Maneio Sustentavel de florestas tropicais

Maneio Sustentavel de florestas tropicais

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Autor: Dinis CasimiroProfessor: Doutor Almeida Sitoe

Maneio florestal sustentado nas regiões tropicais (SFM) Endereço: diniskuley@gmail.com

1. Introdução De acordo com FAO (2007) até 2005 as florestas cobriam cerca de 30% do total da área do planeta, sendo que cerca de 93% está coberta por floresta nativa e 7% são florestas plantadas, não obstante as florestas nativas representarem uma maior parte, os actuais níveis de exploração de exploração da madeira sobre tudo nas regiões tropicais representam uma ameaça a biodiversidade , ainda de acordo com a mesma estatística estima se que entre 2000 - 2005 devido o desflorestamento houve perda de aproximadamente 15 milhões de hectares o que corresponde uma perda de 3 milhões de hectares anual. De acordo com FAO (2015) a maior parte das florestas do mundo, especialmente nos trópicos e subtrópicos, não são geridos de forma sustentável. Alguns países não têm políticas apropriadas florestais, legislação, estruturas institucionais e os incentivos para promover a gestão sustentável das florestas. Em alguns casos podem possuir boas técnicas, mas são por vezes limitados a garantir a produção sustentada de madeira, sem levar em consideração muitos outros produtos e serviços oferecidos pelas florestas. As florestas naturais nos trópicos fornecer uma ampla gama de produtos, ecossistema serviços e oportunidades sociais e económicas e pode, potencialmente, ser gerenciado para atender vários objetivos (Sabogal, C., Guariguata, M.R., Broadhead, J., Lescuyer, G., Savilaakso, S., Essoungou, N.& Sist, P., 2013).

COREIA, et al (2009), Apesar de a floresta ter funções ambientais, econômicas e sociais é difícil essas funções estarem sincronizadas porque se uma floresta possui um grande valor de conservação torna se difícil explorar essa floresta para fins econômicos, em contrapartida se a floresta tiver um alto valor comercial dificilmente o homem deixará esta floresta para fins de conservação do ambiente. No entanto desde a descoberta do valor econômico da floresta pelo homem, que as floresta tem estado a sofrer grande pressão, ignorando os valores ambientais. (COREIA, et al ,2009). Visto que a expansão de áreas protegidas é muito oneroso e politicamente inviável, os governos e as agências de desenvolvimento têm dedicado anos de esforço e de

Maneio florestal sustentado TUM 2016 centenas de milhões de dólares para promover o maneio florestal sustentado. No entanto, actualmente, quase nenhum registo nos trópicos podem ser consideradas sustentáveis, apesar de muito esforço ao longo das últimas duas décadas (Sabogal, C., Guariguata, M.R., Broadhead, J., Lescuyer, G., Savilaakso, S., Essoungou, N.& Sist, P., 2013). Dentro desse contexto o presente trabalho visa dar a conhecer alguns parâmetros do maneio florestal sustentável.

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2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1.Visão econômica do maneio florestal sustentado Conforme Rice, R.E., Sugal, C.A., Ratay, S.M., Fonseca, G.A., (2001) a ausência de meios financeiros para a gestão de forma sustentável e a reformulação de alguns os factores que tornam o maneio florestal sustentado menos lucrativo em relação à exploração convencional representa uma das maiores barreiras para implementação na sua efectividade do maneio florestal sustentado. Deste modo a lucratividade do maneio florestal Sustentado converge em três principais factores que são; taxa de preço da madeira; a taxa de crescimento de espécies comerciais e a taxa de desconto.

2.1.1. Taxa de preço da madeira

Nos últimos 40 anos, preços de madeiras tropicais não têm crescido de forma significativo. Varangis (1992) demonstram ter encontrado uma média anual a valorização dos preços de 1,2 % por ano em termos reais durante o período de 1950 a 1992. Entre tanto os dados mais actuais, de 1995 a 2000, preço anual de crescimento é de entre 0,17% a 2,69% (Constantino, 1993).

2.1.2. Taxas de crescimento de árvore

A taxa de crescimento de espécies comerciais em florestas tropicais também é relativamente baixa. Ao longo do tempo não estimado existem em um estado estacionário no qual o volume de crescimento é igual ao volume perdido através de mortalidade, este cenário seria ideal para a sustentabilidade da atividade florestal (Sabogal, C., Guariguata, M.R., Broadhead, J., Lescuyer, G., Savilaakso, S., Essoungou, N.& Sist, P., 2013).

A taxa de o crescimento da árvore deve ser positiva, no entanto em algumas florestas a taxa de crescimento encontrada foi de 0.27 a 0.54 m3 /hectare, entretanto num outro estudo verificou se um incremento na ordem de 0.5 a 2m3 / hectare, esse acréscimo foi verificado devido aos tratamentos silviculturais que se deu nos primeiros anos de colheita (Reid e arroz, 1997).

