Variabilidade climática e impactos ambientais no desertificação no município de picuí

Variabilidade climática e impactos ambientais no desertificação no município de picuí

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Meteorologista, Doutorando no Programa de Pós-graduação em Meteorologia, UFCG mainarmedeiros@gmail.com

Tecnólogo Agrícola, Doutorando no Programa de Pós-graduação em Engenharia Agrícola, UFCG, paulomegna@ig.com.br

Meteorologista, Mestranda no Programa de Pós-graduação em Meteorologia, UFCG ale.meteoro@gmail.com

Especialista em Geografia e Gestão Ambiental, FIP-PB virginia.mirtes@ig.com.br

Prof. Dr. Centro de Tecnologia e Recursos Naturais, Departamento de Ciências Atmosféricas, UFCG, mano@dca.ufcg.edu.br

RESUMO – Apresenta-se um estudo relativo à meteorologia e sua relação com o contexto ambiental, aliado a espacialização das informações físicas, como: tempo, clima, solo, vegetação, relevo e hidrografia para o município de Picuí, localizado no estado da Paraíba. Objetivou-se caracterizar, compreender e identificar a influência destes elementos, a fim de verificar sua relação com o processo de desertificação. Considerou-se neste trabalho, os aspectos morfológicos, as variabilidades climáticas associadas à forte erosividade das chuvas e da erodibilidade dos solos, que assumem maior expressividade nos condicionantes da desertificação. Conclui-se que os dados de temperaturas máximas, mínimas, médias e amplitudes térmicas do ar, velocidade do vento e direção predominante do vento, evaporação, evapotranspiração, insolação total, nebulosidade, precipitação pluviométrica, desvio padrão da precipitação, coeficiente de variância da precipitação, chuvas máximas e mínimas observadas da série estudada, tem uma enorme contribuição para o aumento da erodibilidade dos solos. O fenômeno da desertificação está diretamente relacionado com a variabilidade climática, a estrutura geológica, as formas do relevo, os solos e a cobertura vegetal.

Palavras-chave: Mudança Climática, Degradação Ambiental, Desertificação.

ABSTRAT - We present a study on the weather and its relation to the environmental context, combined with spatial distribution of physical information such as weather, climate, soil, vegetation, topography and hydrography for the city of Picuí located in the state of Paraíba. This study aimed to characterize, understand and identify the influence of these elements in order to verify its relationship with the process of desertification. It was considered in this work, the morphological, climatic variability associated with strong rainfall erosivity and soil erodibility, which take more expressive constraints on desertification. It is concluded that the data of maximum temperatures, minimum, medium and temperature ranges air, wind speed and predominant direction, evaporation, evapotranspiration, total bright sunshine, cloudiness, rainfall, standard deviation coefficient variance of precipitation, maximum and minimum rainfall observed in the series studied has a huge contribution to increases in soil erodibility. The phenomenon of desertification in Picuí is directly related to climate variability, the geological structure, the land forms, soils and vegetation. Keywords: Climate Change, Environmental Degradation, Desertification.

RESUMEN - Se presenta un estudio sobre el clima y su relación con el contexto ambiental, combinado con una distribución espacial de la información física, como la meteorología, clima, suelo, vegetación, topografía y la hidrografía de la ciudad de Picuí ubicada en el estado de Paraíba. Este estudio tuvo como objetivo caracterizar, comprender e identificar la influencia de estos elementos con el fin de comprobar su relación con el proceso de desertificación. Se consideró en este trabajo, la variabilidad morfológica, climática asociada con erosividad de las lluvias fuertes y erosionabilidad del suelo, que tienen restricciones más expresivas sobre la desertificación. Se concluye que los datos de las temperaturas máximas, distancias mínimas, medias y temperatura, velocidad y dirección del viento, evaporación, evapotranspiración, un sol radiante total, la nubosidad, las precipitaciones, la variación estándar de coeficiente de desvío de las precipitaciones, las lluvias máximas y mínimas tiene un enorme contribución al aumento de la erosionabilidad del suelo. El fenómeno de la desertificación en Picuí está directamente relacionada con la variabilidad del clima, la estructura geológica, las formas del relieve, los suelos y la vegetación. Palabras clave: Cambio Climático, La Degradación Ambiental, La Desertificación.

A influência do clima é essencial no meio ambiente, o mesmo é responsável por todas as interações biogeoquímicas entre os componentes bióticos e abióticos dentro do ecossistema, e de acordo com o resultado da percepção atual das complexas relações entre o meio ambiente e a sociedade, passa necessariamente pelo diagnóstico de como o clima e seus elementos interferem. O clima de toda e qualquer região, situada nas mais diversas latitudes do globo, não se apresentam com as mesmas características ano a ano (SORIANO, 1997).

Para Monteiro (1976), o clima é como algo dinâmico e interativo em caráter de conjunto, de síntese e de dinamismo, e a análise dinâmica é extremamente importante para a definição em mesoescala dos sistemas morfológicos, para a interpretação da dinâmica dos processos erosivos do meio ambiente e de outros aspectos.

