ambiente educacional como facilitador da aprendiagem

ambiente educacional como facilitador da aprendiagem

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Introdução

Trabalhar com educação sempre se apresentou como um desafio a ser vencido, experiencias adquiridas ao longo destes dois anos de formação em Ensino Básico, vejo-me obrigado a fazer alguma coisa para melhorar as condições dos estudantes. As escolas do Ensino Básico desempenham um papel crucial no nosso país, visto que é neste nível que maior parte das crianças é socializada e adquirem as competências básicas de leitura escrita e calculo.

O presente trabalho é subordinado ao tema: “ambiente educacional como facilitador da aprendizagem nas escolas do Ensino Básico.” A escolha deste tema foi basicamente influenciado pelos relatos que temos ouvido de que em algumas regiões os estudantes vê-se obrigados a estudar por baixo de árvores e outros em salas condignas. Estas duas situações completamente heterogéneas levaram-nos a avaliar as condições e situações que possibilitam ao aluno maior sucesso na aprendizagem, e levanta-se a seguinte questão:

  • Que ambientes educacionais podem ser considerados ideais para o sucesso académico dos alunos?

Para responder a esta questão vemo-nos obrigados a fazer uma pesquisa com principal objectivo de contribuir com propostas para optimização de ambientes educacionais e de recursos materiais necessários, propiciando maior interacção professor/aluno, aluno/professor e aluno/aluno. Como forma de atingir a nossa meta, traçamos alguns objectivos específicos que irão guiar a nossa atenção especial:

  • Identificar os diferentes ambientes educativos que os estudantes enfrentam;

  • Verificar se os ambientes são favoráveis para os intervenientes; e

  • Propor medidas para o melhoramento do ambientes educacionais.

Para conduzir o nosso trabalho traçamos hipótese que pode ir de acordo com a realidade assim como pode não reflectir com a verdade das instituições em estudo:

As condições físicas dos edifícios escolares e a respectiva mobília aparecem como condições importantes na criação de ambientes favoráveis que permitem o intercâmbio na troca de conhecimentos, que não precisa ser necessariamente entre professor e aluno, mas também entre aluno e aluno.

Metodologia

Para realização do trabalho recorremos especialmente a consultas bibliográficas não deixado de trás a possibilidade de entrevistar individualidades que já trabalharam em diferentes escolas com condições distintas.

De salientar que para maior aprofundamento do tema é preciso um trabalho de campo bastante apurado para recolha de dados. Esta poderá ser a fase subsequente pois actualmente numa primeira fase pautamo-nos por consultas de diferente obras literárias que abordam esta questão de ensino-aprendizagem numa visão do sucesso académico.

O trabalho apresenta todas as componentes de um trabalho científico: sendo composta pela presente nota introdutora, a contextualização apoiada a revisão bibliográfica e por fim apresenta-se a conclusão e a respectiva lista de obras consultados ao longo da realização do mesmo.

  1. Ambientes de Aprendizagem

Um ambiente de aprendizagem escolar é um ambiente em que um indivíduo está sujeito a oportunidades de aprendizagem. Muitas vezes o termo ambiente de aprendizagem é confundido com o espaço físico onde ocorrem práticas educativas. Propõe-se uma visão mais geral, abarcando o conjunto formado entre os sujeitos, objectos e recursos que interagem no processo de aprender.

Um exemplo de ambiente de aprendizagem é o ambiente escolar, que é um ambiente planificado, ou organizado, para que ocorram práticas educativas. Nesse ambiente, o professor tem um papel fundamental, que pode ser tanto na preparação, organização e sistematização da aprendizagem, como no direccionamento ou orientação do processo de aprendizagem.

O ambiente de aprendizagem escolar é um lugar previamente organizado para promover

oportunidades de aprendizagem e que se constitui de forma única na medida em que é socialmente construído por alunos e professores a partir das interacções que estabelecem entre si e com as demais fontes materiais e simbólicas do ambiente (MOREIRA, 2007).

Os ambientes de aprendizagem podem ser classificados a partir de vários critérios, pois há vários factores que interferem num processo de aprendizagem, entre eles a sistematização e a autonomia do aprendiz. A sistematização é o que estrutura e valida o processo de aprendizagem, como avaliações, certificados e contratos entre os sujeitos que participam do processo. Já o nível de autonomia do aprendiz expressa o grau de controle que a organização do ambiente e os demais atores envolvidos imprimem nas interacções do aprendiz com os diferentes objectos de aprendizagem.

Um ambiente de aprendizagem escolar implica em uma estruturação prévia, uma intencionalidade que, por sua vez, se expressa na prática educativa. Em um ambiente escolar de aprendizagem, o professor tem um papel fundamental, pois ele é o responsável pelo planeamento e preparação do ambiente e pela avaliação e certificação do processo.

