Projeto horta na escola (1)

Projeto horta na escola (1)

UNIVERDIDADE FEDERAL DO PARÁ - UFPA

INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO - ICED

CURSO DE APERFEIÇOAMENTO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL

ANA LÚCIA DA SILVA FERREIRA

MARIA DE JESUS OLIVEIRA BELO

MARTA INÊS FERREIRA LIMA

TEREZA DE JESUS GAVINO LOPES

PROJETO HORTA NA ESCOLA:

AÇÕES DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO FUNDAMENTAL VILA NOVA

BELÉM-PARÁ

2014

UNIVERDIDADE FEDERAL DO PARÁ – UFPA

INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO – ICED

CURSO DE APERFEIÇOAMENTO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL

ANA LÚCIA DA SILVA FERREIRA

MARIA DE JESUS OLIVEIRA BELO

MARTA INÊS FERREIRA LIMA

TEREZA DE JESUS GAVINO LOPES

PROJETO HORTA NA ESCOLA:

AÇÕES DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO FUNDAMENTAL VILA NOVA

Projeto de intervenção apresentado ao Instituto de Ciências da Educação da Universidade Federal do Pará, como requisito de exigência para a obtenção do título de Educador Ambiental.

Orientadoras: Prof.ª Msc. Gracy Kelly Silva

Prof.ª Msc. Trícia Amoras

BELÉM-PARÁ

2014

PROJETO HORTA NA ESCOLA: AÇÕES DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO FUNDAMENTAL VILA NOVA

Apresentação

A área de estudo do presente instrumento é a Escola Estadual de Ensino Fundamental Vila Nova, localizada no bairro do Jurunas, região periférica da cidade de Belém. Fundada em meados de 1980, o prédio da Escola Vila Nova foi erguido pela comunidade da Passagem Vila Nova e Moura Carvalho, e em regime com o Estado foi implantada a escola de ensino infantil até o 5º ano para atender as crianças da própria comunidade.

O tema gerador se refere às mudanças ambientais globais, subdivididas nos quatro elementos naturais: Água, Ar, Fogo e Terra, tendo o último como modelo para este projeto, pelo fato de ter uma grande importância na vida de todos os seres vivos do planeta, pois é da terra que se retira parte dos alimentos que se consome e é sobre ela, na maioria das vezes, que se constroem casas para habitar. Portanto, a terra fértil é indispensável à sobrevivência das espécies do planeta.

Este projeto visa ressaltar a magnitude do elemento “terra” por meio da possibilidade de mudanças de valores, hábitos e atitudes com a proposta de intervenção ambiental, usando a conscientização e a participação dos alunos e colaboradores da Escola Vila Nova, pois conhecendo o meio ambiente em que se vive faz com que se desenvolva um vínculo positivo com a natureza, fazendo da escola e do lar um exemplo destas mudanças. Para trabalhar esta educação permanente e dinâmica, é preciso criar na escola um ambiente capaz de envolver todo o corpo da escola junto à comunidade, pois as questões pertinentes à natureza estão diretamente ligadas à conscientização ambiental e política da sociedade.

Justificativa

Os trabalhos da Horta na Escola Vila Nova tiveram início com o Dia do Pacto pela Educação no Pará (ação liderada pelo estado junto às escolas pela melhoria da educação), em que foi implantada uma pequena horta com mudas de algumas hortaliças.

Logo após o início do Curso de Aperfeiçoamento em Educação Ambiental ofertado pela Universidade Federal do Pará aos professores da rede pública de ensino, os quais fazem parte da mesma escola, houve um interesse ainda maior em implementar a horta que já existia na escola. A educação ambiental é uma prática pedagógica. Essa prática não se realiza sozinha, mas nas relações do ambiente escolar, na interação entre diferentes atores, conduzida por um sujeito, os educadores (GUIMARÃES, 2004).

A partir desse momento, foi sugerida a criação de uma horta suspensa, em que se realizaria o plantio de mudas de hortaliças em garrafas pet reutilizadas para diminuir o impacto dos resíduos ambientais que são produzidos na própria escola.

Durante todo o processo de implementação do projeto na escola, ficou clara a importância de explorar temas ligados à educação ambiental e alimentar, uma vez que a promoção da qualidade nutricional das hortaliças e alimentação para as crianças é 80% suprida pela escola.

