desertificação - e-mudancas - climaticas

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Desertificação e Mudanças Climáticas no Semiárido Brasileiro

Editores

Ricardo da Cunha Correia LimaRicardo da Cunha Correia LimaRicardo da Cunha Correia LimaRicardo da Cunha Correia LimaRicardo da Cunha Correia Lima Arnóbio de Mendonça Barreto CavalcanteArnóbio de Mendonça Barreto CavalcanteArnóbio de Mendonça Barreto CavalcanteArnóbio de Mendonça Barreto CavalcanteArnóbio de Mendonça Barreto Cavalcante Aldrin Martin PAldrin Martin PAldrin Martin PAldrin Martin PAldrin Martin Perez Marinerez Marinerez Marinerez Marinerez Marin

Instituto Nacional do Semiárido – INSA Campina Grande – 2011

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

Os capítulos desse livro resultaram das palestras apresentadas durante o I Simpósio sobre Mudanças Climáticas e Desertificação no Semiárido Brasileiro, realizado em Campina Grande, PB, no período de 26 a 29 de maio de 2009. Os temas, dados e conceitos aqui emitidos são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. A eventual citação de produtos e marcas comerciais não significa recomendação de utilização por parte dos autores/editores. A reprodução é permitida desde que seja citada a fonte.

Governo do Brasil

Presidência da República Dilma Vana Rousseff

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação Aloizio Mercadante Oliva

Instituto Nacional do Semiárido Ignacio Hernán Salcedo - Diretor

Editoração Eletrônica Marluce Herênio Aragão

Capa Wedscley Melo

Revisão de Texto Nísia Luciano Leão (Português)

Impressão Global Print Editora Gráfica Ltda

Editora Instituto Nacional do Semiárido

Campina Grande, PB

D451Desertificação e mudanças climáticas no semiárido brasileiro / Editores,
209p. : il.
ISBN: 978-85-64265-02-8
1. Desertificação – semiárido - Brasil. 2. Mudanças climáticas e
Barreto. I. Marin, Aldrin Martin PerezI. Instituto Nacional do

Ricardo da Cunha Correia Lima, Arnóbio de Mendonça Barreto Cavalcante, Aldrin Martin Perez-Marin.- Campina Grande: INSA-PB, 2011. desertificação. 3. Conservação e manejo. 4. Brasil - Educação Ambiental. I. Lima, Ricardo da Cunha Correia. I. Cavalcante, Arnóbio de Mendonça Semiárido.

A desertificação e as mudanças climáticas no semiárido brasileiro são problemas interligados de dimensões globais que devem ser discutidos conjuntamente a fim de obter soluções para mitigação e adaptação aos mesmos. A busca dessas soluções implica influir no comportamento social, econômico e político da sociedade e, desenvolver ações dirigidas para prevenção e controle. Para isso, se faz necessário uma ação coerente e coordenada que articule o saber, os meios e os conhecimentos práticos de todos os atores envolvidos. Este esforço inclui compromissos governamentais e não governamentais nas esferas federal, estadual e municipal para uma ação concreta em escala local, regional e nacional.