  1. Factores que interferem na aprendizagem

O ambiente é construído essencialmente pelo educador, educandos, demais participantes da apresentação pública e pelos recursos utilizados na aula. Nesse espaço, não há uma centralidade, no educador ou no educando. O que temos é uma relação interactiva e não hierárquica em que ocorre a troca das percepções individuais. Portanto, para que a aprendizagem aconteça é necessário que vários factores estejam favoráveis, ou seja, o ambiente físico deve ser agradável, os recursos materiais e humanos devem ser atractivos e o próprio aluno deve ter a vontade de aprender.

Sabemos que o Estado tem investido bastante para que a melhoria na educação seja uma realidade palpável, embora não tenha sido, ainda, o ideal. Percebemos, também, que o professor tem mudado sua postura, mesmo timidamente. No entanto, as funções da escola deixaram de ser meramente aquelas que direccionam o seu trabalho para o acto de aprender conhecimentos.

Um dos factores primordiais, é verdadeiramente o professor, visto que o mesmo é o mediador entre aluno e conhecimento. Mas não sejamos ingénuos em acreditar que ele sozinho poderá mudar tudo. É preciso uma acção conjunta. Porém, ele é o desencadeado desse processo. Como diz Noguerol (1999)

Nós, professores, teríamos que ser mais conscientes dessa realidade e extrair as consequências pertinentes em nossas programações e nos horários das actividades docentes. Frequentemente, preocupa-nos o cumprimento do programa”. p.32

  1. O professor como criador de bom ambientes educativo

Procuramos em seguida reflectir sobre alguns aspectos mais próximos da realidade agida pelo professor definindo um quadro de desenvolvimento de relações pedagógicas com um potencial de sucesso. A acção do professor é a parte que faz a diferença na aprendizagem do educando.

No processo ensino-aprendizagem, o papel e a postura do professor devem variar em função das características e necessidades de sua clientela. O bom professor ajuda seus alunos a aprender. Para que essa relação seja próxima e proveitosa o professor deve determinar e executar acções que caminhem para o sucesso do educando e consequentemente da aprendizagem, como por exemplo:

  • Estabelecer, no começo do ano, as regras de conduta colectiva;

  • Empregar tarefas diversificadas;

  • Incentivar o pensamento independente e encorajar a autonomia do aluno;

  • Avaliar sistematicamente a aprendizagem, fazendo dos erros oportunidades de aprendizagem.

O professor é um mediador entre o ser aprendente e o conhecimento. Se for dessa forma, então a postura desse profissional compromete bastante o resultado dessa aprendizagem.

O que observamos no sistema educacional actual são muitas teorias, metodologias, mas tudo se volta ao trabalho do educador. O professor deve assumir uma postura não apenas de ensinante, mas de formador de cidadãos através de uma relação amigável, confiável e significativa.

Para que o professor se torne eficiente no processo ensino-aprendizagem, à realidade em que desenvolve a sua prática pedagógica, faz-se necessário que o mesmo disponha de tempo e interesse para estudar, se informar, pesquisar, reflectir, se preparar enfim para a sua jornada docente. E, antes de tudo, despertar a sua consciência para a sua real função nesse complexo processo.

A tarefa do professor é vista como determinante na criação de clima de aprendizagem e certas qualidades como paciência, dedicação, vontade de ajudar e atitude democrática, facilitam a aprendizagem. Ao contrário de atitudes de autoritarismo, inimizade e o desinteresse que podem levar o aluno a desinteressar-se pela aprendizagem.

II.I As metodologias

No que respeita as opções de estratégias de intervenção que contribuem de forma decisiva para a aprendizagem e desenvolvimento dos educandos, devem estar ajustadas as especificidades individuais e contextuais presentes: tempo, espaço, recursos materiais.

Os métodos de ensino são as formas através das quais os professores irão trabalhar os diversos conteúdos com a finalidade de atingirem os objectivos propostos. Compreende as estratégias e procedimentos adoptados no ensino por professores e alunos. Os métodos se caracterizam por acções conscientes, planeadas e controlados, e visam atingir, além dos objectivos gerais e específicos propostos, algum nível de generalização.

Os métodos didácticos ou metodologias a serem aplicadas, devem possibilitar a livre participação do aluno, a discussão e a troca de ideias com os colegas e a elaboração pessoal do conhecimento das diversas matérias.

O funcionamento dos grupos de trabalho contribui de forma significativa para o funcionamento de cada um dos seus elementos, assim a observação e conhecimento da dinâmica de relacionamento interpessoal de grupo turma e o estatuto de cada aluno constituir-se-ão como elementos importantes e informadores das metodologias de gestão da sala de aula.

  1. O espaço escolar

O espaço escolar deve contribuir para a qualidade global do ambiente de aprendizagem. A identificação objectiva de necessidades e recursos disponíveis facilitara a regulação dos procedimentos e a introdução de ajustamentos quando se revele necessário.

José Morgado (1997:8), afirma que os espaços onde se desenvolvem actividades educativas devem assumir características como “confortareis e agradáveis, na medida em que o desempenho de qualidade também depende das condições ambientais” entretanto, relatos diversos que chegam aos nossos ouvidos de crianças que estudam em ambientes desajustados as recomendações didácticas. Ambientes que mostram-nos diferenças de oportunidades para aprendentes do mesmo nível de ensino.

