Recursos Hídricos O caso dos mananciais dos lagos Bolonha e Água Preta na região metropolitana de Belém, Pará, Brasil

Recursos Hídricos O caso dos mananciais dos lagos Bolonha e Água Preta na região...

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Recursos Hídricos: O caso dos mananciais dos lagos Bolonha e Água Preta na região metropolitana de Belém, Pará, Brasil.

Francisco Ribeiro da Costa 2

Currículo do(s) autor(es): 1 Diretor do Departamento de Controle Ambiental, da

SEMMA (Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Município de Belém) Formado em Geologia pela Universidade Federal do Pará, especialista em Gestão de Recursos Hídricos.

2 Chefe do Laboratório de Geoprocessamento da

SEMMA (Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Município de Belém) Formado em Geologia pela Universidade Federal do Pará, especialista em Geoprocessamento.

Endereço: 1 e 2 Av. Travessa Quintino Bocaiúva nº 2078 CEP 66045-580 Bairro Cremação Belém Pará Secretaria Municipal de Meio Ambiente

1 - APRESENTAÇÃO E OBJETIVO

O principal objetivo do trabalho e contextualizar o Sistema Ambiental nos mananciais do Utinga, onde estão incluídos os lagos Bolonha e Água Preta, e estabelecer uma relação de importância do sistema no município de Belém

O município de Belém localiza-se em um estuário cercado de águas, correspondendo ao estuário Guajarino, parte integrante de um outro maior, o Golfo do Marajó, situado na foz do Amazonas.

O estuário Guajarino caracteriza-se por um ambiente fluvial com influências marinhas e forma-se na confluência dos rios Pará, Acará e Guamá. Tem como elementos hídricos principais o rio Mojú e os igarapés do Tucunduba e Aurá.

A Baia do Guajará é formada na confluência dos rios Acará e Guamá e está localizada em frente a parte noroeste da cidade de Belém, prolongando-se até a Ilha do Mosqueiro, onde se encontra com a Baia do Marajó, no rio Pará.

A margem esquerda da Baia do Guajará é composta de numerosas ilhas e canais, sobressaindo-se às ilhas das Onças, Jararaca, Mirim, Paquetá Açu e Jutubá. Ao longo da margem direita encontra-se a cidade de Belém e mais ao norte, separados pelos furos do Maguari e das Marinhas, as ilhas do Outeiro e do Mosqueiro, respectivamente.

Com relação aos canais que entrecortam essas ilhas, sobressaem-se com importância para a navegação regional, o canal da Carnapijó, um prolongamento do rio Acará em direção ao rio Pará, o canal de Cutijubá. posicionado nas imediações da ilha de mesmo nome, servindo de ligação entre a Baía do Guajará e o Rio Pará (Pinheiro, 1987).

E nesse contexto estão inseridos o Sistema Ambiental do Utinga que são compostos pelos Lagos Bolonha e Água Preta responsáveis por parte significativa do abastecimento de água da cidade de Belém. A caracterização desse Sistema Ambiental e de fundamental importância para um melhor gerenciamento desse recurso, sendo que a crescente ocupação urbana acompanha um crescimento na demanda por água desses mananciais, obrigando o poder publico a um melhor gerenciamento deste insumo. Portanto a definição do Sistema Ambiental em que esses lagos estão inseridos e de extrema importância para a sua contextualização em relação ao município de Belém e também para embasar a implantação de um modelo de Gestão Ambiental na referida Área, vista que a mesma já é um uma área de proteção ambiental (APA - Belém).

2 - METODOLOGIA E/OU DESENVOLVIMENTO

A metodologia empregada para o desenvolvimento desse estudo consistiu no levantamento do estado da arte sobre a área, baseado em informações da bibliografia e de trabalhos de campo, sendo abordado tanto a caracterização física representada pela geologia, geomorfologia, sistematizado na caracterização do sistema Hidrográfico Ambiental, onde estão incluídos as relações entre os sistemas naturais e antrópicos.

3 - RESULTADOS

3.1 - Sistema Ambiental nos Mananciais do Utinga

3.1.2 - Bacia Hidrográfica

Área drenada por um determinado rio ou por um sistema fluvial 3.1.3 - Sistema Hidrográfico Ambiental

Conjunto de elementos e das relações entre si, do sistema natural e antrópico, onde ocorrem troca de energia e matéria, tendo como exemplo a Bacia Hidrográfica.

