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Wesley Rodrigues Philip Burke SketchJazz Mauro Souza Cássio Loredano Eduardo Schaal

ENDEREÇO DO SITE: w.revistailustrar.com

2a 2b ricardo antunes são paulo / Lisboa ricardoantunesdesign@gmail.com w.ricardoantunes.com

Dia 1 é dia de novos

assada a comemoração de 5 anos da Revista Ilustrar, arregaçamos

colunistas... as mangas para mais uma edição, que vem com algumas novidades.

A primeira é que, aos poucos, vamos fazendo pequenas mudanças no layout da revista - e na edição comemorativa já deu para perceber mudanças em algumas fontes, tudo para tornar a Ilustrar mais leve e gostosa de ler.

proporcionando a todos uma visão muito especial desses três ilustradores

E a partir desta edição teremos a coluna nacional, agora rebatizada de Opinião, sendo revesada por três grandes artistas: Renato Alarcão, Hiro Kawahara e Eduardo Schaal. Dessa forma a coluna se torna maior ainda, e no futuro outros artistas também farão parte desse grupo. Nesta edição quem escreve o artigo é Eduardo Schaal, falando sobre livros ilustrados e o prêmio Oscar.

Na seção Portfolio temos o jovem e talentoso Wesley Rodrigues, e na seção Sketchbook apresentamos o material incrível do SketchJazz!

O passo a passo fica por conta de Mauro Souza, editor de arte do estúdio Mauricio de Sousa, e na seção 15 perguntas, que agora passa a se chamar Entrevista, temos o brilhante caricaturista Cássio Loredano.

Para fecharmos, na seção Internacional temos a presença do ilustrador da revista Rolling Stone, Philip Burke, além dos trabalhos da seção Espaço Aberto.

Espero que gosteme até a próxima edição, dia 1 de fevereiro.
• EDITORIAL:2
• PORTFOLIO: Wesley Rodrigues4
• INTERNACIONAL: Philip Burke12
• SKETCHBOOK: SketchJazz23
• STEP BY STEP: Mauro Souza32
• OPINIÃO: Eduardo Schaal39
• ENTREVISTA: Cássio Loredano41
• ESPAÇO ABERTO56
• CURTAS69
• LINKS DE IMPORTÂNCIA70
DIREÇÃO, COORDENAÇÃO E ARTE-FINAL: Ricardo Antunes
ricardoantunesdesign@gmail.com

DIREÇÃO DE ARTE: Neno Dutra - nenodutra@netcabo.pt Ricardo Antunes - ricardoantunesdesign@gmail.com

REDAÇÃO: Ricardo Antunes - ricardoantunesdesign@gmail.com REVISÃO: Helena Jansen - donaminucia1@gmail.com COLABORARAM NESTA EDIÇÃO: Angelo Shuman (Divulgação) - shuman@uol.com.br ILUSTRAÇÃO DE CAPA: Philip Burke - w.philipburke.com PUBLICIDADE: revista@revistailustrar.com

DIREITOS DE REPRODUÇÃO: Esta revista pode ser copiada, impressa, publicada, postada, distribuída e divulgada livremente, desde que seja na íntegra, gratuitamente, sem qualquer alteração, edição, revisão ou cortes, juntamente com os créditos aos autores e co-autores, e com indicação do site oficial para download.

Os direitos de todas as imagens pertencem aos respectivos ilustradores de cada seção.

Foto: arquiv o Ricardo Antunes

Editorial Nesta edição Ficha técnica

Já está à venda na loja da Reference Press o livro “Sex & Crime: The Book Cover Art of Benicio”, 60 páginas cheias das mais incríveis e sensuais pin-ups, feitas por um dos mais geniais artistas do Brasil, o grande ilustrador Benicio. No blog da editora há um preview do livro: http://tinyurl.com/beniciopreview

Para comprar basta acessar a loja da Reference Press: w.referencepress.com

E para conhecer outras formas de pagamento e estar por dentro das últimas novidades, acesse também o blog da Reference:

http://referencepress.blogspot.com

Reference Press. A sua referência em arte.