Os alimentos presentes no ambiente escolar passam a ter um novo significado para as crianças, que começam a entender que, antes de chegar aos mercados, os alimentos passam por todo o processo de “crescimento” que elas podem vivenciar.

Desta forma, é importante afirmar que, entre a alimentação adequada, sua aceitação e o entendimento de que esta é a melhor opção, há uma grande distância que certamente é diminuída quando a criança tem oportunidade de acompanhar o desenvolvimento do próprio alimento.

A horta na escola não tem retornos financeiros, uma vez que a sua produção é toda destinada à merenda das crianças na escola, porém o que se conquistou através deste projeto foi a promoção da valorização do meio ambiente visando a sustentabilidade e economia, e a possibilidade do aprendizado sem valor comercial.

Desta forma, o benefício buscado através deste projeto é intangível, além do aprendizado pessoal, mostrou benefícios sociais dentro dos pilares da sustentabilidade, entendendo que o uso desenfreado de hoje é a falta de recursos naturais amanhã.

Público-Alvo

A comunidade escolar como um todo: alunos, professores, funcionários, pais e/ou responsáveis.

Referencial Teórico

A trajetória da presença da educação ambiental na legislação brasileira apresenta uma tendência em comum, que é a necessidade de universalização dessa prática educativa por toda a sociedade. Já aparecia em 1973, com o Decreto nº 73.030, que criou a Secretaria Especial do Meio Ambiente explicitando entre suas atribuições, a promoção do esclarecimento educação do povo brasileiro para o uso adequado dos recursos naturais, tendo em vista a conservação do meio ambiente (LIPAI, 2010).

O cerne da educação ambiental é a problematização da realidade, de valores, atitudes e comportamentos em práticas dialógicas. Ou seja, para esta conscientizar, só cabe no sentido posto por Paulo Freire de “conscientização”, de processo de mútuo aprendizado pelo diálogo, reflexão e ação no mundo. Movimento coletivo de ampliação do conhecimento das relações que constituem a realidade de leitura do mundo, conhecendo-o e, ao transformá-lo, conhecê-lo (LOUREIRO, 2012).

A Constituição Federal de 1988 elevou o status do direito a educação ambiental, essencial para a qualidade de vida ambiental, atribuindo ao estado o dever de promover a educação ambiental a todos os níveis de estudo e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente (art. 225, inciso VI). A definição de educação ambiental é dada no artigo 1º da lei nº 9.795/99 como processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem como o uso comum do povo, essencial a qualidade de vida saudável e sua sustentabilidade, colocando o ser humano como responsável individual, ou seja, considera a ação individual na esfera privada e de ação coletiva na esfera pública (LIPAI, 2010).

A educação ambiental é uma ferramenta para o enfrentamento dos problemas ambientais da educação, capaz de contribuir coma as mudanças sociais e transformações sociais e envolvendo os diversos sistemas sociais, como mostra o Programa Nacional de Educação Ambiental – ProNEA (BRASIL, 1999).

Para que as mudanças culturais aconteçam é necessário promover mudanças nos desejos e na forma das pessoas de ver a realidade a fim de promover o desenvolvimento nos padrões de produção e consumo, como busca contribuir o ProNEA (BRASIL. 1999).

Para que a educação ambiental ocorra de modo articulado, tanto entre as iniciativas existentes no âmbito educativo como entre as ações voltadas à proteção, recuperação e melhoria socioambiental, e assim propiciar um efeito multiplicador com potencial de repercussão na sociedade, faz-se necessária à formulação e a práticas de políticas públicas de educação ambiental que integrem essa perspectiva. Nesse sentido a criação do ProNEA se faz necessária para a gestão da Política Nacional de Educação Ambiental – PNEA, fortalecendo os processos existentes nessa direção na sociedade brasileira.

O desenvolvimento do projeto horta na escola, com plantio de mudas de hortaliças contribui para o consumo de alimentos saudáveis dos alunos previstos pelos órgãos legais de forma positiva.

Assim, o PNAE implantado em 1955,

(...) garante por meio da transferência de recursos financeiros, a alimentação escolar dos alunos de toda a educação básica, educação infantil, ensino médio e educação de jovens e adultos matriculados em escolas públicas e filantrópicas. Tendo como objetivo atender as necessidades nutricionais dos alunos durante a permanência em sala de aula contribuindo para o crescimento, o desenvolvimento, a aprendizagem e o rendimento escolar dos estudantes, bem como promover a formação de hábitos alimentares saudáveis (CECANE PARANÁ, 2010).

