Dialogos em Psicologia Social - Ana Maria Jaco-Vilela

Dialogos em Psicologia Social - Ana Maria Jaco-Vilela

(Parte 1 de 12)

Ana Maria Jacó-Vilela

Leny Sato Organizadoras

Ana Maria Jacó-Vilela

Leny Sato Organizadoras

Ana Maria Jacó-Vilela

Leny Sato Organizadoras

Ana Maria Jacó-Vilela

Leny Sato Organizadoras

Diálogos em Psicologia Social

Rio de Janeiro 2012

Ana Maria Jacó-Vilela

Leny Sato Organizadoras

Diálogos em Psicologia Social

Rio de Janeiro 2012

Ana Maria Jacó-Vilela

Leny Sato Organizadoras

Diálogos em Psicologia Social

Rio de Janeiro 2012

Esta publicação é parte da Biblioteca Virtual de Ciências Humanas do Centro Edelstein de Pesquisas Sociais ?w.bvce.org

Copyright © 2012,Ana Maria Jacó-Vilela e Leny Sato Copyright © 2012desta edição on-line: CentroEdelstein de Pesquisas Sociais Ano da última edição:2007,Editora Evangraf Ltda.

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APRESENTAÇÃOVI
PREFÁCIOX
CAPÍTULO 11

A razão inconstante: ciência, saber e legitimação social Kenneth Rochel de Camargo Jr.

CAPÍTULO 224

O que é mesmo Psicologia Social? Uma perspectiva crítica de sua história e seu estado hoje

Pedrinho Guareschi

CAPÍTULO 345

Psicologia Social da memória: sobre memórias históricas e memórias geracionais

Celso Pereira de Sá

CAPÍTULO 456

Armadilhas e alternativas nos processos educacionais e na formação de professores: uma análise na perspectivada psicologia sócio–histórica

Wanda Maria Junqueira deAguiar

CAPÍTULO 569

Interfaces entre educação não formal e juventude

Cleci Maraschin Carolina Seibel Deisemer Gorczevski

CAPÍTULO 685

Transcendência e violência Jurandir Freire Costa

CAPÍTULO 7101

Juventude, Política e Religião: um pretexto para discutir ética, violência e direitos humanos na sociedade contemporânea

Luiz Alberto Oliveira Gonçalves

CAPÍTULO 8121

Direitos humanos e responsabilidade ética no exercício da psicologia Andrea Ferrero

CAPÍTULO 9133

Gênero em contextos rurais: a liberdade de ir e vir e o controle da sexualidade das mulheres no sertão de Pernambuco

Rosineide de L. M. Cordeiro

CAPÍTULO 10144

Sexualidade, gênero e gerações: continuando o debate Maria Juracy Filgueiras Toneli

CAPÍTULO 1164

A formação de psicólogos na Argentina: a Psicologia Social de Pichon- Rivière

Hugo Klappenbach

CAPÍTULO 12196

Palavra e saberes psicológicos na história da cultura brasileira Marina Massimi

CAPÍTULO 13212

Por uma epistemologia historicamente orientada da Psicologia Iray Carone

CAPÍTULO 14227

A criança negra no Brasil Mary Del Priore

CAPÍTULO 15249

Infância, adolescência e a família: práticaspsi, sociedade contemporânea e produção de subjetividade

Neuza Guareschi

CAPÍTULO 16264

A produção das infâncias e adolescências pelo Direito

Edinete Maria Rosa Eda Terezinha de Oliveira Tassara

CAPÍTULO 17280

Infância na mídia brasileira e ideologia

Fúlvia Rosemberg Marcelo P. de Andrade

CAPÍTULO 18303

Emoções e mídia Ronald João Jacques Arendt

CAPÍTULO 19318

Sociedade civilversusviolência ( hipóteses brasileiras )

Céli Regina Jardim Pinto IV

CAPÍTULO 20330

A democracia e a organização social de base Aécio Gomes de Matos

CAPÍTULO 21347

Processos organizativos e ação pública: as possibilidades emancipatórias do lugar