Preocupado com essas questões e visando tornar mais decisivo o papel da Ciência,

Tecnologia e Inovação para o desenvolvimento sustentável do Semiárido Brasileiro, o Instituto Nacional do Semiárido (INSA/MCTI), vêm promovendo a estruturação e dinamização da Rede de combate à desertificação e mudanças climáticas do semiárido brasileiro, como mecanismo de articulação desses diferentes atores. Assim, o INSA, em parceria com a Embrapa/Semiárido (CPATSA) e outras instituições sediadas na região – com apoio financeiro do CNPq, MMA, BNB, Embrapa e do próprio Instituto –, promoveu dois simpósios regionais – o primeiro realizado em Petrolina/PE, em abril de 2008 e o segundo, em Campina Grande/PB, em maio de 2009, envolvendo cerca de 300 participantes das mais diversas instituições de todos os estados da região nordeste e de outras regiões do país. Em Petrolina, apontou-se para a necessidade da construção de caminhos que conduzissem a uma efetiva articulação interinstitucional regional e em Campina Grande foi criada a Rede Desertificação do Semiárido Brasileiro, iniciando-se as reflexões sobre abrangência, objetivos e temáticas prioritárias da Rede, dentre outros pontos importantes para sua caracterização. Em seqüência, foi realizada uma Oficina de Trabalho, na cidade de Natal/RN, em outubro de 2009, com a finalidade de avançar-se na estruturação da Rede, bem como para ampliação do número de seus integrantes. Todo esse processo culminou, com a institucionalização da “Rede sobre Desertificação no Semiárido Brasileiro”, através da publicação da portaria interministerial MCT/MMA 92-A de 30 de março de 2010.

Apresentação

Este livro, que agora apresento, intitulado Desertificação e Mudanças Climáticas no

Semiárido Brasileiro, é mais um resultado desse esforço coletivo que vem sendo promovido pelo INSA, como ente articulador da problemática na região. Contamos com a parceria de membros efetivos da Rede, além de outros colaboradores extremamente significativos para os cenários políticos, ambiental e social da região. A publicação apresenta textos que tratam dos mais diversos desafios que o tema desertificação e mudanças climáticas exige dos atores de Ciência, Tecnologia e Inovação que pensam o semiárido brasileiro.

Esperamos que esta iniciativa contribua para um melhor entendimento das questões relacionadas ao combate da desertificação e adaptação as mudanças climáticas no semiárido brasileiro e que através dele, o tema venha a ser discutido em novos cenários e dentro de uma perspectiva de clareza e de bom senso.

Ignacio Hernán Salcedo Diretor do Instituto Nacional do Semiárido

Essas expressões, Desertificação e Mudanças Climáticas, transcenderam ao longo das últimas décadas o mundo técnico-científico e invadiram substancialmente os meios de comunicação. Jornais, rádios, revistas e a televisão tratam desses fenômenos de forma corriqueira e sempre como algo importante para o bem-estar humano e a sobrevivência de várias espécies. No Brasil, o espaço geográfico mais vulnerável aos efeitos da desertificação e das mudanças climáticas é a região Semiárida. Essa região, compreendendo 969.589,4 km² ou 1% do território nacional, é caracterizada pelas elevadas médias anuais de temperatura (27 °C) e evaporação (2.0 m), com precipitações pluviométricas de até 800 m ao ano, concentradas em três a cincos meses e irregularmente distribuídas no tempo e no espaço. No geral, o solo é raso, com localizados afloramentos de rocha e chão pedregoso. Decorre da combinação desses elementos um balanço hídrico negativo em grande parte do ano, presença de rios e riachos intermitentes e ocorrência de secas periódicas e avassaladoras. Revestindo como um manto a quase totalidade desse espaço geográfico, encontramos a Caatinga. Na região Semiárida vivem aproximadamente 25 milhões de brasileiros.

Essas questões despertam preocupação em todo o planeta faz já alguns anos, período em que a compreensão científica cresceu muito, alguns problemas foram combatidos em vários níveis e outros novos puderam ser detectados. Assim, o presente livro é uma feliz iniciativa de reunir informações recentes visando contribuir para o avanço no entendimento desses fenômenos na região Semiárida brasileira. É dirigido a um público diverso abrangendo técnicos de instituições governamentais e de organizações não governamentais, interessados na temática, estudantes, gestores e formuladores de políticas públicas. No livro são apontadas direções para capacitar o Brasil para o convívio e o enfrentamento das conseqüências das mudanças climáticas e desertificação, bem como aborda o apoio financeiro do Banco do Nordeste - BNB para as questões ambientais e o papel de redes temáticas para construir soluções. Destaca ainda a educação e tecnologias educacionais e sociais para a convivência com o Semiárido, traz a experiência de combate à desertificação em Mendoza – Argentina, dentre outros assuntos relevantes e atrativos.

