Psicopedagogia institucional e o TDAH

Psicopedagogia institucional e o TDAH

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PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL E O TDAH: Constatação, encaminhamento e a atuação do psicopedagogo.

Dualidade: “Tem vezes que sei o que quero Em outras percebo que não. Por um beijo às vezes espero Em outras é pelo aperto de mão. Às vezes quero ser esquecido Em outras preciso ser lembrado. Passar às vezes despercebido Em outras passar sendo notado. Quero sentir, por vezes, o ar da noite Em outras preciso ver o sol brilhar Tem vezes que só quero o pernoite Em outras tantas preciso morar." (Inez Alvarez)

Resumo: Esse artigo apresenta-se com o objetivo de investigar a atuação do Psicopedagogo Institucional na identificação de alunos com aparente Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) no processo de ensino aprendizagem. Para a realização desse trabalho fez-se necessário uma pesquisa e analise sobre a questão levantada, tanto no campo prático, quanto no bibliográfico. Na primeira parte apresentasse algumas considerações sobre o atuar do Psicopedagogo na Instituição de Ensino e como o seu atuar tem influência sobre o desenvolvimento cognitivo das crianças em vários aspectos, focando nos educandos que apresentam em tese déficit de atenção e hiperatividade. Na segunda parte, conceituaremos o que é TDAH, suas características e a necessidade de um diagnóstico médico. E por fim, procura-se considerar, a abordagem multidisciplinar, o apoio dos pais e da escola para que alcance seus objetivos pretendidos e para que saíbam como avaliar os educandos ao processo ensino aprendizagem.

Palavras-chave: Psicopedagogo Institucional, multidisciplinariedade, aprendizagem, conhecimento

1 Formado em Pedagogia, Direito e Sociologia, Pós-Graduado em Gestão Pública pela UTFPR e Pós-

Graduado em Direito Penal e Processo Penal pela FMU, Pós-Graduando em Psicopedagogia e Educação Inclusiva. Professor no Centro Paula Souza nas áreas de concentração Direito Penal e Prática Processual Penal. Professor Efetivo na Secretaria da Educação do Estado de São Paulo-SP na área de concentração Sociologia, entre outros.

Abstract: This article is presented with the aim to investigate the role of Institutional psychopedagogists in identifying students with apparent Disorder Attention Deficit Hyperactivity Disorder ( ADHD ) in the teaching learning process . For the realization of this work was necessary research and analysis on the issue raised , both in the practical field , as in literature . In the first part presented some considerations about the work of the educational psychologist in the Educational Institution and how their work impacts the cognitive development of children in various aspects , focusing on students who present thesis in attention deficit hyperactivity disorder . In the second part , conceptualize what is ADHD , their characteristics and the need for a medical diagnosis . And finally, we seek to consider a multidisciplinary approach , the support of parents and the school to achieve its intended goals and so they know how to assess the students learning process .

Key words: Institutional psychopedagogists, multidisciplinary, learning, knowledge

1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

A opção por estudar a Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade

(TDAH), deve-se à relevância do tema e por acreditar que aprender não é somente decorar conceitos e depois esquecer ou aprender a ler mecanicamente, sem compreender o que esta sendo estudado.

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Ele é chamado às vezes de DDA

(Distúrbio do Déficit de Atenção). Em inglês, também é chamado de ADD, ADHD ou de AD/HD.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o Transtorno do Defícit de

Atenção e Hiperatividade. Havendo um consenso internacional seguido pelos mais renomados médicos e psicólogos de todo o mundo a este respeito. Há inúmeras publicações científicas sobre o tema, o que fomentou extensos debates entre pesquisadores de todo o mundo, incluindo aqueles que não pertencem a um mesmo grupo ou instituição e não compartilham necessariamente as mesmas ideias sobre todos os aspectos de um transtorno.

O TDAH é um transtorno mental crônico, multifatorial, neurobiológico, de alta frequência e grande impacto sobre o portador, sua família e a sociedade e caracterizado por dificuldade de atenção, hiperatividade e impulsividade que se combinam em graus variáveis e têm início na primeira infância, podendo persistir até a vida adulta.

Em alguns países, como nos Estados Unidos, portadores de TDAH são protegidos pela lei quanto a receberem tratamento diferenciado na escola ,discutiremos sobre a questão e como ele é abordada no dia a dia do Psicopedagogo Institucional.

2 A ATUAÇÃO DO PSICOPEDAGOGO INSTITUCIONAL, SUAS COMPETENCIAS E HABILIDADES.

O Psicopedagogo é o profissional indicado para assessorar e esclarecer a escola a respeito de diversos aspectos do processo de ensino-aprendizagem e tem uma atuação preventiva. Nessa visão psicopedagógica, o aluno é visto de forma global, o seu cognitivo, o motor (movimento, psicomotrocidade) e o lado afetivo são trabalhados e analisados. Na instituição escolar, o trabalho psicopedagógico possui duas naturezas:

alunos que apresentam dificuldades na escolaO seu objetivo é reintegrar e readaptar o

A primeira diz respeito a uma psicopedagogia curativa voltada para grupos de aluno á situação de sala de aula, possibilitando o respeito as suas necessidades e ritmos.

