A Interferência Cognitiva nos Trabalhos de Treinamento e Desenvolvimento

A Interferência Cognitiva nos Trabalhos de Treinamento e Desenvolvimento

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RECIFE-PE 2013

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Gestão em Recursos Humanos do Instituto Brasileiro de Gestão e Marketing-IBGM, como requisito parcial para a conclusão do curso de graduação.

Professor (a) Orientador (a): Ana Paula Noriko

RECIFE-PE 2013

Trabalho de conclusão de curso aprovado como requisito parcial para obtenção do título de graduação de gestor em Recursos Humanos, pelo IBGM – Instituto Brasileiro de Gestão & Marketing, por uma comissão examinadora formada pelos seguintes professores:

Prof.ª MsC. Ana Paula Noriko Cimino Professora Orientadora

Prof.ª Esp. Magali Castro 1º Examinadora

Prof.ª MsC. Cibely Nery Valença 2º Examinadora

A todos os mestres que alguma forma contribuiram para a elaboração e conclusão desse trabalho, em especial à nossa querida orientadora Ana Paula Noriko, por sua generosa atenção e cuidado, nosso muito obrigado.

1 INTRODUÇÃO
2 DESENVOLVIMENTO
2.1 LOCAL DA INTERVENÇÃO
2.2 PÚBLICO-ALVO
2.3 INSTRUMENTOS DE INTERVENÇÃO
2.4 PROCEDIMENTOS DA INTERVENÇÃO
2.5 ANÁLISE DA INTERVENÇÃO
2.6 AVALIAÇÃO DA INTERVENÇÃO
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS
APÊNDICES
ANEXOS

1 INTRODUÇÃO

Para abordar o tema ‘A Interferência da Cognição nos Trabalhos de

Treinamento e Desenvolvimento’ é imprescindível conhecer as influências do fator cognitivo e como desenvolvê-lo no processo de T&D. A partir daí propomos, então, uma rápida elucidação do tema sugerido.

Nossa mente está diretamente ligada ao nosso corpo, e juntos eles formam o universo de nossas vidas; é como se a mente fosse nosso mundo interno que age em harmonia com o mundo externo que é o corpo e nós só podemos estar livres de estresse se encontrarmos o equilíbrio entre os dois. Os estudos feitos por Jean Piaget, que foi o propulsor da Teoria Cognitiva que explica o desenvolvimento cognitivo humano, vieram a contribuir para a psicologia do conhecimento. A partir dela, muitos psicólogos tiveram a certeza de que a formação do ser humano é um processo que vai acontecer ao longo da vida (MOREIRA, 2011).

Moreira (2011) ao explicitar a teoria de Piaget aponta que o cognitivo humano é dividido em quatro estágios, sendo eles: sensório-motor, que dura do nascimento até aproximadamente o segundo ano de vida; o pré-operacional, que vai dos dois anos de idade até os sete anos em média; o operatório concreto, que dura em média dos sete aos onze anos de idade, e o quarto estágio é o operatório formal, que é desenvolvido a partir dos doze anos de idade. Neste estágio o adolescente começa a ter um raciocínio lógico e sistemático, com o enfoque na cognição, que é “[...] a maneira pela qual uma pessoa percebe e interpreta a si própria e seu ambiente” (CHIAVENATO, 2003, p.83), já que estudos comprovam que os seres humanos constroem o conhecimento através de suas percepções ao [...] “qual cada pessoa vê a si mesma e sente e percebe o mundo que a circunda” (CHIAVENATO, 2003, p.83).

A análise acima é feita a partir da observação de atitudes do ser em relação às suas experiências vividas socialmente na sua vida profissional, o que nos leva a crer que somos frutos do meio em que vivemos, ou seja, temos o comportamento que adotamos através dos tempos e vamos refleti-lo no meio organizacional.

O Treinamento é inserido no campo das organizações como base estrutural para o desenvolvimento de equipes, sendo importante tanto para o treinador como para os treinados, facilitando as ações de desenvolvimento que sejam propostas pelo setor de RH. A partir deste conceito observamos que o ser humano responde de diferentes formas a determinadas técnicas de treinamentos. Para Meneses e Abbad (2003), embora houvesse investimentos na área de treinamento e desenvolvimentos, alguns colaboradores ainda resistiam às mudanças propostas, causando desconformidades e o não cumprimento das normas e procedimentos adotados.