O Regulamento Geral do Ensino Básico no seu artigo VI, estabelece como condições de funcionamento das escolas as seguintes:

  1. As escolas do Ensino Básico tanto públicas como privadas deverão funcionar em edifícios próprios, com mobiliário, biblioteca material didáctico, um posto de primeiros socorros e com boas condições de salubridade, acesso a água potável, casas de banho e/ ou latrinas, e garantir o acesso aos portadores de deficiência.

  1. O edifício escolar deve ser construído em local adequado aos fins educativos.

  1. A construção ou a adaptação de edifícios escolares deve respeitar as normas pedagógicas, de higiene, dos alunos portadores de deficiências e as previstas pelo órgão que superintende as obras públicas, devendo as Direcções das escolas fazer o acompanhamento.

  1. O mobiliário e o equipamento das salas de aula deverá ser constituído no mínimo por:

a) Um quadro preto;

b) Secretária e cadeira para o professor;

c) Carteiras;

d) Um armário para o material didáctico e trabalhos feitos pelos alunos;

e) Caixa métrica;

f) Equipamentos específicos param alunos com necessidades educativas especiais;

g) Um Kit de material de primeiros socorros.

  1. Nas escolas situadas junto das estradas e linhas férreas deve existir um dispositivo de segurança.

Este conjunto de requisitos estabelecidos pelo Regulamento do Ensino Básico, traz-nos uma controvérsia com o que está se verificando nas nossas instituições escolares. As desigualdades sociais também operam no funcionamento da instituição escolar, quer através da produção de resultados escolares quer através da sua influência na atribuição de bens e recursos necessários a uma educação condigna.

A democratização do ensino e a explosão escolar podem ser considerados como os factores que condicionam essa desigualdade de oportunidades pois, as escolas urbanas na sua maioria podem estar sujeitas a aquilo que Rui Canário (2005:162) diz

As políticas educativas direccionada a estes públicos estão baseadas a uma discriminação positiva passando da perspectiva de igualdade de oportunidades para combate a exclusão”.

Nos deparamos com duas situações com realidades diferentes, uma em que as condições físicas são favoráveis a aprendizagem e uma outra completamente desajustada. O que podemos perceber, é que o tipo de sala de aula, a disposição das carteiras e a posição dos alunos, por exemplo, são aspectos importantes na aprendizagem. Mas, o que faz muita diferença nas escolas é o professor como maior co-responsável pelo sucesso e obtenção de resultados muito satisfatórios. Não existe fórmula pronta, pois a escola é dinâmica, é viva e cada um tem a sua realidade e condições que lhe são peculiares.

Conclusão

Levar a cabo actividades propícias à desenvolvimento humano de determinadas competências, requer espaços favoráveis a esse desenvolvimento. Espaços onde se possa criar um ambiente de respeito e aceitação mútua, propício ao desafio para os benefícios do trabalho em equipa. O exposto acima desenvolvido, tenta fazer um olhar sobre os espaços comuns de aprendizagem, onde reflectimos sobre duas realidades opostas que juntas enfrentam desafios para um mesmo objectivo “desenvolvimento de competências humanas”.

No âmbito escolar, certos requisitos como: estrutura dos estabelecimentos, metodologias e vontade dos alunos são importantes para efectivação de bons resultados educativo. Actualmente temos nos deparado com escolas que não se apresentam em condições de albergar aprendentes. Mas se a questão que se coloca é ensino-aprendizagem o professor que apresenta qualidades como: paciência, dedicação, vontade de ajudar e atitude democrática, facilitam a aprendizagem. Além disso, métodos didácticos que possibilitam a livre participação do aluno, a discussão e a troca de ideias com os colegas e a elaboração pessoal do conhecimento das diversas matérias, contribuem de forma decisiva para a aprendizagem e desenvolvimento da personalidade dos educandos.

Sendo assim, a participação do professor é vista como um indicador-chave na criação de bons ambientes de aprendizagem.

Não podemos deixar a responsabilidade de criação de ambientes educativos na responsabilidade do professor, poi. Ele sozinho não poderá fazer “milagres” preciso um envolvimento de todos que fazem parte do sistema educacional, oferecendo melhores condições de trabalho aos professores. E primeiramente isto passa pela;

  • Construção de instituições educativas ao invés de instituições escolares.

Referências Bibliográficas

NOGUEROL, Artur. Aprender na Escola: Técnicas de Estudo e Aprendizagem. Porto Alegre. Artmed, 1999

MORGADO, José. A relação pedagógica: ensinar e aprender. Editora presença. Lisboa 1997

BORDENAVE, J. D; PEREIRA, A. M. Estratégias de Ensino e Aprendizagem. 24ªed. Rio de Janeiro: Vozes, 2000

Ambiente educativo VS Bom desempenho

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