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(Parte 1 de 5)

FLORIANÓPOLIS 2009/1

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado como requisito parcial para a obtenção do título de bacharel em Serviço Social, Departamento de Serviço Social da Universidade Federal de Santa Catarina. Orientador: Professor Ricardo Lara.

FLORIANÓPOLIS 2009/1

Trabalho de conclusão de Curso aprovado como requisito parcial para obtenção do título Bacharel em Serviço Social do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal de Santa Catarina.

Banca Examinadora

Professor Dr. Ricardo Lara Orientador

Professora Msª. Naldir da Silva Alexandre 1ª Examinadora

Psicóloga Yda Cristine Pereira Barcellos 2ª Examinadora

Primeiramente quero agradecer aos meus pais, Marilene e Hamilton, que sempre me deram força, em todos os momentos da minha vida. Amo vocês demais. Muito Obrigada!

Aos meus avós, que são muito especiais para mim. Agradeço a Deus todos os dias por vocês fazerem parte da minha vida. Obrigada por sempre me apoiarem e torcerem por mim. Amo vocês.

Ao meu irmão, Vinícius pelo incentivo e pelos gestos de carinho e amor. Amote meu caçula.

À minhas primas, Débora, Eduarda e Larissa, pela amizade e pelo carinho de irmã que todas sempre me disponibilizaram. Obrigada pelo incentivo e apoio em todos os momentos. Amo-as infinitamente. Obrigada por tudo.

Aos meus tios e tias, que até hoje sempre disponibilizaram amor e incentivo durante minha caminhada.

Ao meu orientador, Prof. Ricardo Lara, que desde o início fora muito prestativo, dedicado e preocupado com a elaboração do trabalho. Agradeço por ser paciente e contribuir com o meu aprendizado. Valeu Professor! Muito Obrigada pelo incentivo.

À minha amiga Alice Baron Preve, que nesta caminhada de formação e principalmente durante todo o período de elaboração deste trabalho me proporcionou palavras acolhedoras. Agradeço pelas manifestações de amizade e conselhos, colocando que o segredo para não desanimar é sempre pensar positivo. Muito Obrigada pela força!

Às minhas amigas Nariana e Vanessa, que estiveram do meu lado em todo momento de graduação. Aprendi muito com vocês. Agradeço a Deus por ter conhecido pessoas tão especiais, que com certeza irão ficar para sempre em meu coração. Amei ter compartilhado minha vida com vocês. Vou sentir muitas saudades. Amo-as.

A minha Supervisora de Campo e Assistente Social Laura Fernanda

Kindermann, que me acolheu com carinho e que me acompanhou e participou da minha formação profissional. Muito obrigada!

Às minhas amigas e amigos, Pamela, Milene, Jaqueline, Eliane, Jackson,

Nelson e Marco por fazerem parte da minha caminhada e formação acadêmica. Adorei ter conhecido vocês. Obrigada por tudo.

Às Psicólogas Thaís e Yda pela atenção, respeito e carinho. Adorei compartilhar momentos da minha vida com vocês. Obrigada meninas.

Às Assistentes Sociais Albertina, Miriam e Rita que durante o campo de estágio estiveram sempre dispostas a colaborar com meu aprendizado. Obrigada.

Dedico este trabalho sobretudo a minha mãe Marilene e minha avó Elaci, duas mulheres que tenho muito orgulho, pelo amor, ensinamentos e esforços dispensados a minha criação.

Mensagem de um idoso.

Se meu andar é hesitante e minhas mãos trêmulas,ampare-me. Se minha audição não é boa e tenho de me esforçar para ouvir o que você está dizendo,procure entender-me.

Se a minha visão é imperfeita e o meu entendimento é escasso, ajude-me com paciência.

Se as minhas mãos tremem e derrubam comida na mesa ou no chão,por favor não se irrite,tentei fazer o melhor que pude.

Se você me encontrar na rua,não faça de conta que não me viu ,pare para conversar comigo,sinto-me tão só.

Se você na sua sensibilidade me vê triste e só, simplesmente partilhe um sorriso e seja solidário.

