Fisiologia gastrintestinal

Fisiologia gastrintestinal

(Parte 1 de 4)

Arlindo Ugulino Netto –FISIOLOGIA –MEDICINA P2 –2008.1

FAMENE NETTO, Arlindo Ugulino.

FISIOLOGIA GASTROINTESTINAL (Professora Mônica)

O trato alimentar fornece ao organismo suprimento cont nuo de gua, eletr litos e nutrientes. Para o desempenho dessa fun o, necess rio o movimento do alimento ao longo do tubo digestivo, a secre o de sucos digestivos e a digest o do alimento.

A boca representa a primeira por o do trato digestivo. A cavidade oral revestida, internamente, pela mucosa oral. delimitada, anteriormente, pelos l bios; lateralmente, pelas mucosas jugais (bochechas); superiormente, pelo palato; e inferiormente, pelos m sculos do assoalho da boca. A avalia o da boca de um paciente um procedimento indispens vel, avaliando o cuidado com a higiene e cuidado com esta estrutura.

A cavidade bucal encontra-se dividida em duas regi es: vestíbulo (espa o entre os l bioseas gengivas e dentes) e cavidade oral propriamente dita.

da l ngua uma divis o –o sulco terminal–que separaa l ngua em duas por es: corpo (parte anterior) e raiz (posterior, fixada na parede).

Observam-se tamb m as papilas linguais, onde se localizam os receptores gustativos. atrav s desses receptores que informa es sobre o sabor dos alimentoss o repassadas aos nervos facial (via nervo lingual), glossofar ngeo e vago (nervos cranianos relacionados com a gusta o).

A an lise da l ngua dos pacientes pode revelar o desenvolvimento de certas doen as, como c ncerese infec es.

O paladar uma fun o desses bot es gustativos com contribui o da olfa o, uma vez que o centro do olfato e do paladar no SNC s o pr ximos e interligados (isto justifica o fato de quenas gripes e resfriadosocorre uma diminui o da aprecia o do gosto dos alimentos).

O gosto percept vel aos bot es devido aos seus receptores qu micos, ou seja, receptores de s dio, pot ssio, cloro, adenosina e enosina. A percep o qu mica diferenciada em est mulos nervosos para as respectivas sensa es: doce, amargo, salgado e cido.

As c lulas gustat rias propriamente ditas est o divididas nas seguintes partes: poro gustat rio e fibras nervosas gustat rias,que v o transmitir o impulso nervoso da gusta o.Na superf cie de cada uma das c lulas gustativas,observam-se prolongamentos finos como p los, projetando-se em dire o da cavidade bucal; s o chamados microvilosidades.

Paraquehaja apropaga o do impulso nervoso, as c lulas devem ser previamente despolarizadas e enviem o impulso nervoso para as vias de transmiss o at o tronco encef lico e,da ,ao t lamo e c rtex cerebral.

Inicialmente, os est mulos captados pelaspapilas gustativas passam, primeiramente, pelo nervo lingual, depois pela corda do t mpano, e alcan am onervo facial, parapor fim, chegar ao n cleo do trato solit rio, localizado no bulbo(estrutura do tronco cerebral).Os nervos glossofar ngeo e vago tamb m participam da sensa o do paladar no ter o posterior da l ngua.Em seguida, os est mulos s o transmitidos ao t lamo; do t lamo passam ao c rtex gustativo prim rio e, subsequentemente, s reas associativas gustativas circundantes e regi o integrativa comum que respons vel pela integra o de todas as sensa es.

Arlindo Ugulino Netto –FISIOLOGIA –MEDICINA P2 –2008.1

OBS1: Qualquer les o em n vel das estruturas nervosas relacionadas com a gusta o (nervos facial, glossofar ngeo e vago; n cleo do trato solit rio; t lamo; c rtex gustativo), pode haver uma parada na percep o dos gostos.

Com base em sua estrutura e fun o, as papilas linguais s o divididas em quatro tipos: filiformes, fungiformes, foliadas e circunvaladas. Todas elas est o localizadas anteriormente ao sulco terminal.

