Resenha crítica - Duas notas sobre Machado de Assis

Resenha crítica - Duas notas sobre Machado de Assis

RESENHA CRÍTICA

SCHWARZ, Roberto. Que horas são? Ensaios. Companhia das Letras. Ed: Schwarcz LTDA. São Paulo, 2002, p. 165 – 178.

Contendo como título um tanto sarcástico, Que horas são? O presente livro examina alguns dos acertos e desacertos da cultura brasileira a partir do século passado até os dias atuais. Além de polemizar as razões pelas quais ela sempre passa a impressão de ser postiça, ou de defender o fato de que os partidos populares presentes atualmente devem ter uma política para a mídia. Partindo disso, Schwarz analisa em seu livro, o romance de Machado de Assis, a poesia de Oswald de Andrade e de Augusto de Campos ou o filme Cabra marcado para morrer, de Eduardo Coutinho, assim como uma peça de Brecht, A Santa Joana dos Matadouros. Suas pesquisas deslocam frequentemente de uma acurada atenção em que esta foi feita reciprocamente, o que torna suas obras críticas sejam amplas como também provocantes e problemáticas.

No ensaio “Duas notas sobre Machado de Assis”, Roberto Schwarz trata sobre partes de um prefácio à edição venezuelana do Quincas Borba, que inicia-se com a seguinte indagação: Quem me diz que este personagem não seja o Brasil? A pergunta na verdade é de um coetâneo de Machado de Assis que remete ao principal personagem de Quincas Borba (romance escrito por Machado de Assis), Pedro Rubião de Alvarenga. Rubião, sendo o melhor amigo de Quincas Borba, herdou todos os seus bens, tendo como única obrigação, cuidar do cachorro de seu falecido amigo. Famoso por tornar-se bastante rico e sendo um rapaz ingênuo, Pedro acabou despertando muitos olhares maldosos, vigaristas que já pensavam em formas de subtrair sua fortuna. Conhecido além de sua ingenuidade em vários aspectos, o personagem, é considerado como uma representação brasileira, embora, esta representação não esteja totalmente explícita. Entretanto, muitos autores julgavam Machado de Assis por essa ausência de interesse tanto pelas boas representações do país, tanto quanto seus problemas, esses autores ainda criticavam, a obra em questão, por ela, em suas visões, ser um literato estrangeiro. Essa discordância que permaneceu até os dias atuais, causou ainda muita discussão na Câmara de Deputados, onde se escolhia o patrono das letras brasileiras. O autor, ainda respondendo à pergunta que se dá início do ensaio, questiona se, José de Alencar, sendo o festejado criador de vários romances indianistas, não seria mais nacional que Machado de Assis? No entanto, Schwarz, contradiz, afirmando que, sendo a melhor crítica, o romancista de Quincas Borba seria fortemente o mais brasileiro de nossos escritores.

Todavia, Machado de Assis tendo conhecimento dessa contrariedade, escreveu dizendo que, tratando-se de literatura, sobretudo de uma literatura nascente, é importantíssimo valorizar assuntos e as formas que regem a sua origem, mas que essa padronização, se estabelecida, as empobreceriam. Machado completa afirmando: “O que se deve exigir do escritor antes de tudo, é certo sentimento íntimo, que o torne homem do seu tempo e de seu país, ainda quando trate de assuntos remotos no tempo e no espaço.” (MACHADO et al., 1959 apud SCHWARZ, 2002).

Assim sendo, fica visível que a literatura de Machado de Assis, apresenta sim as características brasileiras, no entanto, o escritor não as evidência. Schwarz ainda faz um bom esclarecimento dizendo: “Digamos sumariamente que em vez de elementos de identificação, Machado buscava relações e formas. A feição nacional destas é profunda, sem ser óbvia.”(SCHWARZ, 2002. p. 166). Dito isso, fica entendido que encontra-se sim, no romance de Quincas Borba, referências sobre as características históricas e naturais do país, entretanto, tais referências não possuem uma ênfase notável.

