Climatologia da precipitação de cabaceiras-pb no período entre 1926-2011

Climatologia da precipitação de cabaceiras-pb no período entre 1926-2011

Revista Educação Agrícola Superior Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS - v.28, n.2, p.132-135, 2013. ISSN - 0101-756X - DOI: http://dx.doi.org/10.12722/0101-756X.v28n02a09

CLIMATOLOGIA DA PRECIPITAÇÃO DE CABACEIRAS-PB NO PERÍODO ENTRE 1926-2011

Carmem Teresina Breckam1, Raimundo Mainar de Medeiros2, Paulo Roberto Megna Francisco3 & Manoel Francisco Gomes Filho4

Dentre os elementos do clima, a precipitação é o que mais influencia na produtividade agrícola especialmente nas regiões tropicais onde o regime de chuvas é caracterizado por eventos de curta duração e alta intensidade. Por este trabalho caracterizou a variabilidade da precipitação na cidade de Cabaceiras-PB, o que poderá contribuir com o planejamento da captação de água de chuva para o homem do campo, no setor agrícola, pecuário e urbano. No diagnóstico dos dados foram utilizados totais mensais e anuais, as médias mensais e anuais do período de 1926 a 2011, e os valores máximos e mínimos absolutos da série histórica fornecidos pela Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba. Para análise dos dados foi utilizado uma planilha no Excel. Observou-se que a precipitação pluviométrica mensal é bastante variável na sua distribuição espacial e temporal ao longo dos anos. O quadrimestre mais chuvoso são os meses de março, abril, maio e junho com totais mensais médios oscilando entre 3,4 a 60,2 m/mês. Os meses de setembro a dezembro considerados os mais secos seus índices pluviométricos flutuam entre 3,4 a 9,3 m, apresentando uma média anual de 336,6 m com 86 anos de observações. Durante os 86 anos estudados os totais anuais extremos de precipitação pluviométrica foram registrados nos anos de 1964 no qual choveu 775,5 m e o ano de 1952 quando o total anual registrado foi de 23,8 m, estes extremos dão decorrentes dos fenômenos de larga escala atuante durante o período estudado.

PALAVRAS-CHAVE: eventos extremos, variabilidade máxima e mínima, precipitação

IN THE PERIOD 1926-2011

Among the elements of weather, rainfall is most affects agricultural productivity especially in tropical regions where rainfall is characterized by events of short duration and high intensity. For this study characterized the variability of rainfall in the city of Cabaceiras-PB, which may contribute to the planning of capture rainwater for the farmer, the agricultural sector, livestock and urban. The diagnosis data were used monthly and annual totals, the monthly and annual averages for the period 1926-2011, and the absolute maximum and minimum values of the time series provided by the Agência de Águas do Estado Paraíba. For data analysis we used a worksheet in Excel. It was observed that the monthly rainfall is highly variable in their spatial and temporal distribution over the years. The four months are the wettest months of March, April, May and June with average monthly totals ranging from 3.4 to 60.2 m/month. The months from September to December considered the driest their rainfall fluctuate between 3.4 to 9.3 m, with an average of 336.6 m with 86 years of observations. During the 86 years studied the total annual extreme rainfall were recorded in the year 1964 in which it rained 775.5 m and 1952 when the annual total recorded was 23.8 m, give these extremes resulting from large-scale phenomena active during the period studied.

KEY WORDS: extreme events, variability maximum and minimum, precipitation Meteorologista da AESA, Doutoranda em Meteorologia, UFCG, Campina Grande, PB, carmembk@gmail.com Doutorando em Meteorologia, UFCG, Campina Grande, PB, mainarmedeiros@gmail.com Dr. em Engenharia Agrícola, UFCG, Campina Grande - PB, Av. Aprígio Veloso, 882, CEP 58109-970, paulomegna@ig.com.br Prof. Dr. Unidade Acadêmica de Ciências Atmosférica, UFCG, Campina Grande - PB, Av. Aprígio Veloso, 882, CEP 58109-970, mano@dca.ufcg.edu.br

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Revista Educação Agrícola Superior - v.28, n.2, p.132-135, 2013. Mês efetivo de circulação deste número: Outubro/2014.

A pluviometria representa o atributo fundamental na análise dos climas tropicais, refletindo a atuação das principais correntes da circulação atmosférica. No município de Cabaceiras especificamente, as chuvas são fundamentais para o bom desenvolvimento do regime dos rios perenes, córregos, riachos, níveis dos lagos e lagoas, bem como para a ocupação do solo, sendo imprescindível ao planejamento de qualquer atividade o conhecimento da sua dinâmica e uma aplicabilidade deste elemento ao setor agrícola e pecuário (Medeiros, 2008).