Papilas filiformes: estruturas delgadas que d o aspecto aveludado superf cie dorsal. N o possuem bot es gustativos.

Papila fungiforme: assemelha-se a um cogumelo. Possuem corp sculos gustativos no aspecto dorsal de seu chap u.

Papilas foliadas:apresentam sulcos verticais que lembram p ginas de um livro. Possuem corp sculos gustativos apenas na inf ncia.

Papilas valadas:dispostas em V imediatamente anteriores ao sulco terminal. Possuem bot es gustativos.

Os dentes s o estruturas r gidas e esbranqui adas implantadas na maxila e mand bula respons veis pela mastiga o e por dar forma por o inferiorda face. Est o divididos em tr s partes: coroa, raiz e colo.

No adulto, encontram-se 32 dentes, sendo eles divididos em quatro tipos,de acordo com assuas formas e fun es:

Incisivos: oito dentes, com margem cortante e raiz nica.

Caninos: quatro dentes, com coroa c nica terminando em ponta e raiz nica.

Pré-molares: oito dentes, com coroa apresentando dois tub rculos e raiz nica ou b fida.

Molares: doze dentes, coroa com tr s a cinco tub rculos e duas a tr s ra zes.

O volume di rio de saliva produzida cerca de 1000ml, com pH entre 6,0 a 7,0(isto :favor vel a a o digestiva da ptialina).A saliva cont m dois tipos principais de secre o prot ica: Secreção serosa: cont m ptialina (α-amilase), uma enzima respons vel pela digest o de amidos.

As glândulas parótidas secretam exclusivamente o tipo seroso, enquanto as glândulas submandibular e sublingualsecretam tanto seroso quanto mucoso.

Íons na saliva.

A saliva possui quantidade particularmente grande de ons pot ssio e de ons bicarbonato. Por outro lado, a concentra o de ons s dio e cloreto consideravelmente mais baixado que no plasma. Isso acontece pois os íons sódios o

ativamente reabsorvidos a partir de todos os ductos salivares, que, por sua vez, secretam íons potássioativamente em troca do s dio. Com isso, a concentra o de Na+ na saliva fica reduzida,enquanto a de K+ aumenta. Por m, a reabsor o de s dio bastante excessiva em rela o a sa da de K+ dos ductos, o que cria uma grande negatividade nesses ductos, fazendo com que haja absor o passiva de íons cloreto. Por isso que a concentra o de Na+ e Cl-nos ductos baixa, e na saliva, alta.

J os ons bicarbonato s o secretados pelo epit lio ductal para o l men do ducto por um processo secretor ativo. Esses ons s o, em parte, respons veis por manter o pHest vel.

Funções da saliva. O fluxo de saliva ajuda a remover as bact rias patog nicas, bem como part culas alimentares.

Cont m diversos fatores capazes de destruir bact rias: ons tiocianato, lisozinas e anticorpos (combatem, inclusive, bact rias que causam c ries).

Participa no processo conhecimento como clareamento do esôfago, que consiste na lubrifica o e limpeza da mucosa esof gica a partir da saliva deglutida.

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Regulação nervosa da secreção salivar.

A regula o da secre o salivar feita por sinais nervosos parassimp ticos dos n cleos salivat rios superior e inferior no tronco cerebral(na ponte e no bulbo, respectivamente). Pode ser estimulada ou inibida por sinais nervosos que chegam aos n cleos salivat rios provenientes dos centros superiores do SNC.O n cleo salivat rio superior envia fibras via nervo facial e nervo lingual para inervar as gl ndulas submandibular e sublingual; o n cleo salivat rio inferior envia fibras para inervar a gl ndula par tida via nervo glossofar ngeo.

Os sinais nervosos parassimp ticos que induzem a saliva o copiosa tamb m dilatam moderadamente os vasos sangu neos. Por esta raz o, osuprimento sangu neo das gl ndulas afeta a secre o salivar, j que a secre o sempre requer um nutri o adequada. A escassez de saliva pode estar associada a les es no sistema nervoso perif rico ou les es vasculares.