O sistema Ambiental nos Mananciais do Utinga é formado pelas Micro-bacias dos

Igarapés Murutucum e Águas Pretas, que deságuam na bacia Hidrográfica formada pelos rios Guamá e Capim. Figura 01 3.1.4 - Localização do Sistema:

O sistema está localizado no retângulo envolvente delimitado pelo polígono formado pelas seguintes coordenadas geográficas: Canto inferior esquerdo (Long. 1 W 48º 27’ 52.51’’ Lat. 1S 1º 28’ 49.67’’), canto superior direito (Long. 2 W 48º 21’ 8.19’’ Lat. 2 S 1º 21’ 58.79’’) Figura 02 3.1.4.1 - O sistema é limitado

Ao Norte: Igarapé Água Cristal, afluente esquerdo da Microbacia do Igarapé São

Joaquim, pertence à Bacia do Igarapé do Una.

Ao Sul: Rio Guamá. A leste: Bacia do Rio Aurá A Oeste: Microbacia do Igarapé Tucunduba, afluente do Rio Guamá. 3.1.5 - Especificações do Sistema 3.1.5.1 - Lago Bolonha

Área: 577.127 m2 Volume: 1.954.0 m3

Figura 01.Localização da área de estudo no município de Belém Figura 01.Localização da área de estudo no município de Belém

Bacia do Una

Bacia do Tucunduba

Bacia do Murucutu

Bacia do Una

Lago Bolonha Lago Água Preta

Figura 02 – Delimitação da área de estudo em coordenadas UTM.

3.1.5.2 - Lago Água Preta:

3 a vazão natural dos igarapés diminui, facilitando a invasão das água

Rio Guamá são turvas durante a preamar, devido a influência de maré. 3.1.6 - A m enquadra-se na categoria climática “equatorial úmido”

Segundo dados do Serviço de Meteorologia do Ministério da Agricultura referente à variação

A pressão atmosférica apresenta uma oscilação de 1008,0 a 1011,0 mb, . A insolação varia de portante na determinação das condições climáticas locais é a velocidad lógico que mais define o clima, já do Kopper,

Área: 3.116.860 m2 Volume: 9.905.0 m A jusante das represas s do Guamá, As águas do spectos Fisiográficos do Sistema 3.6-1 - Características Climáticas Locais

Pela classificação de Koppen, Belé do tipo Af , cuja característica principal é a alta temperatura (sempre acima de 180 C).

dos elementos meteorológicos durante 30 anos, a umidade relativa tem grande influência do fator térmico e mostra uma variação média interanual oscilando entre 82% e 93%.

102 h a 268 h, enquanto a nebulosidade é bastante elevada, com variação de 5.2 a 8.6 décimos.

Outro aspecto im e e direção do vento, apresentando as seguintes freqüências anuais: nordeste (29%), norte (10%) e leste (9%). A freqüências das demais direções são insignificantes. A velocidade média fica entre 2,6 e 2,9 m/s e a calmaria é de 45% nos 12 meses.

A precipitação na região equatorial é o elemento meteoro que a temperatura e a pressão atmosférica, não possuem variações marcantes para mostrar mudanças sazonais. Analisando-se três normais climatológicas (1901 - 1990) tem-se que a precipitação apresenta as seguintes características: um período chuvoso (dezembro a maio) e um período seco ou menos chuvoso (junho a novembro). O mês de maior precipitação é o mês de março com 422,5 m e o de menor precipitação é novembro com 90,4 m, seguido de outubro com 9,9 m. Em pesquisa de 96 anos a média anual fica em torno de 2.745 m. A maior percentagem de ocorrência se dá a tarde e ou inicio da noite.

Em resumo temos: Clima Amazônico Oriental tipo Af(quente e úmido), segun in Moraes 1999 ou Clima Equatorial Úmido, conforme definição de Strahler in

Moraes 1999; Temperatura Média Anual: 26,30C Mínima: 2,80C Máxima: 310C Precipitação Média Anual: 1500 m a 3000 m/ano.