A variabilidade climática de uma região exerce importante influência nas diversas atividades socioeconômicas, especialmente na produção agrícola. Sendo o clima constituído de um conjunto de elementos integrados, determinante para a vida, este adquire relevância, visto que sua configuração pode facilitar ou dificultar a fixação do homem e o desenvolvimento de suas atividades nas diversas regiões do planeta. Dentre os elementos climáticos, a precipitação tem papel preponderante no desenvolvimento das atividades humanas, produzindo resultados na economia (Sleiman, 2008).

Dentre os elementos do clima, a precipitação é o que mais influencia na produtividade agrícola (Ortolani & Camargo, 1987), especialmente nas regiões tropicais onde o regime de chuvas é caracterizado por eventos de curta duração e alta intensidade (Santana et al., 2007). Por ser um elemento essencial na classificação climática de regiões tropicais, a precipitação e sua variabilidade associada a outros elementos do clima, provoca uma flutuação no comportamento geral dos climas locais. O monitoramento do regime pluviométrico da região nos últimos anos tem mostrado que a escassez de recursos hídricos acentua os problemas socioeconômicos, em particular ao final de cada ano, com os totais pluviométricos em torno ou abaixo da média da região (Marengo & Silva Dias, 2006). Dessa forma, o objetivo deste trabalho é realizar uma análise climatológica da precipitação da cidade de Cabaceiras- PB, utilizando-se a série histórica de 1926 a 2011, que possivelmente contribuirá nas decisões de setores da economia e agricultura do município.

O município de Cabaceiras localizado no estado da Paraíba apresenta uma área de 400,2 km². Seu posicionamento encontra-se entre os paralelos 7018’ 36’’ e 7035’50’’ de latitude sul e entre os meridianos de 36012’24’’ e 36025’36’’ de longitude oeste. Está inserido na mesorregião da Borborema e microrregião do Cariri Oriental, limitando-se com os municípios de São João do Cariri, São Domingos do Cariri, Barra de São Miguel, Boqueirão e Boa Vista (AESA, 2011) como se observa na Figura 1.

De acordo com a classificação de Köppen o clima da área de estudo é considerado do tipo Bsh - Semiárido quente, precipitação predominantemente, abaixo de 600mm ano-1, e temperatura mais baixa, devido ao efeito da altitude (400 a 700 m). As chuvas da região sofrem influência das massas Atlânticas de sudeste e do norte (Francisco, 2010).

FONTE: ADAPTADO DE IBGE (2009). Figura 1. Mapa de localização da área de estudo.

Localização

Carmem T. Breckam et al.134

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Os fatores provocadores de chuva no município são formações de linhas de instabilidade na costa e transportada para o interior pelos ventos alísios de sudeste/nordeste, desenvolvimento de aglomerados convectivos, proveniente do calor armazenado na superfície e transferido para atmosfera, orografia, contribuições de formação de vórtices ciclônicos, e tendo como principal sistema o posicionamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Além de possuir uma distribuição pluviométrica anual irregular (336,6mm).

O Planalto da Borborema, que segundo Souza et al. (2003) se constitui no mais importante acidente geográfico da Região Nordeste, exercendo na Paraíba um papel de particular importância no conjunto do relevo e na diversificação do clima. A unidade geomorfológica denominada Superfície de Planalto, com domínio de relevo suave ondulado e ondulado, representa uma das unidades mais amplas e regulares no conjunto da Borborema.

O Cariri da Paraíba compreende em grande parte, a área da bacia de contribuição do açude de Boqueirão, que apresenta a montante, duas bacias contribuintes, a do Alto Paraíba e a do rio Taperoá. É uma área aberta, sobre o planalto, com relevo suave ondulado, altitude variando em grande parte entre 400 a 600 m, e drenagem voltada para o leste, o que facilita a penetração uniforme das massas atlânticas de sudeste, propiciando temperaturas amenas (<260C), e uma maior amplitude térmica diária. Nas áreas com relevo mais deprimido a precipitação média anual é inferior a 400 m, aumentando com a altitude no sentido dos divisores da drenagem (Francisco, 2010).

Os dados de precipitações mensais e anuais utilizados neste artigo foram obtidos de uma série histórica de 86 anos (1926 a 2011), fornecido pela Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA). A sede do município localiza-se Latitude 07º30’ sul; Longitude 36º17’ a oeste de Greenwich com uma altitude de 390 metros, está inserido na mesorregião da Borborema (AESA, 2011). Foram utilizados os dados de precipitação pluviométrica: totais mensais médios anuais de pluviometria; valores máximos e mínimos no período de 1926 a 2011 (86 anos). Foram desconsiderados como valores mínimos os totais mensais iguais à zero, considerando-se apenas aqueles que se encontravam no intervalo de 5 a 10mm. Para análise dos dados foi utilizado a planilha Excel.

O período chuvoso na região que compreende o município inicia-se no mês de fevereiro com chuvas de pré-estação e prolonga-se até o mês de julho e destaca-se pela frequente irregularidade na distribuição dos índices pluviométricos entre meses e anos.

