ao cruzar a quinta costela. Consequentemente, ambos os lobos superiores (excluindo a língula) estão localizados acima do processo espinhoso T3 ou espinha da escápula posteriormente e acima da 4ª e 6ª cartilagem costal anteriormente. A língula e o lóbulo médio estão predominantemente anteriores a linha medioaxilar e são encontrados entre a 4ª cartilagem costal. Os lobos inferiores dos pulmões estão localizados entre os níveis T3 e T10 posteriormente (ou tão baixo quanto uma mão de largura abaixo do ângulo inferior da escapula posteriormente no adulto) e lateralmente ao xifoesterno anteriormente. Esse pontos de referências podem mudar de acordo com o ciclo respiratório, doenças pulmonares, mudança no padrão ventilatório (figura 1).

Figura 1 Áreas de projeção dos lóbulos e das fissuras dos pulmões na superfície do corpo, vista anterior, posterior e lateral.

Aristides Oliveira

Vias aéreas superiores

A faringe estende da base do crânio ao esófago e comunica-se com o nariz, boca e laringe. A faringe serve como uma passagem comum para o ar e alimento; a respiração e a deglutição não podem acontecer simultaneamente.

Fonação e prevenção de aspiração para a árvore traqueobrônquica são importantes funções da laringe. A proteção de aspiração é alcançada por ação esfictérica das pregas vestibulares e as pregas vocais. A laringe contem as cordas vocais que vibram para produzir a fonação durante a expiração. A laringe é composta principalmente da cartilagem tireoide e cricóide e o osso hioide. A cartilagem tireóidea é composta por duas lâminas cartilagíneas unidas anteriormente na linha média do pescoço formando a proeminência laríngea, em forma de crista visível sob a pele do pescoço como o "pomo de Adão". Na borda superior da cartilagem tireóidea está ligado o osso hioide pela membrana tireóidea. A epiglote projeta-se superoinferiomente e se conecta na face posterior da língua. A cartilagem cricóidea está ligada a borda inferior da cartilagem tireóidea pela membrana cricotireóideo que pode ser palpada anteriormente logo abaixo do pomo de adão. Duas cartilagens aritenóide articulam-se com o corpo superior da cricóide, a cartilagem aritenóide tem dois processos em suas bases. Anteriormente, o processo vocal da inserção as cordas vocais; lateralmente, o processo muscular é o local de inserção para os músculos anterior e lateral cricoaritenóidea, esses músculos aduz e abduz as cordas vocais. O par de cordas vocais e a elevação da aritenóide compreende a glote. A abertura mediana entre as pregas vocais através da qual o ar passa se chama rima da glote, e é mais estreita na parte onde a laringe repousa (figura 2).

Figura 2 Anatomia da laringe Traqueia

A traqueia do adulto estende da borda inferior da cartilagem cricóide (que está na altura da C6) a carina. A traqueia é composta por cerca de 18 a 2 cartilagens flexíveis em formato de "C" com uma membrana posterior (Fig. 3). O comprimento médio de 1,8 cm (variando de 10-13 cm) com o pescoço na posição neutra, enquanto que na extensão do pescoço, o seu comprimento aumenta em 30% aproximadamente. O formato traqueal varia ao longo do comprimento da traqueia e muda com inspiração, expiração, tosse, ventilação mecânica e postura. A traqueia aumenta durante a inspiração e contrai com a expiração. Devida à porção membranosa posterior ser altamente complacente que a cartilagem anterior, é mais facilmente deformada durante as mudanças de pressão intratraqueal. A complacência da traqueia diminui

Capítulo 1 – Anatomia e Fisiologia Pulmonar com a idade, a calcificação das cartilagens pode ser vistas após os 35 anos e é quase sempre vista em alguns graus naqueles pacientes com mais 60 anos.

Figura 3 Anatomia da traqueia.

Do brônquio ao alvéolo

Na carina a traqueia se bifurca em brônquio principal (1º geração) direito e esquerdo (Fig. 4). O brônquio principal direito difere de muitas formas do esquerdo. O direito geralmente é mais curto e mais largo e sai da traqueia em um angulo de cerca 15º, enquanto que o esquerdo em cerca 35º a linha média do plano sagital. Isso não necessariamente ocorre. Também, o brônquio principal direito divide-se em três brônquios lobares; o esquerdo apenas dois. O brônquio lobar suprem diferentes lóbulos do pulmão, e suas ramificações dentro dos pulmões dão origem aos brônquios segmentares ou terceira geração. Esses brônquios segmentares suprem a porção do pulmão conhecida como segmento broncopulmonar. A distribuição desses segmentos é ilustrada na Figura 4.

