O Coliseu Romano

O Coliseu Romano

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FACULDADE IDEAL – FACI

CURSO: ARQUITETURA E URBANISMO

SÉRGIO DE ABREU

Matéria: Estética e História da Arte

Profº MSC Bárbara Moraes de Carvalho

HISTÓRIA DA ARTE ANÁLISE DO COLISEU ROMANO

BELÉM

2014

SÉRGIO DE ABREU

HISTÓRIA DA ARTE

ANÁLISE DO COLISEU ROMANO

Trabalho apresentado como requisito para obtenção de nota da 1° avaliação na disciplina História da Arte do curso de Arquitetura eUrbanismo.

Profª: MSC Bárbara Moraes de Carvalho

BELÉM

2014

SUMÁRIO

1- INTRODUÇÃO.......................................................................................................05

2- ESTRUTURA ESPACIAL......................................................................................06

3- ANÁLISE ESTÉTICA.............................................................................................08

4- ANÁLISE SER HUMANO x ESPAÇO...................................................................10

5- CONCLUSÃO........................................................................................................12

6- REFERÊNCIAS.....................................................................................................13

I - INTRODUÇÃO

Exemplo de ascensão de um povo cuja cidade galgou passos paralelos. A arquitetura romana se destaca pela criatividade, pela expansão de seu império e pelo reaproveitamento e adaptação do conhecimento adquirido com a cultura Grega.

A vila, o povoado que antes lutou por cerca de cinco séculos para sobreviver tinha como talento nato a produção de generais e soldados, almirantes e marinheiros que destacavam pelo intelecto e ousadia.

Característica estas que foram cruciais no processo das sucessivas conquistas que culminaram com a dominação inicialmente, de povos vizinhos e mais adiante de outros mais distantes.

Distâncias eram encurtadas através da genialidade da engenharia romana na construção de estradas, onde provavelmente foi o primeiro povo a ter vias de acesso pavimentadas que permitiam um rápido deslocamento de seus exércitos e mercadorias até seus portos distantes da capital.

Claramente responsável por grande parte da prosperidade. A criatividade romana se apresenta em diversas áreas, na arquitetura especificamente, podemos notar diversas edificações que destacam pela ousadia, seja no conceito estético, no uso do espaço ou na forma de execução, inclusive com a inovação de materiais até então desconhecidos por outras da civilizações.

Este trabalho objetiva uma análise de um deste ícones, especificamente o “Anfiteatro Flaviano” ou “Anfiteatro de Flavio” ou ainda como é comumente conhecido o “Coliseu” . Sua construção e representatividade para uma cultura que viria ser muito imitada e cujos conhecimentos até hoje perduram nos mais diversos campos de conhecimentos da humanidade.

II – ESTRUTURA ESPACIAL

O Coliseu é reconhecido como o mais famoso ícone da cultura romana. O “Anfiteatro Flaviano” seu verdadeiro nome, encontra seu contexto histórico precisamente em um dos momento mais conturbados da Roma antiga. Precisamente no momento em que o império testemunhou cerca de oito meses de guerra civil deflagrada com o suicídio do imperador Nero em 68 AD (anno domini).

Durante este período, Roma viu as sucessivas vitórias e quedas entre três dinastias poderosas que digladiavam entre si pelo poder e que culminou com a vitória e ascensão de Vespasiano, representante da dinastia Flaviana.

O reinado de seu último imperador Nero havia sido particularmente pavoroso, embora tenha conseguido alguns bons momentos com a repressão de um levante na britânia (hoje Reino Unido), outro na Gália (França) e tenha incentivado a arte e a cultura e os jogos. Seus atos de tirania e excentricidades acabaram por suplantar suas virtudes.

Convém, até para entendimento deste contexto relevar alguns destes atos, como a perseguição (controversa) e morte aos cristãos, a execução de forma sumária e em larga escala, inclusive da própria mãe e do possível envenamento do padastro.

Quando no momento do famoso incêndio que destruiu parte de Roma, diz-se que tudo fazia parte de um plano seu para expurgar parte da cidade de seu interesse pessoal e assim poder construir sua famosa casa a “Domus Aurea”.

