TCC PRONTO Versão final

TCC PRONTO Versão final

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BRAGANÇA-PARÁ 2012

2 JOSÉ CLAUDIONOR DE LIMA LUZ JÚNIOR

Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação, apresentado à Universidade Federal do Pará - Faculdade de Letras Campus de Bragança, como requisito parcial para a obtenção do grau de Licenciatura Plena em Letras, Habilitação Língua Portuguesa.

Orientador: Prof. MSc. Álvaro Luiz Teixeira de Araújo

BRAGANÇA-PARÁ 2012

3 JOSÉ CLAUDIONOR DE LIMA LUZ JÚNIOR

Conceito

Prof. MSc. Álvaro Luiz Teixeira de Araújo – Orientador Faculdade de Letras – Campus Universitário de Bragança

Profa. Dra. Raimunda Cristina Caldas Faculdade de Letras – Campus Universitário de Bragança

Profa. Dra. Tabita Fernandes da Silva Faculdade de Letras – Campus Universitário de Bragança

BRAGANÇA-PARÁ 2012

Aos meus pais, Claudionor e Ilza, que sempre acreditaram em mim;

À minha irmã, Claudiane, que sempre me apoiou.

Agradecimentos

A Deus pela sabedoria, pela esperança, pela sua misericórdia e por seu amor infinito. Agradeço por essa oportunidade de crescer através do conhecimento e realizações. Ser que deposito minha fé.

sempre me espelhei pelo incentivo aos estudos e apoio

Ao meu pai Claudionor, homem de pouco estudo, mas de muita inteligência, que

A minha mãe Ilza, por que não mediu esforços para que eu e meus irmãos estudássemos.

A minha irmã Claudiane, por tudo que fez e faz por mim, muito obrigado por tudo.

Ao meu irmão e colega de graduação Adriano, exemplo de determinação e esforço na vida e durante o curso.

A Rafaele que esteve presente nos bons e maus momentos da minha vida durante estes últimos cinco anos, pelo apoio, companheirismo, atenção, paciência e pelo “Vai fazer o teu TCC Júnior!”.

Ao Professor Álvaro por ter aceitado me orientar, por sua grande ajuda em todo o processo e por todas as dicas e esclarecimentos que foram fundamentais para a construção deste trabalho.

As professoras Cristina e Conceição, pelos ensinamentos, atenção e companheirismo.

Ao Ronny, amigo e companheiro de trabalhos na graduação, pelas dicas e pelo apoio durante todo o curso.

Às amigas, Aline Roane, Lesliane Soeiro, Edith Moura, Fatima Helena, Aldilene Lopes e aos amigos Claudio Padilha e Israel Henrique. Pela amizade, apoio, companheirismo que a graduação nos proporcionou.

A todos aqueles que direta ou indiretamente me auxiliaram, que torceram e rezaram por mim, e que neste instante, traído pela memória, não recordo, mas que somaram para tornar possível esse trabalho serei sempre grato!

“Na sociedade atual, tanto a oralidade quanto a escrita são imprescindíveis. Trata-se, pois, de não confundir seus papéis e seus contextos de uso, e de não discriminar seus usuários.”

(Luiz Antônio Marcuschi)

Resumo

O objetivo deste trabalho é discutir as questões referentes às marcas de oralidade na escrita de alunos do ensino fundamental maior, participantes do Programa Mais Educação na Escola Sementinha do Saber. Desenvolvemos duas modalidades de pesquisa que são: bibliográfica e descritiva, procurando identificar e analisar as marcas da oralidade presentes nos textos dos alunos. Na nossa análise, procuramos perceber como as marcas da oralidade estão representadas nos textos dos alunos.

Palavras-Chave: Língua Portuguesa, Produção textual, Variação Linguística e Marcas da Oralidade.

Abstract:

This work aims to discuss the questions regarding the marks of orality in the student’s writing who go to the elementary school. These students’ take part in the “Programa Mais Educação da Escola Sementinha do Saber”. Bibliographical and descriptive research models were developed in order to identify and analyse the marks of orality that are present in the students’ text. The analysis shows how the marks of orality are represented in the students’ texts.

