ur chapada

ur chapada

Raimundo Mainar de Medeiros1 ; Manoel Francisco Gomes Filho1

; Roseane Cristina Silva

1 Unidade Acadêmica de Ciências Atmosféricas/Universidade Federal de Campina Grande, mainarmedeiros@gmail.com;mano@dca.ufcg.edu.br

Objetivando a delimitação da umidade relativa do ar (UR) para a bacia hidrográfica do rio Uruçuí Preto, composta por 25 municípios e 24 fazendas. Apenas terras ribeirinhas e estreitas áreas próximas às aglomerações urbanas eram usadas por pequenos produtores para desenvolver atividades de subsistência. Com o desenvolvimento e a expansão agropecuária e a extração mineral, grande áreas estão sendo desmatada, não levando em consideração a contribuição de elementos meteorológicos entre eles em especial a UR, que podem miminizar à ocorrência de prejuízos de efeitos anômalos que por ventura aconteça. Deste modo, utilizou-se de dados de umidade relativa do ar observados e interpolados das estações que operam na área em estudo, foram obtidos para os 49 locais da bacia as médias mensais, anuais, máximos e mínimos valores. Observando a variabilidade da umidade relativa do ar para na área da bacia ao longo do ano, foi possível delimitar o trimestre mais úmido e seus valores mensais e anuais, assim como os valores máximos e mínimos absolutos observados. Os resultados mostram que o período úmido transformam as áreas com possibilidades de focos de queimadas e incêndios em áreas verdes e benéficas a produção de pastagens e grão. Tais delimitações dos trimestres mais úmidos e as informações das épocas de menores umidades relativas do ar serviram de alerta as autoridades federais, estaduais e municipais além dos tomadores de decisões, para um melhor planejamento. PALAVRA-CHAVES: Trimestre mais úmida, média mensal e anual, variabilidade climática.

Aiming at defining the relative humidity (UR) for river basin Uruçuí Preto, composed of 25 municipalities and 24 farms. Only riparian and narrow areas near urban agglomerations lands were used by small farmers to develop livelihood activities. With the development and expansion of agriculture and mining, large areas are being deforested, not taking into account the contribution of meteorological elements among them especially the UR, which can miminizar the occurrence of losses of anomalous effects that may eventually happen. Thus, we used data of relative humidity of air and observed interpolated from stations that operate in the study area were obtained for 49 sites in the basin monthly, annual, maximum and minimum averages. Noting the variability of relative humidity for the area of the basin throughout the year, it was possible to delimit the wettest quarter and your monthly and annual values, as well as the absolute maximum and minimum values observed. The results show that the wet period transform the areas with potential for outbreaks of fires and fires in green areas and beneficial production of pasture and grain. Such delimitations of the wettest quarters and information from times lower relative humidities of the air warning served federal, state and local authorities in addition to the decision makers for better planning .

KEYWORD: wettest quarter, monthly and annual average climate variability

1. INTRODUÇÃO

O ciclo hidrológico é uma sequência fechada de fenômenos naturais que pode ser dividida em duas partes: o ramo aéreo, normalmente estudado no âmbito da Meteorologia e o ramo terrestre, objeto da Hidrologia. A superfície limítrofe dos fenômenos pertinentes a cada um desses ramos é a interface globo-atmosfera. Considera-se que o ramo aéreo do ciclo hidrológico se inicia quando a água é cedida à atmosfera, no estado de vapor, encerrando-se no momento em que é devolvida à superfície terrestre, no estado líquido ou sólido. O vapor da água que surge na interface globo-atmosfera mistura-se ao ar por difusão turbulenta, sendo rapidamente transportado pelas correntes aéreas. Posteriormente, encontrando condições favoráveis, volta ao estado sólido ou líquido no interior da própria atmosfera, ou em algum outro ponto da superfície, em geral, muito distante do local em que se originou. Por tudo isso, a concentração de vapor da água no ar é bastante variável, tanto no espaço como no tempo. Essa variação é, em geral, tanto maior quanto mais próxima da superfície-fonte for à camada que se considere. Sob o ponto de vista puramente meteorológico, a variação da concentração de vapor da água no ar não tem implicações profundas, por influir significativamente na energética da atmosfera (PEIXOTO, 1969). O conhecimento da quantidade de vapor da água existente no ar é essencial em vários outros ramos da atividade humana. Sabe-se, por exemplo, que a umidade ambiente é dos fatores que condicionam o desenvolvimento de muitos microorganismos patógenos que atacam as plantas cultivadas e a própria transpiração vegetal está intimamente relacionada com o teor de umidade do ar adjacente. Também é conhecida a influência da umidade do ar na longevidade, na fecundidade e na taxa de desenvolvimento de muitas espécies de insetos (NETO et al., 1976). Por outro lado, um dos parâmetros utilizados para definir o grau de conforto ambiental para pessoas e animais é, também, a umidade atmosférica reinante no local em debate. Finalmente, para não tornar a lista de exemplos enfadonha, ressalta-se que a manutenção da faixa ótima de umidade do ar constitui objeto de constante controle durante a armazenagem de inúmeros produtos. Reconhece-se que este parâmetro é pouco explorado na bibliografia atual, o que demonstra a necessidade de se conhecer melhor suas variações espaciais e temporais para a bacia hidrográfica do Rio Uruçuí Preto. A bacia hidrográfica do rio Uruçuí Preto, cujo território é formado por 49 municípios, ocupa uma área de 65.693 km2 , correspondendo a 39,7% da Macrorregião de Desenvolvimento Cerrados e a

