Olericultura Básica

Olericultura Básica

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“O SENAR/SP está permanentemente empenhado no aprimoramento profissional e na promoção social, destacando-se a saúde do produtor e do trabalhador rural.” Fábio Meirelles Presidente da FAESP e do SENAR/SP

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FÁBIO DE SALLES MEIRELLES Presidente

JOSÉ CANDÊO Vice-Presidente

JOSÉ MATHEUS GRANADO Vice-Presidente

MAURÍCIO LIMA VERDE GUIMARÃES Vice-Presidente

WILSON MACENINO PALHARES Vice-Presidente

LENY PEREIRA SANT’ANNA Diretor 1º Secretário

MANOEL ARTHUR B. DE MENDONÇA Diretor 2º Secretário

ARGEMIRO LEITE FILHO Diretor 3º Secretário

LUIZ SUTTI Diretor 1º Tesoureiro

IRINEU DE ANDRADE MONTEIRO Diretor 2º Tesoureiro

EDUARDO DE MESQUITA Diretor 3º Tesoureiro

FÁBIO DE SALLES MEIRELLES Presidente

GERALDO GONTIJO RIBEIRO Representante da Administração Central

BRAZ AGOSTINHO ALBERTINI Presidente da FETAESP

ANTONIO EDUARDO TONIELO Representante do Segmento das Classes Produtoras

AMAURI ELIAS XAVIER Representante do Segmento das Classes Produtoras

JOSÉ VICENTE ROCCO Superintendente em Exercício do SENAR-AR/SP

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IDEALIZAÇÃO Fábio de Salles Meirelles Presidente da FAESP e do SENAR/SP

COORDENAÇÃO Jair Kaczinski Chefe da Divisão Técnica do SENAR/SP

AUTORES João Tessarioli Neto Engenheiro Agrônomo

Jarbas Mendes da Silva Técnico em Agropecuária - Divisão Técnica do SENAR/SP

REVISÃO DO TEXTO Antônio Nazareno Favarin Professor

Direitos Autorais: é proibida a reprodução total ou parcial desta cartilha, e por qualquer processo, sem a expressa e prévia autorização do SENAR/SP.

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INTRODUÇÃO5
ASPECTOS GERAIS6
I - TIPOS DE HORTAS7
1. Horta Caseira ou Domiciliar7
2. Horta Comunitária7
3. Horta Escolar ou Institucional7
I - ESCOLHA E PREPARO DO LOCAL8
1. Limpeza do terreno8
2. Clima8
3. Solo8
4. Acesso ao local8
5. Água8
6. Profundidade do solo8
7. Declividade do terreno9
8. Insolação9
9. Proteção contra ventos (Quebra-Ventos)9
I - PREPARO DO SOLO10
1.Coleta da amostra do solo10
2.Aração do terreno1
3.Gradagem do solo1
4.Aplicação de calcário1
5.Preparo dos canteiros12
6.Cercamento da horta13
7.Exigências culturais13
7.1. Irrigação14
7.2. Adubação14
IV - PRODUÇÃO DE MUDAS17
1.Adubação da sementeira18
2.Irrigação da sementeira19
V - PLANTIO20
1. Plantio em sulcos2
2. Plantio em covas23

SUMÁRIO VI - BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................... 25

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A olericultura é uma palavra derivada do latim, "Olus, oleris" - que significa hortaliça, e "colere", que significa cultivar. Assim, em bom português, o termo é aplicado para designar o cultivo de certas plantas de consistência herbácea, geralmente de ciclo curto e tratos culturais intensivos, cujas partes comestíveis são consumidas diretamente, ou seja: as hortaliças.

As culturas abrangidas pela “olericultura” são denominadas também de culturas “oleráceas”, como sinônimo de “hortaliça”, segundo uma boa terminologia agronômica e correto emprego da língua portuguesa. Entretanto, tais plantas são também popularmente conhecidas como “verduras” e “legumes” - termos pouco esclarecedores, mas muito utilizados pela população.

É de suma importância a capacitação de mão-de-obra para que os trabalhadores rurais obtenham melhores resultados em suas atividades profissionais, atuando corretamente, de acordo com as técnicas indicadas.