Key World: Portuguese Language, Text Production, Linguistics Variation and Marks of orality.

9 SUMÁRIO

INTRODUÇÃO10
1. CAPÍTULO I - DAS CONTRIBUIÇÕES TEÓRICAS12
1.1. RELAÇÃO ENTRE ORAL E A ESCRITA12
1.2. ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO15
1.3. DESVIOS DE GRAFIA18
ESCOLA

1.4. FORMAS DE ABORDAGEM DE PROBLEMAS DA ESCRITA NA 21

2. CAPÍTULO I – DA CONSTITUIÇÃO DOS DADOS24
2.1. METODOLOGIA DE PESQUISA24
2.2. A ESCOLA/PROJETO MAIS EDUCAÇÃO25
3. CAPÍTULO 3 – DA ANÁLISE DOS DADOS27
3.1. ANÁLISE DE DESVIOS DE GRAFIA27
3.2. SUGESTÕES DE ATIVIDADES CONFORME OS PCN’S3
CONSIDERAÇÕES FINAIS35
REFERÊNCIAS36

10 INTRODUÇÃO

Há certa dificuldade do aluno na aquisição da escrita no ambiente escolar, e muitas vezes, apresenta marcas de oralidade em seu texto. Pensando nesse problema este trabalho irá analisar textos de alunos do Ensino Fundamental Maior, participantes do Projeto Mais Educação, na Escola Sementinha do Saber. Esta análise será baseada em autores que discutem sobre a análise dos desvios ortográficos dos textos de alunos (CAGLIARI, 2005); noções de oralidade e escrita, alfabetização e letramento (MARCUSCHI, 2005; SOARES, 2006); formas de abordagem de problemas da escrita infantil (SIMÕES, 2006); relações entre o falado e o escrito (VANOYE, 1987).

Considerando a existência de marcas de oralidade na escrita dos alunos, este projeto pretende, através de análise de textos, identificar e informar as possíveis causas dessas ocorrências. Na medida em que o aluno se depara com a forma escrita da língua, nem sempre consegue desvincular da forma oral, passando esta para a escrita, o que leva sua produção a ser vista como incorreta, levando o estudante a receio na produção textual, já que a análise dos desvios ortográficos dos textos traz à tona a discussão do certo e do errado, de como a ortografia promove certa coesão das mensagens escritas fazendo com que o texto escrito seja muitas vezes avaliado apenas pelo aspecto ortográfico e gramatical.

Nesse sentido, este trabalho de pesquisa tem como objetivo discutir as questões referentes às marcas de oralidade na escrita, levando em conta a produção textual dos alunos e procurar identificar essas marcas. A partir desse ponto, mostrar que tais variações são normais no dialeto de um individuo. Quando ele chega à escola, entretanto, tem que adquirir praticamente, outro idioma. Isso gera, na hora de escrever, várias dúvidas nos alunos, que as transmitem para o texto.

Para que o objetivo esperado seja alcançado, estruturamos nosso trabalho em três capítulos: no primeiro capítulo apresentamos a fundamentação teórica da pesquisa apresentando como foco principal a relação entre o oral e o escrito, com apoio teórico de autores como Cagliari (2005), Ramos (2002), Marcuschi (2005), Rojo (2001), Soares (2003), entre outros.

No segundo capítulo apresentamos a metodologia da pesquisa, em que explicamos a escolha da abordagem bibliográfica e descritiva, tendo como base teoria a autora Oliveira (2008); procuramos também descrever o contexto da pesquisa, os instrumentos que utilizados e fazemos a contextualização do local, mostrando as características da escola, do Programa Mais Educação e dos alunos.

as possíveis causas

No último capítulo, procuramos apresentar algumas reflexões sobre textos, dos alunos, em que aparecem marcas de variações linguísticas analisando e mostrando

Este trabalho é uma pesquisa inicial, mas que com certeza poderá ser aperfeiçoado, para poder, de alguma forma, contribuir para a prática de ensino da língua portuguesa, especificamente quanto à questão da variação linguística. É o que pretendo fazer no futuro.

