Alongamentos

Alongamentos

(Parte 1 de 3)

Elder Lopes Bhering Igor Lorentz de Assis

Rodrigo Santos Galo Neto Marco Aurélio Souza Silva Rodrigo Márcio de Andrade

Agradecemos a colaboração das estagiárias Lílian e Jéssica pela ajuda na confecção das fotos desta apostila. A todos que colaboraram direta e indiretamente para este trabalho.

Muito Obrigado.

A capacidade física flexibilidade tem sua importância já estabelecida nos programas de reabilitação (COOK et al., 2002) e no treinamento de atletas (HARDY JONES, 1986). Dentre os seus benefícios tem sido descrito melhora da amplitude de movimento (ADM), prevenção de lesões e melhora do alinhamento postural (LA ROCHE et al., 2006).

Um dos métodos descritos na literatura para promover melhora da flexibilidade é o do alongamento muscular. O termo alongamento pode ser entendido como o conteúdo de um treinamento utilizado para se desenvolver a capacidade flexibilidade. Um exercício de alongamento tem como princípio garantir, de forma adequada o maior afastamento possível da origem e inserção da musculatura envolvida (GRECO CHAGAS, 2002). Nesta apostila serão descritos vários exercícios de alongamento visando a melhora da flexibilidade específica de determinados músculos.

Várias técnicas de alongamento são descritas na literatura. Hutton (1992) descreve a técnica estática, balística e de facilitação neuromuscular proprioceptiva como sendo as mais conhecidas. Destas, a técnica estática, de forma passiva, tem sido a mais utilizada devido a sua simplicidade na execução e baixo risco de lesão (ROBERTS WILSON, 1999).

Quanto aos componentes ideais da carga de treinamento da flexibilidade ainda não há consenso na literatura (ROBERTS WILSON, 1999). Alguns artigos comprovaram a eficiência para a técnica passivo estática, de durações entre 15-20 segundos (GAJDOSIK, 1991; TAYLOR et al., 1990), 4 repetições (TAYLOR et al., 1990) e intensidade máxima do alongamento (BHERING et al. 2005).

Sendo assim, o objetivo desta apostila é sugerir exercícios de alongamento padronizados, baseado em conhecimentos cinesiológicos e biomecânicos, respeitando cargas de treinamento e flexibilidade, cujos efeitos já foram descritos na literatura.

Alongamento de músculos dos Membros Inferiores:

Isquiotibiais:

Indicações e Objetivos:

- Déficit de flexibilidade em flexão de quadril com extensão de joelho devido a encurtamento dos músculos isquiotibiais. Melhorar ADMs limitadas pelo encurtamento; - Espasmo de isquiotibiais. Promover relaxamento muscular;

- Retroversão pélvica por encurtamento dos isquiotibiais. Melhorar alinhamento da pelve.

Posicionamento para o alongamento de forma passiva: (foto 1) Paciente: - Decúbito Dorsal;

- Membros estendidos.

Terapeuta: - De pé ao lado do membro a ser alongado;

- Uma das mãos no calcâneo (mão distal) e a outra anteriormente ao joelho do paciente (mão proximal).

Procedimento ou Execução passiva: (foto 2)

- O terapeuta realiza flexão de quadril com a mão distal enquanto mantém extensão de joelho com a mão proximal; - Respeitar o limite do paciente. Manter por 20 segundos;

- Repetir o procedimento 4 vezes.

Foto 1 Foto 2

Posicionamento para o alongamento de forma ativa: (foto 3) Paciente: - Decúbito Dorsal;

- Membros estendidos;

- Corda presa na ponta do pé do membro a ser alongado.

Terapeuta: - Apenas orienta o paciente.

Procedimento ou Execução ativa: (foto 4) - Paciente puxa a corda fazendo flexão de quadril e mantendo extensão de joelho;

- Orientar para ir até o próprio limite e manter durante 20 segundos nessa posição;

- Repetir procedimento 4 vezes.

Foto 3Foto 4

Observações: - Membro contralateral ao alongamento não pode perder o contato com a maca;

- Ficar atento a compensações na coluna lombar, assim como presença de dor;

- O terapeuta pode associar com dorsiflexão de tornozelo para alongar também o

Tríceps Sural;

- Orientar bem o paciente quando for fazer o alongamento ativo e observar as primeiras execuções para certificar-se que o procedimento está correto.