Peter Kevin Spink

CAPÍTULO 2365
Intervenção psicossocial e compromisso: desafios às políticas públicas

Maria de Fátima Quintal de Freitas

CAPÍTULO 23382

Sobre a promoção da saúde: tensões entre o risco na modalidade da aventura e as estratégias contemporâneas de biocontrole

Mary Jane P. Spink

CAPÍTULO 24402

A psicologia e os desafios contemporâneos da reforma psiquiátrica Maria Cristina Campello Lavrador

CAPÍTULO 25414

Médicos, mulheres e cesáreas: a construção do parto normal com “um risco” e a medicalização do parto no Brasil

Alessandra Sampaio Chacham

CAPÍTULO 26445

Trabalho, organizações e instituições José Newton Garcia de Araújo

CAPÍTULO 27462

O trabalho na perspectiva daspolíticas públicas Odair Furtado

O título desse livro expressa tanto o produto como oprocessoque culminou em sua elaboração.

Diálogos em Psicologia Socialé o tema doXIVEncontro Nacional da

ABRAPSO. A definição do tema bem como os tipos de diálogos que se queriam presentes foram construídos paulatinamente, num processo dialógico.

Desde que essa diretoria daABRAPSOiniciou o trabalho de organização doXIVEncontro Nacional, desencadeamos um processode consulta, discussão e definição de detalhes do próprio Encontro. Com intensa participação das diretorias regionais e das coordenações dos núcleos criaram-se as Comissões Científica e Organizadora. Emboraesta, por suas próprias funções, tenha sido composta por sócios daABRAPSOde universidades do Rio de Janeiro, a Comissão Científica foi composta por sócios daABRAPSOindicados pela Diretoria, pelosVice-Presidentes Regionais e pelos Coordenadores de Núcleo. Construímos, assim, uma Comissão composta por16membros, oriundos de diferentes universidades de todo o país. Esta Comissão funciona como Conselho Editorial deste livro.

A Diretoria daABRAPSOsugeriu que o tema do Encontro fosse

“Diálogos em Psicologia Social”. Com a Comissão Científica já funcionando,evidenciou-se serem diversos os objetos dos diálogos que se entendiam importantes: epistemológicos, metodológicos, éticos, políticos, estéticos e com as políticas públicas.

Com essa primeira definição, continuamos ointenso processo de troca e reflexão entre os membros da Comissão Científica para a composição doelencodos eixos temáticos que vieram a aglutinar as contribuições da psicologia social na atualidade. Foram definidos dez eixos que cumpriram o papel de aglutinar as contribuições na forma de pôsteres, sessões temáticas e mesas-redondas. Os eixos temáticos e o escopo de sua continência são:

1. Educação: abriga contribuições que se situem na interface da

Psicologia Social e Educação, abrangendo tanto a educação escolar quanto a educação no sentido lato que se dá nas demais esferas da vida social, envolvendo o atual debate sobre educação como direito, dispositivo de cidadania e, fundamentalmente, condição de aprofundamento da democracia;

2. Ética, violências e direitos humanos: acolhe trabalhos que focalizem três eixos de reflexão que norteiam a convivência entre pessoas em diversas esferas da vida social: os valores éticos, as distintas formas de violência material e simbólica e os direitos humanos;

3. Gênero, sexualidade, etnia e geração: acolhe experiências, estudos e/oupesquisas que focalizam o poder, em sua dimensão relacional, que se organiza em posições identitárias e práticas interpessoais, institucionais e culturais, marcadas por categorias e sistemas sociais tais como: idade– geração, orientação sexual, raça–etnia, sexo–gênero;

4. Histórias, teorias e metodologias: recebe trabalhos sobre as diferentes histórias da psicologia social, suas teorias e metodologias. Acolhe contribuições que as tratem de forma singularizada ou em estreito dialogo. Diferentes perspectivas epistemológicas são bem-vindas;

5. Infâncias, adolescências e famílias: visa a abordagem da construção social dos conceitos de infância, adolescência e família, bem como novas formas de relações familiares, juventude e identidades;

