AS DIFICULDADES ENCONTRADAS PELOS ALUNOS E POR PROFESSORES NO ENSINO DE FÍSICA NAS ESCOLAS PÚBLICAS DE SANTARÉM-PA- Mauro Cruz

AS DIFICULDADES ENCONTRADAS PELOS ALUNOS E POR PROFESSORES NO ENSINO DE FÍSICA...

(Parte 1 de 5)

SANTARÉM-PA 2013

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Programa de Física Ambiental, do Instituto de Ciências da Educação, da Universidade Federal do Oeste do Pará, sob orientação do prof. Msc. EdnilsonSouza,para efeito deobtenção do grau de Licenciatura em Física Ambiental.

SANTARÉM-PA 2013

Este documento corresponde à versão final do Trabalho de Conclusão de

CursointituladoAS DIFICULDADES ENCONTRADAS PELOS ALUNOS E POR PROFESSORES NO ENSINO DE FÍSICA NAS ESCOLAS PÚBLICAS DE SANTARÉMPA e apresentada por MAURO MÁRTIRES CORDEIRO DA CRUZ à banca examinadora do curso de Física Ambiental da Universidade Federal do Oeste do Pará, tendo sido considerado aprovado.

Santarém, Pade _____________de________________

Prof. Msc. Ednilson Sergio Ramalho de Souza-Presidente

Prof. Dr. Edson AkiraAsano-Membro interno

Prof. Msc. Everaldo Almeida do Carmo-Membro interno Prof. Dr. Sérgio Antônio de Souza Farias-Membro suplente

A finalização deste trabalho resulta de muitas horas de dedicação, disciplina, incertezas, preocupação e de muitos esforços. Porém: quanto aprendizado! Quanto crescimento pessoal e profissional!

Dedico este trabalho a minha querida esposa, que compartilhou comigo as abdicações das horas de lazer, as noites mal dormidas, as viagens adiadas e as angústias; que soube compreender nas horas de impaciência e de muito cansaço.

Ao meu querido filho, que me mostra o quanto a vida é simples e me faz sorrir sempre, mesmo nas horas mais difíceis.

Aos meus queridos pais e irmãos, que, com palavras sábias, carinho e incentivo, proporcionaram-me a oportunidade de estudar e me aprimorar sempre.

Primeiramente agradeço a Deus pelo dom da vida e pela coragem que me deu nos momentos mais difíceis.

À minha mãe, Areolina Cordeiro da Cruz e meu pai, Mario Mártires Benicio Cordeiro da Cruz, pelo pensamento positivo, me apoiando para conseguir todos os meus ideais.

À minha esposa, Dalila Cristina Oliveira de Sousa e meu filho Murilo Oliveira da Cruz, que estão sempre comigo nos momentos bons e difíceis, me dando sempre apoio e paciência.

Aos meus, tios, tias, primos, primas e amigos, que me apoiaram em todos os momentos e que sei que posso sempre contar.

A minha amiga e comadre Wanylia de Lima Silva, que sempre foi prestativa nas horas em que precisei.

Ao casal José Pereira de Sousa e Maria de Socorro Santana Santos, que me apoiaram e me deram abrigo desde o primeiro dia que cheguei aqui até o dia em que construí minha família, à vocês meu muito obrigado.

Ao Professor Msc. Ednilson Sousa pela amizade, orientação, confiança e paciência demonstradas durante a realização deste trabalho, que mesmo cheio de trabalho cedeu seu tempo, sempre muito educado e com paciência em ajudar, dando sempre orientações, sugestões e correções. Muito obrigado por toda a ajuda.

À Universidade Federal do Estado do Pará, por intermédio do Programa de Física Ambiental, pela oportunidade de realizar este curso e aos seus professores, que nos incentivaram na caminhada ate a conclusão do curso.

Aos meus grandes amigos de curso, pelos grandes momentos que jamais serão esquecidos, em especial Jessica Macêdo e Hudson Douglas.

Aos alunos e professores que aceitaram participar da pesquisa. Obrigado.

A todos que aqui não foram citados, mas de algum modo contribuíram para que este trabalho fosse concluído da melhor maneira possível.

“Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre”.