Tríceps Sural (Gastrocnêmio):

Indicação e Objetivos:

- Déficit de dorsiflexão do tornozelo, devido a encurtamento do gastrocnêmio:

Melhorar ADM limitada; - Espasmo do músculo tríceps sural: Relaxar musculatura.

Posicionamento para alongamento passivo: (foto 5) Paciente: - Decúbito Dorsal;

- Membros estendidos.

Terapeuta: - De pé ao lado do membro a ser alongado;

- Membro Inferior do paciente em flexão de quadril e extensão de joelho, com a perna apoiada no ombro do terapeuta;

- Uma mão segura a ponta do pé do paciente (mão distal) e a outra mantém o joelho em extensão (mão proximal).

Procedimento ou Execução passiva: (foto 6)

- Terapeuta realiza dorsiflexão de tornozelo com a mão que está posicionada distalmente; - Pode ser associado com alongamento dos isquiotibiais;

- Respeitar o limite do paciente, mantendo por 20 segundos na posição de alongamento; - Procedimento repetido 4 vezes.

Foto 5Foto 6

Posicionamento para alongamento ativo: (foto 7) Paciente: - De pé, com calcanhar apoiado no chão e o restante sobre uma rampa;

- Joelho estendido.

Terapeuta: - Apenas orienta o paciente.

Procedimento ou Execução ativa: (foto 7) - Paciente realiza extensão de quadril em CCF (desloca o quadril para frente) sem que o calcanhar perca o contato com o chão;

- Manter no limite de tolerância do paciente por 20 segundos, repetindo o procedimento por 4 vezes.

Foto 7 Observações:

- Como pode ser associado com o alongamento dos isquiotibiais, observar um possível encurtamento destes, que impeça o tríceps sural de ser alongado; - Associar com isquiotibiais pode ser uma boa forma de ganhar tempo;

- Respeitar o limite do paciente;

- Observar as primeiras execuções ativas, para garantir que o exercício esteja sendo feito corretamente;

- Observar, na forma ativa, se o paciente realiza flexão de coluna ao invés de extensão de quadril

Tríceps Sural (Sóleo):

Indicação e Objetivos:

- Déficit de dorsiflexão do tornozelo, devido a encurtamento do sóleo: Melhorar

ADM limitada; - Espasmo do músculo tríceps sural: Relaxar musculatura;

- Processo de remodelação tecidual do tendão de Aquiles: Orientar deposição das fibras de colágeno.

Posicionamento para alongamento ativo: (foto 8) Paciente: - Em pé com calcanhar apoiado no chão e o restante sobre a rampa;

- Joelho semi-fletido.

Terapeuta: - Apenas orienta o paciente.

Procedimento ou Execução ativa: (foto 8)

- Paciente realiza extensão de quadril em CCF (desloca quadril para frente) sem que o calcanhar perda o contato com o chão, mantendo a flexão de joelho;

- Manter no limite do paciente por 20 segundos, repetindo o procedimento por 4 vezes.

Foto 8 Observações:

- Respeitar o limite do paciente;

- Observar as primeiras execuções ativas para garantir que o exercício esteja sendo feito corretamente;

- Garantir que o paciente faz flexão de coluna ao invés de extensão de quadril, evitando a fim de evitar dor lombar.

Quadríceps:

Indicações e Objetivos:

- Déficit de flexão de joelho pelo encurtamento do quadríceps. Melhorar ADM limitada;

- Processo de remodelação tecidual do tendão patelar. Orientar a deposição das fibras de colágeno; - Espasmo do quadríceps. Relaxar o músculo quadríceps;

- Anteversão pélvica por encurtamento do quadríceps. Melhorar alinhamento da pelve.

Posicionamento para alongamento passivo: (foto 9) Paciente: - Decúbito Ventral;

- Membros inferios do paciente em extensão de quadril e flexão de joelho.

Terapeuta: - De pé, ao lado do membro a ser alongado;

- Uma mão segura a tíbia e fíbula distalmente (mão distal) e a outra posicionada sobre a tuberosidade isquiática (mão proximal).