6. Mídia, comunicação e linguagem: trata das contribuições sobre os processos que envolvem a produção discursiva em contextos midiáticos e os processos de subjetivação mediados pela comunicação globalizada na sociedade contemporânea;

7. Política: recepciona contribuições que focalizem fenômenos políticos como comportamento eleitoral, movimentos sociais e ações coletivas, discursos políticos e participação social/esferapública, desde a articulação entre psicologia social e política;

8. Processos organizativos, comunidades e práticas sociais: visa fortalecer o dialogo entre três linhas importantes de estudo e intervenção em psicologia social: as comunidades, os grupos sociais formais e informais e os diferentes tipos e práticas organizativas.Acolhe trabalhos que se insiram em qualquer uma dessas linhas ou busquem articulá-las;

9. Saúde: abriga contribuições que se situem na interface da psicologia social e saúde, abrangendo tanto saúde coletiva, saúde pública, quanto saúde mental, envolvendoo atual debate sobre saúde como direito e dispositivo de cidadania;

10. Trabalho: congrega contribuições que focalizem as diversas configurações do trabalho, do emprego e do desemprego na sociedade contemporânea.

O processo de definição desses eixos foi momento propício para que se explicitassem os grandes temas que imantam as linhas de pesquisa na psicologia social brasileira.

Posteriormente, a Comissão Científica procedeu à indicação de nomes de pesquisadores que pudessem compor os simpósios e proferir a conferência de abertura. Novamente, aqui, a potencialidade de estabelecimento de diálogo expressando as diferenças teórico–metodológicas, as diversas construções de objetos, a sua consequente diversidade de encaminhamentos no trabalho de pesquisa e de intervenção foram também contempladas.

Acrescentamos um simpósio, sobre “Psicologia Social”. Finalmente, com a conferência de abertura pretendeu-se que os diversos diálogos pudessem ser acolhidos.

Esse livro apresenta textos integrais de todos os simpósios e da conferencia de abertura, totalizando vinte e sete artigos. A partir da leitura dos títulos das contribuições, no sumário, já é possível vislumbrar os caminhos tomados nas diversas apresentações.

Consideramos que esse livro apresenta, além da contribuiçãosingular e importante de cada autor, uma mostra do atual debate da psicologia social entre nós.

OsDiálogos em Psicologia Socialnão se tornariam públicos sem o apoio e o esforço de Pedrinho Guareschi, a quem agradecemos.

Ana Maria Jacó-Vilela Leny Sato

Transfiguro a realidade e então outra realidade, sonhadora e sonâmbula, me cria. Clarice Lispector

Os Encontros Nacionais daABRAPSOestão inscritos no calendário da psicologia brasileira e latino-americana. Nesses quase trinta anos de história,consolidaram um determinado modo de produzir conhecimentos/de intervir comprometido com a crítica às condições de possibilidades que instituem realidades díspares e, ao mesmo tempo, com a invenção de possibilidades outras a serem criadas no diálogo com aspessoas com as quais se trabalha.

Diálogos nos encontros, Encontros que buscam renovar diálogos.

Reflexões históricas e conceituais em pauta, assim como discussões sobre temáticas e campos consolidados no universopsiestão propostos para este XIVEncontro Nacional daABRAPSO. Somam-se a estes o debate sobre temáticas atuais que ocupam o espaço da mídia cotidianamente e se apresentam a cada um de nós com a arrogância que lhes é própria. Violências várias, direitos anunciados e a muitos negados, políticasplurais a serem reivindicadas e produzidas.

O caos urbano, as ( in )

falseadasLista infindável do que se apresenta como provocação a clamar

visibilidades, os discursos recorrentes, as práticas mesmas a reiterar naturalizações forçadas, os abandonos, as promessas, as reincidências, as histórias não contadas, as memórias a responsividade que nos conota, demandando a transfiguração que Clarice Lispector anuncia na epígrafe.