A crítica, sentindo essa problematização, se dividiu em duas convicções: de um lado estavam aqueles que acreditavam que a ausência dessas menções que valorizavam o país, pareciam ser na verdade, uma imensa falta de consideração. De outro, havia aqueles que aplaudiram o escritor por ser o primeiro a se preocupar com o universalismo, que tratava de polêmicas além daquelas que situavam em sua região. Com isso, o universalismo torna-se, de fato, um componente da literatura machadiana. Perante estas duas concepções, uma contra, outra a favor do romance e da metodologia de Machado de Assis, estabelecem a pouca importância que possui a obra em discussão. No entanto, o autor discorda de tal conclusão. Schwarz, para justificar sua discordância, menciona sobre o livro recentemente publicado, que tratava das transformações do Brasil entre o Império e a República, cujo foi escrito baseado nas notações de Machado de Assis. “Em consequência, o livro documenta cabalmente a amplitude e a fidelidade do trabalho de cronista de Machado – e neste item talvez encerre a polemica – mas não analisa o seu espírito.”(SCHWARZ, 2002. p. 168)

Resumidamente, ambas possuem igual importância. A notação local (a que valoriza os princípios e características de sua nacionalidade) por mais que deva ser indispensável, isso não impede que mencione, juntamente a ela, fatos que envolvem o universalismo, uma vez que, os mesmos questionamentos que existem na região que vivemos, podem existir em outras ademais. Para sustentar seu ponto de vista, o autor do ensaio ainda afirma que “Longe de ser um defeito [...] esta conjunção desparelhada é um dos segredos da narrativa machadiana e de seu caráter nacional.” (SCHWARZ, 2002. p. 168), ou seja, essa metodologia de Assis escrever o que hoje chamamos de literatura, criticado por alguns autores, é na verdade nada mais que a sua essência no que diz respeito ao modo como ele aplica a notação local e universalismo em suas obras.

Além das duas concepções citadas anteriormente, onde existiam os contras e os que eram a favor dos ideais de Machado, Roberto Schwarz, além disso, aponta outra dialética, que defendia Machado de Assis como aquele que foi mais longe no que diz respeito aos dados sociais. O escritor, embora aproveite-se da literatura brasileira, dispensou, pode-se dizer, o estrangeirismo, o que lhe dava a liberdade para abordar sobre dados sociais, associados com a notação local, sem dar a impressão de que Machado o fazia por obrigação ou por apresso, por assim dizer. Consequentemente, Machado de Assis era o primeiro romancista que poderíamos ler sem que fosse suspeito para falar de sua nacionalidade, “[...] devido ao compatriota, não sendo por isto menos nacional.” (SCHWARZ, 2002. p. 168). Ou seja, independentemente de sua origem, podemos lê-lo sem ter que dar aquele desconto porque está tratando “sobre sua terra”. O ensaísta conclui afirmando que esta noção sobre o escritor brasileiro é a base de estudo para o ensaio aqui analisado, como de fato, parece-me que realmente seja, visto que, dado o romance “Quincas Borba”, é notável a presença de diversas características brasileiras no decorrer da história, e ainda assim, Machado não precisa escancarar para que esta particularidade seja percebida.

No 9º parágrafo, o autor retoma ás diferenças entre os localistas e universalistas, justificando esse desacordo por razão da ligação os quais tinham com a independência brasileira do período colonial. No dado momento, era necessário diferenciar o Brasil como ex metrópole de Portugal como também, estabelecer o país enquanto nação. E assim, por um lado insistiam em registrar a história do Brasil de acordo com sua originalidade e não, como outros defendiam, no modo como o país se fez após sua colonização. Era essa oposição, entre a notação local e o universalismo, que balanceava a situação, o que situava, segundo o Schwarz “[...] os termos inimigos no interior de um mesmo movimento de afirmação da identidade nacional, em que eles se complementam harmoniosamente.” (SCHWARZ, 2002. p. 169).

