Artigo de Mdo Carmo Educação comparada Prof. Lamarra

Artigo de Mdo Carmo Educação comparada Prof. Lamarra

¹Doutora em Educação pela Universidad de La Empresa

Drª. Maria do Carmo Dias Lima¹

Introdução

Comparar significa, segundo Ferreira (1999), confrontar, cotejar, por em igual nível ou semelhante; igualar, equiparar. Todavia, o significado que interessa a esse artigo é o que mais se aproxima do tema em estudo, é examinar simultaneamente a fim de conhecer as semelhanças, as diferenças ou relações.

Após compreender esse significado de comparar, ao verificar a questão da comparação no âmbito educativo é pertinente entender a educação comparada como aquela educação que visa a aprender com as experiências dos outros.

Nesse sentido, pode-se observar que o Brasil vem sempre buscando aprender com as experiências de outros países, em especial na educação, todavia, o resultado nunca é o esperado. Refletindo sobre esta questão, este artigo busca analisar e avaliar criticamente o campo da educação comparada com o meio ambiente, através da pesquisa bibliográfica.

Sabe-se que tanto a literatura estrangeira, quanto a nacional sugere que se deve salvar o planta Terra e para isto, existe uma nova área chamada de Educação Ambiental que pelo visto, ainda, necessita de formulação conceitual, vem sendo praticada a qualquer custo e sob diversos rótulos como: ambiental, ecológico, biológico.

A gravidade dos problemas ambientais pressupõe que as medidas para diminuir os impactos negativos no ambiente natural e na sociedade devam ser tão

2 rápidas quanto foi o avanço de nossa ação predatória.

Todavia, essas medidas têm seguido em ritmo lento, principalmente no campo da educação. Isto porque o Brasil, apesar de tantas modificações nesse setor está sempre se modelando em educação de outros países, s em levar em conta a realidade brasileira, quer-se avançar na Educação Ambiental como o primeiro mundo, mas a realidade de lá não condiz com a dos brasileiros.

É importante que se compreenda que a viagem das idéias pedagógicas, das práticas educativas e escolares insere-se como um dos padrões consistentes da modernidade e como um projeto de modernização buscado pela sociedade brasileira.

A grande questão com que se defronta atualmente é de como articular as várias informações (científicas e de outros campos do saber humano) em um todo consistente e coerente para se manter uma uniformidade organizativa, sem sufocar a diversidade criativa do saber-fazer humano.

Educação comparada

Segundo Saviani (1999), os estudos de educação comparada remontam ao início do século XIX. Nessa época, afirma Kelly (1989), a motivação para os estudos comparados era despertada pelo interesse em se comparar sistemas educacionais quando os Estados nacionais, que então se organizavam, se empenhavam, ao mesmo tempo, em organizar também os respectivos sistemas nacionais de ensino. A partir daí, assinala Saviani (1999, p. 54) “independentemente da situação específica das nações emergentes, tendeu-se a generalizar o recurso à comparação visando a aprender com a experiência dos outros”. Com isso, tornou-se, comum a realização de viagens de estudo feitas por autoridades educacionais ou por pessoas por elas designadas cujos relatórios

3 deveriam ter a utilidade de auxiliar na organização dos sistemas educacionais dos países que patrocinavam essas visitas.

A partir do século X, afirma Saviani (1999), apareceram manuais ou tratados de educação comparada como os de Kandel (1933), Estudos em educação comparada, Rodrigues (1938), Educação comparada: tendências e organizações escolares, Hans (1949), Educação comparada, Lourenço Filho (1961), Educação comparada, Holmes (1965), Problemas de educação, uma abordagem comparada, Vexliard (1967), Pedagogia comparada: métodos e problemas e, a partir de 1955, as publicações da UNESCO que permitiam uma visão mais ampla dos sistemas de ensino da quase totalidade dos países.

Meio ambiente: uma crise civilizatória ou crise ambiental?

Para uns, a maior parte dos problemas atuais pode ser resolvida pela comunidade científica. Confiam na capacidade de a humanidade produzir novas soluções tecnológicas e econômicas a cada etapa, em resposta a cada problema que surge, permanecendo basicamente no mesmo paradigma civilizatório dos últimos séculos.