Este trabalho tem como finalidade mostrar as dificuldades encontradas pelos alunos para compreender os conteúdos de Física e as dificuldades enfrentadas pelos professores para ensinar esses conteúdos. Optou-se por uma pesquisa do tipo quali-quantitativa realizada em duas etapas: a primeira com alunos e a segunda com professores de física das escolas públicas de ensino de Santarém-Pa.Os dados foram tabulados a partir da aplicação de questionários, analisados com recursos estatísticos e categorizados visando interpretação crítica. Para fundamentar as análises utilizou-se como referenciais teóricos Sousa e Sousa (2000); Moraes (2012); Marques et al. (2006). Detectou-se que entre as razões do insucesso no Ensino- Aprendizado de Física estão, em geral, insuficiente qualificação dos professores, precárias condições das escolas e laboratórios, método de ensino ineficiente, a não associação do assunto ao cotidiano, à dificuldade com o cálculo, as aulas que não são atraentes o suficiente para chamar a atenção dos alunos e desinteresse dos alunos em aprender Física. Observou-se também que para a maioria dos alunos pesquisados não são realizadas atividades experimentais, no entanto, segundo os professores são realizadas aulas práticas e atividades experimentais, sejam elas investigativas ou demonstrativas. Essa pesquisa justifica-se por evidenciar que os discursos de professores e alunos quanto ao ensino e aprendizagem são antagônicos.

This work aims to show the difficulties encountered by the students to understand the content of physics and the difficulties faced by teachers to teach these contents. We opted for a survey of the qualitative and quantitative type performed in two stages: the first and the second with students with physics teachers in public schools teaching Santarém-Pa. The data were compiled from questionnaires, categorized and analyzed with statistical resources targeting critical interpretation. To support the analyzes were used as theoretical frameworks Sousa and Sousa (2000), Moraes (2012), Marques et al. (2006). It turned out that among the reasons for failure in Teaching - Learning of Physics are generally insufficient qualification of teachers, poor conditions of schools and laboratories, inefficient method of teaching, no association of the subject to everyday life, the difficulty with the calculation, classes that are not attractive enough to draw the attention of students and students' disinterest in learning physics. It was also observed that for the majority of students surveyed experimental activities are not carried out, however, according to teachers practical sessions and experimental activities are performed, whether investigative or demonstrative. This research is justified by evidence that the discourses of teachers and students about teaching and learning are antagonistic.

Figura 1: Gráfico referente ao gênero dos alunos pesquisados51
Figura 2: Gráfico referente ao gosto pela física dos alunos pesquisados52
Figura 3: Gráfico referente à relação gênero x importância da física na vida53
Figura 4: Gráfico referente à importante da física na vida do aluno. Categoria SIM57
Figura 5: Gráfico referente à importante da física na vida do aluno. Categorização NÃO59
61
Figura 7:Gráfico referente ao que os alunos acham do professor62
Figura 8: Gráfico referente à como o aluno gostaria que fossem suas aulas de física65

Figura 6: Gráfico referente à importante da física na vida do aluno. Categorização TALVEZ.

Subcategoria SIM67

Figura 9: Gráfico referente a relação da física ao seu dia a dia do aluno, de alguma forma.

Subcategoria NÃO68

Figura 10: Gráfico referente à relação da física ao seu dia a dia do aluno, de alguma forma.

Subcategoria TALVEZ70

Figura 1: Gráfico referente à relação da física ao seu dia a dia do aluno, de alguma forma.

com o seu dia a dia. Categoria SIM71

Figura 12: Gráfico referente se o aluno consegue relaciona a física que o seu professor ensina

ensina com o seu dia a dia. Categorização NÃO73

Figura 13: Gráfico referente a se o aluno consegue relaciona a física que o seu professor

ensina com o seu dia a dia. Categorização ÀS VEZES75

Figura 14: Gráfico referente a se o aluno consegue relaciona a física que o seu professor

FACILITA7

Figura 15: Gráfico referente à maneira como o professor ensina Física. Categorização

DIFICULTA79

Figura 16: Gráfico referente à maneira como o professor ensina Física. Categorização

84

Figura 18: Gráfico referente às principais dificuldades que o aluno sente para aprender física.

física8

Figura 19: Gráfico referente à maneira que oaluno compreenderia melhor os conteúdos de

Quadro1: Quadro referente à importante da física na vida do aluno. Categoria SIM56
Quadro2: Quadro referente à importante da física na vida do aluno. Categoria NÃO59
Quadro3: Quadro referente à como o aluno gostaria que fossem as aulas de física64
com o seu dia a dia. Categorização NÃO73

Quadro4: Quadro referente a se o aluno consegue relaciona a física que o seu professor ensina

FACILITA76

Quadro5: Quadro referente à maneira como o professor ensina Física. Categorização

83

Quadro6: Quadro referente às principais dificuldades que o aluno sente para aprender física.