O segundo tipo de trabalho refere-se á assessoria junto de a pedagogos, orientadores e professores. Tem como objetivo trabalhar as questões pertinentes as relações vinculares professor --aluno é redefinir os procedimentos pedagógicos integrando o afetivo e cognitivo, através da aprendizagem dos conceitos, nas diferentes áreas do

Sabe-se por meio dos estudos de Fernandes (1990) que os desejos tanto do ensinante quanto do aprendente influenciam na aprendizagem, dessa forma poder trabalhar com os alunos e os professores, poder perceber que os laços que os unem ou os afastam, seus métodos, metodologias e o não aprender do aluno e o não conseguir ensinar por parte do professor são objetos de trabalho do psicopedagogo tanto no trabalho curativo como na assessoria. O psicopedagogo intervindo na escola, de acordo com Monereo (2000), pode conseguir com que a escola consiga potencializar ao máximo a capacidade de ensinar dos professores e a de aprender dos alunos, possibilitando que o envolvimento de todos seja favorável para a aprendizagem.

De acordo com Fagali, 2008, P. 1 pode-se destacar diferentes formas de intervenção da psicopedagogia:

1-Releitura e reelaboração do desenvolvimento das programações curriculares, centrando a atenção na articulação dos aspectos afetivos cognitivos, conforme o desenvolvimento integrado da criança e adolescente; · 2- A análise mais detalhada dos conceitos, desenvolvendo atividades que ampliem as diferentes formas de trabalhar o conteúdo programático. Nesse processo busca-se uma integração dos interesses, raciocínio e informações de forma, que o aluno atue operativamente nos diferentes níveis de escolaridade. 3- Complementa-se a esta prática, o treinamento e desenvolvimento de projetos junto dos profissionais. 4- Criações de materiais, textos e livros para o uso do próprio aluno, desenvolvendo o seu raciocínio, construindo o conhecimento, integrando afeto e cognição no diálogo com as informações.

O psicopedagogo também favorece e auxilia aqueles indivíduos que se sentem impedidos para o saber, auxilia indivíduos com transtornos de aprendizagem, reintegra o sujeito da aprendizagem a uma vida escolar e social tranquila, bem como a uma relação mais afetiva consigo e com o outro, leva o indivíduo ao reconhecimento de suas potencialidades; auxilia o indivíduo no reconhecimento dos limites e como interagir diante deles e a resignificar conceitos que influenciam o indivíduo no movimento do aprender.

Para que haja uma reflexão a respeito do processo da qualidade da educação e a contribuição de outros profissionais nesse processo. Sabemos que a situação de aprendizagem, no atual momento é preocupante.

Como sabemos também que, depois da família, é o educador a figura mais próxima do aluno, é com ele que o aluno conta (ou deveria contar) nas suas angústias e dúvidas quando a família não tem condições de auxiliá-lo. Portanto, é bastante oportuno um trabalho que reflita sobre o papel e a importância de um psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem, que esteja atento a uma nova prática onde ensinar e aprender sejam atos que caminhem para a mesma direção.

É importante ressaltar a psicopedagogia como complemento, que é a ciência nova que estuda o processo de aprendizagem e dificuldades, muito tem contribuído para explicar a causa das dificuldades de aprendizagem, pois tem como objetivo central de estudo o processo humano do conhecimento: seus padrões evolutivos normais e patologias bem como a influência (família, escola, sociedade) no seu desenvolvimento

Na escola, o psicopedagogo poderá contribuir no esclarecimento de dificuldades de aprendizagem que não têm como causa apenas deficiências do aluno, mas que são consequências de problemas escolares. Seu papel é analisar e assinalar os fatores que favorecem, intervêm ou prejudicam uma boa aprendizagem em uma instituição.

Propõe e auxilia no desenvolvimento de projetos favoráveis às mudanças educacionais, visando evitar processos que conduzam às dificuldades da construção do conhecimento.

Solé (SOLÉ, 2000, p. 29) afirma que essa intervenção tem um maior alcance quando realizada no ambiente em que o aluno desenvolve suas atividades e por meio das pessoas que, cotidianamente, se relacionam com ele, uma vez que os processos de aprendizagem se relacionam diretamente com a socialização e integração dos alunos no contexto sócio - educacional em que estes estão inseridos.

