Preparo periódico do solo (1)

Preparo periódico do solo (1)

BOM JESUS, PIAUÍ MAIO DE 2017

O preparo periódico corretivo é caracterizado por realizar, quando necessário, operações como correção de acidez, aplicação de fertilizantes sólidos ou líquidos antes da implantação da cultura. Para aumentar a produção não basta empregar somente sementes selecionadas, fazer bom preparo do solo, irrigar, combater pragas e moléstias. É necessário adubar o solo, corrigir suas deficiências de nutriente e dar condições adequadas ao seu desenvolvimento de plantas.

Uso de máquinas para aplicação de corretivos e fertilizantes

O uso das máquinas para aplicação de corretivos e fertilizantes varia de acordo com o tipo do produto a ser aplicado, granulometria, cultura, operacionalidade, disponibilidade de maquinário, período do ano, dentre outros. As principais máquinas utilizadas são:

Distribuidor de corretivo por gravidade: onde o corretivo é lançado em queda livre ao solo, formando “filetes contínuos” na superfície ao ser liberado pelo dosador gravitacional. São máquinas que são tracionadas pelo trator e são acionadas pelas suas rodas, sendo comum na aplicação de calcário;

Distribuidor de corretivos a lanço: Consistem em um depósito com mecanismo de distribuição inercial, formado por um tubo cônico horizontal montado sobre um mecanismo que lhe confere movimento pendular ou com mecanismo de distribuição centrifuga de discos;

Distribuidor de corretivos de grande porte: são carretas tratorizadas ou caminhões na qual tem reservatório de grande capacidade, nestas maquinas um determinado volume de material é continuamente retirado do fundo do reservatório por uma esteira transportadora e lançado no mecanismo distribuidor, quase sempre formado por dois discos rotativos com palhetas reguláveis. Estas máquinas são geralmente tracionadas por tratores e acionadas pela tomada de potência;

Distribuidor de fertilizantes orgânicos sólidos: são carretas tratorizadas com grande capacidade, que funcionam com esteiras rolantes, correntes e barras transversais que movem a carga para distribuição traseira ou distribuidor lateral, que podem ir despejando o fertilizante ao longo do sulco, formando um cordão contínuo (torta de usina) ou distribuído a lanço por toda a superfície do terreno de forma uniforme (esterco de curral);

Distribuidor de fertilizantes orgânicos líquidos: são tanques com elevado volume, dotados de um vácuo-compressor que possui dois estágios sucção e aspersão, podendo assim realizar seu carregamento e descarregamento com rapidez.

Distribuidor de fertilizantes líquidos ou fluidos: são tanques com capacidade variável, com bombas dosadoras centrífugas ou peristálticas, comando, mangueiras e bicos dosadores.

O preparo periódico do solo será determinado segundo a necessidade do solo, bem como do sistema de manejo adotado, tais como:

Cultivo mínimo

O cultivo mínimo é um dos tipos de preparo de solo que visa à redução do número de operações com máquinas e implementos para o preparo do solo, ou seja, reduzir o número de arações e gradagens. O cultivo mínimo apresenta como vantagem, redução no custo de produção e menor desagregação do solo, proporcionando melhor conservação do mesmo.

Plantio convencional

No sistema convencional, o preparo do solo consiste no revolvimento de camadas superficiais, objetivando incorporar corretivos e fertilizantes, aumentar os espaços porosos e com isso aumentar a permeabilidade e o armazenamento de ar e água, facilitando o crescimento das raízes das plantas. Além disso, o revolvimento do solo promove o corte e o enterro das plantas daninhas e auxilia no controle de pragas e patógenos do solo. Esse revolvimento é realizado, basicamente, com aração e gradagens, cujo arado efetua o corte, elevação, inversão e queda. A grade complementa esse trabalho, diminuindo o tamanho dos torrões na superfície, além de nivelar o terreno. Entretanto, tal prática pode acarretar sérios problemas com o passar dos anos, principalmente se não for feita com critério.

Plantio direto

Plantio direto é a técnica de colocação da semente em sulco ou cova em solo não revolvido, com largura e profundidade suficiente para obter uma adequada cobertura e um adequado contato da semente com o solo. Este sistema elimina, portanto, as operações de aração, gradagens, escarificações e outros métodos conservacionistas de preparo do solo. As plantas daninhas são controladas pelo uso de herbicidas.

Este tipo de preparo agrega uma série de vantagens como: reduz o impacto das gotas de chuva, protegendo o solo contra a desagregação de partículas e compactação; dificulta o escorrimento superficial, aumentando o tempo e a capacidade de infiltração da água da chuva.

A mobilização do solo irá depender do manejo a ser utilizado, levando em consideração os sistemas de cultivo acima citado. Em relação a maioria das operações que envolvem mobilização, a leiva de solo revolvida é decorrente da mobilização em uma profundidade de 0 a 30 centímetros para culturas anuais e hortícolas, e para frutíferas a profundidades superiores. A mobilização do solo é realizada na incorporação dos corretivos, fertilizantes e ervas invasoras, sendo realizada por enxadas rotativas ou grades, e quando o objetivo é revolver a leiva a profundidades superiores, são utilizados os arados de aiveca ou de discos, e em níveis altos de compactação, utiliza-se escarificador ou subsolador.

Outrossim, quando o preparo periódico do solo é feito erroneamente acarreta uma série de problemas de tal forma que mesmo os solos mais férteis poderão torna-se improdutivos. Os problemas de um mau preparo são representados pela desestruturação do solo, acarretando no desequilíbrio de suas características físicas, químicas e biológicas, afetando o seu potencial produtivo, o qual proporciona dificuldades ao desenvolvimento radicular da planta, encharcamento rápido e formação de uma camada de solo compacta a uma determinada profundidade chamada pé-de-arado ou pé-de-grade. Tem-se como exemplo o sistema convencional de preparo do solo, o qual consiste na realização de uma aração, caracterizado pelo preparo primário do solo, seguida de duas gradagens para destorroamento e nivelamento, também denominada de operações de preparo periódico secundário. O emprego desse mesmo manejo, ao longo de vários anos, poderá proporcionar os efeitos supracitados no solo que está sendo manejado.

Dessa forma, tem-se que, o excesso de preparo secundário faz com que o solo fique totalmente desestruturado superficialmente, ocasionando menor aeração e menor capacidade de absorção devido a microporosidade.

Comentários