Figura 4 Seguimentos broncopulmonares.

Aristides Oliveira

O brônquio principal, lobar e segmentar normalmente permanecem patente durante a inspiração e expiração e tosse, mas eles estão susceptíveis ao colapso com mudanças na pressão intratorácica, Quando a pressão intratorácica excede a pressão intraluminar em cerca de 50 cmH2O, como pode ocorre durante a expiração forçada, os brônquios mais largos colapsam e limitam o pico de fluxo expiratório (peak expiratory flow). Pequenos ramos brônquicos do brônquio segmentar, e seus diâmetros, diminuem progressivamente de 3,5 a 1mm até, na 12º geração, a via aérea cessa de ter cartilagem em suas paredes e passam a ser conhecidas como bronquíolos. O calibre dos bronquíolos é influenciado pelo volume pulmonar. Cada bronquíolo entra no lóbulo pulmonar e dão origem a sete bronquíolos terminais (geração 12-16). O lóbulo pulmonar servido pelo bronquíolo terminar é denominado ácinos. Os bronquíolos terminais são os últimos condutores de ar e obtém suprimento sanguíneo da circulação bronquial. Distalmente, a passagem de ar tem função de troca gasosa e são supridos pela circulação pulmonar.

Além dos bronquíolos terminal (17-23 geração) os ácinos são compostos de bronquíolos respiratórios, ductos alveolares, sacos alveolares e alvéolo. Cerca de 20 alvéolos comunica-se com a câmara central do saco alveolar. Pequenas aberturas (5- 10µm de diâmetro) são encontradas nos alvéolos denominados de poros de Kohn, permitindo a passagem de ar de um alvéolo para outro.

Os canais intrabronquiolar foram descritos por Martin (1966), e as comunicações brônquio-alveolar por Lambert (1955) (Fig. 5). Os lóbulos comunicantes são algumas vezes bífidos e conectados com os alvéolos adjacentes. Nas gerações 12-14 eles podem conectar com suas próprias subdivisões alveolares, mas na geração 14-16 (bronquíolos terminais) eles podem conectar a outros alvéolos (conexão interacinar). Essas conexões são maiores (cerca de 30µm de diâmetro) que os poros de Kohn e podem permanecer abertas independentemente da contração dos músculos lisos brônquico. Eles são importantes vias para ventilação colateral e pode ser altamente significante na reexpansão de vias aéreas colapsadas.

Figura 5 Potenciais vias do fluxo colateral.

Capítulo 1 – Anatomia e Fisiologia Pulmonar

Fisiologia da respiração

Mecânica respiratória Vias aéreas e volumes pulmonares

A via aérea condutora incluem a traqueal e todos os ramos da via aérea para baixo até os bronquíolos que são supridos com sangue da artéria bronquial. A via aérea condutora não contém alvéolos, e não realiza troca gasosa, e, dessa forma, constituem o que é conhecido como espaço morto anatômico. Distal aos bronquíolos terminal, o bronquíolo respiratório, que contém o alvéolo, realiza a função de troca gasosa e seu suprimento deriva da artéria pulmonar. Em função do vasto número de ramos a velocidade do ar diminui consideravelmente. A difusão de oxigênio ocorre nos capilares pulmonares adjacentes, e o CO2 difunde do sangue ao longo dos gradientes de pressão parcial entre o sangue e as zonas respiratórias das vias aéreas.

O volume de gás no pulmão ao final da exalação tranquila é a capacidade funcional residual (CFR). Os valores normais para os indivíduos em diferentes posições são mostradas na tabela. A CRF é comumente utilizada como ponto de partida para considerar o volume pulmonar, a CRF é o volume de gás deixado nos pulmões após a expiração passiva e permite a mistura de gás e a troca gasosa ocorra durante a pausa expiratória. Outros volumes pulmonares de importância clínica são a capacidade vital (CV) e volume residual (VR). Todos os volumes exceto a CFR e VR são mensurados pela espirometria (Fig. 6). A determinação do VR é sempre indireta, sendo derivada da CRF. Várias técnicas são empregadas nesse sentido:

plestimografia de corpo interior, lavagem de nitrogênio (N2), técnica de diluição de gases.