Por mais incentivada que seja a alimentação escolar, as mudanças dentro das cantinas são muito pequenas, prevalecendo a prática de alimentos pobres em vitaminas, como os industrializados ou frios.

Segundo Magalhães (2003), essa relação direta de consumo de alimentos impróprios também contribui para o comportamento alimentar das crianças não seja voltado para produtos mais naturais e saudáveis, pois a ostensiva propaganda de produtos industrializados do tipo fast-food é criativa e induz a compra e ao consumo.

É fundamental que se lance mão da educação ambiental na promoção de uma nova cultura alimentar nas escolas, fazendo-os conhecer a importância dos alimentos, da higienização desses alimentos, do valor nutritivo, sobretudo despertando a comunidade escolar para as propagandas de produtos alimentícios pouco nutritivos, levando-os a consumir aquele mais nutritivos.

Sobretudo, é imprescindível a busca por uma educação ambiental pautada em uma visão global, multidimensional, interdisciplinar e sistêmica, pois esta educação está intimamente associada à formação de valores e atitudes sensíveis à diversidade, à complexidade da vida, e a um sentimento de solidariedade diante dos outros e da natureza.

Objetivo Geral

  • Sensibilizar e conscientizar as crianças de que a vida depende do ambiente e o ambiente depende de cada cidadão deste planeta.

Objetivos Específicos

  • Despertar o interesse das crianças para o cultivo de horta e conhecimento do processo de germinação;

  • Dar oportunidade aos alunos de aprender a cultivar plantas utilizadas como alimentos;

  • Degustação do alimento semeado, cultivado e colhido;

  • Criar, na escola, uma área verde produtiva pela qual, todos se sintam responsáveis;

  • Estimular os alunos a construírem seu próprio conhecimento no contexto interdisciplinar;

  • Contextualizar os conteúdos aos problemas da vida urbana;

  • Construir a noção de que o equilíbrio do ambiente é fundamental para a sustentação da vida em nosso planeta.

Metodologia

Os instrumentos de coleta de dados utilizados foram a elaboração de um plano de ação de educação ambiental na Escola Estadual de Ensino Fundamental Vila Nova para identificar a temática de maior necessidade na escola.

Como a escola já pratica o cultivo de uma pequena horta, considerou-se de grande relevância implementá-la com um projeto de intervenção voltado para esse fim.

Dessa forma, será organizada uma reunião com a comunidade escolar (professores, alunos, técnicos e pais de alunos) para elaboração mais detalhada do programa, em seguida a realização de seminário de apresentação do Programa de Responsabilidade Socioambiental e aplicação de um questionário para alunos de todas as séries.

Haverá a realização de uma pesquisa com os alunos sobre o cardápio de alimentação escolar; cursos de capacitação das merendeiras (higiene, manipulação e preparação dos alimentos); a realização de palestra com nutricionista sobre o combate ao desperdício de alimentos, e por fim a construção da horta escolar.

Recursos (humanos e naturais)

A horta no ambiente escolar torna-se um laboratório vivo que possibilita o desenvolvimento de diversas atividades pedagógicas em educação ambiental e alimentar, unindo teoria e prática de forma contextualizada, auxiliando no processo de ensino-aprendizagem e estreitando as relações interpessoais através da promoção do trabalho coletivo e cooperativo entre os agentes sociais envolvidos. Pode ser observado neste trabalho, o desenvolvimento na comunidade escolar, o sentido de planejamento, execução e manutenção de hortas, levando até ela os princípios da horticultura orgânica, compostagem, forma de produção de alimentos, o solo como fonte de vida, relação campo-cidade, entre outros.

A educação ambiental, com sua dimensão abrangente, é uma forte aliada para reorientar a educação em direção à sustentabilidade. Além de vir alargando o seu escopo de possibilidades, de promover mudança ética, sustenta-se em uma educação voltada para a ação. Logo agrega e fortalece as iniciativas da chamada educação para a cidadania, da ecopedagogia, da educação para sociedades sustentáveis, da educação para a gestão ambiental, enfim, das várias denominações e representações que recebe (TRISTÃO, 2004).

Sendo assim, a educação ambiental é marcada pela necessidade de definir sua identidade frente a outros campos que a educação encontra no conceito de interdisciplinaridade, uma união de áreas educativas para que se possa aprimorar o conceito de aplicação da educação ambiental.

