BACABA - Humberto e Jordana

BACABA - Humberto e Jordana

BACABA Acadêmicos: Humberto Rodrigues e Jordana Kran

Nome científico: Oenocarpus bacaba Mart.

Família botânica: Palmae.

Nomes populares: bacaba, bacaba-açu, bacaba-verdadeira e punama (Colo mbia).

Origem: nativa da Amazônia, distribuída pela Bacia Amazônica, Acre,

Tocantins, no sul do Maranhão e com maior frequência no Amazonas e Pará. Também se acha na floresta do pacífico, no oeste da Colômbia. Tem como habitat a mata virgem alta de terra firme.

Fonte: (EMBRAPA, 2015). Figura: Bacaba (palmeira)

Dentre as palmeiras com importância econômica, a bacaba, espécie nativa da região norte do Brasil, é bastante explorada pela população local no preparo de suco, vinho, sorvete, palmito e extração de óleo comestível (Lorenzi, 1996).

As palmeiras amazônicas são utilizadas também na construção, confecção de artesanatos e usos fitoterápicos (JARDIM & STEWART, 1994).

Figura: Bacaba

Desta forma, as palmeiras constituem uma fonte de recursos, de importância sócio-econômica e cultural, relacionada com a vida e os costumes das comunidades (PRANCE et al., 1987).

Figura: Bacaba

A bacabeira é uma palmeira que não apresenta espinhos, podendo apresentar-se solitária, ou formando touceiras de até 12 plantas.

O tronco é reto, liso, podendo chegar a 20 metros de altura.

Os cachos são robustos, podendo chegar a 1,5m de comprimento, com frutos arredondados ou elipsóides de 1,5 a 3,0 cm de diâmetro, e casca de cor escura, quase preta.

A polpa do fruto têm 54% de matéria seca, com 25% a 3% de óleo e 5% de proteína(FAO, 1987). Fonte: (EMBRAPA, 1998).

Figura: Bacaba (palmeira)

As flores femininas de bacaba são de forma ovóide a oval, cíclicas, 16 actinomorfas, heteroclamídas, com as sépalas soldadas em cúpula trilobada, três pétalas livres e de pré-floração contorta. (Figura A-C).

Figura: A. Flor feminina (3 estigmas). B. Corte longitudinal da flor feminina. C. Corte transversal da flor feminina. Fonte: (SILVA, 2007).

O ovário do gineceu de bacaba é, aparentemente, monômero (Figura B-C), porém, de acordo com KÜCHMEISTER et al. (1998), o gineceu de bacaba é formado por três estigmas livres e três carpelos uniovulados, dois dos quais são abortivos.

O ovário de bacaba é supero, oval, estreitando-se em um estilete curto e com três estigmas curtos, e com um único óvulo preso na base do ovário (Figura B-C). Figura: B. Corte longitudinal da flor feminina. C. Corte transversal da flor feminina.

As flores masculinas de bacaba são sésseis, cíclicas, heteroclamídeas e actinomorfas, possuem três sépalas soldadas basalmente, três pétalas agudas com pré-floração valvares, seis estames, com filetes longos, eretos e anteras ditecas, lineares e dorsifixas e um pistilódio trífido. (Figura D e E).

Figura: D. Vista dorsal da flor masculina. E. Vista frontal da flor masculina de Oenocarpus bacaba Mart.. Es. Fonte: (SILVA, 2007).

Os grãos de pólen de bacaba são amarelos e de forma radiossimétrica, triangular (trileta), de simetria heteropolar, anasulcado e com exina granulosa, medindo cerca de 20 µm no eixo equatorial.

Figura. Elétron-micrografias de varredura de grãos de pólen de Oenocarpus bacaba Mart.. Fonte: (SILVA, 2007).

Os frutos de bacaba são drupáceos, de forma arredondada a globosa, glabros e lisos, coberto por uma camada delgada de cera, com o perianto e o estigma persistentes.

Fonte: (SILVA, 2007). Figura: Frutos de bacaba.

No pericarpo, são conspicuamente visíveis o epicarpo delgado e de coloração roxa a negra, o mesocarpo carnoso e fibroso e de coloração amarela a marrom e o endocarpo liso e de coloração ferrugínea.

Figura. A. Fruto. B. diásporo. C. Embrião (diásporo imaturo). D. Embrião (diásporo maduro) de Oenocarpus bacaba Mart.. Fonte: (SILVA, 2007).

Os diásporos de bacaba são de arredondados a globosos, com tegumento delgado e de coloração creme, albuminosos, com endosperma de coloração branca, homogêneo e de consistência relativamente dura.

Figura: A- Fruto maduro de bacaba; B- Fruto com endocarpo fibroso; C-corte longitudinal; D-corte transversal. Fonte: (SILVA, 2007).