A profissionalização, por sua vez, proporciona ao trabalhador rural o preparo para a atuação profissional e a competitividade no mercado de trabalho, estando apto para desempenhar as tarefas referentes à sua ocupação.

O SENAR/SP oferece cursos e treinamentos de Formação Profissional Rural que possibilitam a profissionalização ao trabalhador rural.

Com isto, poderemos oferecer melhor serviço e, conseqüentemente, bons resultados, tanto no aspecto pessoal quanto financeiro, proporcionando benefícios ao Homem do Campo.

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As hortaliças são plantas herbáceas, de ciclo curto e tratos culturais intensivos. Suas partes comestíveis podem ser utilizadas para alimentação humana sem exigir a industrialização.

Para instalar uma horta em sua propriedade, normalmente não há necessidade de uma área muito grande: depende da finalidade da sua produção (horta caseira, comunitária, escolar etc.). Além disso, devemos observar vários critérios para que tenhamos êxito na sua implantação, como: as condições climáticas, insolação, tipo de solo, topografia, vento, água, acesso ao local etc.

Para preparar o solo, devemos retirar uma amostra e providenciar sua análise; com isso, saberemos como se encontra o solo com relação aos nutrientes disponíveis.

Esta cartilha, destinada ao trabalhador na olericultura, contém, de forma detalhada, as informações tecnológicas e cuidados com a segurança no trabalho, cujo conhecimento é indispensável para as pessoas que trabalham nesta ocupação.

Consultando este material, os treinandos do SENAR/SP também terão as informações necessárias para realizar as tarefas referentes à olericultura.

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As hortas devem ser implantadas de acordo com a disponibilidade de área e recursos financeiros. Dependendo do tamanho da área de produção, determina-se o tipo de horta a ser instalada.

As hortas podem ser classificadas em: a) Extensivas: grandes áreas (acima de 10 hectares). b) Intensivas: pequenas áreas (de 1 a 2 hectares). c) Caseiras, Comunitárias ou Escolares (de 50 a 5.0 metros quadrados).

As hortas do tipo extensivas e intensivas geralmente são de caráter comercial, enquanto que as do tipo caseira, comunitária ou escolar não têm esta finalidade.

Assim sendo, as hortas dividem-se em: 1. Horta Caseira ou Domiciliar

É, geralmente, implantada em uma pequena área (de 50 a 500 metros quadrados), cuja produção é destinada ao abastecimento familiar.

2. Horta Comunitária

É implantada numa área comunitária, sendo formada por um grupo de pessoas ou famílias, que dividem o trabalho, gastos e a produção obtida.

3. Horta Escolar ou Institucional

É implantada numa área disponível do estabelecimento escolar. Normalmente, é feita por profissionais e educadores e sua finalidade é educacional. A produção é destinada à alimentação dos alunos, podendo gerar auto-abastecimento.

É implantada com finalidade lucrativa, visando à alta produtividade. Esse tipo de horta pode ser praticada de forma extensiva ou intensiva.

O produtor cultiva uma ou mais espécies olerícolas com a intenção de comercialização nos postos de abastecimento, feiras livres, supermercados e outros.

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É o primeiro passo a ser observado, pois é necessário obedecer a alguns critérios técnicos para sua implantação, como: limpeza do terreno, condições climáticas e topográficas, acesso ao local, água, insolação, proteção contra ventos, profundidade e declividade do solo.

1. Limpeza do terreno

Consiste em retirar, do local onde será implantada a horta, todos os objetos que possam atrapalhar o bom desenvolvimento da cultura, como: paus, pedras, plásticos, madeiras etc. Somente quando o terreno estiver livre destes resíduos, poderá ser iniciado o preparo do solo.

2. Clima

É muito importante conhecermos os fatores climáticos do local, como a temperatura, umidade e a época das chuvas. Baseando-se nesses dados, poderemos determinar o tipo de cultura que deverá ser instalada, ou seja, aquela que melhor se adapta à região. Devemos lembrar que o clima de uma região não pode ser mudado; desta forma, deveremos escolher a espécie que melhor se adapte ao local e à época do ano.