A estimula o simp tica tamb m pode aumentar a saliva o em grau moderado. Esses nervos simp ticos se originam dos g nglios cervicais superiores.

Os dentes s o admiravelmente constru dos para a mastiga o. Nesse processo, o alimento convertido em peda os menores, por m permite uma maior atua o de enzimas digestivas, aumentando as reas de contato. Al m disso, a mastiga o estimula o centro da saciedade.

Fase voluntária: quando o alimento est pronto para ser deglutido, e voluntariamente empurrado pela l ngua para a faringe.

Fase faríngea da deglutição:o alimento empurrado involuntariamente para o es fago.Nesse processo, uma s rie de m sculos ativadapara o fechamento das vias a reas e aberturado esf ncter superior do es fago (m sculo cricofar ngeo). Esta estimula o intermediada por receptores na faringepara os nervos glossofar ngeo, vago e acess rio, controlado pelo centro da degluti o no bulbo(n cleo amb guo).

O es fago um tubo muscular com aproximadamente 25cm de comprimento, que transporta o bolo alimentar da faringe oral para o est mago.

Est localizado na jun o faringoesofagiana, tendo como base anat mica osm sculos e a musculatura esof gica abaixo dele. Tem como fun o manter fechada a extremidade superior do es fago, impedindo a passagem de ar para o mesmo e o refluxo do alimento para a faringe.A contra o t nica do ESE feita pela excita o de fibras som ticas vagais. O seu relaxamento feita pela inibi o transit ria dos neur nios centrais. Tal excita o e inibi o s o coordenadas pelo centro da degluti o, localizado no bulbo.

O M. constrictor inferior da faringe exibe uma atividade el trica constante com a freq ncia de descarga proporcional ao t nus do M. em repouso. Quando ocorre o relaxamento, essas descargas cessam, possibilitando a passagem do alimento.O t nus controladopelas afer ncias neurais que coordenam o relaxamento do m sculo, ocorrido com a degluti o.

CORPO DO ESÔFAGO limitado proximalmente pelo esf ncter superior do es fago e distalmente pelo esf ncter inferior do es fago. inervado por plexos oriundos do nervo vago. a por o respons vel pelo transporte do bolo alimentar pela a o da gravidade e de ondas perist lticas.

Doença do refluxo: normalmente, o esf ncter c rdico (esof gico inferior), enquanto n o nos alimentamos, ele permanece fechado. Pessoas que sofrem de refluxo (sensa o de asia, pirose) n o possuemcontrole no fechamento dessa v lvula, podendo causar regurgita o. uma doen a cr nica e multifatorial (aumento de peso –aumenta a press o das v sceras sobre o est mago; gen tico; anat mico) de per odos de melhora e piora. Esofagite: inflama o causada devido aos cidos do est mago quando h regurgita o. Apresenta grande vermelhid o no es fago diagnosticado por endoscopia, que pode evoluir para o esôfago de Barret, que umacondi o pr -neopl sica. Hérnia de hiato: o deslizamento do est mago

Arlindo Ugulino Netto –FISIOLOGIA –MEDICINA P2 –2008.1

OBS2: MecanismoAnti Refluxo. Refluxo gastroesofágico é o retorno do conteúdo do estômago, como o suco gástrico (ácido) e alimentos, para o esôfago. Quando este refluxo se apresenta de forma intensa e em vários episódios durante o dia, ele é chamado de refluxo gastroesofágico patológico. A doença do refluxo gastroesofágico ocorre devido ao funcionamento precário dos mecanismos anti-refluxo.Esses mecanismos podem ser de natureza anatômica e fisiológica.

Mecanismos funcionais

Pressão do esfíncter inferior do esôfago: otônus normal do esfíncter inferior do esôfago bloqueia o retorno de qualquer substância gástrica para o esôfago. O aumento acentuado da pressão intraabdominal comprime o esôfago neste ponto. Esse fechamento tipovalvular da porção inferior do esôfago evita que a elevada pressão no estômago force o conteúdo gástrico na direção do esôfago.A pressão exercida pela musculatura diafragmática contribui no reforço deste esfíncter.