Figura 6 Subdivisão espirométrica do pulmão mostrando quatro volumes e quatro capacidades. Cada capacidade é formada da combinação de dois ou mais volumes. VCIN =Capacidade Vital Inspiratória; FVC =Capacidade Vital Forçada; FEV =Volume Expiratório Forçado; Ts =T s =Tempo em segundos; IC=Capacidade Inspiratória; VT =Volume Corrente; e ERV =Volume de Reserva Expiratória. Adaptado de: Costa e Jamami, (2001).

Pressão respiratória e Fluxo

Na CRF as forças de recolhimento elástico da parede torácica tende a expandir, projetando-se para fora, e se equilibra com as forças de recolhimento elástico do pulmão. A tração entre as duas superfícies pleurais geram uma pressão pleural subatmosférica de 5 cmH2O na CRF. Devido a ausência de fluxo aéreo na

Aristides Oliveira

CRF, a pressão alveolar é atmosférica. A diferença entre as pressões pleural e alveolar na CRF é de 5 cmH2O, e é conhecida como pressão transpulmonar. Com a inspiração do volume corrente (geralmente 8-10 ml/kg), uma grande pressão subatmosférica é gerada. A quantidade de aumento de pressão subatmosférica que é gerada para produz a mudança no volume corrente é a medida da complacência.

Complacência é definida como modificação de volume por unidade de pressão alterada. A pressão pleural pode ser estimada por um balão posicionado no terço inferior do esófago. Se a pressão mensurada durante a inspiração é subatmosférica ocorre a pressão alveolar. Se o fluxo inspiratório também for determinado, a resistência da via aérea pode ser determinada, dividindo a pressão alveolar pelo fluxo. Os valores normais para a resistência da via aérea e complacência bem como as causas de anormalidades são mostrada na Tabela 1. A condutância da via aérea é proporcional à resistência das vias aéreas. Existe uma linearidade entre a condutância das vias aéreas e o volume pulmonar: Como o pulmão aumenta seu volume, o diâmetro e comprimento das vias aéreas aumentam proporcionalmente fig.

TABELA 1 Definições, Requisitos de Medição, Valores Típicos e Causas de

Anormalidade para Complacência e Resistência.

Definição Mensuração Valores típicos

Complacênciaa Modificação de volume por unidade de pressão alterada.

Pressão estática e volume Pulmão/tórax = 50-100 ml/cmH2O

Resistênciab Diferença de pressão necessária por unidade de mudança de fluxo

Pressão dinâmica e a. Baixa complacência ocorre com edema pulmonar, pneumonia, contusão pulmonar, fibrose intersticial, e síndrome da angústia respiratória (SAR). b. Alta resistência ocorre na asma, enfisema, bronquite, broncoespasmo, retenção de secreção nas vias aéreas, compressão das vias aéreas, e estreitamento ou estenose.

Músculos respiratórios e caixa torácica

Devido ao formato das costelas e a forma em que os músculos intercostais estão dispostos, em paralelo a circunferência do tórax, a espação anteroposterior e lateral ocorre pela contração dos músculos intercostais. Durante a inspiração os diâmetros anteroposterior e lateral aumentam, e as costelas são elevadas. O movimento das costelas sobre seus eixos de rotação é análogo ao arco descrito pela alça de balde. O ponto em que a distância radial do eixo de rotação é maior (onde a alça deve ser pega) é anterior no tórax superior e mais lateral nas costelas inferiores. O movimento do esterno durante a inspiração tem ação de alavanca movendo para cima e para fora.

O diafragma é o músculo da inspiração mais importante. Na respiração tranquila ele contribui com 70-80% do volume corrente. A contração do diafragma causa decida da cúpula, espação da base do tórax, aumento na pressão intrabdominal, e diminuição da pressão intratorácica. Na respiração com VC normal o diafragma move cerca de 1cm; com exercício e inspiração e expiração forçada ele pode se mover 10 vezes esse valor. O diafragma não é essencial para a respiração, como há outros músculos acessórios da respiração. Quando o diafragma é paralisado, ele move mais para cima que para baixo durante a inspiração, devido a queda da pressão intratorácica. O músculo mais importante da expiração são os músculos abdominais. Os músculos abdominais oblíquos interno e externo e transverso

(Parte 1 de 7)

Comentários