Nessa perspectiva, “o psicopedagogo não é um mero “resolvedor” de problemas, mas um profissional que dentro de seus limites e de sua especificidade, pode ajudar a escola a remover obstáculos que se interpõem entre os sujeitos e o conhecimento e a formar cidadãos por meio da construção de práticas educativas que favoreçam processos de humanização e reapropriação da capacidade de pensamento crítico” (TANAMACHI,

Além do já mencionado, o psicopedagogo está preparado para auxiliar os educadores realizando atendimentos pedagógicos individualizados, contribuindo para a compreensão de problemas na sala de aula, permitindo ao professor ver alternativas de ação e ver como as demais técnicas podem intervir, bem como participando do diagnóstico dos distúrbios de aprendizagem e do atendimento a um pequeno grupo de alunos.

O conhecimento e o aprendizado não são adquiridos somente na escola, mas também são construídos pela criança em contato com o social, dentro da família e no mundo que a cerca. A família é o primeiro vínculo da criança e é responsável por grande parte da sua educação e da sua aprendizagem. O que a família pensa, seus anseios, seus objetivos e expectativas com relação ao desenvolvimento de seu filho também são de grande importância para o psicopedagogo chegar a um diagnóstico.

O psicopedagogo intervir junto à família das crianças que apresentam dificuldades na aprendizagem, por meio, por exemplo, de uma entrevista e de uma anamnese com essa família para tomar conhecimento de informações sobre a sua vida orgânica, cognitiva, emocional e social do educando e de seus familiares.

Avaliação Psicopedagógica, para Colomer et. al (2008, p.16), compreende um:

“...Processo compartilhado de coleta e análise de informações relevantes da situação de Ensino-Aprendizagem, considerando-se as características próprias do contexto escolar e familiar, a fim de tomar decisões que visam promover mudanças que tornem possível melhorar a situação colocada.

O que se traz aqui é que a Avaliação Psicopedagógica é, mesmo, muito importante a determinados indivíduos, haja vista o fato de que, para muitos, o aprendizado acontece, ou pode acontecer, permeado por dificuldade(s), quando, através desse prisma, existe a necessidade de confirmação disso, lembrando que Dificuldade de Aprendizagem - por vezes referida como Desordem de Aprendizagem ou Transtorno de

Aprendizagem - é uma modalidade de desordem pela qual uma pessoa apresenta dificuldades em aprender efetivamente”.

Passando a análise mais aprofundada de diversos transtornos e dificuldades, nos atendo ao objeto de pesquisa desse artigo, vamos comentar sobre os indícios que levam a uma abordagem médica e multidisciplinar para constatar o TDAH.

3 OS INDICIOS QUE LEVAM A UMA INTERVENÇÃO E A INDICAÇÃO DE

Ao longo do tempo, o psicopedagogo vem buscando aperfeiçoar suas técnicas e métodos de ensino, a fim de transformar o ensino em uma prática inovadora e prazerosa, algo que não seja somente baseado na transmissão de conhecimentos, mas sim em um espaço rico de significados e troca de experiências, a partir da socialização e da construção do conhecimento.

Segundo Dembo (apud FERMINO et al, 1994, p.57), "Evidências sugerem que um grande número de alunos possui características que requerem atenção educacional diferenciada". Neste sentido, um trabalho psicopedagógico pode contribuir muito, auxiliando educadores a aprofundarem seus conhecimentos sobre as teorias do ensinoaprendizagem e as recentes contribuições de diversas áreas do conhecimento, redefinindo-as e sintetizando-as numa ação educativa.

Segundo Alícia Fernandes (1990 p. 117), “...a intervenção psicopedagógica não si dirige ao sintoma, mas o poder para mobilizar a modalidade de aprendizagem, o sintoma cristaliza a modalidade de aprendizagem em um determinado momento, e é a partir daí que vai transformando o processo ensino aprendizagem”.

Portanto a psicopedagogia não lida diretamente com o problema, lida com as pessoas envolvidas. Lida com as crianças, com os familiares e com os professores, levando em conta aspectos sociais, culturais, econômicos e psicológicos.

Piaget fez o seguinte experimento: na presença das crianças, pôs um mesmo volume de água em dois frascos com formatos distintos, um fino e outro largo. Quando perguntou qual frasco continha mais água, as crianças com menos de sete anos responderam: O mais fino tem mais água porque é mais longo.

Segundo PIAGET, as crianças dessas idades não têm ainda que desenvolvida a operação de pensamento chamado reversibilidade. A título de curiosidade, resolveu fazer esse experimento com um grupo de adultos, colocando a mesma quantidade de água em outros frascos com formatos diferentes.

Sabendo que os adultos, tem à possibilidade de reversibilidade desenvolvida, e convidado a dizer qual frasco continha mais água, suas respostas divergiram, similarmente ao que sucede com as crianças. Pode-se concluir, que desse simples experimento, que os seres humanos têm dificuldades para discriminar uma constante no meio de muitas variáveis.

Deixando claro que o TDAH é um transtorno mental crônico, multifatorial, neurobiológico, de alta frequência e grande impacto sobre o portador, sua família e a sociedade e caracterizado por dificuldade de atenção, hiperatividade e impulsividade que se combinam em graus variáveis e têm início na primeira infância, podendo persistir até a vida adulta.

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