Variação nas taxas de crescimento irá dependere na disponibilidade e distribuição de recursos e em algumas diferenças na composição funcional da floresta tropical (Baker.T.R, Swaine.M,D, Burslem, D, 2003).

2.1.3. As taxas de juro reais

As taxas de juros geralmente usadas para se avaliar o custo de oportunidade do capital e um dos indicadores mais direto de custos de oportunidade nesta prespectiva é o lucro esperado no sector florestal. As taxas de juros praticados nos países em via de desenvolvimento são elevadas aliadas a escassez de capital e maior risco na concessão de crédito rural, tornando assim uma grande barreira para o sector florestal, de salientar que as taxas de juros nos países desenvolvido raramente atingem a 10% por ano (Sabogal, C., Guariguata, M.R., Broadhead, J., Lescuyer, G., Savilaakso, S., Essoungou, N.& Sist, P., 2013).

No entanto se observar esses três factores de forma conjunta pode se concluir que não são congruentes, pois nos trópicos as taxas de juros são elevadas em contrapartida a taxa de crescimento da arvore é lento e o preço da madeira é relativamente baixo, logo é quase impossível praticar o maneio florestal sustentado.

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2.2.As políticas destinadas a incentivar os investimentos na SFM

O maneio florestal sustentado é pouco atrativo devido a vários factores não só em termos econômicos para tal tem sido tomado uma série de politicas com vista a estimular a sua adoção.

Entretanto para contornar a baixa adoção do maneio florestal sustentado muitas politicas estão centralizadas no sector privado através do aumento do retorno financeiro, porém uma das medidas que a ter em consideração são:

2.2.1. Alargamento de mercado para espécies menos conhecidas

Nos últimos tempos tem se envidado esforços para promover e alavancar a venda de espécies de árvores menos conhecidos, pois, em muitas florestas tropicais apenas um menor número de espécies de árvores têm mercados comerciais já estabelecidos. No entanto o problema tende a agravar se em áreas florestais remotos e de difícil acesso, aliado a esse facto há um incremento nos custos de transporte, portanto, apenas uma ou duas espécies são capazes de comercializar (Toledo 1997).

Criação de mercados para um maior número de espécies comerciais é destinada a tornar a gestão a longo prazo mais atraente (Toledo 1997) e incentivar um maior cuidado no registro como árvores com pouco valor, pois elas são frequentemente destruídas parcialmente ou na sua totalidade durante a exploração (Johnson & Cabarle 1993).

2.2.2. Garantir a eficiência na exploração e processamento de madeira

Políticas para reduzir o desperdício e a ineficiência no processamento de madeira em florestas tropicais também têm sido avançadas como um meio de promover a ampla adoção da SFM. Os padrões atuais de eficiência nos trópicos podem ser extremamente baixos. Considerando que uma serraria moderna nos EUA pode converter 50 por cento ou mais de um produto utilizável, eficiências de conversão tão baixo quanto 35% são comuns nos trópicos (Gerwing et al . 1996, J.P. Karsenty 1998).

O mesmo padrão de ineficiência existe na exploração, onde metade do produto é muitas vezes deixado na floresta (Stewart 1992, Gullison et al . 1997). Aumentando a eficiência, porém, não necessariamente resulta em maiores lucros. Investimentos que conduzam a uma maior eficiência física pode levantar ou abaixar os lucros consoante os seus custos e benefícios.

2.2.3. Proibição de exportação de madeira em toros e agregar mais valores no processamento

Proibições de exportação têm sido promovido como uma forma de avançando SFM, fornecendo um forte incentivo para processamento de madeira doméstica. De acordo com este ponto de vista, os maiores investimentos que vêm com o processamento juntamente com a colheita de uma ampla variedade de espécies, mais emprego local, e o maior lucro, toda a ajuda promover uma melhor gestão da floresta já que as pessoas com um investimento de longo prazo em um recurso são mais propensas a controlá-lo corretamente (Bomsel et al., 1996).

Com estes objectivos em mente, muitos paises tropicais produtores de madeira têm implementado proíbe ou quotas ou taxas colocado sobre as exportações. Dentro

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África, proibições de exportação têm sido implementadas em Camarões, Costa do Marfim e Gana (ITTO 1997).

Por causa da produção ineficiente, as receitas fiscais do governo e a lucratividade da indústria seria muitas vezes superior sem processamento local. O banimento de exportação eliminar a receita de impostos sobre as exportações, reduz também o preço da madeira internamente e em consequência disso vai baixar os lucros das vendas domésticas.

2.2.4. Certificação da madeira

No entanto, quase 92% de todas as florestas certificadas em todo o mundo estão localizados em países de clima temperado, industrializados que já são bem geridas ou quase isso, como eles têm os meios financeiros e tecnológicos, bem como a capacidade, para implementar boas práticas de gestão (ITTO, 2002).

