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Nesta Edição:

Zé Otávio, Drew Struzan, Benício, J. Carlos, Cárcamo e Rubens Ewald Filho

Revista Ilustrar agora mudou de data, e
passa a sair sempre no dia 1mais fácil de se lembrar.

Foto: arquivo Ricardo Antunes E sempre dia 1 dos meses ímpares: Janeiro, Março, Maio... etc. Não podia haver melhor maneira de começar o mês.

entrevistas exclusivas e convidados de primeirae um certo

E neste mês temos, como de costume, somente biscoito fino, clima de cinema no ar.

Na seção Portfolio temos o iniciante Zé Otávio, mostrando que talento não tem idade, e, no Step by Step, o grande aquarelista Cárcamo.

No Sketchbook temos algo que pouca gente conhece, os esboços de um dos maiores ilustradores brasileiros, Benício, que também produziu muitos pôsters de cinema.

Na seção Internacional, o também ilustrador de pôsters de cinema Drew Struzan, um dos mais conhecidos do mundo, autor dos pôsters de Indiana Jones, entre outros. Aliás, deixou para a revista um Indiana com dedicatória...

E para fechar o clima de cinema, nada melhor que um dos mais prestigiados críticos de cinema do Brasil, Rubens Ewald Filho, falando exatamente sobre pôsters, nas “15 Perguntas”.

Dia 1 de setembro tem mais...

DIREÇÃO, COORDENAÇÃO E ARTE-FINAL: Ricardo Antunes ricardoantunesdesign@gmail.com

Ricardo Antunes - ricardoantunesdesign@gmail.com

DIREÇÃO DE ARTE: Neno Dutra - nenodutra@netcabo.pt REDAÇÃO: Ricardo Antunes - ricardoantunesdesign@gmail.com REVISÃO:

ILUSTRAÇÃO DE CAPA: Drew Struzan - info@drewstruzan.com PUBLICIDADE: revista@revistailustrar.com

DIREITOS DE REPRODUÇÃO: Esta revista pode ser copiada, impressa, publicada, postada, distribuída e divulgada livremente, desde que seja na íntegra, gratuitamente, sem qualquer alteração, edição, revisão ou cortes, juntamente com os créditos aos autores e co-autores. Os direitos de todas as imagens pertencem aos respectivos ilustradores de cada seção.

• EDIT ORIAL2
• PORTFOLIO: Zé Otávio4
• INTERNACIONAL: Drew Struzan13
• SKETCHBOOK: Benício24
• MEMÓRIA: J. Carlos3
• STEP BY STEP: Cárcamo42
• 15 PERGUNTAS PARA: Rubens Ewald Filho50
• CURTAS57
• LINKS DE IMPORTÂNCIA59

© Revista Ilustrar

Jal (J. Carlos) - josealbertolovetro@yahoo.com.br Julieta Sobral (J. Carlos) - julietasobral@gmail.com Ana Dias de Alencar (J. Carlos) - anadias.a@gmail.com Angelo Shuman (divulgação) - shuman@uol.com.br

Neno Dutra - nenodutra@netcabo.pt Montalvo Machado - montalvo@terra.com.br Helena Jansen - donaminucia@gmail.com

a cidade de Olímpia, interior de São Paulo, o jovem Zé Otávio visitou pela primeira vez a cidade grande aos 1 anos de idade. Paixão imediata.

Aos 18, muda-se para São Paulo, movido pela emoção com as pessoas, com os grafites e com a madrugada paulistana.

E a segunda paixão foram as revistas, em especial o design de algumas delas, como a Simples e a Trip.

Daí para o curso de Design Gráfico foi um passo, onde trabalhou em várias áreas, até chegar a assistente do ilustrador e animador Céu D’Ellia.

E a dedicação ao desenho se firmou de vez, focando seu trabalho como ilustrador para as grandes editoras do país.

Foto: arquivo Zé Otávio Zangirolami ©Zé Otávio Zangirolami

Sou formado em Design Gráfico pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo.

