O BAIXO RENDIMENTO ESCOLAR DOS ALUNOS DE 6 ANO NA DISCIPLINA DE MATEMÁTICA NAS ESCOLAS DE VÁRZEA DO MUNICÍPIO DE ÓBIDOS-Joelma Silveira e Siele Santos

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O BAIXO RENDIMENTO ESCOLAR DOS ALUNOS DE 6º ANO NA DISCIPLINA DE MATEMÁTICA NAS ESCOLAS DE VÁRZEA DO MUNICÍPIO DE ÓBIDOS

Óbidos 2014

O BAIXO RENDIMENTO ESCOLAR DOS ALUNOS DE 6º ANO NA DISCIPLINA DE MATEMÁTICA NAS ESCOLAS DE VÁRZEA DO MUNICÍPIO DE ÓBIDOS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Programa de Formação de Professores da Educação Básica, do Instituto de Ciências da Educação, da

Universidade Federal do Oeste do Pará, sob orientação do prof. Msc. Ednilson

Souza, para efeito de obtenção do grau de Licenciatura Integrada em Matemática e Física.

Óbidos-Pá 2014

Este documento corresponde à versão final do Trabalho de Conclusão de Curso intitulada O BAIXO RENDIMENTO ESCOLAR DOS ALUNOS DE 6º ANO NA

tendo sido considerado

DISCIPLINA DE MATEMÁTICA NAS ESCOLAS DE VÁRZEA DO MUNICÍPIO DE ÓBIDOS e apresentado por JOELMA SILVA DA SILVEIRA e SIELE BARROSO DOS SANTOS à banca examinadora do curso de Licenciatura Integrada em Matemática e Física da Universidade Federal do Oeste do Pará, Óbidos-Pa, 23 de agosto de 2014.

Prof. Msc. Ednilson Sergio Ramalho de Souza-Presidente

Prof. Dr. João Roberto Pinto Feitosa-Membro

Prof. Msc. Sandro Aléssio-Membro Prof. Msc. Francisco Robson Alves-Membro

Dedicamos este trabalho primeiramente a Deus, por estar sempre nos abençoando nesta grande jornada da vida. Em segundo, às pessoas especiais em nossas vidas: Às nossas mães e pais, pela força e coragem que nos proporcionaram os (as) filhos (as) e maridos pela compreensão. As irmãs pelo apoio. Enfim, a todos que direta ou indiretamente nos ajudaram nesta caminhada.

Primeiramente agradecemos a Deus que nos deu o dom da vida, pela oportunidade de concluir este trabalho almejando nossa primeira graduação e por sempre está presente abençoando e iluminando nossos caminhos.

Em segundo, agradecemos os grandes educadores, os nossos queridos pais, que desde a infância nos mostraram o real valor da vida e o compromisso de saber vivê-la de forma intensa, com o vigor e a sabedoria de um cristão que sempre está em busca de novos caminhos.

Em terceiro agradecemos aos nossos familiares (maridos, filhos, irmãs, irmãos) que no decorrer da realização desses estudos nos incentivaram, colaboraram e pacientemente souberam compreender o nosso envolvimento na busca de conhecimentos.

Agradecemos ainda a professora Adriana Rocha que muito nos ajudou com os acervos e na elaboração concreta das ideias deste trabalho. Ao nosso professor e orientador Msc. Ednilson Sergio Ramalho de Souza pela dedicação e paciência com que nos orientou, guiando os nossos saberes e a cada momento que nos incentivou e instruiu demonstrando a real importância dessa pesquisa. Enfim, agradecemos aos professores da UFOPA e a todas as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram para o nosso sucesso acadêmico.

O objetivo deste trabalho foi Investigar por que os alunos do 6º ano, meio rural/ várzea apresentam baixo desempenho na disciplina de matemática. Para isso buscamos respostas para o seguinte questionamento: Por que os alunos do 6º ano de escola de várzea têm baixo rendimento escolar na disciplina de matemática? Optamos por fazer uma abordagem quali-quantitativa (MALHEIROS, 2011) com aplicação de questionários e entrevistas. Os sujeitos da pesquisa foram alunos, responsáveis e professores da escola de várzea. Teoricamente, o estudo foi baseado principalmente em Antunes (2008), Esteban (2002), Estarepravo (2009), Carraher (2009). No ato da pesquisa idealizava-se encontrar um “culpado” para o baixo rendimento escolar dos alunos de várzea. No entanto, observamos que a aprendizagem no ensino da matemática nas escolas de várzea requer um grande esforço e necessita de um constante aperfeiçoamento por parte dos educadores.