Nesse contexto, a desertificação constitui um dos mais graves problemas ambientais enfrentados pela atualidade, a mesma está associada à redução da produtividade biológica ou econômica das terras, caracterizada pela fragilidade ambiental, social ou econômica. A desertificação pode ser compreendida, como a deterioração do quadro natural, com a progressiva redução da biomassa, o ressecamento marcante do ambiente, a elevação acentuada da temperatura média e a intensificação dos processos erosivos, inclusive os eólicos, que diante disso, são vários os fatores que colaboram para esse mosaico de domínios naturais, como a dinâmica atmosférica regional, as influências orográficas de média escala e as características oceânicas, principalmente as temperaturas das águas superficiais. Nessa conjuntura, a desertificação, tanto pode ter origem em causas naturais ou desencadeadas pela ação antropogênica (CONTI, 1995).

Aubreville (1949), um dos primeiros estudiosos sobre o tema, salienta dois efeitos principais da desertificação: a) a erosão dos solos, seja pelo processo laminar, seja pelo ravinamento, processos que se instalariam como consequências da retirada da vegetação; b) agravamento do déficit hídrico dos solos, em virtude da maior exposição dos mesmos à radiação solar e a ação dos ventos secos.

Silva et al. (2011), afirma que o processo da desertificação, de uma maneira geral, ocorre em áreas em que a razão entre precipitação e evapotranspiração potencial anual é inferior à 0,65, isto corresponde à áreas áridas, semiáridas e subúmidas secas, na qual uma combinação dos fatores antrópicos e naturais agem de forma à acelerar ou não este processo.

Com base nas definições propostas ao longo dos anos, adotou-se como definição de desertificação, a degradação das terras nas zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas, resultante das variações climáticas, em maior ou menor grau. Sales (1997), afirma que o município de Picuí, apresenta um forte comprometimento da economia e do meio ambiente, devido à intensidade da degradação dos solos.

Silva et al. (2010), observa que as altas incidências de raios solares com consequentes altas de temperaturas, aumentam os índices de evapotranspiração, variabilidade climática, assim como os períodos de seca, a intensidade das chuvas, a erodibilidade dos solos, o escoamento superficial e a derivação antropogênica, como o desmatamento indiscriminado, as queimadas e o pastoreio da ovinocaprinocultura acima da capacidade de suporte do ambiente, foram os fatores que aceleraram e agravaram o processo de desertificação na região do município de Picuí.

A extensão e a intensidade da degradação verificada em Picuí são de grande magnitude, sobretudo ao atravessar o período seco, a erosão eólica contribui para a mobilização do material, inserindo na paisagem numa fisionomia semelhante à de desertos (CAVALCANTE et al., 2005). Em virtude da gravidade do problema, tornam-se necessários estudos e medidas práticas a ser adotado, caso contrário, este espaço pode transformar-se num deserto atípico, com características de deserto (SILVA et al., 2011).

No contexto geográfico, percebe-se que a apropriação do solo, do relevo, como suporte ou recurso, origina transformações que começam com a subtração da cobertura vegetal expondo o solo aos impactos pluvierosivos. Todavia, ocorrem alterações nas relações processuais, como as mudanças no jogo dos componentes de perpendicular, correspondente à infiltração, a paralela, assoreamento, agentes externos, escoamento superficial ou fluxo de terra (CASSETI, 1994).

Os estudos sobre este processo de degradação são de suma importância, porque comprometem fortemente a economia e o meio ambiente, e afeta tanto a população urbana como a rural, e expande-se nas circunvizinhanças com muita rapidez pelos domínios morfoclimáticos da caatinga (CPRM, 1972).

O processo de avaliação do impacto ambiental é uma tarefa complexa, pela diversidade de fatores sociais, físicos e biológicos, e também por não ser um conhecimento exato das relações entre os ambientes sociais e físicos. Muitos dos conflitos socioambientais estão associados às grandes riscos, tantos naturais como desastres, extinção de espécies, deslizamentos, como sociais, o perigo à saúde, a deterioração da qualidade de vida, os direitos humanos, a sobrevivência econômica (VARGAS, 1997).

Os objetivos deste artigo é caracterizar a desertificação dentro de uma metodologia sistemática, referente aos aspectos geoambientais, na perspectiva de analisar a influência dos fatores físicos naturais, procurando situá-los no contexto dos riscos mais amplos e da degradação ambiental. Tornando-se uma chance para excitar a reflexão sobre a acepção da natureza e de seu papel como suporte à sociedade.

O município de Picuí, localizado no estado da Paraíba, possui uma área de 665,57 km².