A interferência cognitiva é relevante na área de RH, porque conceitua as causas e busca desenvolver os conhecimentos técnicos necessários para se lidar e atender as necessidades dos indivíduos, entendendo o comportamento de cada um deles.

Em relação a isso, Galvão (2010, p.46), afirma que:

[...] validado pelo adquirir e recordar ideias e conceitos, enquanto muitas vezes o comportamento pode ser um processo de desprender, perdoar e acolher. Transformá-lo em sabedoria – e esta, muitas vezes, implica diminuir conceitos, preconceitos, verdades e vícios.

A cognição (ato de aprender algo) forma parte fundamental no treinamento e desenvolvimento do indivíduo, o qual precisa estar apto para adquirir esses novos conhecimentos e desenvolvê-los.

É nesse sentido que podemos definir que “[...] no estudo da aprendizagem induzida nas organizações, o primeiro conceito a ser explorado diz respeito à própria concepção de treinamento, que dá ênfase ao caráter sistêmico da área” (MOURÃO; MARINS, 2009, p. 74).

O objetivo deste trabalho está voltado a uma reflexão quanto à interferência do fator cognitivo e sua influência nos trabalhos de Treinamento e Desenvolvimento, conceituando as causas, buscando através do estudo paulatino uma nova abordagem, sendo essa mais humana. Buscando conceituar a cognição e suas interferências no meio organizacional e desenvolver um olhar humano sobre as dificuldades de aprendizagem durante os treinamentos e desenvolvimentos.

2 DESENVOLVIMENTO

2.1 Local da Intervenção

A intervenção aconteceu nas dependências da Faculdade IBGM - Instituto

Brasileiro de Gestão em Marketing, no segundo semestre do ano de 2013, por alunos concluintes do curso de Gestão em Recursos Humanos.

2.2 Público-Alvo

Desenvolvimento de equipes, sendo esses alunos da referida Instituição

Todos os alunos que estejam envolvidos na área de Treinamento e

2.3 Instrumentos de Intervenção

O primeiro contato que fizemos para a realização da nossa intervenção foi através das inscrições, quando os participantes enviaram seus dados necessários para o e-mail do grupo que foi criado para facilitar as confirmações de presença no dia da intervenção (Apêndice A). Também foi criada uma Fan Page divulgação de informações sobre o tema proposto (Apêndice B). Foram inseridos cartazes em salas de aulas com prévia autorização da faculdade para divulgação do tema, com informações para inscrições (Apêndice C).

exposto na porta da sala 23 para maior identificação dos convidados (Apêndice E)

Foram distribuídos folders para maior divulgação de tema (Apêndice D) e no dia da intervenção o grupo utilizou como ferramenta o programa Windows Media Player para facilitar o acesso aos vídeos propostos pela equipe. Um Banner ficou

Os convidados no dia da intervenção ganharam um kit de brindes, que continha bloco de notas, para facilitar a anotação de informações durante a intervenção (Apêndice F), canetas (Apêndice G), um portfólio com o roteiro impresso (Apêndice H) e crachás com seus respectivos nomes para facilitar a comunicação entre o grupo e os convidados (Apêndice I). Os integrantes da equipe também utilizaram crachás para facilitar esta comunicação (Apêndice J) e camisas com a imagem do tema (Apêndice K). No final da intervenção, foi distribuída uma ficha de avaliação da intervenção para os participantes (Apêndice L).

2.4 Procedimentos da Intervenção

Divulgamos o projeto de intervenção através da nossa Fan Page (apêndice

B), onde trouxermos esclarecimento do tema proposto. Em seguida, fizemos uma ação nas dependências da faculdade para divulgação através de folder por parte dos participantes (apêndice D).

Os participantes previamente inscritos, após assinarem a ata de presença (apêndice Q), no qual já constavam seus dados, receberam o crachá (apêndice I), o bloco de anotações (apêndice F), a caneta (apêndice G) e portfolio com o roteiro de apresentação impresso (apêndice H), sendo encaminhados à sala da palestra.