Procedimento ou Execução passiva: (foto 9)

- Terapeuta realiza flexão do joelho com a mão distal enquanto a mão proximal impede a anteversão da pelve do lado do membro que está sendo alongado; - Manter no limite do paciente por um período de 20 segundos;

- Repetir o procedimento 4 vezes.

Foto 9 Posicionamento para alongamento ativo: (foto 10)

Paciente: - Decúbito Ventral;

- Membro inferior do paciente em extensão de quadril e flexão de joelho;

- Corda presa na região anterior do pé.

Terapeuta: - Apenas orienta o paciente e observa possíveis compensações.

Procedimento ou Execução ativa: (foto 10)

- Paciente traciona a corda, aumentando a flexão de joelho até o seu limite, onde sustenta durante 20 segundos; - Repetir o procedimento 4 vezes.

Foto 10 Observações:

- Ficar atento a uma possível anteversão pélvica e aumento da lordose lombar. O exercício pode não estar sendo eficaz e ainda sobrecarregar a coluna lombar, gerando dor;

- Pode ser colocado um travesseiro no abdome, na altura da EIAS, para se evitar aumento da lordose lombar;

- Em caso de dores à flexão de joelho, pode ser realizada uma maior extensão de quadril (maior afastamento da origem do retofemural), colocando travesseiros sob o fêmur distalmente e, assim, evitar sobrecarga na articulação do joelho (ex.: casos de lesão meniscal e derrame articular);

- Observar as primeiras execuções ativas para garantir que o exercício esteja sendo feito corretamente;

Adutores do Quadril:

Indicações e Objetivos:

- Déficit de abdução do quadril pelo encurtamento dos adutores. Melhorar ADM limitada;

- Coxa em adução e/ou rotação interna, favorecendo valgismo de joelhos devido encurtamento dos adutores. Melhorar alinhamento do quadril; - Espasmo da musculatura adutora. Promover relaxamento da mesma.

Posicionamento para alongamento passivo: (foto 1) Paciente: - Decúbito dorsal;

- Perna do paciente abdução.

Terapeuta:

- De pé, ao lado do membro a ser alongado, entre a maca e perna do paciente que está em abdução;

- Uma mão segura a perna do paciente distalmente (mão distal) e a outra posicionada sobre a EIAS (mão proximal).

Procedimento ou Execução passiva: (foto 1)

- Terapeuta com a mão distal ou com ajuda do corpo promove o movimento de abdução do quadril até o limite suportado pelo paciente, onde irá sustentar por 20 segundos; - Repetir o procedimento 4 vezes;

- A mão proximal estabiliza a pelve, impedindo sua rotação;

Foto 1

Posicionamento para alongamento ativo: (foto 12) Paciente: - De pé, apoiado com os braços na maca;

- Ponta dos pés direcionados para frente.

Terapeuta: - Apenas orienta o paciente e observa compensações.

Procedimento ou Execução ativa: (foto 12)

- Paciente realiza abdução dos dois membros inferiores simultaneamente até o seu limite, mantendo durante 20 segundos e repetindo o procedimento 4 vezes; - A ponta dos pés deve permanecer direcionada para frente.

Foto 12 Observações:

- Ficar atento a compensações do membro contralateral;

- Acompanhar as primeiras execuções orientando bem o paciente;

Tensor da Fáscia Lata e Trato Ílio-tibial:

Indicações e Objetivos:

- Déficit de adução do quadril pelo encurtamento do tensor e aumento da rigidez do trato-ílio tibial. Melhorar ADM limitada; - Rotação externa de tíbia, devido ao encurtamento do tensor e dominância do trato ílio-tibial. Melhorar alinhamento do joelho;

- Espasmo do tensor e trato ílio-tibial. Promover relaxamento do músculo e do trato ílio-tibial.

Posicionamento para alongamento passivo 1: (foto 13) Paciente: - Decúbito Dorsal;

- Membro inferior a ser alongada em adução e extensão de joelho;

- Membro inferior contralateral cruzado (flexão de quadril e de joelho com adução) sobre a perna a ser alongada e com o pé apoiado sobre a maca.

Terapeuta: - De pé, do lado contralateral ao membro a ser alongado;

- A mão distal segura próximo ao tornozelo,o membro inferior a ser alongado e a outra mão é posicionada sobre o joelho do membro que está flexionado (mão proximal).