No entanto, não se manterão juntos harmoniosamente como ficaram até então. Isso ocorre porque cai-se por terra o plano de ajustar as nações civilizadas, o que ocupou em seu lugar “[...] à primeira plana a história mundial do Capital, de que a colonização da América, o imperialismo de uns e a dependência econômica, política e cultural de outros, além da luta de classes, formam capítulos inseparáveis.” (SCHWARZ, 2002. p. 169). Nem por isso, as dialéticas de nacionalismo e universalismo ficaram perdidas, ambas refizeram seus termos e a promessa de harmonia até então estabelecida, desaparece. Isso aconteceu em razão do surgimento da nova ordem mundial do capital, ou seja, o primeiro e novo plano histórico mundial do capitalismo. Essa justificativa está perceptível quando o autor afirma “Em lugar dele veio à primeira plana a história mundial do Capital, de que a colonização da América, o imperialismo de uns e a dependência econômica, política e cultural de outros, além da luta de classes, formam capítulos inseparáveis.” (SCHWARZ, 2002. p. 169). E o que pode ser dito para explicar qual a relação desse fato histórico com as dialéticas, é que a harmonia proposta para elas, segundo o autor, “[...] parece exigir e reproduzir desigualdades [...]”, desigualdades estas que surgem com a chegada do capitalismo, visto que é através dele que surgem as classes sociais e consequentemente suas discordâncias. Schwarz completa dizendo que essas dialéticas “[...] parece exigir e reproduzir desigualdades e alienações de toda espécie, numa escala inconcebível, de reparação difícil de imaginar.” (SCHWARZ, 2002. p. 169).

Contudo, após essas alterações, as particularidades do país descobrem a sua posição no que diz respeito à história, posição esta que se encontra mais ampla, não contendo mais a necessidade de se cultivar a sua originalidade, mas, nas palavras do autor “[...] situação de facto e desvantajosa no sistema internacional.” (SCHWARZ, 2002. p. 170). Diante dessas condições, a explicação da essência nacional de uma literatura ou de um escritor também não ficam intactos. Perante o que foi dito, acredito-me que, tal esclarecimento não ficou muito claro visto que para melhor compreende-lo é necessário que faça uma breve pesquisa sobre o texto a qual o autor faz referência, sendo o A formação da literatura brasileira, de Antonio Candido. É claro que, para aqueles que estudam/trabalham na área de literatura, é fundamental que se tenha, no mínimo, um breve conhecimento sobre os estudos tratados por Candido. Ainda assim, mesmo para esse tipo de leitor, entender o porquê do desaparecimento da promessa de harmonização entre as dialéticas e qual a sua relação com a historiografia brasileira, requer muito mais que uma breve noção sobre tal referência. E considerando ser um texto esclarecedor, principalmente no que diz respeito às formas como Machado de Assis compõe suas obras, creio que neste dado trecho, tal explicação não ficou muito clara.

Schwarz, porém, afirma que a perspectiva de Machado era diferente, uma vez que o escritor lutou com persistência para o nascimento de uma cultura nacional. Assis, embriagado pelo apresso que tinha pelas coisas brasileiras e “[...] sintonizado com o fin de siède europeu [...]” (SCHWARZ, 2002. p. 170), não enxerga o próximo dia com muita animação, inclusive em suas obras era comum que a construção e destruição estivessem juntas. Isso na verdade, segundo o autor, é que os romances de Machado de Assis estavam intimamente presentes na construção da literatura brasileira e quando se trata da destruição, fazia referência, na verdade, às quebras de configurações a qual os vanguardas dava início a suas dedicações como porção da crise geral e cultural burguesa que estava começando no dado momento. Uma mudança que era suficiente para tomar conta da atual situação do país, no qual, estava neste momento estabelecendo-se como nação culta, isso, inclusive no mesmo tempo, em que expansão imperialista revelava sua crise de nacionalidade e da civilização burguesa.