Peristaltismodo esôfago:aperistalse primária é simplesmente a continuação da onda peristáltica que se iniciana faringe e se propaga para o esôfago durante a fase faríngea da deglutição.A peristalse primária, portanto, está diretamente ligada com a digestão.Se a onda peristáltica primária for insuficiente para movimentar todo o alimento que entrano esôfago em direção ao estômago, ondas peristálticas secundárias causam da distensão do esôfago pelo alimento retido. Estas ondas são idênticas às primárias, a não ser pelo fato de se originarem no próprio esôfago, e não na faringe. As ondas peristálticas secundárias mantêm-se até que todo o alimento tenha passado para o estômago.Doenças que afetem o peristaltismo do esôfago (como a esclerodermia ou o megaesôfago chagásico) predispõem ao desenvolvimento de DRGE.

Ação da saliva e clareamento do esôfago:limpeza do tubo pela ação da saliva deglutida, permitindo a este órgão uma maior capacidade de empurrar o ácido através de suas contrações. O alto teor de bicarbonato e proteínas tamponantes neutraliza o ácido no esôfago. Doenças que afetem a produção de saliva podem influenciar de maneira negativa neste mecanismo (como a síndrome de Sjrögren, doença reumatológica que influencia na produção e secreção de saliva).

Volume e tempo de esvaziamento do conteúdo gástrico:deve acontecer rapidamente e com pouco volume.

Resistência da mucosa do esôfago:A resistência tissular não é um fator isolado, mas representa um conjunto de estruturas e funções que se dispõem em camadas e interagem para formar uma barreira dinâmica. Desta forma, temos:

Defesa pré-epitelial (muco esofágico): ação do muco produzido pelo próprio epitélio esofagiano, que reduz a ação do ácido clorídrico. O muco, com suas propriedades e viscoelasticidade, forma uma excelente barreira à penetração de macromoléculas, como pepsina (não bloqueia, contudo, apassagem de íons H+).

Defesa epitelial (epitélio escamoso do esôfago): ação exercida pelo tecido epitelial de revestimento (T.E.R.) Estratificado Pavimentoso Não-queratinizado que reveste o esôfago,um epitélio bastante resistente. Este epitélio escamoso apresenta células firmemente aderidas entre si (por junções intercelulares muito firmes) que não permitem a passagem de íons entre as células. Contudo, ele não é resistente à agressão contínua exercida por enzimas pancreáticas, sais biliares e ácido clorídrico.

Defesa pós-epitelial(vascularização): função exercida pelo suprimento sanguíneo esofágico, responsável por carrear os radicais livres formados neste órgão.

Mecanismos anatômicos:

Entrada oblíqua do esôfago no estômago: tal fenômeno ameniza o impacto da deposição do bolo alimentar no estômago e promove o seu fechamento quando está cheio.

Roseta da mucosa gástrica:pregas resistentes presente na porção inicial do estomago (a nível da cárdia) que dificulta o refluxo funcionando como uma engrenagem.

Elementos de fixação do estômago:artéria gástrica esquerda e ligamentos frênico-esofágico (membrana fibroelástica que se origina de uma condensação da fáscia abdominal; quando lesado, pode haver hérnia de hiato), pilares diafragmáticos ao nível do hiato.

Musculatura diafragmática:as fibras do diafragma auxiliam no mecanismo funcional de defesa exercido pelo esfíncter inferior do esôfago.

OBS3:O esôfago não possui a ultima camada serosa, o que o deixa mais vulnerável aperfurações. OBS4: Ao se ingerir medicamentos via oral, deve tomar líquidos para que o comprimido, no caso, não fique aderido às paredes do esôfago, podendo irritá-lase perfura-las.

Arlindo Ugulino Netto –FISIOLOGIA –MEDICINA P2 –2008.1

As paredes do trato GI composto, basicamente, por 5 camadas, sendo elas, de fora para dentro (luz): serosa, camada muscular longitudinal, camada muscular circular, submucosa (possui uma parte nervosa: plexo de Meissner) e mucosa. O es fago n o possui a camada serosa, e o est mago possui uma camada circular m dia a mais.

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