Procedimento ou Execução passiva 1: (foto 13)

- Terapeuta realiza movimento de adução do quadril com a mão distal, enquanto a mão proximal estabiliza a articulação do joelho do membro em flexão, impedindo que a pelve acompanhe o movimento de adução do quadril;

- Realizar o movimento até o limite do paciente e sustentar por 20 segundos, repetindo o procedimento por 4 vezes.

Foto 13

Posicionamento para alongamento passivo 2 (Posição do Teste de Ober): (foto 14) Paciente:

- Decúbito Lateral; Sendo o membro que não está em contato com a maca, o lado a ser alongado; - Membro em contato com a maca em flexão de quadril e joelho;

- Membro a ser alongado em leve extensão de quadril e extensão total de joelho;

- As costas do paciente deverão estar próximas à beira da maca.

Terapeuta: - De pé, posicionado posteriormente ao paciente;

- Uma mão segura a perna do paciente a ser alongada distalmente sustentando o peso da mesma, “pegada em berço” (mão distal) e a outra posicionada sobre a crista ilíaca (mão proximal).

Procedimento ou Execução passiva 2: (foto 14)

- Terapeuta estabiliza a pelve do paciente com a mão proximal, impedindo que ela rode ou incline durante o movimento; o terapeuta realiza adução, rotação externa e extensão da perna a ser alongada; - A estabilização na pelve deve ser mantida durante toda a execução;

- Ir até o limite do paciente e sustentar por 20 segundos;

- Repetir procedimento 4 vezes.

Foto 14 Observações:

- Ficar atento a compensações durante o alongamento;

- Já que esta manobra pode gerar estresse nesta articulação, antes questionar o paciente se não está ocorrendo dor na região interna do quadril (virilha); - Observar se na forma 2 a estabilização da pelve está sendo mantida.

Tibial Anterior:

Indicação e Objetivos:

- Déficit de flexão plantar do tornozelo devido encurtamento do tibial anterior.

Melhorar ADM limitada; - Espasmo do músculo tibial anterior. Relaxar musculatura.

Posicionamento para alongamento ativo: (foto 15) Paciente: - Ajoelhado na maca ou sobre um tatame;

- Joelho fletido a 90° e tornozelo em flexão plantar.

Terapeuta: - Apenas orienta o paciente.

Procedimento ou Execução ativa: (foto 15)

- Paciente realiza flexão de quadril e joelho (como se fosse sentar sobre o calcanhar) até o seu limite; - Manter no limite do paciente por 20 segundos, repetindo 4 vezes.

Foto 15 Observações:

- Pode ser colocado um colchonete na altura da tuberosidade da tíbia para se evitar dor pelo contato com a maca;

- Pode ser colocado um travesseiro na parte anterior do pé para aumentar a intensidade do alongamento; - Observar se paciente está realizando o alongamento corretamente.

Iliopsoas:

Indicações e Objetivos:

- Déficit de extensão de quadril por encurtamento do músculo Iliopsoas. Melhorar

ADM limitada;

- Anteversão pélvica por encurtamento do Iliopsoas. Melhorar alinhamento da pelve; - Espasmo do músculo Iliopsoas. Promover relaxamento do músculo.

Posicionamento para alongamento passivo: (foto 16) Paciente: - Decúbito dorsal;

- Próximo à borda da maca com as pernas pendentes;

- Abraçar uma coxa em flexão de quadril e de joelho;

- A outra perna ,a ser alongada, permanece em extensão de quadril.

Terapeuta: - De pé, à frente do paciente;

- Uma mão segura o pé do membro contralateral (mão proximal) e a outra mão (mão distal) é posicionada distalmente sobre a coxa do membro a ser alongada.

Procedimento ou Execução passiva: (foto 16)

- Terapeuta com a mão proximal ajuda o paciente a estabilizar, em flexão, o quadril contralateral, enquanto realiza com a mão distal o movimento de extensão de quadril no membro que está sendo alongado; - Sustentar por de 20 segundos na intensidade máxima do alongamento;

- Repetir o procedimento 4 vezes.

Foto 16

Posicionamento para alongamento ativo: (foto 17) Paciente: - Ajoelhado na maca ou num tatame;

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