Retornando a análise de Quincas Borba, no decorrer de sua história, o ensaísta assegura que certamente o leitor poderá encontrar características tanto das notações locais quanto do universalismo de Machado de Assis. O escritor não tinha a menor preocupação com a sua junção, mas sim aos aspectos que as tornavam desiguais a qual parecesse ao leitor, às características mais conhecidas para si. Quanto á isso, mesmo não conhecendo de fato toda sua história, parece-me, que em relação ao romance analisado no vigente ensaio, ao fazer uma breve leitura,é possível perceber estas características da população brasileira, principalmente quando ao enriquecer e por sua ingenuamente, Rubião não se dá por conta do quanto despertou a inveja de muitas pessoas, no real sentido do nome, vigaristas. E infelizmente, tanto em outras obras quanto em filmes ou novelas, tão situação não é muito diferente do que ocorre no país que vivemos. Já que estamos falando da obra em questão, é triste dizer que é essa alusão que posso fazer desse romance de Machado, embora, como dito antes, não conheça toda a história. Outro bom exemplo que o ensaísta inclui ao seu texto, exemplo este que justifica o fato da existência da disparidade entre a situação local e universal ser tanta, que causa o riso. O exemplo se dá na presença tanto da notação local como do universalismo, manifesto no trecho do romance de Machado no que diz respeito a comadre Angélica. A personagem, abriga em seu quintal, localizado na cidade de Barbacena, diversas espécies de animais, entre pássaros, cachorros, galinhas, inclusive um pavão, e é isso é a notação local. E o fato universal é que ela possui mais amor aos seus bichos do que ao homem. Tal explicação está posta no seguinte trecho “[...] ao dono o pavão interessa mais que as aflições do próximo.” (SCHWARZ, 2002. p. 170).

Continuando com a linha de raciocínio, Schwarz ainda brinca com as próprias palavras de Assis, questionando-se se seria para o escritor “assuntos que lhe oferecia a sua região?” ou seja, características que fosse para si, as que fossem mais semelhantes a vida que conhecemos. O autor prossegue e justifica “Nesta convivência irreconciliada, em que se pode ver a cifra de uma situação histórica e cultural, os termos se ridicularizam reciprocamente.” e completa “Aliás, a própria fixação enfática destes níveis, a ponto de se tornarem planos retóricos distintos, já é um recurso cômico, algo como um registro de alienação.” (SCHWARZ, 2002. p. 170). Lido isso conjuntamente com a obra examinada, entende-se que essa é a jogada do personagem Quincas Borba, no que diz respeito à questão universal de que, eu tenho que cuidar de outro de ser humano, e Quincas testa o amor que Rubião dizia ter por sua pessoa, deixando a sua herança na condição de que seu amigo cuidasse de seu cachorro. Essa é a situação pitoresca que cria o desnível na história, quem herda a herança não é Pedro Rubião, mas sim o cachorro de Quincas.

Roberto Schwarz finaliza sua linha de raciocínio supondo, hipoteticamente, que a afinidade e amor que Machado possui pelo Brasil não se estabelece na sua genial elaboração de notação local, de que normalmente deveria ser, nem mesmo desclassificada pela dialética universalista que é sem dúvida, um aspecto fundamental de sua literatura. Essas duas concepções, sendo instrumentos indispensáveis, juntamente com outras ademais, integram-se em formas e fórmulas que pertinentemente “[...] são a matéria dissonante [...]” (SCHWARZ, 2002. p. 172)e que elas sim, de fato, transparecem o “sentimento íntimo de seu tempo e país” a que Machado de Assis alude. Levando em conta tudo que foi dito sobre essa particularidade de Machado ao escrever, e baseado nos bons esclarecimentos feito pelo autor do ensaio, facilmente, leva-me a concordar com Schwarz, principalmente quando ele afirma que esse prática do escritor é o que o mais caracteriza-o enquanto escritor da literatura brasileira, sem precisar de fato, a saudar em tudo que escreve.