3. Solo

O solo é quem dá sustentação às raízes e fornece água e nutrientes indispensáveis para o desenvolvimento das plantas. A fertilidade do solo contribui para a produtividade e a qualidade das hortaliças; portanto, é muito importante que os nutrientes estejam disponíveis no solo em quantidades suficientes para o desenvolvimento das plantas. 4. Acesso ao local

O acesso ao local onde será instalada a horta precisa estar em bom estado, pois por ele passarão os veículos que transportarão a produção colhida e os insumos necessários à produção.

5. Água

A água é indispensável para o desenvolvimento das plantas; portanto, deverá ser de boa qualidade e em quantidade suficiente durante o ano todo.

Atenção! Certifique-se de que a fonte de água seja de boa qualidade.

6. Profundidade do solo

A profundidade do solo ideal, para o cultivo de hortaliças, deve ser de 0,40 a 0,50 metro, o que possibilitará às raízes absorverem, de forma satisfatória, água e nutrientes.

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O solo deve ter boa circulação de ar entre as suas camadas e grande quantidade de matéria orgânica, para que a cultura tenha um bom desenvolvimento.

7. Declividade do terreno s terrenos com declividade acentuada dificultam o trabalho mecanizado, o transporte, o acesso ao local e a colheita; já os sem declividade acarretam o acúmulo de água das chuvas e o encharcamento do solo, o que dificulta a respiração das raízes, compromete seu crescimento e favorece o aparecimento de doenças. Estes terrenos devem, portanto, ser evitados.

Devemos escolher terrenos com pequena declividade, pois isto melhora as condições para realizar o manejo e os tratos culturais necessários; possibilitam, ainda, o escoamento rápido das águas das chuvas e facilitam a colheita e o transporte da produção.

8. Insolação

Insolação é a quantidade de radiação solar que chega até as plantas e é utilizada por elas. As hortaliças necessitam de muita luz (8 a 10 horas, por dia) para crescerem sadias e rapidamente. Por isso, devemos escolher locais que tenham boa insolação, evitando lugares excessivamente sombreados.

9. Proteção contra ventos (Quebra-Ventos)

Os quebra-ventos são barreiras geralmente feitas de vegetação, que têm a finalidade de desviar e diminuir a força dos ventos. Podem ser feitos com eucalipto, grevílea, hibisco, cipreste e bambu, entre outros.

A proteção contra os ventos é importante para evitar que: a) as sementes sejam varridas do canteiro; b) haja tombamento das plantas; c) ocorra a propagação de doenças.

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O preparo do solo consiste em adaptar o terreno para o plantio e, para isso, utilizam-se critérios técnicos, de forma que o solo fique em condições para receber as sementes. Devemos, inicialmente, retirar uma amostra do solo e fazer sua análise; em seguida, tomar as providências para restituir os nutrientes necessários para o desenvolvimento da cultura.

É o processo pelo qual se extraem camadas do solo para serem analisadas em laboratório, onde se verificará a disponibilidade de seus nutrientes. A partir destes dados, faz-se a adubação e a correção da acidez que forem necessárias.

Procedimentos para coletar as amostras de solo:

a) inicialmente, realize uma limpeza da área, retirando todos os resíduos e vegetação existentes no terreno; em seguida, faça uma cova de 25 centímetros de profundidade no local; b) corte uma fatia de 2 a 3 centímetros de largura de um dos lados da cova e coloque-a em um balde (amostra simples); c) repita a operação anterior, de 15 a 20 vezes, coletando várias amostras simples e caminhando em ziguezague pela área toda; d) em seguida, misture as amostras simples, formando uma amostra composta; e) coloque-a para descansar à sombra; f) meça cerca de 500 gramas da amostra composta e coloque-os em um saco plástico ou caixa de papelão novos; g) para finalizar, identifique a amostra e a envie para um laboratório de análises, com os respectivos dados: nome do remetente, nome da propriedade, endereço completo, telefone para contato, número de amostras coletadas, cultura a ser implantada e data do envio.

Atenção! As embalagens para colocação da amostra devem ser novas e, de preferência, adquiridas em locais credenciados (laboratório de análises).

Atenção! Após receber o resultado da análise de solo, entre em contato com um agrônomo, para que seja feita a interpretação da análise.