87

Quadro7: Quadro referente àforma que o aluno compreenderia melhor os conteúdos de física.

disciplina de física90
Quadro 9: Quadro referente à formação acadêmica dos professores92
Quadro 10: Quadro mostra o gosto dos professores pela sua profissão94

Quadro8: Quadro referente à mudança do professor para que o aluno compreendesse melhor a

96

Quadro11: Quadro referente ao espaço escolar no desenvolvimento das aulas dos professores.

aluno. Categorização SIM98

Quadro 12: Quadro referente a se e como o professor relacionar a física com o cotidiano do

disciplina de física. Categorização NÃO9

Quadro13: Quadro referente à opinião dos professores sobre se a interesse do aluno pela

disciplina de física. Categorização ALGUNS101

Quadro14: Quadro referente à opinião dos professores sobre se a interesse do aluno pela

física103

Quadro15: Quadro referente à principal dificuldade que o professor enfrenta para ensinar

professores106

Quadro17: Quadro referente ao papel da disciplina de física na escola, na opinião dos Quadro18: Quadro referente aos tipos de avaliações mais utilizadas pelos professores. ...... 108

MEMORIAL19
Perspectiva de estudo19
Os estágios: I, I, II E IV21
INTRODUÇÃO25
JUSTIFICATIVA27
OBJETIVOS DA PESQUISA29
Objetivo Geral29
Objetivos Específicos29
CAPITULO I – ENSINO DE FÍSICA: UM RESGATE GERAL30
1.1. Brasil Colônia (1500-1822)31
1.2. Brasil Império (1822-1889)32
1.3 Brasil Início da República (1889-1930)3
1.4 O Ensino de Física na Era Vargas (1930-1964)35
1.5 O Ensino de Física e a Ditadura Militar36
1.6 Pós-Ditadura37
PROFESSORES NO ENSINO DE FÍSICA39
2.1 O espaço escolar39
2.2 O ensino médio e a formação do aluno para a vida41
2.3 Relação professor x aluno e a motivação42
2.4 Interações escola x aluno x professor45
CAPÍTULO I: METODOLOGIA47
3.1. Problema e Problemática47
3.2. Caracterização da pesquisa48
3.3. Abrangência da pesquisa: área geográfica e clientela48
CAPÍTULO IV: RESULTADOS E ANÁLISES51
4.1. Primeira Etapa da Pesquisa: Os Alunos51
4.2 Segunda Etapa da Pesquisa: Os Professores91
CONSIDERAÇÕES109
Dificuldades da pesquisa1
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS114

Sou MAURO MARTIRES CORDEIRO DA CRUZ, sou de uma família muita batalhadora. Apegado aos exemplos de meus pais e professores, principalmente de minha mãe por ela ser professora, decidido a seguir em frente e ser um profissional da educação.

Desde que concluí o Ensino Médio no ano de 2001, sempre sonhei em cursar uma

Universidade pública. Tentei os vestibulares na Universidade do Estado do Pará (UEPA) e na Universidade Federal do Pará (UFPA), mas infelizmente não consegui. Então resolvi trabalhar e deixar um pouco de lado o meu sonho de cursar uma Universidade, mesmo assim não desisti de meu sonho esó adiei por um tempo. Mas em 2005 consegui passar nos vestibulares das: Universidade do Estado do Pará (UEPA), Licenciatura em Ciências Naturais, habilitação em Física-Belém e na Universidade Federal do Pará (UFPA), no curso de Engenharia Elétrica-Belém, mas por motivo de incompatibilidade de horários com o trabalho desisti do curso de Engenharia Elétrica e fiquei no curso de Licenciatura em Ciências Naturais, habilitação em Física. No final do ano de 2007, passei no concurso público do estado do Pará, na Companhia de Saneamento do Pará (COSANPA), e fui convocado no inicio de 2008 e lotado no município de Santarém e, por esse motivo, vim para Santarém-Pa e no ano de 2009 fiz vestibular de novo na Universidade Federal do Pará (UFPA) no curso de licenciatura em Física Ambiental e consegui passar e hoje aqui estou tentando concluir o curso e ser um profissional da educação.

Perspectiva de estudo

Quando terminei o Ensino Médio, já tinha mais ou menos definido o curso superior que desejava fazer. Em testes vocacionais os resultados apontavam que tinha habilidades nas áreas lógicas, especificamente para cálculo. Mas, nem todos da minha família receberam bem a notícia de que havia me inscrito no vestibular para o Curso deLicenciatura em

CiênciasNaturais, habilitação em Física. Mas estava decidido e que aquilo me motivaria ainda mais para passar no vestibular e “ser o melhor professor que pudesse ser”. Caprichei naquilo que sabia que era meu ponto fraco: a redação. Não fui muito bem nela e mandei muito bem nas exatas. Fui aprovado! Foi outra grande sensação de vitória que senti na vida. Minha carreira começou ali. Naquele dia 08 de janeiro de 2004.