Com toda esta herança maldita, para que Roma voltasse a recuperar seu prestígio, a solução natural seria inicialmente reconstruí-la e assim Vespasiano fez tomando esta tarefa como a principal meta de seu governo.

Dentre as principais atividades de Vespasiano, algumas campanhas bem sucedidas e uma reforma financeira com intuito de reerguer o império contavam também um grande impulso na área arquitetônica. E dentre elas são destacadas a reconstrução do templo de Júpiter e construção de um novo “Templo da Paz” ou Fórum da Paz”.

Entretanto a maior destas obras encontra-se sob o nome de “Anfiteatro Flaviano” ou “Anfiteatro de Flavio” (Amphitheatrum Flavium)mais conhecido como “Coliseu Romano”.

Sua concepção se baseava na ideia de oferecer à população um local com diversas atividades de espetáculos e diversão, cujo entretenimento, obviamente pudesse ser ao mesmo tempo uma forma de controle do populacho em momentos de descontentamentos ou dificuldades.

Totalmente carregado de simbologia, desde do local de sua construção. O Coliseu foi erguido sobre as ruínas da domus aurea, a casa de Nero. Um local de grande beleza que possuia um lago artificial no conjunto e que foi drenado e preenchido para dar lugar a construção.

Essa opção do local por Vespasiano, tinha um caráter bastante simbólico, pois ao escolher um local da antiga residência de um imperador que havia caído em desgraça, seria uma forma de “apagar” suas atrocidades e ao mesmo tempo devolver ao povo uma parte da cidade que Nero havia supostamente usurpado.

O que torna irônico esta situação é que o anfiteatro Flaviano tornou Nero mais famoso do que o próprio representante da dinastia que o havia sucedido. Pois o anfiteatro acabou por ficar conhecido com o nome de “Coliseu” derivado da palavra colosso, que neste caso se referia a uma colossal estátua de Nero (O Colosso) que havia nas proximidades. Contudo, outras versões são contrárias a esta opinião.

Vespasiano não viveu o suficiente para ver sua obra completada, pois morreu em 79 AD, Mas a finalização da tarefa coube a seu filho mais velho Titus que o inaugurou em 80 AD. Ficando ainda por receber acabamentos posterioriormente feito por seu irmão mais novo, Domitiano.

Desde de sua inauguração funcionou por cerca de 450 anos, em alguns períodos desativado para reparos causados por terremotos. Ao longo desta jornada, pressões econômicas e pressões exercidas pelo crescimento do Cristianismo, foram responsáveis pela extinção das lutas sangrentas entre gladiadores e deram lugar a outras atividades. Mas em nenhum momento é negado seu papel e representividade histórica, no que veio a se transformar em um grande instrumento de difusão da cultura latina romana da época e hoje o maior símbolo da Cidade de Roma.

IV – ANÁLISE ESTÉTICA

Uma dos melhores exemplos da engenharia romana, uma análise estética de forma empírica do Coliseu leva invariavelmente a pensar que matemática é sem dúvida a grande responsável pela simetria que impressiona pela harmonia do conjunto. Uma preocupação com os príncipios dos números está intimamente associada em todas as medidas quando consideramos altura e largura da edificação.

Uma medida padrão foi utilizada como gabarito na construção onde acredita-se que seria equivalente a de um pé romano (cerca de 29,6 cm) a medida básica original, que é utilizada repetida vezes e ajustadas de acordo com o que as necessidades pediam. Muito embora isto não seja facilmente identificável a olho nu onde ao que parece os projetistas do Coliseu, começaram inicialmente com a ideia de construir uma arena cuja dimensões seriam de aproximadamente 300x180 pés romanos.

O Coliseu em sua configuração original é uma elipse cujo diâmentro externo é de 188x155m. A parte principal da estrutura é constituída de três corredores em três níveis de altura, que serviriam também para diferenciar as classe sociais dos espectadores Corredores em forma de anéis eram sustentados por colunas construídas em blocos de pedras calcária conhecidas como travertina, conectados ou arquitravados por arcos que se espelham nos vários níveis de toda a edificação.