A intervenção iniciou com uma conceitualização a respeito do que é cognição e em seguida foi passado um vídeo autoexplicativo de como funciona o processo de aprendizagem (Anexo 1). Posteriormente, foi explanado sobre o ser humano como ser que aprende com enfoque em treinamento comportamental (apêndice M). Trouxemos para análise do estudo a teoria construtivista de Jean Piaget e o estudo da ZDP (Zona De Desenvolvimento Proximal).

Em seguida, para maior compreensão do público, o grupo trouxe um contexto sobre os desafios da inteligência e o possível diálogo entre cognição e afetividade (Apêndice N), mostrando que a afetividade influencia no processo de aprendizagem, uma vez que o ser humano pode ser mais afetivo, mais cognitivo, ou ambos somados.

Logo após, foi passado um vídeo para entendimento da plateia, onde a gerente de RH da Baumgarten Gráfica, Sandra Iten, relata seu depoimento do desafio de como conseguir a eficácia dos treinamentos corporativos (Anexo 2).

Após o vídeo, foram mostrados os impactos de um treinamento no trabalho, onde se pode observar que o ser humano responde de diferentes formas a determinados estímulos de treinamento (Apêndice O).

Para finalizar, foi explanado a respeito da conceitualização das resoluções de conflitos interpessoais, com o intuito de mostrar com clareza que a resolução de conflitos envolve recursos cognitivos e afetivos, e leva a uma melhor compreensão que vai interagir com a regulação da conduta do indivíduo (Apêndice P).

Concluímos com agradecimento a todos pela presença e intensa participação, entregamos a avaliação de desempenho (Apêndice L) para colher os dados referentes à atuação da intervenção.

2.5 Análise da Intervenção

Conseguimos mostrar de forma clara e objetiva o conceito de cognição e suas influências afetivas nos trabalhos de treinamento e desenvolvimento, a partir da abordagem a seguir.

Sabemos que nosso corpo está diretamente ligado a nossa mente, e juntos eles formam o universo de nossas vidas. Para fazer uma pequena introdução referente ao tema tratado precisamos conhecer o conceito de Cognição, uma palavra pouco usada e desconhecida por muitos. É importante saber que a cognição faz parte de nossas vidas no dia a dia na hora de transmitir e receber conhecimento. Por isso, podemos dizer que o aprendizado é contínuo: “as leituras mais recentes de aprendizagem, por parte da Psicologia e das ciências da Educação, definem essa como um processo contínuo e pessoal de construção de conhecimento por parte do aluno” (LEANDRO, 2002, p.156).

Segundo Pinto (2005), o cognitivo é o processo de aprendizagem, que o ser humano adquire ao longo de sua vida, de acordo com as suas experiências vividas. Quando falamos em cognição devemos ressaltar diversos fatores que são envolvidos. Tais como: o pensamento, a linguagem, a percepção, a memória, o raciocínio, entre outros, que fazem parte do desenvolvimento intelectual.

Para dar continuidade ao assunto proposto, sintetizamos o conteúdo de cognição explicando a etimologia da palavra e seguiremos para a abordagem de aprendizado.

O estudo da cognição começa a partir das pesquisas realizadas por Piaget na década de 20, mas apenas a partir da década de 70 tal estudo é aprofundado. “O ‘núcleo duro’ da teoria de Piaget está na assimilação, na acomodação e no equilíbrio, não nos famosos períodos do desenvolvimento mental” (MOREIRA, 2011, p.96).

Entende-se que a aprendizagem acontece em três processos: a assimilação, a acomodação e o equilíbrio, esses são responsáveis desde o momento da concepção individual ou informações adquiridas por cada pessoa, até o equilíbrio ou aprendizado propriamente dito, onde construímos um novo conceito. Esses será por sua vez assimilado em quatro fases que correspondem à maturação do organismo. São elas: Sensório-motor que vai 0-2 anos de idade; pré-operacional, dos 2-7 anos de idade; operações concretas, dos 7-1 anos e operações formais, a partir dos 12 anos de idade.