Neste capítulo apresentamos um breve comentário sobre a relação entre oral e escrita, mostrando sua relação com o ensino da língua portuguesa no Brasil. Levamos em conta como é passada para os alunos essa questão, tema que vem sendo muito discutido por autores como Cagliari (2005), Ramos (1997), Marcuschi (2005), Rojo (2001), dentre outros. Considerando a importância dessa relação para o ensino-aprendizagem nas escolas, foi que escolhemos essa questão para servir de base de estudo da nossa pesquisa, enfocando a produção textual; finalizamos esse capítulo falando de que forma é abordada essa questão, buscando mostrar que ela precisa ser trabalhada em sala de aula para facilitar o ensino-aprendizagem.

1.1. RELAÇÃO ENTRE ORAL E A ESCRITA.

Desde os primeiros meios de utilização da língua e propriamente dito da escrita, o processo de utilização da linguagem na sociedade passou por grandes transformações que nos fazem repensar sobre os mecanismos utilizados no sistema comunicativo, que ao mesmo tempo está associado ao nosso modo de falar e escrever; por serem objetos de estudo que envolvem um campo de atuação bastante amplo, encontramos um conjunto de diversidades que estão inseridas no nosso cotidiano. Dessa forma aprendemos a cada momento, com o nosso processo educativo que nos é empregado, mas ao mesmo tempo aprendemos com o modo de falar, de ouvir e principalmente em nosso contato diário com inúmeras pessoas que trazem de diferentes regiões, comunidades e lugares que em contato com uma língua considerada padrão enriquecem o nosso vocabulário e nos permitem ter uma interação mais abrangente da nossa língua e em consequência torna um mecanismo mais dinâmico das variações existentes na nossa fala e ao mesmo tempo na maneira de escrever.

Desta forma iremos buscar apoio teórico em autores como (MARCUSCHI, 2005), (CAGLIARI, 2005) e (VANOYE, 1987) para refletirmos sobre esse assunto, que vem sendo abordado com frequência nos últimos anos, mas não é trabalhado nas escolas. Como afirma Luiz Antônio Marcuschi, em sua obra intitulada Da fala para a escrita – atividades de retextualização, “Conhecemos, hoje, muito mais sobre as relações entre oralidade e escrita do que há algumas décadas. Contudo, esse conhecimento ainda não se acha bem divulgado nem foi satisfatoriamente traduzido para a prática.” (2005, p. 09) mesmo com vários estudos, alias há décadas, essa questão não está inserida no ensino das escolas.

Marcuschi comenta a relação entre oralidade e escrita, ressaltando a importância de cada uma; “Na sociedade atual, tanto a oralidade quanto a escrita são imprescindíveis. Trata-se, pois, de não confundir seus papéis e seus contextos de uso, e de não discriminar seus usuários”. (2005, p. 2) Já Vanoye (1987, p. 20) afirma que

A língua portuguesa comporta duas modalidades: o português escrito e o português falado. Num mesmo nível, as duas não têm as mesmas formas, nem a mesma gramática, nem os mesmos “recursos expressivos”. Para a compreensão dos problemas da expressão e da comunicação verbais, é fundamental pôr em evidência esta distinção.

Tanto Marcuschi (2005) como Vanoye (1987) refletem sobre essa relação e afirmam que é preciso deixar claro o papel de cada uma, ressaltando os seus valores, para que os indivíduos não os confundam. A fala, enquanto manifestação oral, é adquirida naturalmente através de contextos informais e nas relações sociais do dia-a-dia; por outro lado, a escrita é adquirida em contextos formais, na escola.

Nessa perspectiva Marcuschi define oralidade e escrita, em relação à escrita, relata que a “escrita é usada em contextos sociais básicos da vida cotidiana, em paralelo direto com a oralidade.”(2005, p. 19); dentre esses contextos pode-se citar: O trabalho

A escola

O dia-a-dia

A família

A vida burocrática

A atividade intelectual

A escrita é utilizada em diversos contextos e diversas classes da sociedade e em cada um desses variam os objetivos e as formas que são usadas, nesse aspecto Cagliari menciona que “Estamos tão acostumados a ler e escrever na nossa vida diária, que não percebemos que nem todos leem e escrevem como nós, mesmo os que vivem bem próximo.” (2005, p. 101), isso leva à questão da variação da língua, assunto que veremos no próximo tópico, em que a escola ensina a variação culta da língua e não mostra as variantes da língua oral, implicando uma série de desvios em relação à norma culta na escrita dos alunos. Voltando à escrita Marcuschi (2005, p. 26) enfatiza que