Aliás estes arcos são os elementos que conferem a grande beleza ou um ritmo constante e agradável na fachada da edificação. E não são meramentes elementos decorativos, pois tem a função estrutural envolvida que reflete a preocupação dos projtistas romanos com a harmonia e técnicas de construção.

As funções matemáticas parecem ter sido muito consideradas quando em uma análise mais técnica, mostra que a largura do auditório é igual a da arena onde o mais surpereendente é que também se igualaa alturada fachadaexterna o que demonstra a suntuosidade, grandeza e magnitude provavelmente solicitadas aos arquitetos, necessárias em uma edificação que podia acomodar cerca de 50.000 pessoas.

Difrerentemente dos anfiteatros comuns da época, este estava assentado ainda em uma espécie de anel de rocha em toda sua volta. Cuja função servia de sustentação para toda a estrutura e indicavam a circulação para o público. Isso permitiu uma construção robusta que apesar de sofrer dois grandes terremotos ao longo da de sua história, ainda se mantém em pé.

A ordem da beleza foi fundamental neste processo, não bastava ser apenas colossal, precisava ser eloquente, marcar presença e indicar uma nova fase, um recomeço para o povo romano. Assim não foram economizados recursos nem esforços para tal empreitada, desde dos assentos em mármores até na paredecircunferencialexterna que é caracterizadapela presençadeumacornijasuperior, oattico”, com cerca de quarentajanelasretangulares.

A fachada impressionava pela riqueza de acabamento. Desde a utilização de diferentes estilos de colunas que ornavam os vários níveis de piso, dóricas ficavam no térreo, jônicas no primeiro andar e as coríntias no segundo. Cada um desses pisos tinha cerca de 80 arcos, com altura paroximada de 7 metros de altura cada. A fachada ainda era decorada com centenas de estátuas de bronze. A intercalação das colunas na fachada provavelmente foi pensada com uma forma de “quebrar” a monotonia visual ou talvez apenas tivese uma função decorativa ou harmoniosa. Mas que no fim acrescentou um grande valor estético à edificação.

A sofisticação dos construtores romanos eram de tamanha influência que alguns outros elementos são de grande destaque neste contexto. A arena é um espetáculo à parte, confecionada com um piso de madeira coberta de areia, daí a origem do nome, foi assim pensada para absorver o sangue dos gladiadores ou condenados que lá perdiam a vida.

Possuia elevadores, jaulas para animais ferozes e galerias no subsolo da arena conhecido como Hipogeum, que tinham ligação direta com ela e eram peças importantes no espetáculo e que inclusive, embora haja controvérsias entre os historiadores a respeito deste fato, algumas vezes foi inundada para a representação de uma batalha naval.

Nota-se inclusive que em matéria de inovação, a engenharia romana era levada a sério em muitos aspectos, o quarto nível que se vê pela parte externa do Coliseu, por exemplo, é na verdade um muro alto e tinha uma função mais prática servindo para as fixação das mìsulas que sustentavam o velarium. Uma espécie de cobertura em lona cuja função estava em proteger os espectadores do sol. Ou seja apenas uma elemento funcional mas nem por este motivo foi relegado seu cárater estético na composição final do conjunto.

IV - ANÁLISE SER HUMANO x ESPAÇO

Ao historiador Inglês Beda (632-735 AD) é atribuída a frase "Enquanto o Coliseu se mantiver de pé, Roma permanecerá; quando o Coliseu ruir, Roma ruirá e quando Roma cair, o mundo cairá". Escrita em seu livro intitulado "De temporibus liber":

Verdade é que o Coliseu foi na sua essência uma enorme peça de propaganda política, ávida no momento da sua construção em servir de apoio visual para a nova disnastia que se instaurava em Roma, que como se sabe, saía de um período particularmente conturbado e sangrento e precisava de um certo estímulo.

Edificações são criadas com variados interesses, entre eles o abrigo de pessoas, mas em alguns casos certas edificações desenvolvem um valor cultural que se tornam motivos de orgulho de uma determinada sociedade. Talvez o Coliseu tenha sido desenvolvido em busca deste sentimento na sociedade da época, o que justificaria os elevados custos com sua construção uma vez que espetáculos públicos eram comuns na sociedade romana e haviam outros locais que abrigavam estes eventos.