Lá, fiz um ano e meio de modelo vivo com o professor e artista plástico José Paulo de Latorre e dois anos de metodologia bidimensional e ilustração, com o professor e ilustrador Luis Bagno.

Fiz alguns cursos extras de fotografia; o mais bacana foi o de processos artesanais de revelação, com o biólogo e fotógrafo Eugênio Frediani.

Estudei desenho por um ano com o Brücke Caribé, na Quanta Academia de Artes.

E trabalhei um ano e três meses com o Céu D’Ellia - considero esse período como uma faculdade a mais, em termos profissionais.

A leitura torna as palavras sobre os desenhos mais fortes e mais precisas com o passar do tempo.

E também nutre a formação de uma idéia.

O livro que mais me influenciou a desenhar e ao mesmo tempo escrever nos desenhos foi o “Curva de Rio Sujo” do Joca Reiners Terron.

Ele meio que faz uma trajetória de sua própria vida, que vai de Cuiabá, passa pelo interior paulista e chega até Sampa.

Pra mim é como fechar os olhos e lembrar de todas as aventuras, traumas, alegrias,

de vezNão sei.

Este livro me despertou e me pôs a cabeça no lugar. Talvez tenha desorganizado ela

O que sei é que alguns desenhos mais íntimos saíram dali. Quem sabe um dia faço uma homenagem fiel ao livro.

tristezas, sonhosde quando era criança.

Depois adolescente; depois com 18 anos, chegando em São Paulo.

ode ser que você nunca

13 tenha ouvido falar em Drew Struzan, mas com certeza cansou de ver os trabalhos dele.

Qualquer pessoa que já tenha ido ao cinema acabou esbarrando em um dos seus inúmeros pôsters, em qualquer lugar do planeta.

Quem é que nunca viu os pôsters da série Guerra nas Estrelas, Indiana Jones, Hellboy, De Volta Para o Futuro, Harry Potter, Rambo e muitos outros?

publicidade e TVsão mais de 30

Sem falar nos trabalhos para anos de carreira como ilustrador, partilhados aqui numa rápida entrevista exclusiva, feita por e-mail.

Foto: arquivo Drew Struzan

©Drew Struzan

A técnica não é tão importante como a mensagem e o meio. Eu me mantenho no meio clássico: eu pinto.

Me agarro aos valores clássicos da arte, para embelezar, inspirar, celebrar e para encorajar.

Eu pinto a partir do espírito para alcançar o espírito dos meus colegas.

Técnicas? Eu desenho, depois pinto e adiciono detalhes com mais desenho. Mas, você sabe: como um artista pinta não é tão importante quanto o porquê de ele pintar.

Qualquer um pode aprender a desenhar. Qualquer pessoa pode ser ensinada a pintar.

Você pode ensinar criatividade, visão, a experiência do saber. Mas o que não se pode ensinar é o coração do artista.

O espírito da arte tem que viver no coração do artista. A técnica está no coração de quem faz.

É trazida para a ação através do cérebro; para fora da mão através do pincel e do ato de pintar para a folha em branco.

Onde está a técnica se ela não começa na alma do artista?

E não, eu não faço meu trabalho no computador.

Não é uma questão para mim. Não posso falar pelos outros. Para mim, não há competição.

Pintura tradicional ou computador: são somente ferramentas. Se a arte pode ser feita com outros meios, então que seja assim e que seja mais para todos nós.

Eu por acaso gosto de pintar à mão; um método natural e intuitivo para criar.

Aqui estou eu, escrevendo num computador para esta entrevista. Isso é bom, no sentido que eu não conseguiria chegar a este público se não fosse o computador.

Esta era digital tem me conectado com outras pessoas ao redor do mundo; pessoas que eu nunca conheceria senão pelo computador, pela internet.

Por causa desta conexão, eu sou constantemente relembrado de que a Terra está cheia de pessoas simpáticas e carinhosas.