19,8% da Bacia do Parnaíba. Entre os demais Territórios que formam a bacia, é o que tem a segunda maior extensão territorial e a menor densidade demográfica, figura 1. Apenas terras ribeirinhas e estreitas áreas próximas às aglomerações urbanas eram usadas por pequenos produtores para desenvolver atividades de subsistência. Com o desenvolvimento e a expansão agropecuária e mineral grande áreas terrestres estão sendo utilizadas para as finalidades citadas, e não levam em considerações alguns elementos meteorológicos que podem miminizares as ocorrências de prejuízos de efeitos anômalos que podem vierem acontecer. Caracteriza-se pelo alto teor de umidade atmosférica, como consequência de grandes fluxos de vapor da água para a atmosfera, devido às altas taxas de evapotranspiração.

Figura 1 Delimitação da bacia hidrográfica do rio Uruçuí Preto – Piauí.

O período de molhamento foliar pode ser estimado por sensores ou por meio do número de horas com umidade relativa maior ou igual a 90% (SENTELHAS et al., 2008; HUBER & GILLESPIE, 1992; SUTTON et al., 1984). SENTELHAS et al. (2008) ao estudar modelos empíricos utilizados para estimar período de molhamento foliar em 4 regiões da superfície terrestre com diferentes condições climáticas, observaram que o número de horas de umidade relativa maior ou igual a 90% possibilitou obter acurácia satisfatória da duração do período de molhamento foliar quando comparado a dados de sensores testados e calibrados sob condições de laboratório. O alto teor de umidade atmosférica como consequência de grande fluxo de vapor da água para a atmosfera devido às altas taxas de evapotranspiração, a proximidade dos rios, lagoas e lagos distribuídos na região, além da influencia do relevo e da floresta amazônica os quais constituem fontes de umidade cuja água evaporada é circulada pelos ventos. Entretanto, o trabalho objetiva uma análise da variação média mensal e anual da umidade relativa do ar, visando à delimitação de regime que caracterize o trimestre mais úmido para a bacia hidrográfica do rio Uruçuí Preto, assim como demonstrar a variabilidade da umidade relativa do ar mês a mês e anual para a área em estudo.

2. METODOLOGIA

Utilizaram-se dados de umidade relativa do ar convencional e interpolados das estações que operam no Estado. Foram escolhidas as estações com 10 ou mais anos de observações. Tal critério foi adotado por se considerar a umidade do ar de pouca variabilidade comparada à precipitação. A partir destes critérios interpolaram-se os referidos dados para os municípios circunvizinhos, levando-se em considerações a sua distância dos pontos originais. Após as etapas acima citadas foram feitos testes de consistência para ver-se a confiabilidade dos dados gerados e das informações que seriam passadas ou utilizadas para diversas finalidades, principalmente no setor agropecuário e da saúde. Para os municípios da área territorial da bacia hidrográfica a confiabilidade dos dados é de 92,5%, com isto podemos montar os dados mensais e anuais dos referidos municípios e ter-se a delimitação do seu trimestre mais úmido.

representativo para o período chuvoso que são os meses de dezembro, janeiro e fevereiro

Em relação ao trimestre mais úmido de umidade relativa do ar, tal trimestre é também Tabela 1 - Representação dos valores das umidades relativa do ar média, máxima e mínima para o território da bacia hidrográfica do rio Uruçuí Preto.

Parâmetros/meses J F M A M J J A S O N D ANUAL

Os valores médios da umidade relativa do ar para a bacia hidrográfica do rio Uruçuí preto cujo território é composto de 49 municípios tem sua flutuação mínima nos meses de julho, agosto, setembro e outubro com valores oscilando entre 41 a 49%. Nos meses de novembro a maio a umidade relativa do ar para a área territorial tem uma flutuação entre 58 a 73%. Os meses de dezembro a março que corresponde aos meses mais úmidos da região oscilam com valores de 72,6% a 7,7%. A média anual da umidade relativa do ar para o território da bacia hidrográfica é de 64,2%. Observando a tabela 1, ver-se que os valores da umidade relativa máxima para a área de estudo fluem entre 60 a 84%, estas flutuações intermunicipais ocorrem devidos às atividades de eventos isolados que acontecem em dias isolados e seguidos de chuvas. A variabilidade da umidade relativa do ar mínima para a área estudada flui entre 41,0 a 73,0%, estas flutuações de mínimos valores intermunicipais são provocadas pela inibição ou falha nos transportes de umidade e vapor e consequentemente a ausência de chuvas.