Está inserido na Bacia Hidrográfica do Seridó, e seu posicionamento encontra-se entre os paralelos 6º28’ e 6º69’ de latitude sul e entre os meridianos de 36º21’ e 36º46’ de longitude oeste. Inserido na mesorregião da Borborema, na microrregião do Seridó Oriental, limita-se com os municípios de Frei Martinho, Nova Floresta, Cuité, Baraúna e Nova Palmeira (Figura 1). Conta com uma população de 18.2 habitantes segundo o IBGE (2010), e uma densidade demográfica de 27,54 habitantes por km2.

Figura 1. Mapa de localização da área de estudo. Fonte: Adaptado de IBGE (2009).

Conforme Francisco (2010), o uso da terra é determinado pelas potencialidades e limitações ambientais. Na Paraíba, devido à baixa latitude, a luz e o calor são fatores abundantes para a produção agrícola. Assim, é a água na forma de chuva, pela sua quantidade e distribuição, que determina as atividades agropecuárias no estado. As regiões e sub-regiões geográficas do estado guardam uma estreita relação com a ocorrência dos solos e a ocupação e uso das terras.

O Sertão do Seridó é formado pela área da bacia do Rio Seridó (Figura 2), nas encostas ocidentais do Planalto da Borborema. Na linha das cabeceiras, sobre o Planalto, ocorrem os Neossolos Regolíticos Eutróficos, áreas mais agrícolas, em seguida, em relevo forte ondulado e montanhoso os solos Neossolos Litólicos de biotita-xisto, na região dos municípios de Pedra Lavrada e Picuí. Área de pastejo extensivo e mineração. Na área da depressão ocorre o Luvissolo Crômico vértico fase pedregosa relevo suave ondulado, associado à Neossolo Litólico Eutrófico suave ondulado e ondulado substrato gnaisse e granito e Luvissolo Crômico relevo suave ondulado, todos em vegetação caatinga hiperxerófila, área de pecuária e cultura de subsistência, antes produtora de algodão perene e algodão mocó (FRANCISCO, 2010).

Figura 2. Mapa da Bacia Hidrográfica. Fonte. Adaptado de AESA (2009).

O município encontra-se inserido nos domínios da bacia hidrográfica do Rio Piranhas, sub-bacia do Rio Seridó. Seus principais tributários são: os rios Picuí, Letreiro e da Passagem, além dos vários riachos os principais corpos de acumulação são: os açudes Várzea Grande (21.532.560 m3), Carrapateira, Conceição, do Dedo, Carrapato, Picuí e da Jurema, além das lagoas: do Canto, do Deserto, Cercada, do Junco e de Montevidéu, todos os cursos da água têm regime de escoamento intermitente com padrão de drenagem dendrítico (CPRM, 2005).

A área de estudo se encontra inserida no Planalto da Borborema, que segundo Sousa et al. (2003), se constitui no mais importante acidente geográfico da Região Nordeste, exercendo na Paraíba, um papel de particular importância no conjunto do relevo e na diversificação do clima. A unidade geomorfológica denominada Superfície de Planalto, com domínio de relevo suave ondulado e ondulado, representa uma das unidades mais amplas e regulares no conjunto da Borborema. As altitudes no planalto estão entre 400 m, podendo ultrapassar à 700 m nos pontos mais elevados. O relevo da área de estudo apresentase distribuído com declividade que varia de plano a ondulado (FRANCISCO, 2010).

De acordo com os dados do Atlas do Plano Estadual de Recursos Hídricos da Paraíba

(PARAÍBA, 2006), a geologia predominante na área de estudo está representada pela Formação Seridó e Grupo Seridó indiscriminado (Ns-Nsi); Complexo Serrinha Pedro Velho (Psp), relacionados ao período Paleoproterozóico; e Granitóide de quimismo indiscriminado (Nyi) do período Proterozóico Neoproterozóico; e Suíte Poço do Cruz (Ppc) relacionado ao período Paleoproterozóico. Todos do Sistema Cristalino e estas unidades apresentam uma associação litológica variada e complexa.

Figura 4. Mapa geológico do município de Picuí. Fonte: Adaptado de PARAÍBA (2006).

A vegetação da área é do tipo caatinga hiperxerófila, e de acordo com Sousa et al. (2003), as espécies mais encontradas são o marmeleiro (Croton sonderianus Muell. Arg.), a jurema preta (Mimosa tenuiflora Willd. Poiret.), o pereiro (Aspidosperma pyrifolium Mart.), e a catingueira (Caesalpinia pyramidalis Tul). Outras espécies nativas da região apresentam-se com poucos exemplares, como o angico (Anadenanthera columbrina Vell. Brenan) e a aroeira (Myracrodruon urundeuva Allemão), já os cactos são bastante diversificados.

Conforme PARAÍBA (2006) e o trabalho de Reclassificação dos perfis realizado por

Campos & Queiroz (2006), na área do município de Picuí são encontrados basicamente o Latossolo Amarelo Distrófico típico; os Luvissolos Crômicos órticos típicos; os Neossolos flúvicos Ta eutróficos solódicos; os Neossolos Litólicos Eutróficos e o Neossolos Regolítico Eutrófico.

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