Por isso, mesmo raramente saindo do meu estúdio, eu acredito que a arte tem um bom e poderoso lugar no mundo. E o computador me abriu as portas para um mundo de apreciação.

Os artistas são os pioneiros da criatividade, e são aqueles que apontaram o caminho para um mundo melhor e mais gentil.

O computador pode fazer imagens, ou um artista, usando um computador, poderia fazer arte. A pintura é o meu meio.

Não é paixão, não é escolha. Eu também faço capas de livros, selos, capas de discos, entre muitos outros projetos.

O cinema se tornou o cliente predominante do meu trabalho por circunstância e não por escolha.

É claro que há muitas razões especiais em pintar para a indústria do cinema. Por causa da distribuição mundial e em larga escala do meu trabalho, mais pessoas no mundo vêem o que eu faço.

Os pôsters de cinema são onipresentes. Isto faz dos pôsters de cinema um trabalho desejável para muitos ilustradores. Sabemos que quando o nosso trabalho é visto, essa é a melhor publicidade que podemos ter.

Tenho a benção de ter o meu trabalho visto por muitas pessoas, em vários países, ao mesmo tempo - coisa que eu jamais poderia imaginar, em tempos passados.

É claro que os filmes são o lugar onde muitos sonhadores se encontram. É uma fábrica de sonhos.

Escritores, diretores, atores, todos os tipos de artistas se encontram para tornar o sonho realidade.

Eu posso estar mais abaixo nessa cadeia; mas fazer parte desta comunidade criativa é o sonho realizado para um artista criativo.

A maioria dos artistas de pôsters mudou para o computador - e isso faz com que eu me sinta como um dinossauro; o último da minha geração.

Mas eu vou me aguentar, aqui, até o final, porque sei que o público ainda está faminto de arte nos seus pôsters de cinema.

Sabemos que não há um Deus dos estúdios de cinema, ou da publicidade do cinema.

Todo distribuidor de filmes, seja ele estúdio ou independente, toma suas próprias decisões e faz suas escolhas de acordo com as suas propostas e quem vão contratar.

Eu não vejo tendência em conceito ou design. Há muitas escolhas de caminhos e conteúdos, e, qualquer pessoa, diretores de arte e executivos, tem suas próprias opiniões e gostos.

Assim é a vida, assim é a humanidade, esta é a nossa liberdade de escolha e a benção da diferença e variedade.

Eu me sinto feliz pelos poucos que ainda me contratam para fazer arte. O espaço para a oportunidade e para os ilustradores diminuiu. Não é uma conspiração, mas somente o resultado das escolhas.

Tal como as pessoas mudam ou se movimentam, o mesmo acontece no cenário das indústrias.

Todos nós, da indústria, estamos interessados e assistindo, para ver o que acontece e para onde isso irá.

Os designers de pôsters são somente um sintoma de algo mais envolvente.

Tudo passa, como costumo dizer. Não consigo prever o futuro e a minha opinião não vai alterar aquilo que será.

No entanto, eu sou essencialmente o único que sobrou fazendo este trabalho. Os jovens executivos dos estúdios se voltaram para os computadores.

É isso que eles entendem. Ilustração já não faz parte do vocabulário, formação ou experiência da maioria deles. Não me admira que, ao chegar um trabalho, eles simplesmente não pensem em ilustração.

Se as pessoas não pensam em ilustração, então ela está morta? Não é o público, não são os fãs ou os artistas que se esqueceram ou perderam seu desejo pela arte; o que ocorre é que os que estão no poder não pensam nessa direção.

Eu sempre imagino o que chegará ao seu fim primeiro: eu ou o mundo?

Como já mencionei antes, é uma sensação fantástica estar em contato com o mundo.

Eu coloquei um programa de tracking no meu site, recentemente. E já na primeira semana, eu tive visitas de 91 países.

Eu recebo e-mails todos os dias, de lugares em que nunca estive.