Palavras-chave: Baixo Rendimento Escolar. Matemática. Escola de Várzea. Óbidos-Pa.

The aim of this study was to investigate why students in 6th grade, rural areas (floodplain) have low performance in the discipline of mathematics. For this we seek answers to the following question: Why do students of the 6th year of school floodplain have poor academic performance in the discipline of mathematics? We chose to make a qualitative and quantitative approach (MALHEIROS, 2011) with the use of questionnaires and interviews. The research subjects were students, guardians and school teachers floodplain. Theoretically, the study was primarily based on Antunes (2008), Esteban (2002), Estarepravo (2009), Carraher (2009). Upon research is idealized-find a "culprit" for the poor academic performance of students floodplain. However, we observe that learning in the teaching of mathematics in schools floodplain requires a lot of effort and requires a constant improvement on the part of educators.

Keywords: Low Educational Achievement. Mathematics. School Lowland. Obidos-Pa.

Gráfico 1. Gosto pela matemática35
Gráfico 2. Argumentos dos que afirmaram gostarem de matemática36
Gráfico 3. Compreensão em matemática37
Gráfico 4. Paciência do professor de matemática38
Gráfico 5. Disciplinas com índice de repetência39
Gráfico 6. Nível de acompanhamento dos pais40
Gráfico 7. Escolaridade dos pais41
Gráfico 8. Nível de acompanhamento das tarefas escolares pelos pais42
Gráfico 9. Tipo de acompanhamento realizado pelos pais43
seus filhos4

Gráfico 10. Satisfação dos pais em relação à aprendizagem em matemática de Gráfico 1. Visão dos pais sobre o ensino de matemática. .............................. 45

INTRODUÇÃO15
CAPÍTULO I17
O BAIXO RENDIMENTO ESCOLAR NA MATEMÁTICA17
1.1. O que é rendimento escolar?17
1.2. Causas que levam o aluno ao baixo rendimento escolar19
1.3. Formação de professores2
CAPÍTULO I26
A PESQUISA DE CAMPO26
2.1. Problema de pesquisa26
2.2. Caracterização da pesquisa26
2.3. Lócus e sujeitos da pesquisa27
2.4. Procedimentos para coleta e interpretação de dados29
2.5. Resultados e análises30
2.5.1. Os professores31
2.5.2. Os alunos34
2.5.3. Os responsáveis40
CONSIDERAÇÕES FINAIS48
REFERÊNCIAS50
ANEXOS52
Questionário Docentes52
Questionário Alunos54
Questionário Pais5

SUMÁRIO Fotos ............................................................................................................ 56

Siele Barroso dos Santos

Siele Barroso dos Santos é do gênero feminino com faixa etária de 35 anos, filha do casal Mª Elza Barroso dos Santos e Manoel Vitalzinho Farias dos Santos, têm duas filhas, uma com faixa etária de 06 anos e outra com faixa etária de 03 anos e seu estado civil é estável.

O primeiro contato com a escola se deu no ano de 1985 quando tinha 05 anos e cursou a pré-escola e o ensino fundamental menor na Escola Estadual de 1º Grau “Inglês de Souza”. Terminou a pré-escola sabendo seu nome escrever, sem saber por que até o termino da segunda série teve dificuldades para desenvolver a leitura e a escrita.

Com ajuda da aula particular o cálculo e a leitura desenvolveu um passo importante na sua vida foi dado para os estudos prosseguir. As brincadeiras que maravilha lhe despertava somente alegrias, mas no final do ano a quarta série repetia. Dos seus pais uma sova levou para os estudos valorizar, diziam ainda que o investimento feito nos seus estudos era a única herança que podiam lhe deixar, pois o conhecimento adquirido ninguém poderia lhe tomar, caso viessem a faltar.

A partir de então passou a ter compromisso com os estudos, repetiu a quarta série e só nota boa tirava. No ano de 1991 foi estudar na Escola Estadual “Felipe Patroni” o fundamental maior, teve que superar as dificuldades com os horários corridos, entrada e saída de professores, diferentes metodologias trabalhadas, entre outras. Contudo sempre se esforçava para ganhar notas boas.