Representação Mensal da Variação da Precipitação Média (m) - Período 1931 a 1960

Meses Precipitação Média(m)

Figura 03 – Distribuição da Precipitação Média Mensal da Região de Belém e Adjacências. Período entre 1931 e 1960. Fonte : Moraes, 1999.

Representação Mensal da Precipitação Média (m)- Período 1961 a 1990

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Meses Precipitação(m)

Figura 04 – Distribuição da Precipitação Média Mensal da Região de Belém e Adjacências. Período entre 1961 e 1990. Fonte : Moraes, 1999.

Figura 05 – Distribuição da Precipitação Média Mensal da Região de Belém e Adjacências. Período entre 1987 e 1996. Fonte : Moraes, 1999.

Variação da Precipitação (m) Período 1987 a 1996

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Meses Precipitação(m)

ver out Inv Prim

Figura 06- Variação Sazonal da Precipitação em Belém, (1931 a 1998) - Fonte: Moraes, 1999.

3.1.6.2 - Geomorfologia do Sistema

A área que compreende o Sistema Ambiental nos mananciais do Utinga apresenta (em sua morfologia).

Baixos Platôs Amazônicos (Terra Firme) denominado de Planalto Rebaixado da

Amazônia e

Planícies Fluviais sujeitas à inundação, denominadas de Planície Amazônica (várzea e igapó)

Topografia plana à suavemente ondulada variando em altitude de 30,0 metros em sua porção mais elevada ate 0,0 metros em contato com o Rio Guamá - Figura 08

Formação de planícies inundáveis, terraços e tabuleiros no domínio das terras baixas amazônicas

Identifica-se tais formações como Unidades do Sistema Natural das Microbacias

Hidrográficas, Figura 09. 3.1.6.2.1 - Planícies inundáveis

As planícies inundáveis constituem níveis topográficos mais baixos, sujeitos às enchentes periódicas próximas aos rios, igarapés e depressões interiores que sofrem ação das variações fluvio-marinhas e do lençol freático. Tais enchentes são mais comuns na estação chuvosa que ocorre de dezembro a maio. Elas constituem geologicamente os depósitos fluviais recentes (Holocênicos).

Várzea Alta

Junto à margem está uma faixa de nível mais elevado e somente inundável durante as marés de equinócio. Ela pode medir, excepcionalmente, até 1,6 km de largura, mas a largura média e de 150 metros. Em cada preamar, as águas que cobrem a várzea alta não permanecem mais do que duas horas sobre o solo, retornando logo ao leito do rio, na maré vazante. E neste local que se depositam os sedimentos de maior granulometria que a maré transporta. A várzea alta seca, completamente, durante os meses menos chuvosos. Na época das inundações, depois que a maré vaza, ela pode ser transitada a pé.

Várzea Baixa

Em seguida a faixa anterior vem a várzea baixa, de cota menor. Entre a várzea alta e a várzea baixa há uma diferença de cota de 30 cm, em média. Aqui, a influencia da inundação se exerce por mais tempo, porque sendo o nível inferior ao da margem, parte da água que transborda nas marés de equinócio não pode retornar ao rio e fica represada. Além disso, a várzea baixa é umedecida ou invadida, parcialmente, durante quase todo ano, pelas mares de lua cheia e lua nova.

Igapó

Na parte mais interior, chega-se a um ponto onde a cota é tão baixa em relação às anteriores que a terra fica constantemente inundada e pantanosa, é o igapó. Nessas depressões do terreno, acumula-se a água da chuva, ou a que se escoa da terra firme que lhe é contígua. Em geral, é aí que os igarapés têm as suas nascentes. O volume líquido nos igapós é bastante grande para impedir a entrada da água barrenta da maré. No igapó juntam-se detritos vegetais em decomposição na água estagnada e escura.

Segundo FALESI (1972), o perfil do solo igapó, tecnicamente denominado Bog ou

Hot Bog (solo orgânico ou meio orgânico) constitui-se de uma camada superficial escura, muito ácida formada por material orgânico em decomposição, quase sempre anaeróbico devido ao excesso de água local durante grande parte do ano.

3.1.6.2.2 -Os Baixos Platôs (Terra Firme)

Os Terraços.