No que diz respeito a essas formas e fórmulas, elas podem ser consideradas como a reprodução literária dos fatores reais, decisórios porém menos óbvio, do regime colonial. Considerando a temática, segundo o autor, os romances de Machado são um tanto fúteis, porém a composição de sua obra é que possui a merecida importância. É em seus romances que, notavelmente, encontra-se a obstinação e indagação de regras, ao qual o povo brasileiro comumente possui como práticas obrigatórias, no dizer de corriqueiramente usadas. Regras estas que não necessariamente podem ser comuns a toda humanidade que vive nos demais países, mas sim, como necessidade das particularidades históricas de nosso país, como, nas palavras do autor “[...] como só uma larga reflexão as poderia colher.” (SCHWARZ, 2002. p. 172). Quando no plano do assunto e da forma ostensiva, Machado de Assis se prendia aos bons imprevistos e a imperfeita semana de um jornalista. E no plano da forma latente, seus romances imitam e representam a necessidade e caraterísticas estruturais do país, o que configura, segundo o autor, a nossa peculiaridade lógica.

Após concluir suas visões, Roberto Schwarz acrescenta ao seu ensaio, uma linha bibliográfica sobre Machado de Assis e ainda enfatiza em seu título, sendo posto para o/os suposto/os leitor/res estrangeiro/os. Nessa bibliografia Schwarz apresenta sobre a trajetória de vida de Machado, começando pelo seu nascimento, fala brevemente sobre sua infância, pois, dito pelo autor, pouco se sabe. O autor dá continuidade com a adolescência do escritor, onde inicia-se sua vida profissional e menciona também a morte de Machado de Assis, ocorrida em 1908 no Rio Janeiro. O ensaísta aborda bastante sobre como Machado e sua família viviam e suscintamente, o caminho que percorreu até tornar-se o escritor renomado que é considerado nos dias de hoje. A linha bibliográfica conta ainda com as formas a qual Machado costumava escrever suas obras, ele

“praticava a poesia, a crítica literária e teatral, publicava crônicas e contos, adaptava teatro do francês, escrevia peças próprias, recitava versos comemorativos, fazia parte do Conservatório Dramático, da Arcádia Fluminense, participava de campeonatos de xadrez [...]”. (SCHWARZ, 2002. p. 176)

entre outros. Resumidamente, nas palavras do autor:

“[...] participava em larguíssima escala na vida cultural nascente do Rio de Janeiro, num momento em que a criação ou existência de uma tal vida pareceria mais importante às pessoas do que a sua qualidade.” (SCHWARZ, 2002. p. 176).

De uma forma geral, considero como parte mais interessante do ensaio, justamente essa abertura de visões que até então não possuía. É muito importante saber sobre como se dá a literatura brasileira e a sua essência enquanto composição. O esclarecimento sobre notação local e universalismo, embora um pouco confuso a princípio, é de longe muito enriquecedor para o conhecimento, principalmente para aqueles que estão adentrados na área. Após feito toda essa análise, será impossível, a partir de hoje, ler Machado de Assis com mais atenção, para tentar perceber essas formas e fórmulas que regem suas obras.

REFERÊNCIAS

SCHWARZ, Roberto. Que horas são? Ensaios. Companhia das Letras. Ed: Schwarcz LTDA. São Paulo, 2002, p. 165 – 178.

Machado de Assis, “Instinto de nacionalidade”. Obra completa, Rio de Janeiro, Aguilar. 1959, v.3, p.817

ASSIS, Machado de. Quincas borrba. Obra completa. Ed: Nova Aguilar. Rio de Janeiro, 1994.

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