Com a proposta implantada na escola, os resultados esperados permeiam além das mudanças alimentares pelos alunos, uma mudança de concepção crítica do meio ambiente em que vivem. Percebe-se, portanto, que o projeto contribui para um ensino e aprendizagem dinâmicos, tanto para a inserção ao consumo das hortaliças como para uma consciência ambiental sustentável e politizada.

Cronograma de Atividades

ATIVIDADES

Duração/Mês

1

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Reunião com a comunidade escolar (professores, alunos, técnicos e pais de alunos) para elaboração mais detalhada do Programa.

X

Realização de Seminário de apresentação do Programa de Responsabilidade Socioambiental.

X

Aplicar um questionário para alunos de todas as séries e modalidades de ensino.

X

Realizar uma pesquisa com os alunos sobre o cardápio de alimentação escolar.

X

Cursos de Capacitação das merendeiras (higiene, manipulação e preparação dos alimentos) (Curso de 30 horas).

X

X

X

Realização de palestra com nutricionista sobre o combate ao desperdício de alimentos (8 horas).

X

X

Construção da Horta Escolar.

X

Avaliação

O processo de avaliação do projeto se dará de forma sistemática pelos docentes e corpo técnico da escola, em períodos trimestrais por meio dos seguintes procedimentos: encontros, reuniões e entrevistas com levantamento de dados para acompanhamento e decisões para a melhoria do projeto, sendo que os dados coletados e analisados devem servir como retroalimentação da tomada de decisões, correção de rumos e aperfeiçoamento das ações propostas para o projeto.

Referencia Bibliográfica

BRASIL, Ministério do Meio Ambiente e Ministério da Educação. Programa Nacional de Educação Ambiental. MMA/MEC, 1999.

BRASIL, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Programa Nacional de Alimentação Escolar. Disponível em http://www.portaldatransparencia.gov.br/ acesso em 02/11/2014.

CAMPUS, Sirley Sebastiana; CAVASSAM, Osmar. Oficina de Materiais Recicláveis: Uma Atividade Alternativa em Programas de Educação Ambiental. In: TALOMANI Jandira L B; SAMPAIO, Aloísio Costa. Educação Ambiental na Prática Pedagógica à Cidadania. São Paulo: Escrituras, 2003.

CESANE PARANÁ. Agricultura familiar e o programa nacional de alimentação escolar – PNAE. Curitiba, 2010.

FONECI, Maria Cecília. Promoção da Saúde e Meio Ambiente: Uma trajetória Técnica-Plítica. In: PHILIP Jr Arlindo; PELICIONI Maria Cecília Foceci. Educação Ambiental e Sustentabilidade. Barueri, SP: Artmed, 2005.

GUIMARÃES, Mauro. A formação de educadores ambientais. Campinas, São Paulo: Papirus, 2004.

GONZALES, Edgar Gaudiano. Interdisciplinaridade e Educação Ambiental: Explorando novos terrritórios epistêmicos. In: SATO Michele; Carvalho Izabel. Educação Ambiental. Pesquisas e Desafios. Porto Alegre: Artmed, 2005.

LOUREIRO, Carlos Frederico B. Sustentabilidade e educação: um olhar da ecologia política. São Paulo: Cortez, 2012.

LIPAI, Eneida Maekawa. Educação ambiental nas escolas. Disponível em

http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/publicacao3.pdf acesso em 20/10/2014.

MAGALHÃES, A. M. A horta como estratégia de educação alimentar em creche. 2003. 120 f. Dissertação (Mestrado em Agros ecossistemas) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2003.

MAGALHÃES, A. M.; GAZOLA, H. Proposta de Educação Alimentar em Creches. In: Congresso Internacional de Educação Infantil 1. 2002, Bombinhas. Anais. Bombinhas: PMPB. 2002.

MARQUES, Heloísa Moraes C. Recursos Naturais para Saúde, Nutrição e Cosmética. Alimentação e Beleza. Rio de Janeiro: Ed. SENAC, 2000. SENAC

TRISTÃO, Martha. A educação ambiental na formação de professores: redes de saberes. São Paulo: Annablume; Vitória, Facitec, 2004.

TURANO, W. A didática na educação nutricional. In: GOUVEIA, E. Nutrição Saúde e Comunidade. São Paulo: Revinter, 1990.

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