“Nenhuma descoberta cria coisas novas, pois que tudo já existe, mas apenas estabelece novas relações entre as coisas dando novos significados”. Pietro Ubaldi – Filosofo e Escritor

Muitas vezes ao explanarmos algum assunto em aula, onde normalmente comentamos que um dado conhecimento foi descoberto por este ou por aquele homem de ciência, surge freqüentemente o seguinte questionamento:

“Se tal conhecimento foi descoberto, isto significa que ele já era existente e apenas quem o descobriu, por alguma razão, teve acesso à oportunidade de retirar os véus que o cobria, revelando-o”.

Como exemplo desta linha de raciocínio, podemos citar as conhecidas leis universais do movimento, que ficaram ao longo da história, conhecidas como Leis de Newton (Princípio da Inércia, Princípio Fundamental da Dinâmica e o Princípio da Ação e Reação).Newton não criou estas leis universais do movimento, uma vez que elas já eram existentes. Muito antes de Newton, os objetos do Universo já obedeciam estas leis. Coube a Newton, por alguma razão, acessar o mecanismo de funcionamento destas leis já existentes, dando-lhes a formulação matemática necessária para seu entendimento. Se formos analisar a história da humanidade, podemos observar que ao longo do tempo, grandes mentes, como Pitágoras, Platão, Sócrates, Buda, Cristo, Galileu, Einstein entre outros, deixaram seus conhecimentos, para que a humanidade pudesse acessá-los para sua evolução.

Mas de que forma estas grandes mentes obtiveram estes conhecimentos? Segundo a própria história, estes conhecimentos foram adquiridos pela “revelação“. Os conhecimentos foram “revelados” a estas grandes mentes! Cabe agora perguntar: Quem revelou? Quem possuía o conhecimento para poder revelar?

Em 26 de julho de 1875, nascia em Keswill, Basileia, Suíça, Carl Gustav Jung.

Jung, discípulo de Sigmund Freud, foi um dos precursores da psiquiatria moderna. Jung, estudando sonhos e desenhos apresentados por seus pacientes, observou que muitos destes sonhos apresentavam similaridade com grandes temas culturais ou mitológicos, sem que seus pacientes tivessem conhecimento de mitologia. Muitos desenhos se assemelhavam a símbolos adotados por várias culturas, seitas e religiões espalhadas pelo mundo.

“Ao lado dos conteúdos inconscientes pessoais, há outro conteúdo que não provém das aquisições pessoais, mas da possibilidade hereditária do funcionalismo psíquico em geral, ou seja, da estrutura cerebral herdada. São as conexões mitológicas, os motivos e imagens que podem nascer de novo, a qualquer tempo e lugar, sem tradição ou migração histórica. Denominamos esse conteúdo de inconsciente coletivo”. Carl Gustav Jung

Para Gustav Jung, deveria existir uma faixa ou uma zona psíquica além do consciente e do inconsciente de cada pessoa, onde as figuras, os símbolos e todos os conteúdos arquetípicos, estariam depositados. A esta faixa, Jung denominou “inconsciente coletivo“. O inconsciente coletivo seria, desta forma, uma faixa de conhecimentos codificados que todos podem acessar. Mas o que seriam estes conteúdos arquetípicos ou simplesmente arquétipos (arquétipo: forma tipicamente antiga)?

Os arquétipos seriam o resultado dos depósitos das impressões sobrepostas deixadas por certas vivências fundamentais, comuns a todos os seres humanas, repetidas incontavelmente através dos milênios. Os arquétipos seriam conhecimentos armazenados em nódulos de concentração de energia psíquica, que o ser humano pode acessar em certas condições. Poderíamos imaginar os arquétipos como uma grande biblioteca onde estariam muitos livros a disposição e se acessarmos um destes livros, este permaneceria aberto, de modo que outros pudessem também consultar, se tiverem grau de evolução compatível com aquele conhecimento. Tal acesso dependerá, desta forma, do grau de aprimoramento de cada um.

Este inconsciente coletivo é, portanto, constituído de conhecimentos os quais, quando revelados, passam a ficar acessíveis a todos. Não se cria algo novo, mas se acessa algo novo! Lembrar que muitas vezes, fatos e interesses específicos surgem em locais e para populações que não apresentam nenhum contato físico ou comunicação. Em seu livro “Quem se atreve a ter certeza - a realidade quântica e a Filosofia” o Prof. José Pedro Andreeta, físico teórico, diz: “O que possuímos até agora são conceitos que não passam de verdades relativas, aceitas por algum tempo e, posteriormente, sem nenhuma cerimônia, são substituídas e descartadas“.

Assim, a ciência se desenvolve ao longo do tempo. Tudo é especulação temporária, nada é imutável. Houve um tempo em que a Terra era considerada o centro do Universo! Ainda segundo Andreeta: “Cada imagem do universo exterior é constituída em nossa mente como resposta aos estímulos de nossas percepções, de acordo com os conhecimentos do inconsciente coletivo que já nos são acessíveis“.

Os novos conhecimentos sempre geram novas crenças e novos desafios; novos conflitos que provocam os desequilíbrios necessários para criar movimentos que por sua vez, são a essência da Vida. Albert Einstein dizia: “Penso 9 vezes e nada descubro. Deixo de pensar, mergulho no silencio e eis que a verdade se revela!”

contemplaçãoÉ na realidade um grande exercício do Princípio da Paciência! Seria esse o

Parece que o acesso ao conhecimento necessita do silencio, da meditação, da segredo?

Prof. Eng.o Armando Lapa Júnior

Faculdade de Tecnologia de São Paulo

Departamento de Ensino Geral

Disciplina de Eletricidade Aplicada Outubro 2005

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