"SEX & CRIME" Já à venda!

azendo parte da

RODRIGUES nova geração de artistas, Wesley Rodrigues tem trabalhado há algum tempo com animação, desde que fundou o Armoria Studio, além de ilustrações para a área editorial.

Fazendo animação principalmente para trabalhos autorais, aos poucos

Wesley também começou a produzir pequenas histórias em quadrinhos, conseguindo destaque.

Em 2011 participa e vence o primeiro

com o seu álbum “Imaginário Coletivo”

Prêmio Barba Negra / Leya RioComicon,

Daí em diante outros projetos apareceram, incluindo a transposição de músicas para quadrinhos, que explica agora para nós.

Sou formado em Design Gráfico pela UFG. Antes de pensar em ser desenhista, eu queria fazer faculdade de física, mas acabei ficando nas artes mesmo.

Gosto de tudo que tem a ver com movimento, então, quando decidi ser desenhista já sabia que queria trabalhar com desenho animado. Mas comecei pelo caminho da ilustração e dos quadrinhos por ser mais acessível.

Apareciam mais oportunidades de trabalho na área editorial do que na animação. Comecei ilustrando estampas de camisetas e depois fiz ilustrações em alguns jornais de Goiânia.

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GOIÂNIA - GO guerreirodepano@gmail.com http://wesleyilustra.blogspot.com.br

© W esley R odrigues

Foto: arquiv o W esley R odrigues

S Portfolio

Minhas influências são muitas, mas acredito que as principais são os desenhos do Chuck Jones, principalmente o Coiote e Papaleguas, que até hoje acho que é uma das melhores coisas já feitas em animação.

Admiro o empreendorismo de Walt Disney. A maneira como ele traçava metas e a força que fazia para atingilas é uma coisa extraordinária. Quero seguir nessa linha de aliar criatividade e espírito empreendedor.

Gosto muito das gravuras japonesas antigas, acho que transmitem muito movimento. Aprendo muito toda vez que paro para analisar umas dessas gravuras.

Atualmente, minha principal referência em animação é Hayao Miyazaki, mas gosto muito também de outros diretores como Masaaki Yuasa, que dirigiu Mind Game.

E gosto muito do estilo solto de Taiyo Matsumoto.

Na verdade eu me considero mais animador do que qualquer outra coisa. Mesmo quando faço quadrinhos penso antes na cena como se eu fosse fazer uma animação. A animação exige muito do desenhista e isso faz com que meu desenho melhore em vários aspectos, principalmente em ritmo e expressividade.

No projeto “O Ogro”, baseado na obra de Julio Shimamoto, trabalhei na direção de animação. Curti muito fazer esse projeto, principalmente por ter a chance de trabalhar com um mestre como o Shima. Ele próprio fez a direção de arte desse curta.

Quando eu recebia cada desenho do Shima, ficava olhando cada um por 1 hora antes de começar a animação. Tive uma boa chance de aprender muita coisa trabalhando nesse projeto.

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Comecei no ano passado a me dedicar aos quadrinhos, por meio do álbum “Imaginário Coletivo”, principalmente por causa da oportunidade.

Sempre quis fazer um livro de quadrinhos, mas não sabia exatamente como começar. Então quando vi o anúncio do Prêmio Barba Negra/ RioComicon de quadrinhos resolvi mandar uma proposta.

Era uma história com a qual participaria de um concurso parecido no Japão, mas esse do Riocomicon/Barba Negra foi mais interessante por me dar a chance de publicar um livro autoral completo, além do prêmio ser melhor e eu poder escrever tudo em português.

Sobre o álbum “Imaginário Coletivo”, a frase que abre o livro define bem a história: “Essa é uma fábula sobre liberdade e força de vontade”.

É uma história que fala de como devemos superar as limitações para ter a possibilidade de chegar a lugares que ainda não conhecemos.