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A aração do terreno é a operação destinada a preparar o solo para receber as sementes ou as mudas. É realizada, também, para:

a) inverter as camadas do solo (a parte que estava embaixo vai para cima e vice-versa), acelerando as atividades biológicas; b) permitir melhor penetração e retenção de água; c) quebrar as camadas endurecidas e impermeabilizadas do solo; d) melhorar a aeração do solo; e) incorporar ao solo a matéria orgânica, os adubos e o calcário.

Pode ser feita com trator e implementos (arado de discos ou aiveca), quando se tratar de grandes áreas. Em áreas pequenas, pode-se fazer a aração usando tração animal, enxada ou enxadão.

3. Gradagem do solo

É o processo de uniformizar (nivelar) e destorroar o solo. A gradagem é feita após a aração, utilizando-se grade de discos. Além desse serviço, que é o mais importante, a gradagem também serve para:

a) picar e incorporar ao solo adubos verdes e restos de culturas; b) controlar a erosão no solo; c) eliminar a vegetação fina; d) revirar as plantas daninhas recém-germinadas.

Atenção! Nunca faça o preparo do solo (aração e gradagem) em condições de umidade excessiva, como em época chuvosa, pois favorecerá a compactação e a destruição das estruturas do solo.

4. Aplicação de calcário

O calcário não é um adubo, mas um corretivo para o solo. É também um elemento químico que serve para corrigir o pH do solo (diminuir a acidez), que deverá oscilar em torno de 5,5 e 6, o que proporcionará as condições ideais para absorção de nutrientes pelas raízes.

Os produtos corretivos da acidez do solo mais usados são: calcário calcítico (maior porcentagem de cálcio em sua formulação), dolomítico (porcentagens médias de cálcio e

FAESP - SENAR/SP 12 magnésio em sua formulação) e magnesiano (maior porcentagem de magnésio em sua formulação).

A escolha do corretivo a ser usado será feita de acordo com a interpretação da análise do solo. A utilização de calcário dolomítico fornece cálcio e magnésio, que são importantes nutrientes para as plantas.

Existem duas formas de aplicar calcário no solo: manual e mecanicamente. A aplicação manual é feita a lanço e é utilizada geralmente em pequenas áreas. A mecânica é feita por meio de um implemento agrícola (espalhador de calcário) e é utilizada em grandes áreas.

Quando a operação for mecanizada, recomenda-se que a quantidade de calcário a ser aplicada seja dividida: uma metade antes da aração e outra antes da gradagem.

Procedimentos para aplicação de calcário:

a) espalhe o calcário, uniformemente, em toda superfície do terreno, a lanço (se for aplicação manual) ou por meio do espalhador de calcário (se for aplicação mecanizada); b) incorpore o calcário ao solo, por meio de aração ou gradagem; c) espere de 30 a 60 dias antes de plantar, para que o calcário reaja com o solo e faça o efeito desejado.

Atenção! A quantidade de calcário a ser aplicada será determinada de acordo com as recomendações técnicas, após a interpretação da análise de solo, por um agrônomo ou técnico agrícola.

Atenção! O calcário deve ser aplicado de 30 a 60 dias antes da instalação da lavoura, para poder atuar satisfatoriamente.

5. Preparo dos canteiros

Preparar os canteiros consiste em deixá-los prontos para receber as sementes ou as mudas. Utilizam-se, para tanto, os seguintes equipamentos: enxada, enxadão, pá-reta, pá-curva, carrinho, microtrator, trator e implementos (grade, arado e rotoencanteirador).

A utilização de um ou outro equipamento dependerá do tamanho da área a ser trabalhada e da existência ou não dos equipamentos relacionados.

Procedimentos para a preparação dos canteiros:

a) faça a divisão da área em quadras, quando for implantar várias culturas;

FAESP - SENAR/SP 13 b) separe um ou dois canteiros para serem usados como sementeira (se não houver instalação própria para produção das mudas); c) retire a terra dos locais que servirão de caminho entre as plantações e coloque-a nos canteiros, deixando-os num plano mais elevado, para possibilitar o escoamento do excesso de umidade e proteger as plantas do perigo das enxurradas (na produção em grandes áreas, os canteiros devem ficar no mesmo nível, entre si, para facilitar os tratos culturais realizados com tratores e implementos); d) identifique as quadras dos canteiros com uma placa, facilitando a divisão das hortaliças plantadas.

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