Com temperaturas anuais variando entre 21ºC e 42º. A temperatura média anual é de 28ºC. Caracteriza-se por umidade elevada durante todo o ano.

O clima para sua produção é o equatorial, com temperaturas elevadas e altos índices pluviométricos.

Áreas de solos pobres de característica arenosa, argilosos e não-alagados.

A propagação da bacaba é feita por sementes.

Para formação das mudas, as sementes ou os frutos são colocados para germinar, após a colheita, em sementeiras contendo adubo orgânico e solo areno-argiloso, como substrato.

Entre 60 e 120 dias ocorre a emergência da raiz.

Formação de mudas:

Preparo da semente;

Quantidade de semente por kg e para plantio de 1 hectare ;

Semeadura (em sacos de plástico, em sementeira e direto no campo);

Substrato utilizado;

Germinação: 40 a 60 dias;

Eliminação das indesejáveis;

Repicagem: 3 a 4 meses transplanta-se para sacos maiores;

Tratos culturais (irrigação, adubação, eliminação de plantas daninhas);

Muda pronta (redução de água e aumento de luminosidade);

Com 6 a 7 meses a muda está pronta. Fonte: (EMBRAPA, 1998).

Plantio:

Preparo da área:

Áreas recém exploradas por culturas anuais;

Capoeiras de pequeno porte; Roçage m.

Espaçamento e Coveamento: Dependendo do tipo de solo 20x20x20 a 60x60x60

Plantio: No período chuvoso

Coroamento (em volta da planta);

Roçagem (nas entre linhas de plantio);

Cobertura morta; Adubação.

A inspeção rotineira das mudas é imprescindível para detectar precocemente qualquer anormalidade das plantas;

O tratamento curativo em plantas doentes deve envolver práticas que reduzam a incidência e a severidade da doença;

O uso de fungicidas e inseticidas deve ser empregado, se necessário, em complemento às práticas já mencionadas.

Para extração do suco:

Após colher os cachos de bacaba, deixe os frutos amolecerem em água quente. Amasse com a mão ou use máquina para extrair o suco.

Uma outra maneira é deixar o “vinho” azedar de um dia para o outro e, em seguida, esquentá-lo na panela.

Para extração do óleo:

Após colher os cachos de bacaba, deixe os frutos amolecerem em água quente, depois coloque os frutos amolecidos no pilão e bata-os para soltar a massa. Retire e esquente a massa em uma panela com água. Quando a massa estiver quente, tire o óleo no tipiti.

Fonte: ( Meyer, 2012) Figura: Relação entre as massas do fruto, polpa e semente com barras de erro padrão e o teor médio de óleo (%).

Cada planta produz em média 20 kg de frutos. O rendimento varia de 0,5 a 1,2 kg de óleo por planta. (4,61 a 1,08 litro de óleo).

MEYER, Janaina Morimoto. Teor e composição de ácidos graxos de óleos de frutos de palmeiras nativas. 2013. 81 f. Tese (Doutorado) - Curso de Ciências, Universidade de São Pailo, São Paulo, 2013.

CYMERYS, Margaret. Bacaba Oenocarpus bacaba Mart. Frutíferas e Plantas Úteis na Vida Amazônica, Amazonia, v. 1, n. 15, p.183-186, jan. 1991.

SILVA, Breno Marques da Silva e. MORFO-ANATOMIA E ENVELHECIMENTO ACELERADO EM DIÁSPOROS DE Oenocarpus bacaba Mart. - ARECACEAE. 2007. 68 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Agronomia, Unesp, Jaboticabal – SÃo Paulo, 2007.

LORENZI, H. Árvores Brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. 1ª Edição. Editora Platarum. Nova Odessa, SP. 373 p.. 1996.

JARDIM, M.A.G.; STEWART, P.J. Aspectos da produção extrativista de açaizeiro(Euterpe oleracea Mart.) no estúario amazônico. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi – Série Botânica, Belém: v. 12, n. 1, p.137-144. 1994.

PRANCE, G.T.; BALEE, W.; BOOM, M.B.; CARNEIRO, R.L. Quantitative Ethenobotany and Case for Conservation in Amazon. Conservation Biology. v.1, n. 4, p. 296-310. 1987.

FAO. Mauritia ttexuose.: In:FAO Especies torestales productoras de frutas y otros alimentos 3. Ejemplos de América Latina. FAO MONTE 4/3. FAO Roma, 1987. P. 145-147.

IMAZON – Instituto do homem e Meio Ambiente da Amazonia. Disponivel em: http://w w w.imazon. org. br/PDFimazon/Portugues/preco %20de %20produtos %20da %20floresta/Pre %C3%A7osPFNM. pdf. Acesso mar/2017.

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