Se lhe contei pela terceira vez a mesma história, num só dia não me repreenda, simplesmente ouça.

Se me comporto como uma criança serque-me de carinho.

Se estou com medo da morte e tento negá-la, ajude-me na preparação do adeus.

Se estou doente e sou um peso na sua vida,não me abandone pois um dia terá a minha idade.

respeito e de amor
UM POUCO

A unica coisa que desejo neste meu final de jornada ,é um pouco de DO MUNTO QUE TE DEI UM DIA!!!.

(Desconheço o autor)

MACHADO, Barbara de Souza. O cuidar do idoso no contexto familiar. (Graduação em Serviço Social) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2009.

O objetivo deste trabalho de conclusão de curso é compreender o contexto vivenciado pelo cuidador familiar de idoso no âmbito domiciliar. Inicialmente iremos contextualizar o aumento da população idosa em todo o mundo, assim também identificando o envelhecimento populacional no Brasil e mais especificamente em Florianópolis/SC. Apresentamos ainda o impacto social e demográfico do envelhecimento populacional, situando as mudanças que este fenômeno pode causar na sociedade. Por fim, apresentaremos os questionamentos sobre o cuidador familiar através da pesquisa de caráter documental que consiste em identificar nos prontuários dos usuários atendidos no programa CIAPREVI – Florianópolis como se procede a construção do papel do cuidador, caracterizando o seu perfil, as mudanças e conseqüências sofridas na vida do mesmo. Abordaremos sobre a sobrecarga de trabalho do cuidador, que exerce praticamente sozinho esta função sem apoio do setor formal. Tendo em vista que o cuidador ressente-se da falta de informação e da escassez de recursos para proporcionar ao idoso uma melhor qualidade de vida. O cuidador também expõe a ausência de apoio formal que possa atender suas próprias necessidades e bem-estar físico e psicológico. Assim, compreendendo que há uma urgência na criação de políticas públicas que visem o atendimento tanto do idoso como de sua família.

Palavra-chave: Idoso, cuidador familiar, políticas públicas, família.

AIVD’ s – Atividades Instrumentais da Vida Diária.

CIAPREVI – Centro Integrado de Atenção e Prevenção a Violência Contra Pessoa Idosa.

PMF – Prefeitura Municipal de Florianópolis

PNI – Política Nacional do Idoso. UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina

INTRODUÇÃO1
2. ENVELHECIMENTO POPULACIONAL14
2.1.1 O IMPACTO DEMOGRÁFICO E SOCIAL21
SOCIAIS COMO CONSEQUÊNCIA PARA A FAMÍLIA32
3.1. REDE DE APOIO FORMAL E INFORMAL43
3.2 TRANSFERÊNCIAS DE CUIDADOS46
4. AS RELAÇÕES DO IDOSO E SUA FAMÍLIA53
4.1 QUANDO O IDOSO NECESSITA DE CUIDADOS53
4.2 O PERFIL DO CUIDADOR NO ÂMBITO FAMILIAR60
4.3 O CUIDADOR FAMILIAR65
4.4 AS CONSEQUÊNCIAS SOFRIDAS PELO CUIDADOR FAMILIAR69
CONSIDERAÇÕES FINAIS81

O presente trabalho visa descrever como se institui o papel do cuidador familiar de idosos no contexto domiciliar e quais embates estes encontram no seu cotidiano. Os obstáculos que os cuidadores enfrentam na sociedade contemporânea são inúmeros, por isso é destacado neste trabalho a função dos cuidadores e a dificuldade que a família encontra para lidar com a questão do envelhecimento.

Primeiramente ilustraremos sobre o Envelhecimento Populacional, situando o processo de envelhecimento a nível mundial, depois no Brasil e por fim no município de Florianópolis, mostrando dados que afirmam e comprovam como é crescente o índice de idosos em todo o mundo. Destaca-se também como é impactante o envelhecimento populacional na sociedade, provocando uma necessidade de criação e ampliação de políticas públicas especificamente para os idosos.