Na Figura 2, observa-se o comportamento da precipitação em termos de médias mensais históricas e os valores máximos e mínimos absolutos registrados em Cabaceiras, PB no período 1926-2011. A média dos totais mensais de chuva variou entre 21,7 m em novembro a 56,2 m no mês de janeiro. O quadrimestre mais chuvoso concentra-se entre os meses de março, abril, maio e junho com totais mensais médios oscilando entre 3,4 a 60,2 m/mês. Os valores mínimos absolutos de chuvas ocorridos e registrados foram nos anos de 1998, 1993 e 2006 com 586,0 m, 607,5 m e 783,1 m respectivamente. Os valores máximos absolutos de ocorrências de chuvas registrados na área de estudos foi a do ano de 2011, 2004 e 1994 com 1.797,1 m, 1.697,7 m e 1.667,5 m, respectivamente, demonstrando, com isto, a grande variabilidade espacial e temporal com que se comporta.

Na Figura 3, observa-se a variação dos totais anuais das chuvas históricas para o período de 1926-2011, onde se pode constatar que a média anual histórica é de 336,6 m com 86 anos de observações. Durante o período analisado, ocorreu grande variabilidade dos totais anuais de chuva podendo esta variabilidade ser observada como nos anos de 1964 (775,5 m) e 1952 (23,8 m) onde apresentaram os maiores e menores índices pluviométricos (com valores de precipitações completos). O município de Cabaceiras apresenta uma série de quarenta e três anos com precipitações abaixo da média histórica e trinta e nove anos com índices pluviométricos acima da média, além de quatro anos com precipitações em torno da normalidade.

Figura 2. Precipitação pluviométrica histórica mensal e os máximos e mínimos valores ocorridos em Cabaceiras

Figura 3. Precipitação pluviométrica anual e climatológica em Cabaceiras no período de 1926 a 2011

A precipitação pluviométrica mensal é bastante variável na sua distribuição espacial e temporal ao longo dos anos. O quadrimestre mais chuvoso são os meses de março, abril, maio

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Revista Educação Agrícola Superior - v.28, n.2, p.132-135, 2013. Mês efetivo de circulação deste número: Outubro/2014.

e junho com totais mensais médios oscilando entre 3,4 a 60,2 m/mês.

Os meses de setembro a dezembro considerados os mais secos seus índices pluviométricos flutuam entre 3,4 a 9,3 m, apresentando uma média anual de 336,6 m com 86 anos de observações.

Durante os 86 anos estudados os totais anuais extremos de precipitação pluviométrica foram registrados nos anos de 1964 no qual choveu 775,5 m e o ano de 1952 quando o total anual registrado foi de 23,8 m, estes extremos dão decorrentes dos fenômenos de larga escala atuante durante o período estudado.

A análise da variabilidade espacial e temporal das chuvas proporciona informações de como o homem rural e urbano deverá estabelecer medidas para captura de águas de chuvas e seu armazenamento usando o período mais chuvoso.

A CAPES pela bolsa de estudo aos autores. LITERATURA CITADA

AESA. Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba. João Pessoa, 2011. Disponível em <http://geo. aesa.pb.gov.br>. Acesso: 20 de outubro de 2011.

Francisco, P. R. M. Classificação e mapeamento das terras para mecanização do Estado da Paraíba utilizando sistemas de informações geográficas. Dissertação (Mestrado em Manejo de Solo e Água). Centro de Ciências Agrárias. Universidade Federal da Paraíba, Areia, 2010.

Sousa, R. F. de; Motta, J. D; Gonzaga, E. N; Fernandes, M.

F; Santos, M. J. dos. Aptidão agrícola do Assentamento Venâncio Tomé de Araújo para a Cultura do Sorgo (Sorghum bicolor - L. Moench). Revista de Biologia e Ciências da Terra. v.3, n.2, 2003.

Marengo, J.; Dias, P. S. Mudanças climáticas globais e seus impactos nos recursos hídricos. Capítulo 3, Águas Doces do Brasil: Capital Ecológico, Uso e Conservação, 2006, p.63-109, Eds. A. Rebouças, B., Braga e J. Tundisi. Editoras Escrituras, SP.

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Paraíba. Edição Avulsa. p.128. 2008.

Ortolani, A. A.; Camargo, M. B. P. Influência dos fatores climáticos na produção. Ecofisiologia da Produção Agrícola. Piracicaba: Potafos, 249, p.1987.

Santana, M. O.; Sediyama, G. C.; Ribeiro, A.; Silva, D. D. da.

Caracterização da estação chuvosa para o estado de Minas Gerais. Revista Brasileira de Agrometeorologia, v.15, n.1, p.114-120, 2007.

Sleiman, J.; Silva, M. E. S. A Climatologia de Precipitação e a

Ocorrência de Veranicos na Porção Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. SIMPGEO/SP, Rio Claro, 2008.

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