As pessoas são muito generosas e simpáticas quando escrevem apenas para me falar do seu amor e apreciação pelo meu humilde trabalho.

Às vezes até se dão ao trabalho de me escrever em inglês.

Geralmente num inglês imperfeito, mas é o coração delas que sempre fica, que predomina. É verdadeiramente impressionante, na maioria das vezes.

E também nos desperta. Como eu poderia saber que esse trabalho, estes pôsters, são tão amados por tanta gente?

Eu tenho um sonho muito particular: que de alguma maneira, um dia a arte irá tornar o mundo mais claro e mais feliz, generoso e mais bonito…

Acho que é uma grande e inestimável benção saber que a vida de alguns tem sido o benefício de outros. A internet trouxe à luz a vida secreta das minhas pinturas.

O que há por trás de tais comentários? Não há nada por trás deles!

Estes homens são certeiros; eles dizem o que querem dizer.

Esse é o tipo de expressão sincera de pessoas agradáveis.

Como eu me sinto? Quem não se sentiria profundamente honrado por estes homens dizerem qualquer coisa sobre você; para não dizer o quanto generosos eles são com seus comentários.

Eu adoro ambos; são espetaculares, grandes criadores e boas pessoas.

Eu não tinha idéia de quanta gente tem sido profundamente influenciada pelo meu trabalho.

Fico feliz que isso tenha acontecido; que eu tenha sabido disso. Um artista pinta para chegar às pessoas. Um artista precisa ter o seu trabalho visto para alcançar o seu objetivo.

Se o seu trabalho está mesmo comunicando, mudando vidas, encorajando e inspirando outros, esse artista fez o seu trabalho por completo.

Eu olho para o meu coração e sei o que sinto… Meu herói é o Deus Todo-Poderoso e o seu acusador é o meu vilão… Satã, o Diabo.

Qualquer um que escolha estar ao lado de Deus está comigo e qualquer um que esteja contra Deus é um vilão para mim.

É claro que eu nunca pintei meu Herói

Eu não tenho fronteiras. Os artistas não fazem divisões entre eles. Todos os artistas que conheço na internet falam comigo como amigos e como irmãos e parece que não temos separações entre nós.

Desejo a todos tudo de bom e agradeço pela paciência comigo.

ou o seu opositor, já que nunca os vi, mas tenho visto os seus trabalhos e é isto que eu tenho sempre pintado.

m dos mais conhecidos e

Foto: arquivo Benício celebrados ilustradores do Brasil,

Benício tem um trabalho muito divulgado e bastante apreciado.

Apesar disso, são bem poucos os que viram os seus esboços e ensaios, material onde ele demonstra a mesma atenção de sempre aos detalhes e um talento enorme para o desenho.

O material que Benício forneceu para a revista Ilustrar são os esboços preliminares para a ilustração “Bodas de Canaã”, que aparece, finalizada, na última página da matéria.

E ele também fala sobre a importância do sketchbook e dos esboços.

©Benício

“Acho fundamental o sketchbook, principalmente quando o desenhista ainda está em formação.

Para quem quer desenhar a figura humana, então, é indispensável.

Só desenhando muito modelo vivo, sem preocupação de acabamento, mas prestando muita atenção ao movimento da figura e ao panejamento, para adquirir o automatismo da percepção da terceira dimensão nas formas humanas.”

“É na fase do esboço de uma ilustração que você dá vasão, realmente, à sua imaginação, dando forma (visual) concreta ao seu pensamento.

É no esboço que defino todas as intenções do que pretendo para a minha ilustração.”

écadas de 1920/1930.

O que acontece quando um ilustrador de talento cresce no auge do movimento Art Déco e absorve muito de sua influência?

O resultado é um artista de traço elegante, marcante e único. E ele é

José Carlos de Brito e Cunha, ou simplesmente J. Carlos, considerado um dos maiores cartunistas do Brasil.

Nascido em 18 de junho de 1884,

J. Carlos trabalhou muito, ampliando a sua atuação como artista.

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