Em seguida colocaremos sobre o Envelhecimento Populacional e as fragilidade das Políticas Públicas, mostrando a ineficácia da rede para atender as necessidades da pessoa idosa. Neste capítulo realiza-se a distinção do que é setor formal e informal. Observamos, também, a questão das transferências de cuidados, onde o Estado cada vez mais se retrai e transfere toda a responsabilidade para o âmbito familiar.

Por fim, detalharemos, mais especificamente, sobre o cuidador familiar, pois o crescimento da longevidade juntamente com o crescente índice de idosos vem aumentando a possibilidade de um familiar se tornar de forma onerosa e inesperado um cuidador. Além disso, ressaltaremos a dificuldade dos cuidadores em exercer esse papel sem o mínimo de assistência e apoio formal ou até mesmo informal.

Nas grandes cidades, com a vida cada vez mais prosaica do individuo, onde o tempo é curto e pouco tempo temos para refletir sobre o tema do envelhecimento, as pessoas quando vêem a necessidade de ser um cuidador familiar, geralmente possuem diversas dificuldades nesta função por desconhecerem informações relacionadas ao envelhecimento.

Durante o trabalho traçaremos o perfil do cuidador familiar e também alguns dos principais motivos que influenciam a pessoa a assumir este papel. Descreveremos também os sentimentos e as principais necessidades dos cuidadores, consoante à pesquisa de caráter documental realizada no Centro Integrado de Atenção e Prevenção a Violência Contra a Pessoa Idosa (CIAPREVI). Dessa maneira, o universo da pesquisa envolverá um estudo de prontuários de idosos que possuem um cuidador familiar e que são atendidos pelo CIAPREVI, programa este que atende idosos da cidade de Florianópolis-SC em situação de violência.

Através da fala dos cuidadores familiares em atendimento pelo CIAPREVI, identificaremos um leque de problemáticas que enfrentam no cotidiano. Serão destacados os seguintes assuntos, a sobrecarga de trabalho do cuidador familiar, a dificuldade para lidar com a troca de papéis entre o idoso e seus filhos, as conseqüências para a vida do cuidador, apontaremos quais as mudanças mais decorrentes na vida deste, e como os cuidadores se sentem neste papel.

Estaremos situando também uma reflexão sobre como os cuidadores familiares de idosos estão desamparados pela rede social, ou seja, estão desassistidos e praticamente sozinhos nesta tarefa. Porém há de se convir que esta é uma tarefa que necessita urgentemente de um amparo social, para que realmente seja garantido o cuidado ao idoso e também o do próprio cuidador. Então se reflete a todo o momento sobre a ausência do Estado no que diz respeito ao provimento de uma garantia de qualidade de vida aos idosos e sua família como um todo. A essência deste trabalho é identificar quando o idoso necessita de cuidados, como se institui o papel de cuidador, os significados atribuídos por esses cuidadores, suas experiências vividas no seu cotidiano e, além disso, o impacto desta vivência na sua qualidade de vida.

Considerando a complexidade do processo de cuidar no âmbito familiar de forma continua e duradoura é que fundamentamos a necessidade de realizar este estudo. Buscando colocar a importância de um maior subsídio por parte das políticas de assistência social e saúde para essas famílias. Acrescentando também que essas famílias não precisam necessariamente de “ajuda”, mas sim que seus direitos sejam garantidos.

2. ENVELHECIMENTO POPULACIONAL

É no decorrer da história que a longevidade e a expectativa de vida vêm crescendo. O progressivo aumento da população idosa está tornando-se uma característica a nível mundial, significando um crescimento mais elevado da população idosa em relação às outras faixas etárias. Anteriormente era uma característica mais específica dos países desenvolvidos e hoje atinge também os países de terceiro mundo.

O envelhecimento populacional é um fenômeno muito recente, por isso os países, até mesmo os mais avançados, ainda estão se adaptando a esse novo desafio. Este fenômeno causa uma significativa mudança na estrutura etária, sendo que esse processo de envelhecimento nos acompanha desde o momento em que nascemos, assim alterando também a vida dos indivíduos, das famílias e da sociedade em geral.