Ao contrário da maioria das políticas destinadas a promover o SFM, certificação da madeira reconhece a necessidade de rentabilizar das futuras explorações de madeira por mudanças de gestão para a perspectiva de uma recompensa económica tangível (Thang, H.C. 2003). Certificação da madeira garante benefícios aos produtores através de preços mais elevados, maior quota de mercado, todavia há poucas evidências de que os consumidores estão pagando preços mais altos para os produtos certificados (Varangis et al., 1995, Webster & Adequada de Callejon 1998), resultando em poucos incentivos para a maioria de operadores de alterarem sua gestão (Bowles et al., 1998a).

Não obstante a demanda por produtos certificados está a aumentar significativamente, esses tipos de produtos, provavelmente, continuam a representar a menoria do total mercado.

Actualmente, apenas 24 por cento da madeira tropical produção entra o comércio internacional (ITTO 1999), e que a grande maioria da madeira tropical exportações vão para países Asiáticos onde a demanda por madeira certificada é atualmente fraco.

2.3.Efetividade da conservação do Maneio florestal sustentado

Deve se determinar se SFM causaria mais ou menos danos ambientais do que provavelmente ocorreria na sua ausência e os governos devem, adicionalmente, determinar se promover SFM é o uso mais eficaz de conservação.

Para resolver estas questões, deve se observar três possíveis cenários que podem ocorrer na ausência de SFM e como os seus impactos ambientais são susceptíveis de comparar aos da SFM.

Primeiro cenário há pouca ou nenhuma ameaça imediata ou floresta de compensação para o desenvolvimento. Nestes casos, o SFM pode ser utilizado para proteção de uma floresta contra a ameaça de conversão futura. Porém Isto é questionável se esta seria uma sensata abordagem, no entanto, uma vez que o registo sustentável em si pode aumentar a ameaça de conversão da floresta por proporcionando mais acesso rodoviário (Sabogal, C., Guariguata, M.R., Broadhead, J. Lescuyer, G., Savilaakso, S., Essoungou, N.& Sist, P., 2013).

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Segundo cenário é que a alternativa do maneio florestal sustentado é descontrolada. O maneio florestal sustentado foi promovido nestes casos pa racionalização de madeira e reduzir impactos negativos no ambiente. No entanto, não é necessariamente SFM menos destrutivo do que a exploração convencional (Sabogal, C., Guariguata, M.R., Broadhead, J., Lescuyer, G., Savilaakso, S., Essoungou, N.& Sist, P., 2013).

Os danos causados por métodos convencional e sustentável irão depender, em parte, na intensidade de exploração, ou do volume de madeira retirado por hectare. Intensidades de colheita sob SFM são bastante uniforme em diferentes áreas porque as orientações usados para projetar sistemas silviculturais sustentáveis são bastante coerente a este respeito madeira disponível os volumes são assumidos tipicamente em média 1m 3 por hectare por ano, e sustentáveis colheitas geralmente variam de 10 a 30 metros cúbicos por hectare com uma rotação de 10 a 30 anos (canhão et ai. 1998b).

Num terceiro cenário, os casos em que a alternativa uso da terra envolve a conversão da floresta, SFM é claramente preferível por razões ambientais e deve ser promovido. No entanto, onde a ameaça de conversão de florestas é esmagadora ou onde o valor da terra para a agricultura é alta, qualquer tentativa de impor SFM são susceptíveis de ser caro. Se SFM impede o desenvolvimento da agricultura nessas áreas, irá fazê-lo apenas porque o governo é capaz de proprietários de força para adotá-lo (Sabogal, C., Guariguata, M.R., Broadhead, J., Lescuyer, G., Savilaakso, S., Essoungou, N.& Sist, P., 2013).

2.4.Pilares do maneio florestal sustentado

O maneio florestal sustentado deve entrar em concordância com três amplamente divulgados que são:

Ambientalmente correcto Socialmente Justo

Economicamente viável

2.4.1. Ambientalmente correcto

Existe uma maior preocupação com o meio ambiente tem levado empresas no mundo todo, a buscar alternativas de produção mais limpa e matérias-primas menos tóxicas, a fim de reduzir o impacto de seus processos. Diante deste cenário as indústrias tem sido forçadas a investir em modificações de processo, aperfeiçoamento de mão de obra, redução de resíduos e racionalização de consumo de recursos naturais (Chamusca et al, 2006).

2.4.2. Socialmente Justo

A ONU criou uma série de diretrizes sobre as questões de responsabilidade social, dando aos governos poderes para que estes possam exigir das organizações o respeito pelos direitos humanos, pela soberania e pelo desenvolvimento econômico local (Chamusca et al, 2006).

2.4.3. Economicamente viável Segundo o conceito mais amplo de sustentabilidade, não basta a uma empresa simplesmente buscar o lucro. Resultados devem incluir ganhos ambientais e sociais. Isso leva as empresas a considerar, como parte integrante de um plano de negócios,

Maneio florestal sustentado TUM 2016 a inclusão de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável dela mesma e da sociedade. Ao mesmo tempo em que representa um desafio, a busca pela sustentabilidade pode representar novas oportunidades de negócios (Chamusca et al, 2006). .

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