Os anos passaram e os estudos prosseguiram, mas foi na oitava série com as metodologias do professor de matemática Evandro Canto, que descobriu o gostar de fazer cálculos, sendo participativa nas aulas, resolvendo atividades problemas sempre procurou ter atenção quando o professor explicava os conteúdos.

Na Escola Estadual de 2º grau “São José” cursou o magistério. Tinha vontade de cursar a área Administrativa, mas dona Maria Elza (sua mãe) lhe matriculou contra a sua vontade no magistério, por ser a melhor opção profissional no município.

Descobriu o esporte, participou de competições intermunicipais e jogos estudantis sempre representando a Escola “São José”, mas também teve dificuldades na disciplina de Biologia, chegou a fazer recuperação para não repetir o ano letivo.

Com o objetivo de concluir o segundo grau e cursar uma faculdade, dedicou-se aos estudos, sempre se destacando na disciplina de matemática e ajudando os colegas quando os mesmos solicitavam. Na sua vida estudantil foram conquistados novos professores, novos amigos e colegas que deixaram muitas lembranças.

O curso de magistério concluiu no ano de 1997, por não ter o campus da universidade no município e seus pais não terem condições financeiras para manter lá estudando em outro local seus estudos foram paralisados. Mesmo assim teve a oportunidade de prestar serviço como professora em uma das comunidades do município de Óbidos. A proposta não foi aceita por não querer assumir tal profissão.

Oito anos se passaram sem sucesso profissional e a necessidade fez com que no ano de 2005 concorresse a uma vaga de professor meio rural várzea a qual passou entre as melhores notas. Por essa razão foi contratada e lotada com a disciplina de matemática, para ministrar aulas em todas as séries do fundamental maior e EJA. Isso se deu pela carência de profissional na área, dentro do município. Mesmo gostando da disciplina de matemática foram diversas as dificuldades encontradas e com ajuda de profissionais que tinham sido seus professores no fundamental maior conseguiu ameniza-las. Portanto, o gosto adquirido pela profissão fez com que o medo desse espaço a coragem, os erros deram origem ao crescimento e os desafios fertilizaram oportunidades.

No ano de 2006 tentou o primeiro vestibular no município de Oriximiná, na área de matemática o qual não foi bem sucedida, mesmo assim seguiu com o sonho de cursar uma universidade nas áreas exatas. A vida profissional seguiu e a cada aula ministrada novo aprendizado ganhava.

Com o PARFOR (Plano Nacional de Formação Para Professores da

Educação Básica), se escreveu na plataforma freire no primeiro semestre de 2010 na turma de Matemática e Física, foi selecionada entre os escritos.

Com as benções de Deus, compreensão e ajuda dos familiares, incentivos de professores, colegas e mais o interesse em estudar, fizeram com que superasse os inúmeros desafios, obstáculos e entraves surgidos no caminho acadêmico, tendo assim a oportunidade de conquistar sua primeira graduação.

Joelma Silva da Silveira

Eu Joelma Silva da Silveira nascida em Óbidos em 13-04-1984, filha de

Pedro Silva da Silveira e Tereza Silva da Silveira, tenho atualmente 02 filhos e moro na comunidade remanescente de quilombo Muratubinha município de Óbidos.

Na referida comunidade estudei até a terceira série do ensino fundamental na escola Professora Antonia carvalho de Moraes, por ter somente até esta série, a partir de então fui estudar a quarta série em Óbidos na escola Professor Manoel Valente do Couto; passei de ano e continuei a estudar na escola na época escola de Ensino Fundamental e Médio São José estudei desde a quinta série do ensino fundamental ao terceiro ano do Ensino Médio.

Tive bastante dificuldade pois não morava com meus pais, morava com minha madrinha e mais sete pessoas que moravam com ela, minha mãe além de mim tinha sete filhos para sustentar, todos estudando e meus pais não eram assalariados nem recebiam ajuda do governo como hoje existe, precisei de muitas coisas e muitas vezes não era possível eles me darem.