Transfiguração a provocar, por sua vez, ainda que sonhada e sonambulamente, acriação de novas Marias e Clarices, eticamente comprometidas com o choro que irriga e fertiliza o solo necessário à germinação de realidades outras. Que esseXIVEncontro nos provoque nesse sentido, que nos engravide do desejo da história, do debate, da luta, da necessidade de reinvenção de saberes/fazeres, é o que todos esperamos.

Andréa Vieira Zanella Universidade Federal de Santa Catarina

CAPÍTULO1

Kenneth Rochel de Camargo Jr. Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Apresentação

roponho uma tese: a de que um modelo científico ultrapassado do ponto de vista do desenvolvimento da pesquisa sobrevive na concepção do senso comumsobre a ciência, e que esta permanência tem consequências de várias ordens, da epistemologia à política. Este modelo ultrapassado é o do determinismo da mecânica clássica, que além de ser um modelo sobre como as coisas são, também é um modelo de comoconhecê-las; segundo esse modelo, a realidade é a causa única do conhecer, e o conhecimento verdadeiro e, portanto confiável, é apenas o que segue esse modelo. Este pressupõe ainda que esse conhecimento verdadeiro é o que determina a atuação racional humana. Apresento um instrumental de análise crítica, baseado no trabalho de Ludwik Fleck, que permite, a meu ver, expor esse componente anacrônico, bem como possibilitar o estabelecimento de um diálogo efetivo sobre diferentes modos de conhecer, a partir de uma versão empiricamente abordável do que entendo por “conhecimento”. Trago por fim um exemplo dessa permanência com base nos discursos correntes sobre a genética.

Darazão inconstante

Este texto trata das implicações concretas de um conjunto de questões teóricas, mais exatamente epistemológicas, partindo de um fato da vida na sociedade contemporânea: há um conjunto de intervenções, quer na vida de indivíduos, quer em coletividades, que é operado por agentes profissionais socialmente tidos como legítimos paraoperar essas intervenções, que se apresenta como a aplicação de um conhecimento confiável. Científico, exato, objetivo e verdadeiro, os adjetivos se multiplicam para reforçar aideiade confiabilidade.

Como exemplo, pensemos na minha área de origem, a Saúde Pública.

De forma minimalista, poderíamos dizer que este rótulo abarca um conjunto de saberes e práticas que se ocupam da saúde de populações. Em sua origem histórica, no preventivismo clássico, esta relação era o fundamento de intervenções maciças sobre a sociedade, eventualmente com grau importante de eficácia, mesmo que de modo brutal—veja-se, por exemplo,a relação das medidas de saneamento urbano de Oswaldo Cruz com o “bota-abaixo” de Pereira Passos. Ainda que matizada, esta vertente de intervençãoestá ainda hoje presente com maior ou menor intensidade de um modo difuso nessa área, quer mais explicitamente, como no caso das atividades de Planejamento e Administração em Saúde, quer mais indiretamente, no caso das recomendações derivadas dos estudosepidemiológicos.

Dito de outra forma, parte importante do conhecimento produzido ou utilizado neste campo tão complexo está a serviço de práticas normativas, o que traz invariavelmente a necessidade de um propósito ético como ideal regulador. A utilizaçãoacrítica do conhecimento técnico em intervenções nos coletivos humanos é um tema já bastante abordado, tanto nas discussões sobre o caráter tecnocrático de uma ou outra política governamental, quanto num nível mais micro no exame das relações de poder entre especialistas e população como, por exemplo naextensa literatura sobre o processo de medicalização social. Contudo, o fato da produção sobre este tema ser extensa não quer dizer que se esteja atentando devidamente para as suas implicações.

Uma linha estratégica de investigação neste sentido é a das várias abordagens sobre o processo de produção e validação do conhecimento científico. Esta abordagem é estratégica precisamente por ser este tipo de saber o que determina o sentido e a lógica das intervençõessobre osocius nos moldes criticados. “Está mais do que na hora de recuperar uma característica central do iluminismo: a crítica, mesmo se, como se verá, o seu exercício devesse hoje denunciar a unilateralidade do iluminismo e da civilização forjada pelamodernidade” ( PLASTINO, 1996:197 )

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