Gráficos representativos da umidade relativa do ar máxima, média e mínima para a bacia hidrográfica do rio Uruçuí Preto.

Figura 1 – Representação da umidade relativa do ar média, máxima e mínima para área da bacia hidrográfica do rio Uruçuí Preto.

Da análise dos dados de umidade relativa do ar representativos da área territorial da bacia hidrográfica do rio Uruçuí Preto na distribuição média mensal e anual, foi possível estabelecer o trimestre mais úmido que ocorre nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Observa-se que a umidade relativa do ar decresce nos meses de junho a primeira quinzena do mês de outubro com flutuações mensais entre 41% a 49%. Estes decrescimentos esta relacionado com o período seco e com os baixos índices de chuvas ocorridos no território. Nos meses de novembro a maio as variações da umidade relativa do ar territorial fluem entre 69 a 7,5%, tendo como trimestre mais úmido os meses de dezembro, janeiro e fevereiro. A umidade relativa do ar média territorial anual é de 64,5%. A delimitação do trimestre mais úmido para a área estudada assemelha-se aos regimes observados por Strang (1972) para a precipitação. Tal delimitação caracteriza a ação predominante dos sistemas principais que atuam na geração da estação chuvosa no sul do Estado do Piauí, onde esta localizada a bacia hidrográfica do rio Uruçuí Preto.

Os resultados mostram que é possível fazer-se uma delimitação de regimes climáticos no Estado do Piauí visando à bacia hidrográfica do rio Uruçuí Preto – Piauí e sua área territorial, com base apenas nos valores médios observados e interpolados da umidade relativa do ar; O estabelecimento dos regimes mais úmido é importante para estudos de previsão do tempo e principalmente para o planejamento agropecuário, contribuindo para informações ao homem do campo na hora do preparo das terras para o plantio, evitando desta forma que ele plante em época não adequada, evitem despediços e prejuízos, e ainda tenha as condições adequadas para lucratividade e rendimentos agrícolas. Além do controle de doenças e pragas das plantas cultivadas; No planejamento urbano visa eventos extremos de enchentes, alagamento, inundações, transbordamentos de lagos e lagoas; Tais delimitações dos trimestres mais úmidos e as informações das épocas de menores umidades relativas do ar serviram de alerta as autoridades federais, estaduais e municipais além dos tomadores de decisões, para um melhor planejamento; As informações dos períodos úmidos e secos devem contribuir para o planejamento da área da saúde e nos cuidados mais específicos para os recém-nascidos, das crianças e adolescentes e com mais rigor para o pessoal da terceira idade; No planejamento escolar dever evitar aulas de educação físicas nos período de baixa umidade assim como não colocar os alunados diretamente a céu aberto; Manter-se em lugares frescos e com ventilações, ingeridos líquidos e sucos naturais à vontade; Os períodos úmidos transformam as áreas com possibilidades de focos de queimadas e incêndios em áreas verdes e benéficas a produção de pastagens e grão.

A CAPES pela concessão das bolsas de doutorado e a engenheira Eyres Diana Ventura Silva pela preparação de programa computacional e organização dos dados de chuvas.

BASTOS, E. J. B. & AZEVEDO, P. V. – Determinação da estação de cultivo e época de plantio para as variedades de arroz, milho e sorgo no Estado da Paraíba. I Congresso Interamericano de Meteorologia e IV Congresso Brasileiro de Meteorologia. Brasília – DF, 1986 (p. 2-27).

HUBER, L.; GILLESPIE, T. J. Modeling leaf wetness in relation to plant disease epidemiology. Annual Review of Phytopathology, v.30, p.553-577, 1992.

KLAUS REICHARDT. Processos de transferências no sistema solo-planta-atmosfera. Ed. Cargil, 1985.

PEIXOTO, J. P. Curso de Meteorologia. Serviço Meteorológico Nacional, Lisboa, 1969.

SENTELHAS, P. C.; MARTA, A. D.; ORLANDINI, S.; SANTOS, E. A.; GILLESPIE, T. J.; GLEASON, M. L. Suitability of relative humidity as na estimator of leaf wetness duration. Agricultural and Forest Meteorology, v.148, p.392-400, 2008.

STRANG, D. M. G. – Análise climatológica das normas pluviométricas do Nordeste do Brasil. São José dos Campos – CTA/IAE, 1972 (p. 70).

VAREJÃO-SILVA, M. A. Meteorologia e Climatologia. Brasília: INMET, Gráfica e Editora STILO, 2000. 532 p.: il.

VAREJÃO-SILVA, M. A. Meteorologia e Climatologia. Recife, 2005

Comentários