O prêmio Barba Negra / RioComicon ganho em 2011 foi uma boa oportunidade para fazer meu primeiro álbum de quadrinhos. Antes eu só havia trabalhado com histórias curtas que eram publicadas nos jornais.

Mas o prêmio me deu a oportunidade de arriscar numa história mais longa e poder trabalhar melhor os personagens e o contexto que criei de uma forma que eu nunca tinha feito antes.

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Quando apresentaram o projeto de passar para quadrinhos algumas letras de músicas, de cara já escolhi a música “Pescador de Ilusões” de Marcelo Yuka, porque acho que ela tem tudo a ver com meu universo criativo.

Trabalhei toda a história em preto e branco, mas sem deixar o traço muito pesado. Utilizei mais a linha no desenho, para ter fluidez.

E nesse caso não fiz nenhum esboço porque eu queria esse desenho mais solto. Pegava a caneta e saía desenhando direto sobre o papel de onde sairia o desenho final.

Tive a oportunidade de conversar com o Yuka no Riocomicon do ano passado. Ele me disse que adorou o trabalho.

E acabo de me lembrar nesse momento que estou devendo um original dessa HQ pra ele… hehehe

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Atualmente estou fazendo a finalização do meu curta, o “Faroeste”. Estamos finalizando o áudio. Já estou trabalhando também na pré-produção do meu próximo curta, “Viagem na Chuva”, que tem previsão de lançamento para o ano que vem.

Existem esses blogs para quem quiser acompanhar as etapas de desenvolvimento destes projetos:

http://faroesteanimation.blogspot.com.br http://viagemnachuva.blogspot.com.br

E já estou elaborando mais dois projetos para começar a busca de financiamento. Assim que lançar o “Imaginário Coletivo”, quero continuar fazendo outros quadrinhos. Tenho muitas ideias que quero aproveitar em mais alguns livros.

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De uma certa forma é quase

BURKE impossível separar um certo período da revista Rolling Stone do trabalho de Philip Burke, que durante anos foi o grande artista por trás de todos os retratos pintados para a revista.

Consagrado e premiado como artista plástico, ilustrador e caricaturista, Philip Burke coleciona uma lista invejável de revistas que solicitam seus trabalhos, tendo trabalhado para mais de 180 revistas diferentes, com ilustrações muitas vezes relacionadas ao mundo da música ou à política, seus temas preferidos.

Com um estilo único e inconfundível, Philip aplica nas artes muito da sua visão pessoal, em especial relacionada ao budismo, ao humor e às influências de grandes artistas.

Primeiro eu tive um interesse muito grande em caricatura com caneta e tinta, com 15 anos de idade, sendo inspirado pelo trabalho de David Levine e Ralph Steadman.

Isso me levou a estudar a história da caricatura, particularmente o trabalho de Daumier, Goya e Thomas Nast.

Quando me mudei para Nova York, com 21 anos, Steve Heller, na época o diretor de arte do NY Times Book Review, apresentou-me ao trabalho de Gerald Scarfe e os primeiros artistas alemães do século 19 do Simplicissimus, como Olaf Gulbransson, Bruno Paul e George Grosz. Em meus vinte e poucos anos eu me apaixonei por Picasso, Matisse, Modigliani e Van Gogh, e comecei a pintar em óleo.

A minha formação como artista sempre foi estar sozinho no meu estúdio trabalhando longas horas, absorvendo dos artistas que amo.

Qual sua formação como artista? * George Bush

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NIAGARA FALLS - NY burke.philipburke@gmail.com w.philipburke.com

© Philip Burk e

Foto: arquiv o Philip Birk e

Internacional

das características faciais e as cores na aparência de alguém, eu tento descobrir, extrair e amplificar a alma e a inteligência dos meus retratados.

Eu não posso dizer que sei como isso funciona, mas, permanecendo verdadeiro em relação ao que eu vejo na aparência exterior do meu retratado e o melhorando, acho que sou capaz de revelar o que está no interior.