Segundo Grun (1996), para outros, a questão do meio ambiente representa quase uma síntese dos impasses que o atual modelo de civilização acarreta. Consideram que aquilo a que se assiste, no final do século X e neste, não é só uma crise ambiental, mas uma crise civilizatória. E que a superação dos problemas exigirá mudanças profundas na concepção de mundo, de natureza, de poder, de bem-estar, tendo por base novos valores individuais e sociais. Faz parte dessa nova visão de mundo a percepção de que o ser humano não é o centro da natureza.

4 Para outros, de acordo com esse autor, ainda, o ser humano deveria se comportar não como dono do mundo, mas, percebendo-se como parte integrante da natureza, resgatar a noção de sacralidade da natureza, respeitada e celebrada por diversas culturas antigas e contemporâneas.

Tanto uns como outros, porém, reconhecem que a forma clássica criada pela ciência ocidental para estudar a realidade, subdividindo-a em aspectos a serem analisados isoladamente por diferentes áreas do conhecimento, não é suficiente para a compreensão dos fenômenos ambientais.

A Educação como Elemento indispensável para a transformação da Consciência Ambiental

Uma das principais conclusões e proposições assumidas internacionalmente é a recomendação de se investir em uma mudança de mentalidade, conscientizando os grupos humanos para a necessidade de se adotarem novos pontos de vista e novas posturas diante dos dilemas e das constatações feitas.

Segundo Dias (1993), por ocasião da Conferência Internacional Rio/92, cidadãos representando instituições de mais de 170 países assinaram tratados nos quais reconhece o papel central da educação para a construção de um mundo socialmente justo e ecologicamente equilibrado, o que requer responsabilidade individual e coletiva em níveis local, nacional e planetário. E é isso o que se espera da Educação Ambiental no Brasil, que foi assumida como obrigação nacional pela Constituição promulgada em 1988.

Para Grun (1999), todas as recomendações, decisões e tratados internacionais sobre o tema evidenciam a importância atribuída por lideranças de todo o mundo para a Educação Ambiental como meio indispensável para se

5 conseguir criar e aplicar formas cada vez mais sustentáveis de interação sociedade/natureza e soluções para os problemas ambientais. Evidentemente, a educação, sozinha não é suficiente para mudar os rumos do planeta, mas certamente é condição necessária para tanto.

Nesse contexto, fica evidente a importância de se educar os brasileiros para que; ajam de modo responsável e com sensibilidade, conservando o ambi- ente saudável no presente e para o futuro; saibam exigir e respeitar os direitos próprios e os de toda a comunidade, tanto local como internacional; e elevem a qualidade de suas relações intra e interpessoais e com o ambiente.

A educação, conforme assinala Grun (1999), é a chave do desenvolvimento sustentável, auto-suficiente – uma educação fornecida a todos os membros da sociedade, segundo modalidades novas e com a ajuda de tecnologias novas, de tal maneira que cada um se beneficie de chances reais de se instruir ao longo da vida. Deve-se estar preparados, em todos os países, para remodelar o ensino, de forma a promover atitudes e comportamentos que sejam portadores de uma cultura da sustentabilidade. Todavia, o Brasil deve se basear em sua realidade, um país em desenvolvimento, com uma educação bem abaixo do nível econômico e como fazer para igualar esses níveis: educação e econômico? Somente melhorando a sua qualidade.

Portanto, o país não deve seguir só experiência de outros países, pois a realidade de um país de primeiro mundo é bem diferente da realidade de um país de terceiro mundo.

A educação está sendo, nos dias de hoje, repensada como uma preparação para a vida: trata-se de garantir a segurança do emprego e a aptidão para o trabalho, de permitir a cada um satisfazer às demandas de uma sociedade em rápida evolução, assim como as mudanças tecnológicas que condicionam

6 hoje, direta ou indiretamente, cada aspecto da existência e, finalmente, de conseguir responder à busca da felicidade, do bem-estar e da qualidade de vida. Mas, para tanto, são necessários muitos investimentos do sistema educacional, nas escolas. É necessário investir no salário do profissional da educação para que os mesmos se sintam motivado a desenvolver um trabalho com mais dignida- de.

Além disso, é necessário desenvolver o processo educativo, contem- plando tanto o conhecimento científico, como os aspectos subjetivos de vida, que incluem as representações sociais, o imaginário que se tem acerca da natureza e da relação do ser humano com ela. Só quando se lida também com a sensibilidade, se obtém mudança de comportamento.