A escrita seria um modo de produção textual-discursiva para fins comunicativos com certas especificidades materiais e se caracterizaria por sua constituição gráfica, embora envolva também recursos de ordem pictórica e outros(situa-se no plano dos letramentos). Pode manifestar-se, do ponto de vista de sua tecnologia, por unidades alfabéticas (escrita alfabética), ideogramas (escrita ideográfica) ou unidades iconográficas, sendo que no geral não temos uma dessas escritas puras. Trata-se de uma modalidade de uso da língua complementar à fala.

Embora criada pelo homem tardiamente em relação à oralidade, ela permeia quase todas as práticas sociais dos povos em que penetrou. Faz-se necessária em quase todos os ambientes, principalmente nas escolas, em que é trabalhada como invariável, aceitando-se apenas a língua culta.

A oralidade é um processo que o indivíduo vive desde a hora do nascimento até a sua morte, em seu grupo social onde aprende a falar conforme os indivíduos do seu meio, adquirindo as variações existentes no seu grupo. Podemos citar como características dessas variações as marcas geográficas, marcas sociais e marcas de estilos. (CAGLIARI, 2007).

Para Marcuschi (2005, p. 25) oralidade é

[...] uma prática social interativa para fins comunicativos que se apresenta sob variadas formas ou gêneros textuais fundados na realidade sonora; ela vai desde uma realização mais informal à mais formal nos mais variados contextos de uso. Uma sociedade pode ser totalmente oral ou de oralidade secundária, como se expressou Ong [1992], ao caracterizar a distinção entre povos com e sem escrita. Considerando-se essa posição, nós brasileiros, por exemplo, seríamos hoje um povo de oralidade secundária, tendo em vista o intenso uso da escrita neste país.

Percebemos que a oralidade estar presente em nosso cotidiano na sociedade, junto à escrita, em diversos contextos; ela é adquirida de forma natural desde o momento em que a mãe tem seus primeiros contatos com seu filho, enquanto que a escrita normalmente é adquirida durante o processo de letramento na escola.

A oralidade e a escrita apresentam sob a perspectiva de uma dicotomia exata, com propriedades distintas, como enumera Marcuschi (2005, p.27)

Contextualizadadescontextualizada
dependenteautônoma
não-normatizadanormatizada

Fala Escrita implícita explícita redundante condensada não-planejada planejada imprecisa precisa fragmentária completa

Em uma visão tradicional, a fala é um lugar dos erros e do caos gramatical, e a escrita o espaço do bom uso da língua, visão a ser rejeitada. (MARCUSCHI, 2005):

O que evitaria essa visão seria admitir que a fala e a escrita possuem variações; isso impediria a identificação da escrita como língua padrão. Essas questões serão abordadas com mais ênfase no próximo tópico.

Em relação à fala e a escrita, Marcuschi considera “[...] que a fala e escrita não são propriamente dois dialetos, mas sim duas modalidades de uso da língua, de maneira que o aluno, ao dominar a escrita, se torna bimodal. Fluente em dois modos de uso e não simplesmente em dois dialetos.” (2005, p.32). Compreende-se assim, que o aluno, ao adquirir essas modalidades, está apto ao uso das duas principais formas de expressão na sociedade, mas vale ressaltar que o mesmo pode ser considerado incapaz de usá-las, uma vez que a escola não admite a variação linguística na fala, muito menos na escrita.

1.2. ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO.

O processo de alfabetização de uma criança tem início no seu meio social, em convívio com sua família e com as pessoas próximas que venham a interagir com ela; desde os primeiros anos de vida a mãe já estimula a criança a falar, repreendendo: “Fala direito menino!”, quando acha que a palavra está errada; logo a criança chega à escola, que é considerada uma das maiores agências de letramento, quanto maior for a escolarização do indivíduo, maior também poderá ser considerado seu grau de letramento. Corrêa (2001, p. 23) diz que,

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