Quando concluí a oitava série fui passar minhas férias com meus pais, quando retornei minha madrinha havia matriculado-me para fazer o curso de magistério. Verifiquei se não havia vaga em outro curso, pois não queria estagiar e nem ser professora não foi possível fazer a mudança, as aulas iniciaram e minha maior dificuldade era na disciplina de física e matemática, achava muito difícil, tirava notas baixas e, às vezes, ficava em recuperação mais nunca repeti um ano escolar. Quando chegava o período de estágio minha madrinha me levava uma semana antes para a sala dela. A mesma é professora. Ao chegar ao terceiro ano do ensino médio me dediquei o máximo, não fiquei em recuperação. Enfim, concluí o ensino médio foi uma felicidade muito grande.

Após a conclusão do curso, queria trabalhar. Então consegui um emprego em um restaurante que durou apenas três meses. Fui à Secretaria de Educação verificar se havia vaga para trabalhar na escola professora Antonia Carvalho de Moraes. A responsável do setor disse que não, mas que havia em outra escola, não aceitei. Passados alguns dias, mandaram me chamar e me deram uma vaga na referida escola, uma turma de segunda série com 2 alunos. Tive muitas dificuldades não por causa dos assuntos e sim para controlar a turma, era muito barulhenta, não me respeitavam. Não tinha experiência de como dominar a turma, chamavam palavrões, até hoje não esqueço daquela turma, tinha apenas 18 anos quando comecei a trabalhar como professora.

No ano seguinte, a escola funcionaria por hora aula. Quando fizeram a distribuição das disciplinas, deram-me a disciplina de matemática. Encarei o desafio e, no entanto, continuo trabalhando com a mesma. Para mim é uma satisfação imensa trabalhar na escola de minha comunidade e no decorrer desses anos já fui professora de meus tios, írmãos e filho. Minhas professoras, com quem estudei, hoje são minhas colegas de trabalho.

Sempre trabalhei com matemática, mas sem ter formação específica na área. Somente em 2010 tive oportunidade de cursar uma faculdade sei que não aprendi tudo mas o que aprendi me servirá para a vida toda.

Sendo a matemática uma área de conhecimento muito importante na vida escolar e na vida cotidiana das pessoas, nos preocupa saber por que os resultados nessa disciplina são apresentados, na maioria das vezes, de maneira insatisfatória tanto para os alunos quanto para seus professores e para sua família.

No entanto, observa-se que os alunos enfrentam situações de aprendizagem na matemática e fazem um esforço tremendo para compreender os conteúdos curriculares que são repassados pelo professor. Essas situações de aprendizagem, na escola, nem sempre são conciliadas às situações de aprendizagens da vida cotidiana. É preciso que estas aprendizagens sejam valorizadas. Nesta ótica

Os alunos trazem para a escola conhecimentos, ideias e instruções, construídas através das experiências que vivenciam em seu grupo sociocultural. Eles chegam à sala de aula com diferenciadas ferramentas básica para, por exemplo, classificar, ordenar, quantificar e medir. Além disso, aprendem a atuar de acordo com os recursos, dependências e restrições de seu meio. (Brasil: 2001, p. 30).

A partir dessa análise compreende-se que para ter o resultado satisfatório almejado é importante o desenvolvimento de um trabalho articulado entre família e escola, nesse processo. Chalita (2001) diz que a preparação para a vida, a formação da pessoa, a construção do ser são responsabilidade da família.

Diante disso, para vislumbrar o que acontece no cenário educativo com tantos questionamentos resolvemos realizar pesquisa para a obtenção de respostas no que concerne ao baixo rendimento escolar dos alunos de 6º ano, das escolas de várzea, do município de Óbidos nas quais atuamos como docentes de matemática. Especificamente, nossa intenção é saber conhecer os fatores que levam o aluno a ter baixo rendimento na disciplina de matemática; identificar as dificuldades encontradas pelos alunos na disciplina de matemática; identificar a estrutura familiar desses alunos da região de várzea; verificar se a família o acompanha na vida escolar.

Esta pesquisa está organizada em duas partes. No primeiro capítulo aborda-se sobre o que vem a ser baixo rendimento escolar e suas principais causas. Veremos também a importância da formação de professores no contexto do baixo rendimento escolar. Na segunda parte apresentaremos a pesquisa de campo. Abordaremos sobre o problema de pesquisa, lócus e sujeitos da pesquisa, os procedimentos para coleta e análise de dados e as análises dos resultados. Finalizaremos com nossas considerações finais.

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