Representa a maior parte da área das bacias. Sua geomorfologia é constituída de terrenos com cotas variando de 5m a 12m, em topografia suave, situados ligeiramente acima das planícies de inundação em um nível de cota isenta da ação das cheias das marés. Geologicamente, são terrenos provenientes do período quaternário holocênicos, formando antigas planícies de inundação que, devido ao re-entalhamento do vale decorrente de oscilações marinhas, permanecem hoje em cotas superiores.

Alguns autores (IDESP, 1979), definem os níveis dos terraços da seguinte forma:

DENIS, MARBUT e MANIFOLD entre as cotas de 5m a 12m; Le Cointe e Moura entre as cotas de 6m a 12m; e para PENTEADO, entre 5m a 12m.

Os Tabuleiros.

Os tabuleiros, geologicamente, são terrenos mais antigos, do período terciário

(Plioceno), oriundo da Formação Barreiras, com cotas entre 15 e 30 metros, sendo encontrados nos limites topográficos (divisor de águas) ao norte das microbacias, separandoas, da microbacia dos igarapés Água Cristal, afluente do São Joaquim, e do Rio Maguari, por onde passa a Av. Almirante Barroso e a Rodovia BR-316. Nelas encontramos as nascentes do lago Bolonha e Água Preta.

A geomorfologia suavemente ondulada e plana resulta de alterações estruturais como glacioeustáticas regressões e transgressões marinhas e as variações climáticas que intercalaram períodos secos e úmidos, levando a um processo de aplainamento do relevo, com camadas lateríticas da drenagem atual.

3.1.6.3 - Solos

Os solos da área da bacia são descritas de acordo com cada unidade geomorfologica e são mostrados sua distribuição na Figura 07

A característica dos solos da várzea alta e baixa são marcadas pelo domínio do

Hidromorfico Gleizado, onde encontra-se o Gley pouco Húmico, com textura fraca e argilosa; são maus drenados, com perfil mediamente profundo apresentando seqüências de horizonte a e Cg ou A, Bg e Cg com indicações de processos de gleização. As cores são marcadas pelos processos de mosqueamento típico.

Nas áreas de terraços e tabuleiro, encontramos segundo o IDESP (1991), no solo, associações do Latossolo Amarelo com o Concrecionário Laterítico medianamente profunda, formada por uma mistura de partículas finas e concreções ferruginosas de vários diâmetros, que podem ocupar a maior parte do volume do solo. Apresenta uma sequência no perfil de Acn (horizonte com presença de concreções}, Bcn e Cen com os dois primeiros apresentando uma espessura média de 50 cm cada um têm características químicas semelhantes ao Latossolo Amarelo, com uma composição de óxido de ferro e alumínio, argila 1: 1 e minerais altamente resistentes ao intemperismo. A saturação em alumínio é alta, a fertilidade natural, o PH e a saturação de bases são baixas. O horizonte superficial tem estrutura moderada, pequena, subangular, por vezes mascarada pela laterita. As análises realizadas indicam teores de argila menores do que 30% neste horizonte. No subsuperficial a textura é pouco mais argilosa, com textura subangular, pequena a média e de fraca a moderada.

E as Areias Quartzosas associadas ao Latossolo Amarelo, em relevo plano a suavemente ondulado, se originam de sedimentos arenosos do Quaternário. São pouco desenvolvidas, com textura arenosa, fortemente, drenada e bastante permeável. Apresentam baixa fertilidade e baixa soma de bases trocáveis. 0 horizonte superficial tem espessura média de 50 cm, estrutura muito fraca, pequena, granular ou mais frequentemente maciça. 0 horizonte B tem espessura de cerca de 80 cm, com estrutura maciça.

O Podzol Hidromórfico é encontrado em pequenas manchas ao norte do lago Água

Preta, possuindo uma textura arenosa em todo o perfil, com presença de horizonte A2 de coloração branca ou cinza clara com profundidade de 20 cm, e o horizonte B de acúmulo de húmus e de sesquióxidos, com acidez elevada e baixo conteúdo de bases trocáveis, e com profundidade média de 150 cm. Estes solos têm como material originário sedimentos arenosos do Quaternário e encontram-se associados, na área, com o Latossolo Amarelo.

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