Prefácio

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação por meio do Instituto Nacional do

Semiárido apóia esta publicação de forma a poder divulgá-la amplamente para o público. A mais importante conclusão dessa publicação talvez seja o fato da Desertificação e Mudanças Climáticas serem fenômenos reais e correntes no Semiárido brasileiro, e que há uma necessidade premente em se estudar e desenhar atitudes de adaptação aos efeitos desses fenômenos e de mitigação de suas causas nessa região.

Os Editores

O Instituto Nacional do Semiárido agradece o apoio e a participação da Embrapa

Semiárido, Banco do Nordeste do Brasil, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Ministério do Meio Ambiente e demais instituições que direta ou indiretamente colaboraram para a realização do I Simpósio sobre Mudanças Climática e Desertificação no Semiárido Brasileiro e para a publicação desse livro.

Agradecemos também a especial dedicação de todos os autores que, além de colaborarem com as discussões nas mesas redondas e plenárias durante o evento, empenharam valoroso esforço na redação dos capítulos dessa obra.

Por fim, agradecemos o empenho da equipe de pesquisadores e colaboradores do INSA na árdua tarefa de revisão técnica dos textos, contribuindo assim para uma comunicação mais direta e eficaz com o público alvo dessa publicação.

Os Editores

Agradecimentos

Edneida Rabelo Cavalcanti – Graduada em Geografia. Doutoranda em Engenharia Civil - Área Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Pernambuco. Atualmente é pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco e integrante do Núcleo de Gestão Ambiental da Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco. Experiência na área de Geografia, com ênfase em Meio Ambiente, atuando principalmente nos seguintes temas: meio ambiente, gestão ambiental, desenvolvimento sustentável, desertificação e educação ambiental.

Elena María Abraham – Profesora y Licenciada en Geografía, Universidad Nacional de Cuyo, especialista en Formación Ambiental. Actualmente es Investigadora Independiente del CONICET (Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas), Profesora Titular de la Cátedra de Ordenamiento Ambiental, Universidad de Congreso, Directora del IADIZA - CONICET (Instituto Argentino de Investigaciones de las Zonas Áridas) y del LADYOT (Laboratorio de Desertificación y Ordenamiento Territorial). Lidera un grupo interdisciplinario de investigación ordenamiento y gestión de las tierras secas afectadas por desertificación.

Francislene Angelotti – Graduada em Agronomia. Doutora em Agronomia pela Universidade Estadual de Maringá. Atualmente é pesquisadora da Embrapa Semiárido, atuando na área de Mudanças Climáticas Globais, principalmente com monitoramento, avaliação, mitigação e adaptação dos impactos nos sistemas naturais e agrícolas. Experiência na área de Agronomia, com ênfase em Proteção de Plantas.

Jémison Mattos dos Santos – Graduado em Geografia. Mestrado em Geoquímica e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Bahia. Atualmente é Professor Assistente da Universidade Estadual de Feira de Santana e Professor da Fundação Vinconde de Cairú. Experiência na área de Geociências, com ênfase em estudos ambientais e geoprocessamento, atuando principalmente nos seguintes temas: geomorfologia, planejamento e gestão ambiental, dinâmica fluvial e recursos hídricos, análise e dinâmica ambiental, avalição de impactos sócio-ambientais, educação ambiental, responsabilidade social e sustentabilidade ambiental, qualidade ambiental e de vida.

José Maria Marques de Carvalho – Engenheiro Agrônomo, Economista, Especialista em Agribusiness, Irrigação e Drenagem e Desenvolvimento Econômico. Atualmente é Gerente Executivo do Banco do Nordeste do Brasil.

José Narciso Sobrinho – Engenheiro Agrônomo. Mestre em Ciência Animal e Pastagens. Atualmente é Gerente de Ambiente do Banco do Nordeste do Brasil.