Nos países considerados do “Primeiro Mundo”, o envelhecimento populacional ocorreu de maneira progressiva, paralelamente ao crescimento sócio econômico e à melhoria das condições de vida da população. Verifica-se que nos países em desenvolvimento a expectativa de vida cresce, sobretudo com o conseqüente avanço das intervenções da tecnologia médica. Dessa maneira, as vacinas e os antibióticos, o que no passado era inexistente, vieram de forma eficaz para prevenir e tratar das doenças infecciosas. Carvalho e Garcia (2003, p.14) explica que:

Os avanços da medicina, o diagnóstico precoce e a prevenção de determinadas doenças, a ampliação das possibilidades de acesso aos serviços de saúde, a generalização dos serviços de saneamento básico, a alteração nos hábitos alimentares e de higiene, a prática de exercícios físicos, dentre outros fatores, contribuíram decisivamente para o aumento da esperança de vida.

A citação supracitada revela que as intervenções da saúde pública é resultado de sucessos nos últimos 50 anos, sendo que a explosão de medidas protetoras que visavam postergar a morte ocorreu no século X. Porém, o envelhecimento é uma conquista que poderá tornar-se um problema, caso os países desenvolvidos e em desenvolvimento não visem proporcionar políticas e programas para que os anciões possam obter uma condição de vida digna na maturidade.

A tendência é que o envelhecimento populacional acelere ainda mais, sendo que esse crescimento irá se intensificar nos próximos 20 anos. Berzins (2003, p.23) destaca:

Segundo a previsão da ONU, a continuar no ritmo acelerado que se processa o envelhecimento mundial, por volta do ano 2050, pela primeira vez na história da espécie humana, o número de pessoas idosas será maior que o de crianças abaixo de 14 anos. A população mundial deve saltar dos 6 bilhões para 10 bilhões em 2050. No mesmo período, o número de idosos deve triplicar, passando para 2 bilhões, ou seja, quase 25% do planeta.

Para termos uma noção do número absoluto de idosos em alguns países que possuem uma população superior a 100 milhões, iremos observar esses dados abaixo:

Tabela 1: Envelhecimento populacional no ano de 2002 e uma projeção para o ano de 2025.

Nigéria 5.7 1.4 FONTE: Nações Unidas, 2002 apud BERZINS, 2003.

Como verificamos na tabela supramencionada, o Brasil está acompanhando esta tendência, apresentando um índice crescente da população idosa. Tempos atrás o Brasil foi marcado por uma expectativa de vida muito pequena devido as “péssimas condições sanitárias, de falta quase total de saneamento público, a saúde pública extremamente deficiente, a desinformação, do atraso da medicina e das altíssimas taxas de natalidade”. (REIS, PESSOA, 2007 apud BRAGA 2001, p.17).

No entanto, a esperança de vida dos brasileiros dobrou numa velocidade maior que a dos países europeus, e conforme Minayo e Coimbra (2002, p. 12) a esperança de vida ao nascer dos brasileiros era de 3,7 anos em 1900; 43, em 1950; 65, em 1990; chega quase a 70 anos na entrada do novo século. Descreve Silva (2003), de acordo com estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS), que o Brasil está quase ocupando a 6ª posição como o país mais envelhecido, por possuir uma população de idosos que chega a 32 milhões.

Entretanto, averigua-se que o processo de envelhecimento vem ocorrendo de maneira diferenciada nos diversos países, este processo nos países desenvolvidos ocorreu de forma mais lenta no decorrer de mais de cem anos. Diferentemente no que ocorreu nos países em desenvolvimento, a exemplo do Brasil, onde este processo de envelhecimento incidiu de maneira mais acelerada, modificando rapidamente a pirâmide populacional (VERAS, 2003).

Ainda conforme o autor supramencionado, as projeções indicam que entre o período de 1950 a 2020, enquanto a população brasileira está tendo um crescimento de 5 vezes mais, o grupo da faixa etária de idosos estará aumentando em até 16 vezes; neste mesmo período, paralelamente, os outros países, como o Estados Unidos, Japão e China, estarão aumentando o grupo de idosos em somente 3,5, 5 e 6,5 vezes, respectivamente.

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