Eu acho que tenho o meu sentido da cor de Van Gogh. Enquanto trabalhava para a Rolling Stone na década de 1990, a cor do meu trabalho tornou-se mais selvagem e brilhante.

Ao exagerar as relações espaciais

Uma característica clara em seu trabalho são as cores. Como é possível contar algo sobre a personalidade de alguém por meio do exagero das cores e formas?

Eu acredito que o meu trabalho seja justamente uma mistura da caricatura, ilustração e arte.

Seu trabalho fica no limite entre a caricatura, a ilustração e as artes plásticas. Para você, especificamente, há alguma diferença entre estas áreas?

Eu acho que o humor é muito importante ao retratar um outro ser humano, bem como a empatia.

Algo também presente no seu trabalho é um certo humor na forma como define seus retratados. Acha que o humor é importante em uma caricatura ou retrato?

* Barack Obama

* Jim Morrison

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Eu amo a cor e pinto com as minhas cores favoritas. Elas são azul pthalo, verde pthalo, laranja cádmio, limão cádmio, vermelho claro cádmio, rosa permanente, alizarin permanente, verde claro permanente, azul ultramarine, roxo dioxazine e vermelho escuro bário cádmio.

Cada uma dessas cores tem sua própria personalidade e maneira de relacionarse e misturar-se com as outras.

Nos últimos 30 anos tenho desenvolvido relacionamentos com cada uma dessas cores, e agora nós dançamos e cantamos juntos!

E as cores, qual o papel que elas têm para você como forma de expressão?

* Bill Murray

* Julian Schnabel

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Eu tenho praticado o Budismo Nichiren Shoshu por 30 anos. Quando eu comecei a minha prática de recitar Nam Myoho Renge Kyo, eu superei meu medo do fracasso e dei um salto para o mundo dos óleos.

O maior benefício da minha prática tem sido a mudança, em mim, de querer morder, de uma crítica extremamente cínica para um humor mais suave e com compaixão.

Buda nos ensina que todas as pessoas possuem o potencial de iluminação - estado de Buda - no fundo de seus corações. Subjacente a todo o meu trabalho é o desejo de ver isso em meus retratados e pintá-los.

Você é budista. De que maneira o budismo pode influenciar a forma como você enxerga e representa as pessoas?

* Rafael Nadal

* Alan Greenspan 15a 15b

A partir do início de 1989 até o final de 1995, por 7 anos, minhas pinturas eram uma característica constante na página do índice da revista Rolling Stone.

Ocupando mais da metade da página, tornou-se um catálogo de músicos - novos e antigos - que foram fazendo notícia na época.

Não preciso dizer que esta foi a minha produção mais visível. Lembro-me de ouvir histórias de alunos do ensino médio cortando e colando as imagens em seus armários, ou estudantes universitários colocando-as em suas paredes ou artistas editoriais fixandoas na parede de seu espaço de trabalho.

Com base no caráter criativo de cada um dos meus temas, cada pintura era original e diferente. O olhar do meu trabalho permeou a cultura pop - uma chamada para os jovens artistas a serem selvagens e livres!

Na minha área de ilustração, já não tinha mais que solicitar projetos, pois o trabalho continuou a vir a mim regularmente.

Entre as várias revistas com que você trabalhou, durante anos você foi ilustrador da revista Rolling Stone, onde teve enorme projeção. Qual a importância deste fato na sua carreira?

* Seinfeld * Hunter S. Thompson

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Quando era garoto eu sonhava em ser uma estrela do rock - como muitos rapazes fazem.

No entanto, eu não tinha paciência para aprender a tocar música e era tímido demais para executar. O rock sempre foi inspiração para a minha arte.

Cheguei em Nova York em 1977 e rapidamente a música punk se tornou a trilha sonora da minha vida.

Quando jovem, uma das minhas paixões era dançar a noite toda em punk clubs. Essa energia permaneceu no meu estúdio. Meu trabalho na Rolling Stone foi o resultado de 10 anos de encomendas.

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