O brasileiro deve observar que atualmente, grande parte dos ambientalistas concorda com a necessidade de se construir uma sociedade mais sustentável, socialmente justa e ecologicamente equilibrada, pois isso significa que defender o meio ambiente, hoje, é preocupar-se com a melhoria das condições econômicas, especialmente dos que se encontram em situação de pobreza ou miséria, que é a grande maioria da população mundial, de acordo com dados da ONU. O crescimento econômico deve ser também subordinado a uma exploração racional e responsável dos recursos naturais, de forma a não inviabilizar a vida das gerações futuras. Todo cidadão tem direito a viver num ambiente saudável e agradável, respirar ar bom, beber água pura, passar em lugares de paisagens notáveis, apreciar monumentos naturais e culturais, dentre outros. Defender esses direitos é um dever de cidadania, e não uma questão de prestígio.

7 É um luxo e despropósito defender, por exemplo, a vida do mico-leão dourado enquanto milhares de crianças morrem de fome ou de diarréia na periferia das grandes cidades, no Norte ou no Nordeste.

Se para salvar crianças da fome e da morte bastasse deixar que se extinguissem algumas espécies, estaria criado um dilema. Mas, como isso não é verdade, trata-se então, de um falso dilema.

De acordo com esse contexto, verifica-se que o trabalho educacional é, sem dúvida, um dos mais urgentes e necessários, pois atualmente, grande parte dos desequilíbrios está relacionada a condutas humanas geradas por apelos consumistas que geram desperdício, e pelo uso inadequado dos bens da natureza, como os solos, as águas e as florestas. Somos responsáveis diretos pelo que acontece à nossa volta e, a menos que mudemos nossos valores e nossos hábitos, não haverá saída.

Segundo Saviani (1999), além da formulação de propostas teóricas, da aprovação de leis e da introdução de novas diretrizes curriculares e orientações didáticas nos sistemas educacionais, além da produção e distribuição de material pedagógico, é necessário que haja mais acompanhamento e maior apoio ao que acontece dentro das escolas, no espaço das salas de aula. É lá que a educação realmente acontece e, quer sejam grandes ou pequenas ações, elas são extremamente necessárias. É a partir delas que acredita-se existir a possibilidade de mudar condutas e formar pessoas que, disseminando suas convicções, trabalharão por uma nova maneira de relacionar-se com o mundo e com os outros. Considerações Finais

Conclui-se ao final do que foi exposto que a função do trabalho com o tema Meio ambiente é contribuir para a formação de cidadãos conscientes, aptos para

8 decidirem e atuarem na realidade socioambiental de um modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada um e da sociedade local e global. Para isso é necessário que, mais do informações e conceitos, a escola se proponha a trabalhar com atitudes, com formação de valores, com o ensino e aprendizagem de habilidades e procedimentos. E esse é um grande desafio para a educação e o sistema educacional brasileiro.

Cabe ao sistema educacional dar apoio e suporte para as escolas se prepararem bem para cumprir o seu papel condignamente e aos profissionais da educação se aperfeiçoarem para ser o mediador dessa aprendizagem. É importante que o professor se posicione diante desse novo contexto, trabalhe com o objetivo de que os alunos desenvolvam uma postura crítica frente a realidade, pois a crise não é só ambiental, ela é civilizatória também.

Além de tudo isso, cabe a todos os brasileiros, se conscientizar que se o país se espelhar em experiências de outros paises, principalmente de primeiro mundo, nada se desenvolverá como o proposto, pois a realidade brasileira é outra e como ela é diferente não pode ser comparada com outras realidades. Referências Bibliográficas

da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999

FERREIRA, Aurélio Buarque de Hollanda, Novo Aurélio Século XXI: Dicionário

KELLY, Gail P., “A educação comparada e os problemas da transformação: um roteiro para a década de oitenta”. In: VERHINE, Robert (Org.), Educação: crise e mudança. São Paulo, E.P.U., 1989.

SAVIANI, Dermeval, “Idéias para um intercâmbio internacional na área de história da educação”. In: SANFELICE, SAVIANI e LOMBARDI, História da educação: perspectivas para um intercâmbio internacional. Campinas, Autores Associados, 1999.

DIAS, G. F. Educação ambiental: princípios e práticas. São Paulo: Gaia, 1993

GRÜN, M. Ética e educação ambiental: a conexão necessária. Campinas, SP: Papirus, 1996.

Comentários