Embora muitos destes espetáculos tivessem fundamentos religiosos, esportivos e artísticos. Provavelmente Vespasiano sentiu a necessidade de um local que fosse específico para uma determinada atividade que fosse de interesse de todas as classes, que servisse como uma estratégia de marketing do novo governo estabelecido.

E é justamente neste contexto que entra o papel da morte, sempre presente na vida de um povo habituado a produzir guerreiros. Romanos sempre foram fascinados com a morte e este fascínio foi o principal motor que manteve o Coliseu em atividade por muito tempo. A morte era rentável para alguns e poderia servir de escada para a glória de outros. Era um meio de sobrevivência para gladiadores que inicialmente eram soldados treinados e que com o tempo foram substituidos por criminosos e escravos condenados que lutavam entre si ou contra feras selvagens, para o delírio dos espectadores.

Simpatizantes de uma nova religião chamada de Cristianismo, quando pegos eram condenados e para lá enviados e seriam devorados por feras. Tudo pelo bem do espetáculo.

O Coliseu rapidamente atingiu seus objetivos. Era um lugar de acesso gratuito para a população e era o local certo onde poderia haver interação entre classes sociais diferentes. Certos conceitos de utilização do espaço, até a divisão de classes sociais em arquibancadas separadas, com corredores projetados de forma a permitir uma rápida evacuação dos espectadores tinha aí um caráter talvez inovador. Permitia o acesso de ricos e pobres a um único local. Para lá o imperador ia também, era um local de status e que se tornava orgulho de uma nação orgulhosa também.

A suntuosidade, quase sempre presente na arquitetura romana, era agora levada a um novo conceito mais grandioso e tinha endereço certo, remodelar o antigo, demonstrar a capacidade criativa e a iniciativa, inibir os inimigos, tocar corações.

Roma era cidade conhecida como o centro do universo, para lá todos os caminhos levavam. E o Coliseu neste contexto acima de tudorepresenta o poder, brilho e brutalidade doImpério Romano.Desde de suas dimensões, a sua concepção arquitetônica e sua função aindase maravilhade se verhoje em dia.Entretanto,o que aconteceuno palco coma matançasistemática decentenas de milhares deanimais e de pessoaspoderia ter até uma lembrança desagradáveldaviolência e crueldadequeé desta forma fundamental paraa história doColiseu edo Império Romano. Mas a bem da verdade, no fundo, indissociável da cultura de um povo brilhante.

V - CONCLUSÃO:

A engenharia romana, através dos tempos obviamente influenciou as culturas posteriores de diversas maneiras até a moderna sociedade. E no caso especifico do Coliseu, desde das técnicas empregadas ao uso de material de forma inovadora permitiram novas produções que chegam até os dias modernos.

A metodologia empregada ajuda no momento de projetar atual pois e reccorrente em sua essência. Desde do design básico de seu formato, mesmo com variações provou ser a melhor maneira de promover e assistir espetáculos cuja finalidade seja a reunião de milhares de pessoas em um único local.

Certos conceitos de utilização do espaço, até a divisão de classes sociais em arquibancadas separadas, corredores projetados de forma a permitir uma rápida evacuação dos espectadores. Estão presentes nos dias de hoje em estádios de futebol que são talvez o melhor exemplo desta influência ou herança recebida e perceber que elas estão presentes inclusive até de forma conceitual. Se lançarmos um pouco mais de visão poética no assunto, veremos que mesmo em um contexto diferente, a história se repete, pois a arena se tornou verde, o subsolo da arena abriga vestiários e banheiros e os gladiadores continuam na busca eterna da vitória, elemento supremo do reconhecimento humano.

VI - REFERÊNCIAS:

- BLAINEY, Geoffrey, Uma breve história do mundo/ Geoffrey Blainey ; [versão brasileira da editora] – São Paulo, SP|: Editora Fundamento Educacional , 2009

- http://romancolosseum.org/roman-colosseum-history/

- http://www.bbc.co.uk/history/ancient/romans/colosseum_01.shtml

- http://www.the-colosseum.net/around/Edmonson%20public%20spectacles.htm

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