De acordo com a visão de Vygotsky (apud FINO, 2001), o desenvolvimento cognitivo acontece no contexto social histórico e cultural, justificando assim a influência de forma direta no aprendizado, nos mostrando ainda que qualquer interferência é relacionada entre aprendiz e mentor.

Naturalmente, a ênfase Vygotskyana nas origens sociais dos processos psicológicos superiores, bem como a primazia dos processos em detrimento dos produtos, características de seu método de análise, refletem as raízes marxistas de sua proposta (MOREIRA, 2011, p.108).

Vygotsky determina que a ZDP (Zona de Desenvolvimento Proximal) está alinhada entre o desenvolvimento real e desenvolvimento potencial, ele nos diz que nos tornamos humanos pela inserção na cultura, que se dá por meio dos outros seres humanos. Vygotsky ainda nos relata que para o ser humano seu mundo interno são construções históricas e sociais, nos ensinando que aprendemos com nossas experiências individuais e coletivas, visto que influenciamos e somos influenciáveis (FINO, 2001).

Para somar no entendimento da cognição e da afetividade, sugerimos a compreensão do tema a partir de um possível diálogo entre essas duas dimensões psíquicas.

Neste diálogo, vamos conhecer o funcionamento psicológico de seres humanos, precisamente os papéis da afetividade e da cognição na organização psíquica humana. A partir dos diversos aspectos teóricos (PINTO, 2005) verificamos que a cognição e a afetividade são dimensões psíquicas interligadas e fruto de um mesmo funcionamento psicológico.

A influência do pensamento cartesiano foi decisiva, desde a época do renascimento até os dias atuais, ao se decompor mente e corpo, razão e coração, como entidades dissociadas entre si mesmas. Para se realizar um conhecimento válido, digno de ser verdadeiro, o ser humano deveria se aproximar de um plano psicológico pautado somente pela razão, subtraindo qualquer estado subjetivo. Isto quer dizer que as propriedades afetivas não poderiam ser concebidas em igualdade com a faculdade da razão. Por conseguinte, o pensamento não seria produto da afetividade (PINTO, 2005).

Pinto (2005) afirma que estudos falam que a afetividade vem a organizar o conhecimento em termos de uma atribuição valorativa a objetos e/ou pessoas e/ou experiências, tais como tristeza, alegria, amor, ódio, amizade, ciúme, inveja e afins.

Todos esses estudos expõem que a organização do pensamento pode ser influenciada tanto pela cognição, quanto pela afetividade. A afetividade coabitaria psiquicamente em igual proveito com a cognição e teria ela um valor estimável na organização do raciocínio humano. Através disso tudo, passa-se a supor, se bem que de modo inicial, que a afetividade e a cognição funcionem, então,

[...] como peças conjuntas de um processo único no funcionamento psicológico, sendo assim de pouco valor dividi-las em fragmentos dissociados entre si. Em cada experiência, o ser humano é cognitivoafetivo ao mesmo tempo, estando em proporções variáveis ‘mais’ afetivo ou ‘mais’ cognitivo, ou quem sabe ambas somadas. Ou seja, sendo inseparáveis (PINTO, 2004, p. 109 apud PINTO, 2005, p.10).

Todo esse quadro teórico pode ser exemplificado com alguns dados empíricos provenientes de pesquisa atuais Pinto (2004 apud PINTO, 2005); Martins (2003 apud PINTO, 2005); Arantes (1998; 2000 apud PINTO, 2005), os quais vêm sugerir que questões dilemáticas, cujo conteúdo é de natureza moral, encontradas em uma situação conflitiva em que há uma contextualização afetiva. Estes comportam um universo diversificado de respostas e de raciocínios, apontando assim para uma complexidade na organização do pensamento humano.

Toda essa discussão assinala que a afetividade é sintetizada como um conteúdo particular na organização psíquica do sujeito psicológico. Supõe-se de maneira hipotética e teoricamente que o ser humano possa ser concebido como um sistema vivo, complexo e dinâmico, associando os conteúdos cognitivos e afetivos no âmbito do seu funcionamento psíquico.

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