Quando comecei o curso na UEPA não tinha conhecimento da matriz curricular e aos poucos fui me interessando mais e mais pelo curso de Licenciatura em Ciências Naturais, habilitação em Física. No final do ano de 2007 passei no concurso público do estado do Pará na Companhia de Saneamento do Pará (COSANPA) e fui convocado no inicio de 2008,lotadono município de Santarém-Pa e por esse motivo tive de vim para Santarém-Pa no ano de 2008 e neste mesmo ano fiz vestibular de novo na Universidade Federal do Pará (UFPA) no curso de Física Ambiental, que para mim era algo novo, pois ainda não havia conhecido o curso, mas com o passar do tempo fui conhecendo e gostando do curso que é licenciatura, mas com um foco ambiental.

Durante o período acadêmico do curso de Física Ambiental, um dos momentos mais importantes que achei foi o momento dos estágios, pois era o momento aonde iria por em prática tudo que estava aprendendo na teoria e onde iria perceber realmente o quanto era importante a minha formação na área que escolhi e que teria que me dedicar para eu tornar um profissional competente e capacitado para assumir minha profissão com dignidade e, acima de tudo, com amor pelo que irei fazer.

Portanto, passando por toda essa jornada, com dificuldades, mas com esperança de que tudo daria certo, com orgulho de ter conseguido realizar parte do meu sonho de ser um profissional da educação, pois é o que quero ser, passar para outras pessoas tudo aquilo que estou aprendendo e saber que estou contribuído para a formação de cidadãos.

Os estágios: I, I, II E IV

O estágio I fiz na Escola Aluízio Martins no turno da noite e com a professora Keyth

Marrone, que é graduada em Licenciatura em Física pela UFPA. Foi muito importante para mim o estágio I, pois foi a primeira vez que vivenciei a realidade do dia a dia do professor e senti na pele de como é difícil à vida de um professor. Foi onde tive os primeiros contatos com os alunos, que eram alunos mais idosos, que em sua grande maioria trabalhavam pela parte do dia e só poderiam estudar a noite, alunos que em sua grande parte só estavam ali para terminar o seu 2º grau.

Os estágios I e II fiz no Colégio Álvaro Adolfo nos turnos da noite e tarde com os professores Robson Francisco, que é Mestre em engenharia elétrica pela UFPA, e Marla Maduro, que é graduada em Licenciatura em Matemática pela UFPA e leciona Física, e por motivo da professora estudar no PARFOR, foi substituída pela professora Paulina Rodrigues que tem graduação em Física Ambiental pela UFPA. No estagio I foi uma experiência boa pelo fato de ter sido no turno da noite e o professor Robson ter sido uma pessoa bem legal de ter me deixado bem à vontade de participar de suas aulas, muitas das vezes ajudando os alunos nos exercícios em outras explicando o assunto na frente para que eu já fosse tendo um contato com os alunos e ir familiarizando-me com o ambiente de sala de aula. Um fato chamou-me bastante atenção: os estudantes da noite eram antes jovens. O estagio I não foi diferente do estagio I no sentido dos alunos reclamarem da disciplina de Física, dizendo que é uma disciplina difícil, que eles não entendem nada, que o professor é chato e etc.

No estagio I, a professora Marla Maduro foi uma ótima professora bem paciente com os alunos e por ter uma formação matemática explica os assuntos pelo ponto de vista da matemática. Já a Paulina, substituta da professora Marla, explicava bem os conceitos físicos e suas relações com o cotidiano, não pelo de vista matemático e sim fisicamente e com bastante clareza. O estágio I foi bem proveitoso, pois percebi como cada aluno tem sua peculiaridade e que nunca o professor pode usar repetidamente os mesmos métodos em suas aulas. Por isso que é uma das profissões que eu admiro bastante, como já salientei em outros momentos, ser professor é uma junção de vários profissionais.

Os alunos do Álvaro Adolfo são muito diferentes do Aluízio, pois no Álvaro Adolfo os alunos são adolescentes "cheios de gás", bastantes agitados e boa parte deles pretendem fazer vestibular. Já os do Aluízio são alunos mais velhos, muitos trabalham pela parte do dia e estudam à noite, muitos só querem concluir o ensino médio. Mas as reclamações são as mesmas: que a disciplina de Física é muito difícil, que não conseguem entender por ela ser abstrata e o professor não mostrar na prática com experiências, são muitas fórmulas e com isso eles não sabem a hora de usar, que o professor não explica de uma maneira simples que eles possam entender e etc.

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