Josemar da Silva Martins (Pinzoh)– Graduado em Pedagogia. Doutor em Educação pela

Universidade Federal da Bahia. Atualmente é Professor Adjunto da Universidade do Estado da Bahia. Experiência na área de Educação, Comunicação e Cultura, com ênfase em Educação de Adultos,

Autores

Educação do Campo, Currículo, Gestão Educacional, Educação e Comunicação, Tecnologias da Informação e Comunicação e Mídia e Cultura.

Márcio dos Santos Pedreira – Graduado em Zootecnia. Doutor em Zootecnia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Atualmente é Professor Titular da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Experiência na área de avaliação de alimentos para ruminantes, atuando principalmente nos aspectos relacionados à composição química de alimentos, produção de forragem e uso de minerais e aditivos para bovinos e ovinos em busca de menores impactos da atividade sobre o ambiente.

Mario Alberto Salomón SirolesI – Graduado en Geografía. Magister en Planificación y Manejo de Cuencas Hidrográficas por la Universidad Nacional del Comahue. Actualmente es Investigador Asociado del Laboratorio de Desertificación y Ordenamiento Territorial(IADIZA) y Gerente General Primera Zona Río Mendoza (ASIC) . Tiene experiencia el área de agua, tierras y degradación ambiental, con enfasis en los siguientes temas: planificación y manejo de sistemas hídricos, procesos de desertificación y desarrollo local estratégico.

Odo Primavesi – Graduado em Engenharia Agronômica. Doutor em Solos e Nutrição de Plantas pela ESALQ/Universidade de São Paulo (1985). Experiência na área de Agronomia, com ênfase em Fisiologia de Plantas Cultivadas e conservação de solos, atuando principalmente nos seguintes temas: aveia forrageira, produção vegetal, nutrição mineral, adubação nitrogenada, produção de forragem, indicadores de qualidade ambiental, medição de metano ruminal a campo e educação ambiental sobre boas praticas de manejo ambiental.

Paulo Nobre – Graduado em Meteorologia. Doutor em Meteorologia pela University of Maryland. Pós-Doutor pela Columbia University. Atualmente é pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Experiência na área de Geociências, com ênfase em Meteorologia, atuando principalmente nos seguintes temas: modelagem acoplada oceano-atmosfera, variabilidade temperatura da superfície do mar, previsão de temperatura da superfície do mar, oceanografia do Atlântico Tropical e previsão e monitoramento climático.

Silvio José Rossi – Graduado em Engenharia de Alimentos. Doutor em Engenharia de Alimentos pela Universidade Estadual de Campinas. Atualmente é Professor Associado I da Universidade Federal da Paraíba. Experiência na área de Ciência e Tecnologia de Alimentos, com ênfase em Engenharia de Alimentos, atuando principalmente nos seguintes temas: armazenamento de alimentos, secagem de alimentos, propriedades físicas de produtos agropecuários, desenvolvimento de processos e produtos e pré-processamento de produtos agrícolas. Experiência, também, em gestão acadêmica do ensino superior, em educação a distância, em gestão institucional e em construção de redes temáticas colaborativas interinstitucionais.

Vanderlise Giongo – Graduada em Engenharia Agronômica. Doutora em Ciências do Solo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente é pesquisadora da Embrapa Semiárido. Experiência na área de Agronomia, com ênfase em Ciência do solo, atuando principalmente nos seguintes temas: manejo e conservação do solo, sistemas de preparo de solo e sistemas de culturas.

Foto 1 – Área degradada, Coxixola, PB, 2008. Remanescente da caatinga em risco de degradação pelo avanço do processo de desertificação severo, devido à ausência de práticas de combate à erosão do solo. Embora esta imagem tenha sido tomada em outubro de 2008 (período seco), a vegetação densa da área remanescente conserva a umidade do solo, o que permite observar algumas espécies ainda verdes.

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